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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Las Vegas - Barstow



Las Vegas -Barstow (14 de agosto de 2013)



Fechei minha conta no Excalibur, em Las Vegas, cuja reserva iria até amanhã porém não aguentei mais. Las Vegas, para mim, são 3 dias no máximo e depois é pé na estrada. Muitas luzes, muito cigarro, muito jogo, muita gente e pouca moto. Ontem à noite deixei toda a tralha amarrada na moto e mantive-a coberta com a capa no estacionamento do hotel. Fiquei meio preocupado e toda hora olhava pela janela mas eu estava na Torre 1 que embora tenha uma linda vista não alcança o estacionamento.




Procedimentos de partida efetuados liguei a Helö, deixei-a aquecer um pouco e depois foi só seguir o GPS que estava “setado” para Barstow, California. Um pulo, coisa de 160 milhas porém atravessando o deserto de Nevada e depois o de Mojave com temperaturas acima de 40 gráus.










No caminho fui matutando, por que California ? A verdade é que embora eu não seja adepto de desafios e muito menos queira inscrever meu nome no Guiness Book (por favor entendam, não tenho nada contra quem assim o faz) quando encontrei os canadenses na divisa de Utah com Nevada, eles viram a placa da minha moto (Virginia) e perguntaram se eu tinha vindo rodando com ela. Claro, respondi. Então eles me falaram que era uma longa viagem e que eu quase tinha feito um “Coast to Coast”, só faltava ir à California. Aquilo ficou martelando na minha cabeça mas ao mesmo tempo não encontrava justificativa nenhuma para ir à California. De repente lembrei-me de Barstow e do Bagdad Cafe onde deixei uma camisa autografada do Gato Cansado em outubro de 2010 bem como um adesivo logo na porta de entrada. Será que eles ainda estariam lá ? Pronto, essa era uma questão transcendental e merecia uma ida ao tal de Bagdad Cafe, que fica em Newberry Springs. Isso sem falar no melhor da Route 66, umas cidadezinhas fantasmas que pedem para ser fotografadas. Missão dada, missão cumprida ! Com diz o meu amigo Tanure. E assim parti para a California e mais um estado foi conquistado.








Agora, fronteira ultrapassada, vamos ver se acho o Bagdad Cafe. Quando vim em 2010 encontrei-o seguindo um mapa, agora disponho dessa modernidade chamada GPS, do qual tirei a voz por não aguentar mais aquela “vaca” me enchendo o saco ! Diz ele, o GPS, que sabe onde é, vamos ver. O calor está absurdo e de repente vejo um antigo mercado no meio do nada, deve ser mais um remanescente da velha 66. Embico para lá, atravesso um “mata-burro” (conseguí e não morrí) e o local realmente parou no tempo. Quando tirei o capacete um coroa, que parecia o dono, levou-me até um chuveiro do lado de fora e falou para eu molhar a cabeça. Pra que ? Tirei o casaco de verão a carteira do bolso e entrei debaixo do chuveiro com calça e bota. A impressão é que saia até fumaça da calça. Depois foi entrar, tinha ar condicionado, e beber um litro dágua bem devagarinho. Antes de ir embora ainda tirei umas fotos da entrada daquele “point” do qual jamais esquecerei pela gloriosa chuveirada.








Eis que o GPS me coloca direitinho na porta do Bagdad Cafe.




Mas e a camisa, ainda estaria lá ? E o adesivo na porta de entrada do afamado estabelecimento ?





Beleza, aproveitei para colocar um mais novo e também o adesivo do Moto Clube Asas da Liberdade de Cabo Frio em homenagem a um amigo que batalha para viabilizar seu Moto Clube.







Entrei no estabelecimento e comecei a procurar as camisas e nada. O que o dono do Bagdad Cafe fez, como eram muitas camisas, ele dobrou-as e grampeou-as na parede. De repente bato o olho e lá está a lendária camisa do “Gato Cansado”, bem próxima a uma bandeira brasileira pregada no teto.








Fiquei tão entusiasmado que toquei o hino do Botafogo ao piano. Quando o cara viu o pavilhão alvi-negro com a gloriosa estrela solitária fez de tudo para compra-lo. Prometi levar uma autografada no próximo ano. Já tenho uma desculpa para voltar a Newsberry Springs (CA).








Depois disso, ele tirou a camisa da parede e perguntou se eu queria leva-la. Claro que não, respondi, quero apenas colocar o nome de 3 pessoas fundamentais em minha vida. Ele trouxe-me a caneta apropriada e coloquei o nome das 3 netas bem como um utografo atualizado e a data. Vai que uma das minhas netas tenha o meu DNA e cisme de ver se a camisa ainda está lá.










Dali foi seguir em direção a Barstow mas passando por lugares fundamentais. Locais por onde passou a verdadeira e única Route 66. Enquanto curtia os pedaços que, na minha imaginação, ia juntando e formando um quadro daquela época eis que recebo mais um presente: a buzina de um trem passando bem ao lado de onde eu estava. Emocionante para aqueles que curtem, coxisse para os malvadões e perdoável em velhos malucos.






















Estou em Bartstow, cansado e pronto para jantar e dormir mas garanto a voces, valeu a penas. Aliás sempre vale quando voce está de olhos abertos, ouvidos aguçados e a boca fechada...

domingo, 11 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Hurricane - Las Vegas


Hurricane - Las Vegas (11 de agosto de 2013)

 

Ontem tirei o dia para descansar mas ainda assim dei uma passada na concessionário HD local, que já conheci em 2010, aproveitei para comprar o casaco de verão, recomendado pelo Wolfmann, e ainda fileio o churrasco gringo, feito com hamburguer e pão ! 

 
À tardinha no hotel, depois que refrescou um pouco, regulei o “push-rod” e o cabo de embreagem da Helö e parece que ficou mais leve. 
Deixei tudo preparado e hoje pela manhã sai antes das 8:00. Embora tenha estudado os mapas não consegui descobrir outro caminho que não fosse pela I-15 South. Paciencia, pensei, mais uma grande e monótona Highway que vai me dar sono, ainda mais através do deserto. Que nada ! Uma grande e ótima surpresa a estrada, principalmente até chegar à divisa com Nevada. Atravessamos uma região belíssima com enormes paredões de rocha de ambos os lados, um asfalto perfeito e curvas, muitas curvas. O engenheiro que a projetou era motociclista sem dúvida.
 
 

 
 Parei várias vezes para fotos e nem senti a viagem passar.



 
 
 
Quando me liguei estava na divisa de Nevada. Claro que parei para fazer as fotos e uma outra surpresa: dois casais canadenses ( Jim & Melanie e Darryl & Krista ) com duas Ultra Classic ficaram observando minhas presepadas para tirar as fotos e depois iniciamos um bate-papo e acabamos ficando um tempão conversando na beira da estrada. Depois de tirarmos fotos juntos e trocarmos cartões combinamos um jantar em Las Vegas. Eles estão em outro hotel e vou entrar em contato com eles para avisa-los do número de meu “room” pois eles vem me pegar para irmos juntos.


 
Chegando ao hotel (Excalibur com diárias até quinta de 27 obamas !) o maior problema foi arranjar vaga no estacionamento mas consegui uma bem debaixo daquele trenzinho que leva os otários de um cassino a outro. Fiquei meio encagaçado de deixar a Helö alí mas depois pensei, se um trem desses cai em cima dela processo o Hotel em 800 milhões de dólares e entrego tudo para o BNDES emprestar pro Evo Morales a fundo perdido. Patriotismo é isso aí !
 

sábado, 10 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Hurricane - Zion Nat. Park

Hurricane (UT) Zion National Park   (9 de agosto de 2013)


Hoje resolví tirar o dia para descansar pois o sol no lombo desgasta uma barbaridade apesar de todo o líquido ingerido. Como estava de bobeira , a moto sem a bagagem em cima e o dia convidadivo, resolvi dar uma chegada à região do Zion Nat. Park e filmar a estrada que leva até a entrada do parque.
 
Logo no ínicio da estrada deparo-me com o Fort Zion onde, em 2010, minha vida esteve por um fio num terrível combate com os índios moicanos comandados pelo abominável “Nine Fingers”. Esta história está narrada no meu blog no post referente à viagem pela Route 66 em outubro de 2010. De qualquer forma resolví passar no Fort Zion e ver como estavam as coisas.
Meus amigos, foi entrar e as emoçoes aflorarem.
 
 

 
Alí, naquela pedra, lembro-me perfeitamente, que cheguei rastejando qual um tigre, com todos os sentidos ligados (os 2 ou 3 que ainda funcionavam), controlando a adrenalina pois os patifes mantinham um cerco instranponível e "Nine Fingers", escondido como de hábito, ficava berrando: "- Avante meus bravos, nunca antes na história desta nação moicana, bla, bla, bla....". Biltre !



O Forte estava sem água e tentei trazer o carro pipa para dentro mas faltaram-me forças. Até hoje me emociono lembrando dos gritos daquela gente sofrida, velhos, mulheres e crianças, me incentivando:

“- Vamos lá, velho coxinha !”;     “- Força velho filho da puta !”;

“- Parece um viadinho, deve ser do HOG...” além de outras palavras que, apesar de altamente estimulantes, não me trouxeram as forças necessárias.


Bem, mas isso é passado e tratemo-lo como tal. O interior do Fort Zion é um empório que vende de tudo, principalmente artesanado índigena, roupas e adereços de cow-boys, um sorvete caseiro de se saborear ajoelhado, fora os ovos. Foi quando filosofava sobre a consistencia do sorvete que ví as duas entrando, pareciam saídas de um daqueles filmes de bang-bang bem antigos. Quase fui lá fora ver se eu é que não estava no século errado. As duas muito bonitas, com penteados super trabalhados cheios de tranças e com roupas da época. Pela conversa delas com a vendedora, espichando um pouco o ouvido que ainda mantém um pouco de audição, a ponto de quase cair do banco soube, estava na cara, que eram Mórmons. Pena que só pude fotografa-las disfarçadamente e de costas mas acreditem em mim, eram realmente lindas.

Depois disso, quando saio para pegar a moto, vejo uma aglomeração em volta da Helö. Pensei no ato: “- São os credores. Patifes !”. Qual nada, era um grupo de turistas japoneses que estava em uma Van e ficou encantado com a Helö. 2 moças muito sorridentes pediram para tirar fotos ao lado a moto, falei com elas que poderiam subir (na moto) e fazer as fotos em paz. Elas adoraram e ao final pediram para fazer umas fotos comigo. Talvez para mostrar aos filhos, ou aos alunos e dizer que se não estudarem vão ficar igual a esse velho maluco, na melhor das hipóteses.


Dali, segui em direção ao Zion, parando quando a paisagem exigia uma foto. Numa dessas paradas encontrei um grupo de espanhois e ficamos um bom tempo conversando e trocando impressões sobre a minha viagem. Eles são de Barcelona e torcem, lógicamente pelo Botafogo e pelo Barça, nesta ordem.

 
Conversamos uns 20 ou 30 minutos sobre os mais diversos assuntos, tudo numa extrema camaradagem e bom humor. Quando nos despedimos, apesar de termos nos conhecido tão recentemente, eles mostraram uma grande preocupação comigo e pareciam irmãos mais novos fazendo inúmeras recomendações a um irmão mais velho e meio “desmiolado”. Com promessas de troca de e-mails e uma ida a Espanha, principalmente a Barcelona, ficamos trocando acenos e risos até o carro deles desaparecer na curva. Eu continuei fazendo as fotos e pensando: não sei se são socialistas, comunistas, burgueses, democratas ou o raio de catalogação que se queira dar, só sei que eram pessoas alegres, interessadas e preocupadas comigo. Muito bom isso, muito bom mesmo.

Daí prá frente, com o astral lá em cima, foi só registrar em fotos algumas paisagens que não podem deixar de ser apreciadas.



 
E para fechar o dia com chave de ouro, resolvi tomar posse, em nome dos políticos brasileiros (quem sabe os moicanos de "Nine Fingers" não os escalpelem a todos ?), de um pedaço do território índigena.
 
E assim mais um excelente dia me foi concedido. Que o Criador continue, como sempre, nos iluminando e guardando a todos.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Kayenta a Hurricane

Kayenta (AZ) - Hurricane (UT)  8 de agosto de 2013

Ontem à tardinha chegando a Kayenta (AZ), cidade em uma reserva indígena dos Navajos, procurei vaga em um dos muitos hotéis da cidade: todos lotados e o único que tinha uma vaga, ainda assim de fumante, custava 240 obamas. Só se eu “fumasse” mesmo ! Como se não bastasse o atendimento era feito pelos próprios índios que olhavam para mim como se eu fosse o próprio General Custer, a impressão é que iam me escalpelar a qualquer momento. Saí dali rápido temendo pela integridade de meus parcos fios da outrora juba. Em geral não tenho esse tipo de problema pois quando saio de uma cidade já estou com uma reserva feita na próxima mas como saí de Monticello sem saber para onde iria, deixei para fazer depois de decidir. Não sei até agora a razão de quase todos os hoteis naquela região estarem lotados, talvez a última semana de férias escolares. O fato é que resolví botar o pé na estrada e ver o bicho que ia dar. Bastou rodar umas 10 milhas e encontrar uma espelunca que era um assalto mas depois daquilo vinha um baita deserto e resolvi morrer em 100 dólares por um banho quente e uma cama por uma noite. Hoje, café (pago) e pé na estrada em direção a Hurricane (Utah), cidade que já conheço quando fiz uma parte da Route 66 em 2010 com uma Ultra alugada. A estrada é quase o tempo inteiro atravessando regiões desérticas, passando por Page (AZ) e Kanab (UT) até Hurricane (UT), mas nem por isso desprovida de belezas e algumas surpresas.
 


 
 
A primeira das surpresas foi quando olhei o marcador de gasolina e lembrei que não tinha abastecido em Kayenta naquela confusão de hotel. O negócio foi pilotar na ponta dos dedos e conversar, principalmente conversar, com a Helö que só ela poderia nos tirar daquela encrenca que eu, irresponsável e incompetente confesso, fabriquei. E ela não me decepcionou, chegamos a Page com menos de meio litro no tanque !
 
 
Um contraste doloroso de se ver mas gostaria que um desses "ecochatos" fossem lá tentar fechar a termoelétrica. O primeiro obstáculo seria a polícia indígena. Sim, está em reserva indígena e seus proprietários são os Navajos, exímios escalpeladores d'outrora mas que ainda mantém a tradição se necessário for.
 

 

Quando eu ví de longe não acreditei: "-É uma miragem ou o velho Jack desceu atravessado hoje pela manhã quando firmei o caráter!" pensei. Mas qual o que, era um grande, enorme, monstruoso barco passeando no deserto. Mas esses gringos não pregam prego sem estopa, deve haver uma explicação !
 


 
 
Pronto, a explicação esta dada. O rio Colorado represado na região do Glen Canyon, entre Page e Big Water, formando um lago artificial de quilometros de extensão além de gerar energia elétrica. Ampliando a foto em que abarece o paredão da barragem ao fundo voces podem ver veículos sobre ele o que pode dar uma idéia do tamanho da goiaba.
 
 
Como não existe almoço de graça, aí está uma das consequencias de pilotar moto nesta região no verão, mesmo com bloqueador soar Fator 100 (eu nem sabia que existia). Pilotar de casaco nem pensar, é desidratação na certa. Engraçado que até umas 9 horas faz bastante frio, de repente o calor vem com força total. O negócio é parar a cada 30 minutos, mesmo sem desligar ou descer da moto, e beber um pouco d'agua.