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segunda-feira, 11 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 13



BUSINESS AS USUAL .
De volta aos negócios.

Kenora (Ontario) 11 julho 2013


Para quem já viveu situação semelhante sabe o sufoco pelo qual passei. Principalmente considerando-se os problemas para permitirem minha entrada no país. Só pensava na policial enfezada que me barrou. Tudo isto me veio à mente quando tive meus 3 cartões bloqueados (crédito e débito) e me vi com apenas 60 dólares canadenses no bolso, o que me garantia apenas mais uma estadia no hotel.


Descrever os acontecimentos de uma forma jocosa numa postagem é apenas uma forma de aliviar a tensão. Até mesmo de tentar reduzir o tamanho do problema e, egoisticamente talvez, dividi-lo com vocês.

A famosa Lei de Murphy tomou conta da situação desde o início, aconteceu de tudo mas não vale a pena cansa-los com detalhes. Um dia serão liberados, com parcimônia, ao redor de uma garrafa de Jack Daniel's Fire.

O mais importante foram vocês me mantendo equilibrado (o que é uma façanha e tanto) e protegido buscando soluções e me colocando, novamente, na estrada.

Foi incrível a cadeia de solidariedade que se criou a partir de Brasil, USA e Canada quando relatei meu problema no FB. Em menos de 10 segundos me atiraram o primeiro salva-vidas. E foi assim até a solução da melódia. Vocês são o que há de melhor. 

Obrigado a todos(as) e a cada um(a) daqueles(as) que se fizeram meu anjo protetor.

Beijos, muitos, porém sem viadagem, a todos...


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domingo, 10 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 12



THUNDER BAY - KENORA


10 julho 2016


Ontem, depois de uma puxada de 480 Km e após ver a previsão da meteorologia para hoje (nada boas), dormi cedo na esperança de acordar cheio de gas para enfrentar o que se previa pela frente: chuva e o tal de "thunderstorm" na parte da tarde.

No melhor do sono, às 2 da matina acordei com um berreiro desgraçado. Corri na janela para ver se a Helô estava metida na confusão. Não, nem precisava, uma baixinha gordinha plantou a mão nas fuças de um bêbado que já estava mesmo doido pra cair. A partir dai ninguém mais se entendia nem eu dormia. Isso durou mais de meia hora, até que vi um carro com aquelas luzes piscando em cima vindo na direção da lambança. Polícia, pensei. Não um taxi e pelo que notei o cara trabalha para o inferninho onde se deu o "arranca-rabo". Jogaram o pé-de-cana no banco de trás e, o mais interessante, a baixinha foi junto. Não sei se para terminar o serviço ou se era a proprietário do desinfeliz. 
Coisas dos hotéis "baixa-renda" que frequento.

3 e meia da manhã e acho que o sono também foi naquele taxi para ver o final do espetáculo. 6.30 pulei fora, banho, barba, tralha jogada de qualquer forma e vamos começar a trabalhar cedo para fugir da chuva.
Enchi o tanque da Helô, um capuccino, daqueles sem-vergonha de máquina em copo de isopor, um donuts (bleargh) e vamo que vamo.

Dessa vez a estrada começou com muitas e longas retas. Dava um sono desgraçado em motociclistas normais mas não em mim, não hoje. Eu fazia mais contas do que o Guido Mantega, o dia de hoje esta garantido mas o de amanhã só Deus sabe. O banco daqui bloqueou meu cartão de débito, o cartão de crédito está estourando o limite e tenho muito pouco em efectivo (nunca deixei isso acontecer mas sempre há uma primeira vez) .... Talvez dê para segurar dois dias. Mas essa é outra história....




Como eu ia dizendo,a estrada apesar de ótimo asfalto e bem sinalizada era monótona, as distancias entre as cidades aumentaram bastante. O risco de ficar sem gasolina existe e o trafego é, majoritariamente, de caminhões, moto-homes e motocicletas.


Por outro lado, uma surprêsa. Ontem reclamei bastante da falta de locais para estacionar perto de pontos especialmente atraentes. 
Hoje mordi a língua, encontrei uns 3 ou 4 desses locais melhor ainda do que sugeri: um mini-parque, todo arborizado, com mesas e bancos para pique-niques, banheiros e sempre ao lado de um lago ou à beira de um rio.












Se ontem agradeci à meteorologia o acerto na previsão de um belo dia, hoje agradeci pelo engano : sem chuva de Thunder Bay a Kenora.

Hoje foram 490 Km, nada mal para um velho motoqueiro.

Amanhã, bem, amanhã vai ser foda (perdoem-me o termo chulo). Vou reunir o departamento financeiro e analisar as alternativas que se nos apresentam (linda essa construção) : ou vendemos a Helô ou cozinhamos a bota de tio Hélio, como naquele filme de Carlitos. Foi cogitada a hipótese de um trabalho temporário como velho de aluguel mas, muito honrado pela lembrança, declinei da proposta.

Até manhã gente....e um abraço no amigo Johnnyboy Phd

sábado, 9 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 11



WAWA (Ontario) – THUNDER BAY (Ontario)

9 julho 2016



Hoje o dia foi perfeito, a começar pelo café da manhã. Ontem a polonesa dona do Motel já me deu as coordenadas exatas, sem possibilidade de erro. Quando perguntei horário e local do desjejum ela mandou na lata: “-A partir das 7 horas, você pega a estrada à esquerda, 4 Km à frente tem 3 restaurantes que servem desjejum a um ótimo preço”. Pronto, essa parte estava resolvida sem maiores delongas. Meu café foi uma banana que amadureceu no alforje da Helô e um comprimido de Diovan para controlar a bomba. Eu estava com pressa.




As previsões da meteorologia se confirmaram, o dia estava lindo. 17 gráus e sol, tempo ideal para pilotar. Coloquei a tal da “segunda pele”, que segura a onda muito bem, casaco de couro (que já estava esquecido), meias ainda um pouco molhadas (o secador de cabelo não deu conta) e a alegria de conseguirmos bailar, eu e a Helô, com uma certa elegância. Claro que ainda não tentamos o tango, dramático demais para nosso gosto.

A cada milha rodada a Trans Canada Highway, uma estrada apenas bonita porém monótona, ia ganhando vida. Apesar dos muitos consertos, a estrada passou a nos presentear com curvas suaves. Às vezes uma sequência delas, outras em ligeiros aclives e declives. Não é uma pilotagem brutal como o Rabo do Dragão mas, em compensação, você consegue olhar, curtir e sentir-se integrante das mais incríveis combinações de cenários com que a natureza nos surpreendia.





Aliás, o maior defeito da estrada é justamente esse. Por se repetirem cenários de tirar o fôlego, a vontade de parar é enorme mas o acostamento é mínimo. Por outro lado, existem muitas áreas para coleta de lixo com espaço para 30 a 40 carros no meio do nada. Bastava fazer essas áreas em alguns dos muitos locais incrivelmente belos. Parece que a mistura de francês com inglês não deu muito certo.

De qualquer forma consegui algumas fotos para vocês. Não me perdoaria se não o fizesse, com o risco de ganhar multas por parar no acostamento com pisca-alerta ligado.












Na estrada muitas motos, a maioria em grupos. Os caras sempre me cumprimentam e são muito simpáticos. O chato é cruzar com um “bonde”, você tem que cumprimentar todos. 

Já quase chegando a Thunder Bay parei para fazer umas fotos e um casal me cumprimentou ao ver nossa bandeira na Helô. Estavam em uma Trike, ele Bob (veterano do Vietnam) ela Lois (piloto de helicóptero). Batemos um longo papo e ele me deu umas dicas ótimas para British Columbia, ao final tiramos uma foto juntos e trocamos e-mails. Ele tem 78 anos e ela naturalmente não perguntei, os dois estão seguindo para o Alaska e na volta, dependendo de onde eu estiver, querem que passe na casa deles em Ohio. Saimos em seguida e acabamos nos encontrando novamente num restaurante alguns quilômetros à frente, agora ele estava com o grupo e fez questão de me apresentar. A maioria coroas, parece que a garotada não é muito chegada e uma estrada hoje em dia. 





Bem, missão cumprida, 480 Km feitos apenas 1 hora acima do estimado pelo GPS. O desinfeliz não considera paradas hidráulicas, gasolina e fotos. Acho até que ficou barato. Para amanhã ainda vou decidir. Meteorologia antes de mais nada.



Beijos e abraços a quem de direito....

sexta-feira, 8 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 10



MCKERROW (Ontario) – WAWA (Ontario)


8 julho 2016


Acordei hoje sob protestos. Apesar de deitar e pegar no sono imediatamente ontem, queria dormir um pouquinho mais, coisa de umas 10 ou 12 horas. Mas não tive escapatória: pulei da cama, banho para acabar de acordar, bagagem já previamente organizada e vamos ao café. Bem, eu não tenho preconceito, apenas evito ficar em hotel administrado por indianos. Eles são feras em um monte de áreas mas hotelaria não é o forte da casa. Eram 7.30 h e a família que toma conta do hotel dormia a sono solto. Quando vi os talheres de plástico, que em alguns lugares vem lacrados, em outros separados (faca, garfo e colher) em recipientes adequados, desisti de vez. Estavam todos misturados, em uma grande cesta que já teve dias melhores e as cores variavam do branco, ao amarelo encardido tantas foram as vezes em que foram utilizados. Sai o mais rápido possível dali, para evitar a tentação de jogar tudo no lixo. Foi meu erro. 

Logo que sai parei no primeiro posto de gasolina para tomar um café e comer o famigerado (e melado) donuts. Aproveitei para completar o óleo da Helô (300 ml) e o dono do posto ficou espantado ao ver-me colocar o Mobil 15W 40 para motores diesel na Helô. 

Depois de rodar 30 milhas parei para fazer uma foto e só então percebi que esqueci a bateria da câmera com o respectivo carregador. Claro que voltei mas já comecei perdendo um pedaço do meu esforço para acordar cedo.

Eu estava preocupado com a Trans Canada, afinal atravessa uma região enorme e escassamente povoada. Cidades de 400 habitantes ou menos são comuns. Na realidade muitas vezes nem as vemos, apenas placas que parecem estar ali para testemunhar que continuam existindo.

Gasolina, comida e cama eram minhas maiores preocupações (bem isso até ver uma placa dizendo “DON’T FEED BEARS”). No mapa a região parece um deserto mas na realidade trata-se de uma combinação de florestas nativas com muita água. Lagos, laguinhos, lagões (onde você não vê a outra margem) se sucedem ao longo da estrada, formando quadros que de tão bonitos parecem artificiais. O maior pecado cometido no projeto da estrada foi a falta de mirantes e locais para estacionar. Eu tentava parar mas o acostamento é feito de um pó de pedra muito macio e quase atolei com a Helô. Os americanos nisso dão aula.









De qualquer forma eu estava querendo cumprir uma etapa maior e tentei otimizar ao máximo a viagem. Passei por Sault Ste Marie, uma cidade de 75.000 habitantes, o que em termos de Canadá (com 30 milhões de habitantes) é considerada uma cidade grande. Almocei num restaurante da cadeia Husky, indicado pelo Rapha, que tem comida boa e preços civilizados. Agora eu iria adiantar ao máximo para amanhã alcançar Thunder Bay. 

Helô abastecida, eu com a barriga cheia e agora era hora de enroscar o cabo com vontade. 

Um parênteses, a velocidade máxima é 90 Km mas se você andar a menos de 110 Km vai ser ultrapassado até por bicicleta, o pessoal tem pé pesado e não vi um carro da polícia, apenas quando passávamos pelas cidadezinhas, fecha parênteses.




Bem, eu nem cheguei a dar uma boa esticada e começou uma chuva daquelas enjoadas, nem lava a pista nem para de chover. Por via das dúvidas coloquei a roupa de chuva e fui em frente mas a chuva foi aumentando transformando-se numa tempestade com raios e trovões. A temperatura caiu uma barbaridade, chegou a 14 gráus ! No momento em que percebi que estava com a Helô na contra-mão decidi: hora de parar (aliás passou da hora, né). Esperei uns 40 minutos, a chuva amainou e me mandei para achar um hotel antes que escurecesse, fui achar o hotel 120 Km depois, em Wawa, onde estou no momento trabalhando nestas mal traçadas.





Já olhei a previsão para amanhã, aqui e em Thunder Bay e parece que vai melhorar. Hoje fiz 450 Km (200 km debaixo de chuva) e amanhã, se tudo correr bem, faço outro tanto.



Por hoje é só, abraços e beijos

quinta-feira, 7 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 9



NIAGARA FALLS (Ontario) - ETOBICOKE (Ontario) – MCKERROW (Ontario)




6 e 7 julho 2016-07-07



Ontem o dia foi tão atribulado e prazeroso que, por uma questão de prioridade, resolvi não escrever e dedicar-me a solucionar um problema urgente: performance da Helô; além de curtir o encontro com pessoas queridas: Raphael Pieroni e Amalia. 

Aproveitando a dica do Carl Norberto Oliveira sobre a HD de Niagara-on-the-lake, descobri o endereço e o horário de atendimento deles. Acordei bem cedo, arrumei a bagagem, engoli um resto de pizza gelada empurrada por um copo de chá gelado e parti para o Dealer. Embora a oficina abrisse à 9 a loja abria uma hora mais cedo. Cheguei às 8 em ponto, ao mesmo tempo que a gerente de Atendimento, a Carol. Expliquei que não tinha feito agendamento e que estava no meio de uma viagem. Um dos mecânicos, o Claude, estava também chegando e ela conversou com ele que também simpatizou pelo meu caso. Bem, isso até começarmos a conversar. Foi a primeira vez, em toda minha vida, que vi alguém (além de meus professores, lógico) perder a paciência com meu inglês. Ele não entendia quase nada  ficava olhando para o céu e resmungando: “-Mon Dieu, Mon Dieu !”. A Carol, que entendia tudo, passou a fazer o meio de campo e a coisa começou a funcionar. Ele levou a moto para dentro da oficina e disse que não tinha barulho de corrente esticada. Eu teimei, através da Carol, ele acabou tirando a janela de inspeção da caixa da primária. Quando ele tocou a parte superior da corrente arregalou os olhos e soltou outro “Mon Dieu”. Resumindo, o mecanismo de regulagem automática colocado no Colorado travou numa posição que deixou a corrente muito tensa. Trabalho pela frente, drenar óleo, tirar tampa da primária, etc.... Já as válvulas ele acha que o som esta normal, eu ainda acho que bate um pouco mas prefiro os tuchos mais folgados do que mais apertados, além disso com a temperatura que está fazendo é normal baixar o grau de viscosidade do óleo aumentando o som dos tuchos. Trocamos também as pastilhas do freio traseiro que foram para o vinagre, afinal são 3 anos de Rabo do Dragão e ele deu um trato no cabo do acelerador, limpando-o e lubrificando-o o que tornou o funcionamento bem mais suave. 





Sai de lá com a Helô parecendo outra moto. Ou melhor, voltando a ser a Helô das nossas grandes aventuras. Sumiram os barulhos e a pilotagem ficou bem mais gostosa com o acelerador suave. Aproveitei pata fazer algumas fotos ao longo da estrada sempre que conseguia algum local para estacionar, o que é muito raro.



Parti então para a casa do Raphael, um dos componentes da família que é uma lenda no meio dos jipeiros: Os Pieroni..... Meus amigos, conheci essa turma por volta do ano 2000 em um passeio de Jipes em São Paulo. Nos adotamos mutuamente, o Henrique adora jipes, motos e trabalha na área de informática, a Helena, sua esposa, pilota a Camper, ou a Bonanza, ou a outra Camper, ou a Veraneio......(o cara é um acumulador de encrencas).......mas voltando, ela pilota ainda melhor do que ele. Raphael, Amanda e Luigi não ficam atrás. Todos curtem 4 X 4, motos e grandes viagens. O Rapha e a Amália, sua esposa, decidiram imigrar para o Canada, correram atrás e há dois anos estão estabelecidos aqui, ambos trabalhando na área de informática, ele como gerente de TI e ela programadora. 

Como a cidade não tem estacionamentos, parei num posto de gasolina próximo à casa deles, esperando chegarem do trabalho. Uns 20 minutos depois o momento mais emocionante para quem esta longe de casa, o encontro com duas pessoas que, naquele momento, representam todos os que deixamos para trás no início desta jornada. É como se fossem uma ponte que nos transporta a todos vocês. Foi muito bom, uma pena que meu tempo está escoando (não pensem asneiras seus sacanas, é o tempo do visto canadense !). De qualquer forma peguei uma sandália e uma bermuda do Rapha e fomos passear no parque em frente ao condomínio em que moram. 









Mais tarde ligamos para a Helena e para o Henrique, que devem vir no final de agosto. Aproveitei para combinar com o Henrique a compra de um 4 X 4 bem velho para a gente ir ao Alaska. Claro que ele topou na hora.

Hoje pela manhã, o momento doído das despedidas, segui o Rapha até a saída da cidade, a emoção foi tão grande que errei o caminho mas um artista não se impressiona com facilidade e acabamos (eu o GPS e a Helô) No caminho certo.....assim espero.

Passei por Barrie e planejava parar em Sudbury mas como eu estava bem e a Helô soberba, resolvi fazer um esforço e ir até Sault Ste Marie. Parei em Española para almoçar o mais terrível bife de fígado que já vi (só descobri o que era ao final) . Montei na Helô e após rodar uns 10 Km uma tremenda fila de carros. Um conserto em uma ponte obrigou-me, debaixo de um sol canicular, ficar por 2 horas parado. Todo mundo nos carros com ar condicionado e eu debaixo do sol. Uma senhora, que estava 2 carros à minha frente, trouxe-me uma garrafa de água mineral que foi a salvação da lavoura. Mais uma que entra na relação dos anjos que, inesperadamente, aparecem na minha vida. Acredite quem quiser.




Quando conseguimos passar do trecho interditado, resolvi parar num Motel pois o desgaste pelo sol foi muito grande. 

Vou dormir e amanhã volto cedo para a estrada. Ainda tenho 2.950 Km para engolir até Calgary...

Abraços e beijos....