TOTAL DE VISUALIZAÇÕES

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Honeyville

 
Honeyville (UT)   17 de agosto de 2013
Vou ficar em Honeyville hoje e amanhã e só na segunda-feira retomo a viagem em direção ao Grand Teton (Wyoming). Acontece que os hoteis estão lotados, pelo menos via Booking e Hotwire.com, e somente hoteis com diárias de 350 dólares para cima tem vagas. E no que depender de mim ficarão assim até o dia do Juizo Final. Mas tudo bem, nada acontece por acaso nem tenho compromissos que não possam ser desmarcados, além do mais tenho que ligar para dois operadores de meus cartões de crédito que voltaram a ser bloqueados. A cada 15 dias tenho que ligar para os infelizes pois eles acreditam que eu roubei os cartões de um tal de Hélio Rodrigues Silva que, por uma incrível coincidencia, sou eu mesmo. O problema é que uso o cartão em várias cidades e eles se espantam com isso. Talvez eles achem que eu devesse voltar à Virginia (onde comecei a viagem) todas as vezes que fosse abastecer, almoçar ou me hospedar em um hotel.  Se telefono para reclamar a atendente  me pergunta para quais cidades eu vou e respondo o mais educadamente possível: “- Minha filha, acabei com vários relacionamentos para não responder a essa pergunta e voce, que ainda nem sentou na garupa da Helö, já está querendo saber ? Desta forma não vejo um futuro muito promissor para nós dois”.  Geralmente elas desligam e o cartão permanece bloqueado, a menos que atenda uma voz masculina aí minha fala não tem razão de ser (vai que o cara tope sentar na garupa ?  Sem chance !). Bem isso é coisa que tenho que resolver mais tarde pois o 0800 não está atendendo agora.
O dia hoje não foi perdido, fui até uma cidade aqui perto atraido pelo seu nome, que evoca um anti-depressivo se não me engano : Logan. São 26 milhas de uma estradinha simpática cruzando ranchos e lagoas numa grande e plano vale entre duas cadeis de montanhas. O visual e a energia são tão bons que a gente acaba agradecendo ter ficado mais tempo na região. A cidade de Logan é linda, pra variar os prédios antigos preservados, todos com plaquinha de bronze na entrada com seu histórico, onde ficamos sabendo que a iniciativa da preservação partiu da comunidade Mórmon.

 
 
 
Na rua inúmeras esculturas, predominando os touros que depois vim saber, representam o AGGIE, mascote da USU (Utah State University).

 
Passei em frente a um deles vestido de Evel Knievel e, não sei se efeito do sol, imaginei que ele queria me atropelar mas com um reflexo semelhante a um raio, safei-me da tentativa de atropelamento.

 
 
 
 
 
 
 
HONEYVILLE  (Utah)   18 de agosto de 2013 

Ontem na piscina do Crystal Hot Springs, conheci um grupo aqui da cidade e quando souberam que eu era brasileiro a conversa fluiu com facilidade. Ao final uma das participantes convidou-me para assistir ao culto de domingo, hoje, na Capela Mórmon. Aceitei, pois sei que isso é uma grande consideração, e aprendi um pouco mais sobre esse país e sobre os Mórmons. Todos são muito comunicativos, simples e bem humorados e tratam-nos com toda consideração e igualdade, independente de seu credo religioso. Fui apresentado a várias pessoas e apesar de estar vestido de motoqueiro no meio de ternos e gravatas não me senti deslocado em nenhum momento. Uma das pessoas a quem fui apresentado, Jeremy,  trabalhou no Nordeste por 2 anos e fala um ótimo portugues. Ele acabou por convidar-me a almoçar em sua casa pois hoje era seu aniversário. Fiquei um tanto preocupado de estar invadindo um espaço familiar mas ele me desarmou quando disse que tinha Guaraná Antactica e que eu tinha de ajuda-lo a beber. Fui e este é mais um momento que ficará marcado para sempre. Todos me trataram como se fosse da família, preocuparam-se com as marcas do sol nos meus braços e mão e na hora de ir embora fizeram questão de registrar o momento e enviar-me a foto por e-mail. São as surpresas que a estrada reserva para aqueles que a respeitam e compreendem.
 
 
 


 
 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Cedar City - Honeyville

Cedar City (UT)   -   Honeyville (UT)
Como a experiencia de ontem,  pegar a estrada bem cedo pela manhã, foi bem sucedida, repetí a dose hoje tendo o cuidado de comprar um desjejum a base de yogurt, cereais e salada de frutas. A grande vantagem destes moteis pequenos é que eles tem freezer, micro-ondas e cafeteira além de fornecerem o pó de café. A recepção estava fechada e deixei as chaves em cima da cama mesmo. Peguei a estrada às 6:34, ainda estava um pouco escuro e a temperatura me obrigou a colocar casaco de couro, chaparreira e lenço no pescoço mas prefiro assim do que a fornalha acesa.

 
 
Estava na base de 70/75 milhas quando ví a placa de velocidade máxima: 80 milhas  !  Temperatura por volta de 15 gráus,  estrada com um asfalto perfeito, transito quase nenhum, a próxima curva lá pelos lados do Canadá, fazer o que ?  Abrir o gas com vontade acrescentando aquelas 5 a 10 milhas que eu botei na minha cabeça que os COPs toleram.   A Helö voava baixo, às vezes uma rajada de vento lateral sacudia a traquitana toda mas a danada da moto tem um excelente caráter, não me deu um susto sequer. Quando  o dia começou a clarear, dei uma parada numa área de escape para tirar umas fotos de mais um dia qcom o qual o Criador me presenteava.
 



 
 
A viagem foi quase toda na base de 75 a 80 milhas e quando dei por mim estava chegando a Salt Lake City, como meu destino era Ogden (umas 50 milhas mais à frente)  resolvi atravessar Salt Lake e na saida parar para abastecer. Quando de repente vejo um “bonde” de Harley Davidsons muito arrumadinho com toda a cara de ser uma excurção dessas que a turma compra o pacote. Passei por eles acenando para os que me cumprimentavam, já os que  estavam com a cara de mauzão atarrachada me ignoravam.
Parei, abasteci a moto e como estava cedo e eu com disposição, fui checar no USA MAPS qual cidade estaria mais a frente de Ogden e ví que era Logan. Apenas um problema, hotéis lotados (os baratos) e vaga apenas nos mais caros. Eis que vejo uma cidadezinha melhor situada do que Logan pois fica praticamente na beira da estrada: Honeyville. Até o nome me encantou sem falar no preço e no nome do hotel: Camelot Inn, Reservei na hora o último quarto e partí para la’. Fica umas 60 a 70 milhas após Salt Lake e é mais uma daquelas cidadezinhas que nos abraçam com  seu visual logo na entrada.

 
 
O Hotel é novo, pequeno mas oferece todas as comodidades e facilidades que um hotel grande não oferece tais como acesso à cozinha, estacionamento na porta do seu quarto, ingresso para a Crystal Hot Springs (que fica a menos de 2 milhas do hotel), uma internet wi-fi que realmente funciona em alta velocidade além do proprietário ser motociclista e falar portugues  fluentemente pois nasceu em Moçambique.

 
 

 
Logo após o check-in fui direto para a Crystal Hot Springs, aluguei um short do PT ( era vermelho e com os bolsos enormes ) uma toalha e fui cumprir o ritual de entrar debaixo de cada uma das 3 cascatas de água saidas diretamente da fonte com temperaturas completamente diferentes. Tinha um japones que não saia debaixo da última onde a água chaga a mais de 100 gráus. Se jogassem um pouco de sal daria para fazer um rolinho primavera do "japa".
 
 
Depois disso aproveitei a moldura criada pela natureza e tentei inserir a Helö a mim e minhas loucuras e tentar montar quadros que retratem momentos que ficarão eternamente marcados em minha mente.


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

A MARCHA PARA O OESTE - Barstow (CA) - Cedar City (UT)

Barstow - Cedar City
 
O calor aqui está terrível, nunca senti tanto calor na minha vida. Engraçado que até umas 9:30 a 10:00  a temperatura é civilizada e consegue-se viajar sem maiores problemas mas a partir de 11:00 é uma coisa de louco, principalmente na região dos desertos de Nevada e de Mojave, já peguei temperaturas de quase 46 gráus.
 
Claro que a moto não estava à sombra mas eu também não piloto à sombra. 
O desgaste é muito grande e a viagem não rende, além das paradas frequentes eu fico com pena de exigir muito da moto assim as velocidades ficam em torno de 60 a 65 milhas o que, além de atrasar a viagem, exige mais cuidado no transito pois o tráfego está fluindo a 70/75 milhas hora, ou mais.
Para fugir desse problema acordei às 5:30 h, banho, barba, tralha arrumada, desjejum no posto de gasolina e 7;30 eu já estava na estrada com uma temperatura de 23 gráus, uma delícia. A viagem rendeu um bocado pois toquei uma hora direto a 75/80 milhas sem problema. Consegui rodar 250 milhas parando  tres vezes, uma para gasolina e outras duas para hidratar e tirar água do joelho. Engraçado que até umas 9:30 a 10:00 horas a temperatura estava civilizada, depois foi aquela fornalha que acaba com a gente e tortura a pobre da Helö. De qualquer forma consegui chegar a Cedar City após 325 milhas desde Barstow.
Hoje foi um dia sem fotos pois a estrada é a mesma que passei na ida para Vegas da qual coloquei algumas fotos.
 
Agora é descansar pois amanhã tem mais.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Las Vegas - Barstow



Las Vegas -Barstow (14 de agosto de 2013)



Fechei minha conta no Excalibur, em Las Vegas, cuja reserva iria até amanhã porém não aguentei mais. Las Vegas, para mim, são 3 dias no máximo e depois é pé na estrada. Muitas luzes, muito cigarro, muito jogo, muita gente e pouca moto. Ontem à noite deixei toda a tralha amarrada na moto e mantive-a coberta com a capa no estacionamento do hotel. Fiquei meio preocupado e toda hora olhava pela janela mas eu estava na Torre 1 que embora tenha uma linda vista não alcança o estacionamento.




Procedimentos de partida efetuados liguei a Helö, deixei-a aquecer um pouco e depois foi só seguir o GPS que estava “setado” para Barstow, California. Um pulo, coisa de 160 milhas porém atravessando o deserto de Nevada e depois o de Mojave com temperaturas acima de 40 gráus.










No caminho fui matutando, por que California ? A verdade é que embora eu não seja adepto de desafios e muito menos queira inscrever meu nome no Guiness Book (por favor entendam, não tenho nada contra quem assim o faz) quando encontrei os canadenses na divisa de Utah com Nevada, eles viram a placa da minha moto (Virginia) e perguntaram se eu tinha vindo rodando com ela. Claro, respondi. Então eles me falaram que era uma longa viagem e que eu quase tinha feito um “Coast to Coast”, só faltava ir à California. Aquilo ficou martelando na minha cabeça mas ao mesmo tempo não encontrava justificativa nenhuma para ir à California. De repente lembrei-me de Barstow e do Bagdad Cafe onde deixei uma camisa autografada do Gato Cansado em outubro de 2010 bem como um adesivo logo na porta de entrada. Será que eles ainda estariam lá ? Pronto, essa era uma questão transcendental e merecia uma ida ao tal de Bagdad Cafe, que fica em Newberry Springs. Isso sem falar no melhor da Route 66, umas cidadezinhas fantasmas que pedem para ser fotografadas. Missão dada, missão cumprida ! Com diz o meu amigo Tanure. E assim parti para a California e mais um estado foi conquistado.








Agora, fronteira ultrapassada, vamos ver se acho o Bagdad Cafe. Quando vim em 2010 encontrei-o seguindo um mapa, agora disponho dessa modernidade chamada GPS, do qual tirei a voz por não aguentar mais aquela “vaca” me enchendo o saco ! Diz ele, o GPS, que sabe onde é, vamos ver. O calor está absurdo e de repente vejo um antigo mercado no meio do nada, deve ser mais um remanescente da velha 66. Embico para lá, atravesso um “mata-burro” (conseguí e não morrí) e o local realmente parou no tempo. Quando tirei o capacete um coroa, que parecia o dono, levou-me até um chuveiro do lado de fora e falou para eu molhar a cabeça. Pra que ? Tirei o casaco de verão a carteira do bolso e entrei debaixo do chuveiro com calça e bota. A impressão é que saia até fumaça da calça. Depois foi entrar, tinha ar condicionado, e beber um litro dágua bem devagarinho. Antes de ir embora ainda tirei umas fotos da entrada daquele “point” do qual jamais esquecerei pela gloriosa chuveirada.








Eis que o GPS me coloca direitinho na porta do Bagdad Cafe.




Mas e a camisa, ainda estaria lá ? E o adesivo na porta de entrada do afamado estabelecimento ?





Beleza, aproveitei para colocar um mais novo e também o adesivo do Moto Clube Asas da Liberdade de Cabo Frio em homenagem a um amigo que batalha para viabilizar seu Moto Clube.







Entrei no estabelecimento e comecei a procurar as camisas e nada. O que o dono do Bagdad Cafe fez, como eram muitas camisas, ele dobrou-as e grampeou-as na parede. De repente bato o olho e lá está a lendária camisa do “Gato Cansado”, bem próxima a uma bandeira brasileira pregada no teto.








Fiquei tão entusiasmado que toquei o hino do Botafogo ao piano. Quando o cara viu o pavilhão alvi-negro com a gloriosa estrela solitária fez de tudo para compra-lo. Prometi levar uma autografada no próximo ano. Já tenho uma desculpa para voltar a Newsberry Springs (CA).








Depois disso, ele tirou a camisa da parede e perguntou se eu queria leva-la. Claro que não, respondi, quero apenas colocar o nome de 3 pessoas fundamentais em minha vida. Ele trouxe-me a caneta apropriada e coloquei o nome das 3 netas bem como um utografo atualizado e a data. Vai que uma das minhas netas tenha o meu DNA e cisme de ver se a camisa ainda está lá.










Dali foi seguir em direção a Barstow mas passando por lugares fundamentais. Locais por onde passou a verdadeira e única Route 66. Enquanto curtia os pedaços que, na minha imaginação, ia juntando e formando um quadro daquela época eis que recebo mais um presente: a buzina de um trem passando bem ao lado de onde eu estava. Emocionante para aqueles que curtem, coxisse para os malvadões e perdoável em velhos malucos.






















Estou em Bartstow, cansado e pronto para jantar e dormir mas garanto a voces, valeu a penas. Aliás sempre vale quando voce está de olhos abertos, ouvidos aguçados e a boca fechada...