TOTAL DE VISUALIZAÇÕES

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Green River - Monticello

Green River (UT)  -  Monticello (UT)     5 de agosto de 2013
Hoje, aproveitando que fica no caminho, foi dia de conhecer o Canyonland National Park, em Moab. Acordei cedo, para meus padrões, fiz o check-out, montei a tralha na moto pois depois do parque seguiria meu roteiro e fui em busca da estrada. Encontrei-a bem rápido passando em frente a meu hotel e ela, a estrada, já merece uma nota bem alta e com louvor. Poucos carros, muitas curvas em subidas e descidas e uma paisagem de tirar o folego. Pena que era curtinha, umas 25 milhas até o Visitor Center mas também depois que voce entra no parque, as alternativas de vistas são sencacionais. Na realidade voce está sobre um enorme platö, onde a estrada circula-o totalmente, permitindo diferentes angulos de observação.


 
Num lugar desses é impossível voce não virar criança ou se emocionar, na maioria das vezes as duas coisa ao mesmo tempo, para desespero de meus amigos motoqueiros malvadões. A energia que nos envolve é algo de que jamais me esquecerei. A presença de pessoas queridas é sentida quase fisicamente e impossível não se emocionar. Ao final, saio dalí montado com todo o garbo e elegancia na não menos elegante, fiel e incomparável parceira de aventuras matutando como uma máquina pode ter caráter e personalidade de causar inveja a muita gente. Coisas de motociclistas, coisas de um velho sem juizo...







 Estava procurando uns angulos melhores para fazer algumas fotos mais agressivas (sair daquele feijão com arroz de sempre) mas desisti rápido quando uns moleques começaram a gritar " -Look, the neanderthal man, the missing link !" Porra me chamar de "missing link" aí é ir longe demais. Se bem que cheguei a pensar em voltar lá com uns trajes adequados e cobrar 10 dólares por foto com o "missing link".
 
 
Após esta visita ao Canyonland National Park, peguei a estrada, a 191, pois a idéia era continuar até Mexican Hat porém os hotéis estavam lotados e acabei ficando em Monticello, único local onde encontrei vaga.

domingo, 4 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Green River

Green River - Archs National Park   4 de agosto de 2013


Hoje resolvi passar o dia rodando no Arches National Park que dista cerca de 50 milhas de meu hotel. Foi uma sábia decisão, voltei para o hotel cansado mas satisfeito com tudo o que ví e pelos locais em que passei. A entrada do parque é vedada a carros comerciais além de ser paga: moto 5 obamas mas é valido por uma semana. O Visitor Center, como todos aqui na terra de Marlboro, é coisa de profissionais, tem um anfiteatro com sessões de 30 minutos, com flimes didáticos sobre a história do parque. A estrada asfaltada que percorre o parque, embora sem acostamento na maioria dos trechos, é bem sinalizada e policiada pelos Park Rangers (a maioria mulheres), além de ter estacionamentos nos pontos de maior interesse.

 
 
 
 
 


 

sábado, 3 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Silt - Green River

Silt  ( CO) - Green River  (UT)     3 de agosto de 2013

A viagem começou com o termometro da moto marcando quase 43 gráus Celsius. Apesar de ir por uma Highway, a I-70, nesta parte do estado ela atravessa uma região lindíssima, correndo ao longo do rio Colorado, entre paredes de rocha e acompanhando o traçado sinuoso do rio. Uma pena que o acostamento é mínimo o que não permite fazer as fotos que gostaríamos, o risco de multa é muito alto. De qualquer forma o Colorado não nos decepcionou, muito ao contrário, proporcionando atrações para todos os gostos e todas as idades. Levo muitas e boas recordações deste estado onde encontrei muito das gerais de minha infancia.
 
 





 A entrada em Utah foi com pompa e circunstancia mas daí para a frente a região é desértica até Green River, onde me aboletei num Motel 6 da vida. Fiquei preocupado pois não encontrava posto de gasolina e o tanque estava baixando rápido. A velocidade máxima na região é 75 milhas mas o pessoal estava andando a 80/85. Acompanhei o ritmo no início mas a Helö começou a beber mais do que uma amante argentina. Reduzi o ritmo e pelos meus cálculos daria na conta do chá. Pouco antes do meu destino encontrei um posto caindo aos pedaços mas tinha gasolina, era o que interessava. Na chegada de Green River um enorme paredão ao longe anuncia o final do deserto. Acho que vou gostar de Utah, tem estilo !
 

 
 


 
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Leadville - Silt


Leadville (CO) - Silt (CO)       1 de agosto de 2013

ASPEN (CO) - Engraçado que Aspen não estava nos meus planos (a bem da verdade eu não tenho planos) e a idéia era sair de Leadsville e ir para Boulder por estradas secundárias mas depois da "vaca" de ontem resolvi que Aspen seria um desafio à altura do momento pelo qual eu passava. Nada como seguir a intuição. A estrada é cinematográfica, uma serra sem acostamento e guard-rails que isso é coisa de coxinha. Angulo de subida pronunciado, curvas em cotovelo e uma pista estreita que mal dá para dois carros. Mas o visual é lindíssimo apesar do perigo que representa uma pequena distração naquelas condições. Só quando a paisagem estava na minha frente é que eu arriscava uma olhadinha. A descida, embora não tenha os abismos tão radicais, em alguns trechos não dá mesmo para dois carros e isso sem falar nos trechos em que a terra corre para a estrada. Valeu a pena, a sensação de dominar a moto, sem presepadas e sem riscos desnecessários, apenas sabendo que está utilizando toda a sua bagagem e experiencia tornando a viagem segura e prazeirosa. Realmente hoje foi um dia que lavou a alma.
 
 
 

Quando eu ia chegando no famoso "Independence Pass", o ponto culminante da serra, vejo dois ciclistas chegando pedalando. Pomba, esse morro tem quase 4.000 metros de altura pensei, eles devem estar sem fala. Qual nada, os caras vieram conversar comigo e perguntaram se eu vim de moto desde o Brasil. Morri de vergonha e confessei que não mas limpei minha barra dizendo que foi por problemas diplomáticos (a taxa... de corrupção estava em alta). Depois disso eles pegaram barras de cereais, energizantes e hidrantes e me perguntaram se eu estava servido, aí foi minha vez de tirar uma onda: "- No meu país a Embrapa desenvolveu um tipo de banana que além disso tudo ainda tem um toque de Jack Daniels para ajudar a firmar o caráter". E sossegadamente sentado ao pé do letreiro comecei a sabarear a bananinha que levei do Brasil ( claro que foi roubada do hotel, pö).
 
 
Passei um bom tempo passeando pela cidade que é lindíssima e muito bem frequentada (eu era a exceção, naturalmente). Os hotéis caríssimos já me escanteavam para uma cidade próxima (Silt) mas ainda assim deu para sentir o astral. Imagino na alta estação (inverno) quando o Independence Pass fica fechado deixando Aspen isolada por terra. Uma coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de cãezinhos de estimação, impressionante. Eles levam os totós presos a uma espécie de trena e o bichinho anda uns 10 metros na frente do dono. A maioria é velho de cabelo pintado (cores assombrosas). Um amigo sugeriu que eu pintasse o cabelo de verde-oliva mas acho que não ficaria bem além do mais, para mim, lugar de cachorro é no habitat dele: a casa dos outros.
 
 
 
Os preços de hotéis e restaurantes fizeram com que eu fugisse dali como o cramunhão foge da cruz. Peguei um pouco de chuva na saída mas nada muito sério, assim fui pilotando na boa até chegar a Silt, uma simpática cidadezinha a 60  milhas de Aspen e com preços honestos. Acabei ficando mais um dia para conhecer a região.
 
 
 
 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

MARCHA PARA O OESTE - Cañon City - Leadville

Cañon City (CO)  -  Leadville (CO)   31 de julho de 2013
 
 Na saida de Cañon City existe um museu penitenciário bem próximo ao hotel em que fiquei e é, na realidade, uma ala desativada do presídio a que fica colado. Evitei o quanto pude mas na hora de ir embora a curiosidade falou mais alto, principalmente pela boa vontade da recepcionista que abriu o museu mais cedo por minha causa. Claro que isso me preocupou, quem sabe ela não estava pensando que eu era alguma peça que ganhou um fim de semana de folga e estava na hora de voltar ?
 
 
Camara de gas desativada já que agora as execuções são mais "humanas": injeção letal na veia.
 
 
Maioridade penal era a partir do momento que o garoto cometesse um crime. Esse menino, com 11 anos de idade em 1904, foi condenado a 25 anos de reclusão por ter matado um comerciante para roubar-lhe o relógio de ouro. Na foto ele já está com a roupa de presidiário.
 
 
 
 Uma cela feminina típica de 1920 e uma atual. A maior diferença é que não são permitidos bonecas, bichinhos e outros objetos pessoais.
Embora seja apenas um museu cujo objetivo e mostrar informações sobre uma época, a verdade é que a gente não se sente bem por muito tempo alí dentro é como se existisse uma vibração negativa que acaba por nos incomodar e confesso que senti um grande alívio quando sai com a Helö e peguei a estrada.
 
 
 
 Após sair daquele ambiente sombrio nada como pilotar uma moto para desintoxicar. Próximo a Florissant dei uma parada para consultar o mapa, já que o GPS tem mania de nos enviar para as Highways. Enquanto estou olhando o mapa um casal em uma BMW estaciona ao meu lado e oferece ajuda. Os dois, Vin e Eva, estão rodando o mundo, ele é australiano e ela polonesa. Ele saiu da Australia e foi para a Europa, de lá para a Africa e agora Estados Unidos. No próximo ano ele vai para o Brasil e já combinamos um encontro em Cabo Frio. É a fraternidade dos motociclistas.
 
 
 
Este "empório-cafe-saloon", em Hartsel, além de muito antigo é famoso na região por ser um point de ciclistas e motociclistas. Na hora em que estava chegando para almoçar este casal estava saindo. Faltavam ainda 400 milhas para chegarem a seu objetivo que eles pretendiam alcançar dentro de uma semana. Deixei os loucos para lá e fui tratar da minha barriga pois estava morrendo de fome.
 
 
O tal empório parou no tempo, aqui dentro se respira história. A mesa dos velhinhos é a mais barulhenta e onde a cerveja desce com mais generosidade. Quando eu pedí " ice tea" baixinho, a dona que me servia deu um berro "- ICE TEA ?" e todos ficaram em silencio me olhando. Fiquei tão encabulado, mas ao mesmo tempo puto que mandei em portuguës e em alto e bom som :
"- ...Porra, então bota qualquer merda aí !". Se ela entendeu ou não isso é outra história mas ela trouxe o puto do chá gelado. Agora o hamburguer é que foi flórida, levou mais de 30 minutos para ficar pronto, fiquei caladinho pois naquela região se voce fala que está com pressa eles mandam voce procurar um McDonalds. Em compensação veio um hamburguer que quase não cabia naqueles pratos grandes. Uma coisa de louco, só não tirei foto por que fiquei com medo da mulher empombar. A velhinha era brava prá cacete. Batatinha frita descascada é para fracos, a batata vinha com casaca e o que mais tivesse por perto. O hamburguer tinha quase 3 dedos de espessura e era carinhosamente envolvido em bacon pingando gordura. Se meu cardiologista, o Dr. Julio Melhado, souber disto me processa. Mas sobreviví. Após pagar fui ao "rest-room" tirar água do joelho e outra surpresa me aguardava: um enorme quadro negro na parede, com giz e tudo onde, ao invés de escrever na parede e na porta, os usuários colocavam suas teses, teorias e xingamentos alí. Claro que não me fiz de rogado e mandei lá: "Hélio from Brasil and FODA-SE !". Afinal era o que todos esperavam de mim, não é mesmo ?
 
 
 
 

 





Depois das peripécias do dia acabei encontrando um hotel em Leadsville e, muito cavalheiro, cedi minha vez para duas velhinhas no atendimento da recepção. As duas eram as líderes de uma excursão da First Baptist Church de algum lugar e tive que aguardar o registro de uns 30 velhos por causa disso. O pior estava para acontecer. Mais tarde, após tomar um banho resolvi sair para comer algo. As velhinhas estavam sentadas nos bancos do lado de fora apreciando o por do sol e eu, malvadão, subi na Helö cheio de "marra", liguei a danada e, com todos os olhos grudados em mim, preparei-me para A arrancada definitiva. Mal soltei a embreagem e o mundo desabou: a Helö deu um salto de uns 50 centimetros e atirou-se ao solo. Eu, como uma peça de salame, sai rolando e parei aos pés do banco onde 4 velhinhas seguravam o riso. Ao final veio um velho me ajudar a levantar e queria me ajudar a levantar a moto mas segurando a lanterna traseira. O que aconteceu ?




O lance foi o seguinte, algumas pessoas (muito bem intencionadas) viviam me aconselhando a comprar uma tranca para a Helö. Sou tão desligado com isso que até hoje não ativei o alarme da Thaís. De tanto ouvir comprei a bendita tranca, aquelas com segredo, linda. Deixei-a guardada no bagageiro esse tempo todo. Hoje resolvi utiliza-la. Dá um trabalho miserável desenroscar aquela goiaba mas finalmente consegui. À hora do jantar, as vans aguardando os velhinhos entrarem, resolvo também sair para comer algo. Claro que esqueci de tirar aquela bosta e foi uma "vaca" homérica. A primeira foto é a marca do pneu dianteiro no chão, a segunda mostra um dente quebrado da tranca ea terceira mostra o local para onde devem ir TODAS as trancas: LIXO !
 





Foto de Helio Rodrigues Silva.Foto de Helio Rodrigues Silva.Foto de Helio Rodrigues Silva.
 
 




 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 30 de julho de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Cañon City

Cañon City (CO)     -     30 de julho de 2013
 
Onde já se viu mineiro perder um trem ? Essa viagem eu não ia perder nunca. Fiquei mais um dia em Cañon City para fazer o passeio de trem. Claro que aproveitei para dar umas bordejadas com a Helö, principalmente para ir na tal de Royal Gorge Bridge mas não foi possível, estava fechada em consequencia do grande incendio ocorrido no final do ano passado. Fica para outra vez. Mas de qualquer maneira a viagem vale a pena.  O percurso acompanha o rio Colorado que corre entre as paredes dos cannyons que em determinados pontos parecem que não vão nos dar passagem. Impressionante a forma como são feitos os passeios. Horários respeitados, funcionários com os uniformes da época, os trens conservadíssimos e, na alta estação, espetáculos teatrais durante o passeio. Resumindo: profissionalismo...

 







 Nos vagões panoramicos, lá na frente, viajam os "coxinhas", ar-condicionado, garçons, serviço de bordo, etc... Já a ralé, onde tio Hélio se sente à vontade, viaja num carro aberto mesmo. Se voce cair na asneira de ter sede vá ao vagão restaurante e "morra" em 3 obamas por um tal de "sofite drinque". Malandro velho, levei meu litrão de água congelada e biscoitos que comprei no mercado.





A programação de turismo é tão bem planejada que o pessoal do rafting solta os botes no horário em que o trem passa pelo trecho. Depois, quando o trem volta e para na estação lá estão as vans e os onibus do rafting aguardando os clientes que podem manter os carros no estacionamento da estação ferroviária (grátis) pois depois são trazidos de volta.