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domingo, 11 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Hurricane - Las Vegas


Hurricane - Las Vegas (11 de agosto de 2013)

 

Ontem tirei o dia para descansar mas ainda assim dei uma passada na concessionário HD local, que já conheci em 2010, aproveitei para comprar o casaco de verão, recomendado pelo Wolfmann, e ainda fileio o churrasco gringo, feito com hamburguer e pão ! 

 
À tardinha no hotel, depois que refrescou um pouco, regulei o “push-rod” e o cabo de embreagem da Helö e parece que ficou mais leve. 
Deixei tudo preparado e hoje pela manhã sai antes das 8:00. Embora tenha estudado os mapas não consegui descobrir outro caminho que não fosse pela I-15 South. Paciencia, pensei, mais uma grande e monótona Highway que vai me dar sono, ainda mais através do deserto. Que nada ! Uma grande e ótima surpresa a estrada, principalmente até chegar à divisa com Nevada. Atravessamos uma região belíssima com enormes paredões de rocha de ambos os lados, um asfalto perfeito e curvas, muitas curvas. O engenheiro que a projetou era motociclista sem dúvida.
 
 

 
 Parei várias vezes para fotos e nem senti a viagem passar.



 
 
 
Quando me liguei estava na divisa de Nevada. Claro que parei para fazer as fotos e uma outra surpresa: dois casais canadenses ( Jim & Melanie e Darryl & Krista ) com duas Ultra Classic ficaram observando minhas presepadas para tirar as fotos e depois iniciamos um bate-papo e acabamos ficando um tempão conversando na beira da estrada. Depois de tirarmos fotos juntos e trocarmos cartões combinamos um jantar em Las Vegas. Eles estão em outro hotel e vou entrar em contato com eles para avisa-los do número de meu “room” pois eles vem me pegar para irmos juntos.


 
Chegando ao hotel (Excalibur com diárias até quinta de 27 obamas !) o maior problema foi arranjar vaga no estacionamento mas consegui uma bem debaixo daquele trenzinho que leva os otários de um cassino a outro. Fiquei meio encagaçado de deixar a Helö alí mas depois pensei, se um trem desses cai em cima dela processo o Hotel em 800 milhões de dólares e entrego tudo para o BNDES emprestar pro Evo Morales a fundo perdido. Patriotismo é isso aí !
 

sábado, 10 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Hurricane - Zion Nat. Park

Hurricane (UT) Zion National Park   (9 de agosto de 2013)


Hoje resolví tirar o dia para descansar pois o sol no lombo desgasta uma barbaridade apesar de todo o líquido ingerido. Como estava de bobeira , a moto sem a bagagem em cima e o dia convidadivo, resolvi dar uma chegada à região do Zion Nat. Park e filmar a estrada que leva até a entrada do parque.
 
Logo no ínicio da estrada deparo-me com o Fort Zion onde, em 2010, minha vida esteve por um fio num terrível combate com os índios moicanos comandados pelo abominável “Nine Fingers”. Esta história está narrada no meu blog no post referente à viagem pela Route 66 em outubro de 2010. De qualquer forma resolví passar no Fort Zion e ver como estavam as coisas.
Meus amigos, foi entrar e as emoçoes aflorarem.
 
 

 
Alí, naquela pedra, lembro-me perfeitamente, que cheguei rastejando qual um tigre, com todos os sentidos ligados (os 2 ou 3 que ainda funcionavam), controlando a adrenalina pois os patifes mantinham um cerco instranponível e "Nine Fingers", escondido como de hábito, ficava berrando: "- Avante meus bravos, nunca antes na história desta nação moicana, bla, bla, bla....". Biltre !



O Forte estava sem água e tentei trazer o carro pipa para dentro mas faltaram-me forças. Até hoje me emociono lembrando dos gritos daquela gente sofrida, velhos, mulheres e crianças, me incentivando:

“- Vamos lá, velho coxinha !”;     “- Força velho filho da puta !”;

“- Parece um viadinho, deve ser do HOG...” além de outras palavras que, apesar de altamente estimulantes, não me trouxeram as forças necessárias.


Bem, mas isso é passado e tratemo-lo como tal. O interior do Fort Zion é um empório que vende de tudo, principalmente artesanado índigena, roupas e adereços de cow-boys, um sorvete caseiro de se saborear ajoelhado, fora os ovos. Foi quando filosofava sobre a consistencia do sorvete que ví as duas entrando, pareciam saídas de um daqueles filmes de bang-bang bem antigos. Quase fui lá fora ver se eu é que não estava no século errado. As duas muito bonitas, com penteados super trabalhados cheios de tranças e com roupas da época. Pela conversa delas com a vendedora, espichando um pouco o ouvido que ainda mantém um pouco de audição, a ponto de quase cair do banco soube, estava na cara, que eram Mórmons. Pena que só pude fotografa-las disfarçadamente e de costas mas acreditem em mim, eram realmente lindas.

Depois disso, quando saio para pegar a moto, vejo uma aglomeração em volta da Helö. Pensei no ato: “- São os credores. Patifes !”. Qual nada, era um grupo de turistas japoneses que estava em uma Van e ficou encantado com a Helö. 2 moças muito sorridentes pediram para tirar fotos ao lado a moto, falei com elas que poderiam subir (na moto) e fazer as fotos em paz. Elas adoraram e ao final pediram para fazer umas fotos comigo. Talvez para mostrar aos filhos, ou aos alunos e dizer que se não estudarem vão ficar igual a esse velho maluco, na melhor das hipóteses.


Dali, segui em direção ao Zion, parando quando a paisagem exigia uma foto. Numa dessas paradas encontrei um grupo de espanhois e ficamos um bom tempo conversando e trocando impressões sobre a minha viagem. Eles são de Barcelona e torcem, lógicamente pelo Botafogo e pelo Barça, nesta ordem.

 
Conversamos uns 20 ou 30 minutos sobre os mais diversos assuntos, tudo numa extrema camaradagem e bom humor. Quando nos despedimos, apesar de termos nos conhecido tão recentemente, eles mostraram uma grande preocupação comigo e pareciam irmãos mais novos fazendo inúmeras recomendações a um irmão mais velho e meio “desmiolado”. Com promessas de troca de e-mails e uma ida a Espanha, principalmente a Barcelona, ficamos trocando acenos e risos até o carro deles desaparecer na curva. Eu continuei fazendo as fotos e pensando: não sei se são socialistas, comunistas, burgueses, democratas ou o raio de catalogação que se queira dar, só sei que eram pessoas alegres, interessadas e preocupadas comigo. Muito bom isso, muito bom mesmo.

Daí prá frente, com o astral lá em cima, foi só registrar em fotos algumas paisagens que não podem deixar de ser apreciadas.



 
E para fechar o dia com chave de ouro, resolvi tomar posse, em nome dos políticos brasileiros (quem sabe os moicanos de "Nine Fingers" não os escalpelem a todos ?), de um pedaço do território índigena.
 
E assim mais um excelente dia me foi concedido. Que o Criador continue, como sempre, nos iluminando e guardando a todos.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Kayenta a Hurricane

Kayenta (AZ) - Hurricane (UT)  8 de agosto de 2013

Ontem à tardinha chegando a Kayenta (AZ), cidade em uma reserva indígena dos Navajos, procurei vaga em um dos muitos hotéis da cidade: todos lotados e o único que tinha uma vaga, ainda assim de fumante, custava 240 obamas. Só se eu “fumasse” mesmo ! Como se não bastasse o atendimento era feito pelos próprios índios que olhavam para mim como se eu fosse o próprio General Custer, a impressão é que iam me escalpelar a qualquer momento. Saí dali rápido temendo pela integridade de meus parcos fios da outrora juba. Em geral não tenho esse tipo de problema pois quando saio de uma cidade já estou com uma reserva feita na próxima mas como saí de Monticello sem saber para onde iria, deixei para fazer depois de decidir. Não sei até agora a razão de quase todos os hoteis naquela região estarem lotados, talvez a última semana de férias escolares. O fato é que resolví botar o pé na estrada e ver o bicho que ia dar. Bastou rodar umas 10 milhas e encontrar uma espelunca que era um assalto mas depois daquilo vinha um baita deserto e resolvi morrer em 100 dólares por um banho quente e uma cama por uma noite. Hoje, café (pago) e pé na estrada em direção a Hurricane (Utah), cidade que já conheço quando fiz uma parte da Route 66 em 2010 com uma Ultra alugada. A estrada é quase o tempo inteiro atravessando regiões desérticas, passando por Page (AZ) e Kanab (UT) até Hurricane (UT), mas nem por isso desprovida de belezas e algumas surpresas.
 


 
 
A primeira das surpresas foi quando olhei o marcador de gasolina e lembrei que não tinha abastecido em Kayenta naquela confusão de hotel. O negócio foi pilotar na ponta dos dedos e conversar, principalmente conversar, com a Helö que só ela poderia nos tirar daquela encrenca que eu, irresponsável e incompetente confesso, fabriquei. E ela não me decepcionou, chegamos a Page com menos de meio litro no tanque !
 
 
Um contraste doloroso de se ver mas gostaria que um desses "ecochatos" fossem lá tentar fechar a termoelétrica. O primeiro obstáculo seria a polícia indígena. Sim, está em reserva indígena e seus proprietários são os Navajos, exímios escalpeladores d'outrora mas que ainda mantém a tradição se necessário for.
 

 

Quando eu ví de longe não acreditei: "-É uma miragem ou o velho Jack desceu atravessado hoje pela manhã quando firmei o caráter!" pensei. Mas qual o que, era um grande, enorme, monstruoso barco passeando no deserto. Mas esses gringos não pregam prego sem estopa, deve haver uma explicação !
 


 
 
Pronto, a explicação esta dada. O rio Colorado represado na região do Glen Canyon, entre Page e Big Water, formando um lago artificial de quilometros de extensão além de gerar energia elétrica. Ampliando a foto em que abarece o paredão da barragem ao fundo voces podem ver veículos sobre ele o que pode dar uma idéia do tamanho da goiaba.
 
 
Como não existe almoço de graça, aí está uma das consequencias de pilotar moto nesta região no verão, mesmo com bloqueador soar Fator 100 (eu nem sabia que existia). Pilotar de casaco nem pensar, é desidratação na certa. Engraçado que até umas 9 horas faz bastante frio, de repente o calor vem com força total. O negócio é parar a cada 30 minutos, mesmo sem desligar ou descer da moto, e beber um pouco d'agua.
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Monticello a Kayenta

 Monticello (UT) - Kayenta (AZ)    7 agosto 2013

Hoje pela manhã, debaixo de um baita frio e uma chuva fina saí de Monticello sem saber muito bem para onde ir. Todas as cidades na direção de Kayenta (Arizona) estavam sem vagas nos hotéis. O problema é que eu queria conhecer a região de Mexican Hat e resolvi me mandar assim mesmo pois nem todos os hotéis são cadastrados no Booking e Hotwire, principalmente as espeluncas (minha especialidade). Parei em Blanding para o café da manhã e estudei os mapas pois desconfio muito desse tal de GPS. Anotei num pedaço de papel a numeração das estradas e desliguei o GPS para economizar bateria e minha paciencia com aquela mulher maluca falando "- Wrong way, wrong way, wrong way...". Um porre ! A verdade é que quando voce pilota com tranquilidade, sem a ansia de chegar, sem nem mesmo um destino muito certo, voce repara coisas que às vezes passam despercebidas. Alguns resquícios da outrora próspera Route 66, a tranquilidade com que um Deer (veado) atravessa a estrada mostrando estar acostumado com os humanos e suas máquinas barulhentas (parei a moto quase ao lado dele para tirar a foto) e como se não bastasse, após uma curva ou uma lombada surge uma escultura trabalhada na pedra por uma parceria entre o tempo e o vento (Erico Veríssimo que me perdoe). Tudo isso para transformar um mero deslocamento entre dois pontos em UMA VIAGEM .


 

 


ARIZONA - Mais um estado conquistado.

Eu sabia, a gloriosa estrela solitária está sempre me mostrando o caminho, agora na bandeira do Arizona. Bom gosto ao extremo.

 





 

 
As paisagens se sucedem cada uma mais impressionanto do que a anterior. Isto, claro, na minha opinião. Talvez por ter sido um péssimo aluno de geografia os acidentes topográficos me fascinam e jamais confundi-os com acidentes de tráfego.
 
 

 

 
 
De repente uma camisa do Brasil ! Vai ver é da turma do protesto, pensei. Que nada, é um italiano, Ricardo, apaixonado pelo Brasil. Ele fez qestão de dizer que é romano e torce, lógicamente, para o Roma e o Totti é o melhor jogador do mundo. Não gosto de discutir mas perguntei se já tinha ouvido falar num tal de Falcão no que ele retrucou: "- Estava falando de jogador de futebol, não do Rei de Roma !". Fodaço
 
O famoso "Twin Rocks Cafe" que fica próximo a Bluff (UT) em uma reserva indígena. Logo após, algums milhas à frente, a região do Mexican Hat com seu perfil característico.
 
 
 
 
Pilotar motocicleta numa estrada deserta com o horizonte lá na frente prometendo tudo que voce for capaz de imaginar é, com certeza, a melhor coisa que se pode fazer vestido.