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terça-feira, 20 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Jackson - Cody


YELLOWSTONE NATIONAL PARK (20 de agosto de 2013)
 
Hoje acordei bem cedo pois o dia iria ser longo, afinal eu queria, além de conhecer o National Park, passar pelas Scenics Highways mais recomendadas do Wyoming. Ontem passei por uma delas a "Teton Pass" (WY 22).  Hoje eu programei passar pela "Dunraven Pass" (Grand Loop Rd), pela "Beartooth  Pass" (US 212) e pela mais badalada delas, a "Dead Indian Pass" (Chief Joseph Hwy) e depois disto ir para Cody onde reservei hotel.  Eu já tinha feito todo o roteiro baseado em um mapa para motociclistas, o Butler Motorcycle Maps que foi uma ajuda formidável. De qualquer forma eu sabia que o dia seria longo mas como escurece bem tarde pude chegar a Cody ainda à luz do dia apesar de ser quase 20 horas.


 A entrada do parque custa 20 obamas para motocicleta e vale por uma semana mas é muito bem pago. Sem falar na limpeza e na conservação, aquele lugar é incrivelmente belo. Tirei mais de 300 fotos porém as melhores ficaram eternizadas em minha mente. Valeu a pena detonar a herança dos garotos...
 
 
 
 
 
 
As paisagens se sucediam à medida em que eu pilotava através da Grand Loop Road no sentido mais longo de forma a atravessar o "Dunraven Pass". Cenários que só havia visto em fotografias ou filme me obrigavam a parar a cada momento, para curti-los e registra-los em minha desconjuntada Sony.  Alguns como estes abaixo:
 




 
 

 

Eu e os Japas
Não sei o que é mas japa adora tirar foto na Helö. No fundo eles sabem que moto de verdade mesmo não é feita de plástico, por isso ficam alucinados quando veem uma Harley Davidson. Com esse grupo não foi diferente mas impus uma condição, eles teriam de aprender a falar o nome de meu clube, o glorioso Botafogo. Foi complicado pois apenas o guia falava inglës mas claro que eles toparam, principalmente depois que fiz um resumo dos clubes brasileiros. Deixei a decisão por conta deles e delas e a vitória do "Put Fire" foi unanime. Na hora de ir embora eles meteram a cara no janelão da Van e gritavam "Bötaforo", "Botaforo".. Japonesada maneira.




 



Hoje emplacamos mais um estado, embora pelas beiradas, mas a verdade é que adentrei gloriosamente o estado de Montana mas por pouco tempo e explico o porque.




Hoje percorri os locais recomendados (por motociclistas) do Yellowstone National Park saindo de Jackson Hole bem cedo. Ao final do dia tinha que vir para Cody (a cidade do Buffallo Bill), acontece que para passar na estrada mais recomendada, a "Chief Joseph Scenic Highway", eu teria que ir até Montana e entrar na estrada lá onde ela começa e termina próximo a Cody. Claro que não tem almoço de graça, foram mais 120 milhas o que na Helö significa uma ida da minha casa à padaria Assumpção em Cabo  Frio, ou seja: um cabelo de sapo. Assim é que chegamos à entrada da famosa, e com justiça, estrada mais recomendada do Wyoming:
 
Chief Joseph Scenic Highway
A montanha da segunda foto é chamada de Dead Indian e a ponte sobre o canyon é conhecida como Dead Indian Pass. A estrada é cheia de curvas, cotovelos, subidas e descidas. O asfalto para variar é ótimo e esse trecho da estrada é especialmente bonito pois a montanha está bem ao lado da estrada e se voce parar no mirante em que estou e tiver a sorte de vir uma Harley acelerando com o escapamento "ilegal", voce sente o ribombar nas paredes do canyon como se estivesse tentando acordar o Dead Indian. Legal demais.


 
 
 
 


 
Após toda essa jornada, ao terminar a "Chief Joseph", uma carreira para chegar a Cody antes de escurecer. Consegui pois está escurecendo bem tarde. Cheguei ao hotel quase às 20 horas, cansado mas feliz da vida com o dia de hoje. O Yellowstone é realmente um espetáculo da natureza, com estradas feitas para motociclistas.

 

 



 
 

A MARCHA PARA O OESTE - Honeyville - Jackson

Honeyville (Utah) - Jackson (Wyoming)   19 de agosto de 2013
 
Hoje acordei cheio de preguiça, muito mais do que o usual. Por mim continuaria na cama e viajaria só amanhã. Acontece que eu tinha reservado hotel em Jackson e assim, meio que no "tranco", levantei, banho, by passei a barba (faço amanhã), cafe, tralha arrumada e o milagre acontece: ao sentar na moto, calçar as luvas, afivelar o capacete e iniciar os procedimentos para colocar a Helö em ponto de pegar a estrada, tudo se modifica, acaba a preguiça, os batimentos cardíacos entram na frequencia que meu cardiologista iria ficar orgulhoso e a vontade de pilotar a Helö retira cerca de 40 anos da carcaça.  Nada mais me assusta, nada mais é impossível para mim. E como se não bastasse, ELE jamais me abandonará. Vamos em frente que ainda temos muito chão pela frente.
A viagem foi excelente, estradas ótimas com algumas curvas, tive que conquistar mais um estado: Idaho, pois é o caminho mais rápido para alcançar Alpine. 
 
 
Alpine já está em território do Wyoming, e este foi mais um estado a entrar no livro de bordo da Helö.
 
 
 
De Alpine a Jackson Hole a estrada é muito bonita, a região é de Florestas preservadas e o Snake River acompanha todo o traçado da estrada. É impossível não parar e registrar em fotografias.


 
 
 
Numa dessas encontrei um pessoal que estava viajando num moto-home e acabamos estabelecendo uma boa camaradagem. No final trocamos fotos e nos despedimos com votos de boa viagem e a recomendação para eu tomar cuidado com motoristas loucos !  Eles não conhecem os nossos motoristas. 
 
Cheguei em Jackson Hole e a cidadezinha é maneiríssima. Em alguns trechos lembra New Orleans, o astral é típico de estações de esportes de inverno. Hotéis são caros e a frequencia de turistas é enorme.


 

 
 
 
Aproveitei e fui até Victor (Idaho) a cerca de 23 milhas do centro de Jackson. A estrada, a 22, atravessa as montanhas e tem visuais belíssimos, sem falar que é uma beleza para motos, muitas curvas, subidas e descidas em angulos acentuados, asfalto de primeiríssima qualidade, etc... Cuidado com o transito e com os COPs que aparecem sem saber de onde.


 

A MARCHA PARA O OESTE - Honeyville

 
Honeyville (UT)   17 de agosto de 2013
Vou ficar em Honeyville hoje e amanhã e só na segunda-feira retomo a viagem em direção ao Grand Teton (Wyoming). Acontece que os hoteis estão lotados, pelo menos via Booking e Hotwire.com, e somente hoteis com diárias de 350 dólares para cima tem vagas. E no que depender de mim ficarão assim até o dia do Juizo Final. Mas tudo bem, nada acontece por acaso nem tenho compromissos que não possam ser desmarcados, além do mais tenho que ligar para dois operadores de meus cartões de crédito que voltaram a ser bloqueados. A cada 15 dias tenho que ligar para os infelizes pois eles acreditam que eu roubei os cartões de um tal de Hélio Rodrigues Silva que, por uma incrível coincidencia, sou eu mesmo. O problema é que uso o cartão em várias cidades e eles se espantam com isso. Talvez eles achem que eu devesse voltar à Virginia (onde comecei a viagem) todas as vezes que fosse abastecer, almoçar ou me hospedar em um hotel.  Se telefono para reclamar a atendente  me pergunta para quais cidades eu vou e respondo o mais educadamente possível: “- Minha filha, acabei com vários relacionamentos para não responder a essa pergunta e voce, que ainda nem sentou na garupa da Helö, já está querendo saber ? Desta forma não vejo um futuro muito promissor para nós dois”.  Geralmente elas desligam e o cartão permanece bloqueado, a menos que atenda uma voz masculina aí minha fala não tem razão de ser (vai que o cara tope sentar na garupa ?  Sem chance !). Bem isso é coisa que tenho que resolver mais tarde pois o 0800 não está atendendo agora.
O dia hoje não foi perdido, fui até uma cidade aqui perto atraido pelo seu nome, que evoca um anti-depressivo se não me engano : Logan. São 26 milhas de uma estradinha simpática cruzando ranchos e lagoas numa grande e plano vale entre duas cadeis de montanhas. O visual e a energia são tão bons que a gente acaba agradecendo ter ficado mais tempo na região. A cidade de Logan é linda, pra variar os prédios antigos preservados, todos com plaquinha de bronze na entrada com seu histórico, onde ficamos sabendo que a iniciativa da preservação partiu da comunidade Mórmon.

 
 
 
Na rua inúmeras esculturas, predominando os touros que depois vim saber, representam o AGGIE, mascote da USU (Utah State University).

 
Passei em frente a um deles vestido de Evel Knievel e, não sei se efeito do sol, imaginei que ele queria me atropelar mas com um reflexo semelhante a um raio, safei-me da tentativa de atropelamento.

 
 
 
 
 
 
 
HONEYVILLE  (Utah)   18 de agosto de 2013 

Ontem na piscina do Crystal Hot Springs, conheci um grupo aqui da cidade e quando souberam que eu era brasileiro a conversa fluiu com facilidade. Ao final uma das participantes convidou-me para assistir ao culto de domingo, hoje, na Capela Mórmon. Aceitei, pois sei que isso é uma grande consideração, e aprendi um pouco mais sobre esse país e sobre os Mórmons. Todos são muito comunicativos, simples e bem humorados e tratam-nos com toda consideração e igualdade, independente de seu credo religioso. Fui apresentado a várias pessoas e apesar de estar vestido de motoqueiro no meio de ternos e gravatas não me senti deslocado em nenhum momento. Uma das pessoas a quem fui apresentado, Jeremy,  trabalhou no Nordeste por 2 anos e fala um ótimo portugues. Ele acabou por convidar-me a almoçar em sua casa pois hoje era seu aniversário. Fiquei um tanto preocupado de estar invadindo um espaço familiar mas ele me desarmou quando disse que tinha Guaraná Antactica e que eu tinha de ajuda-lo a beber. Fui e este é mais um momento que ficará marcado para sempre. Todos me trataram como se fosse da família, preocuparam-se com as marcas do sol nos meus braços e mão e na hora de ir embora fizeram questão de registrar o momento e enviar-me a foto por e-mail. São as surpresas que a estrada reserva para aqueles que a respeitam e compreendem.
 
 
 


 
 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Cedar City - Honeyville

Cedar City (UT)   -   Honeyville (UT)
Como a experiencia de ontem,  pegar a estrada bem cedo pela manhã, foi bem sucedida, repetí a dose hoje tendo o cuidado de comprar um desjejum a base de yogurt, cereais e salada de frutas. A grande vantagem destes moteis pequenos é que eles tem freezer, micro-ondas e cafeteira além de fornecerem o pó de café. A recepção estava fechada e deixei as chaves em cima da cama mesmo. Peguei a estrada às 6:34, ainda estava um pouco escuro e a temperatura me obrigou a colocar casaco de couro, chaparreira e lenço no pescoço mas prefiro assim do que a fornalha acesa.

 
 
Estava na base de 70/75 milhas quando ví a placa de velocidade máxima: 80 milhas  !  Temperatura por volta de 15 gráus,  estrada com um asfalto perfeito, transito quase nenhum, a próxima curva lá pelos lados do Canadá, fazer o que ?  Abrir o gas com vontade acrescentando aquelas 5 a 10 milhas que eu botei na minha cabeça que os COPs toleram.   A Helö voava baixo, às vezes uma rajada de vento lateral sacudia a traquitana toda mas a danada da moto tem um excelente caráter, não me deu um susto sequer. Quando  o dia começou a clarear, dei uma parada numa área de escape para tirar umas fotos de mais um dia qcom o qual o Criador me presenteava.
 



 
 
A viagem foi quase toda na base de 75 a 80 milhas e quando dei por mim estava chegando a Salt Lake City, como meu destino era Ogden (umas 50 milhas mais à frente)  resolvi atravessar Salt Lake e na saida parar para abastecer. Quando de repente vejo um “bonde” de Harley Davidsons muito arrumadinho com toda a cara de ser uma excurção dessas que a turma compra o pacote. Passei por eles acenando para os que me cumprimentavam, já os que  estavam com a cara de mauzão atarrachada me ignoravam.
Parei, abasteci a moto e como estava cedo e eu com disposição, fui checar no USA MAPS qual cidade estaria mais a frente de Ogden e ví que era Logan. Apenas um problema, hotéis lotados (os baratos) e vaga apenas nos mais caros. Eis que vejo uma cidadezinha melhor situada do que Logan pois fica praticamente na beira da estrada: Honeyville. Até o nome me encantou sem falar no preço e no nome do hotel: Camelot Inn, Reservei na hora o último quarto e partí para la’. Fica umas 60 a 70 milhas após Salt Lake e é mais uma daquelas cidadezinhas que nos abraçam com  seu visual logo na entrada.

 
 
O Hotel é novo, pequeno mas oferece todas as comodidades e facilidades que um hotel grande não oferece tais como acesso à cozinha, estacionamento na porta do seu quarto, ingresso para a Crystal Hot Springs (que fica a menos de 2 milhas do hotel), uma internet wi-fi que realmente funciona em alta velocidade além do proprietário ser motociclista e falar portugues  fluentemente pois nasceu em Moçambique.

 
 

 
Logo após o check-in fui direto para a Crystal Hot Springs, aluguei um short do PT ( era vermelho e com os bolsos enormes ) uma toalha e fui cumprir o ritual de entrar debaixo de cada uma das 3 cascatas de água saidas diretamente da fonte com temperaturas completamente diferentes. Tinha um japones que não saia debaixo da última onde a água chaga a mais de 100 gráus. Se jogassem um pouco de sal daria para fazer um rolinho primavera do "japa".
 
 
Depois disso aproveitei a moldura criada pela natureza e tentei inserir a Helö a mim e minhas loucuras e tentar montar quadros que retratem momentos que ficarão eternamente marcados em minha mente.


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

A MARCHA PARA O OESTE - Barstow (CA) - Cedar City (UT)

Barstow - Cedar City
 
O calor aqui está terrível, nunca senti tanto calor na minha vida. Engraçado que até umas 9:30 a 10:00  a temperatura é civilizada e consegue-se viajar sem maiores problemas mas a partir de 11:00 é uma coisa de louco, principalmente na região dos desertos de Nevada e de Mojave, já peguei temperaturas de quase 46 gráus.
 
Claro que a moto não estava à sombra mas eu também não piloto à sombra. 
O desgaste é muito grande e a viagem não rende, além das paradas frequentes eu fico com pena de exigir muito da moto assim as velocidades ficam em torno de 60 a 65 milhas o que, além de atrasar a viagem, exige mais cuidado no transito pois o tráfego está fluindo a 70/75 milhas hora, ou mais.
Para fugir desse problema acordei às 5:30 h, banho, barba, tralha arrumada, desjejum no posto de gasolina e 7;30 eu já estava na estrada com uma temperatura de 23 gráus, uma delícia. A viagem rendeu um bocado pois toquei uma hora direto a 75/80 milhas sem problema. Consegui rodar 250 milhas parando  tres vezes, uma para gasolina e outras duas para hidratar e tirar água do joelho. Engraçado que até umas 9:30 a 10:00 horas a temperatura estava civilizada, depois foi aquela fornalha que acaba com a gente e tortura a pobre da Helö. De qualquer forma consegui chegar a Cedar City após 325 milhas desde Barstow.
Hoje foi um dia sem fotos pois a estrada é a mesma que passei na ida para Vegas da qual coloquei algumas fotos.
 
Agora é descansar pois amanhã tem mais.