TOTAL DE VISUALIZAÇÕES

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - Vicksburg - Baton Rouge

Vicksburg (MI)  -   Baton Rouge (LA)        4  de setembro de 2013

 
Sai de Vicksburg às 8 horas e quando olhei o velocimetro 2 horas depois ~mal tinha alcançado as 60 milhas. Isto é menos da metade do que fiz no mesmo tempo ante-ontem. A culpa é da estrada, a tal da 61. Diferente da...s longas e monotonas Highways ela é uma espécie de reedição da antiga 66, só que no sentido Norte - Sul. Além de acompanhar o traçado sinuoso do Mississipi, ora se aproximando ora se afastando dele, ela atravessa pequenas cidades transformando-se na avenida principal de muitas delas. Assim foi com Port Gibson, quando percebi estava não mais numa estrada mas numa belíssima avenida arborizada, cuja velocidade máxima era 35 milhas, repleta de casas no estilo das velhas mansões do Mississipi. Acrescente-se a isso as igrejas de diversos credos e correntes religiosas, em alguns casos uma ao lado da outra convivendo, pelo menos arquitetonicamente falando, em paz e harmonia.



 
 
Esta é a Saint James Episcopal Church, do outro lado da avenida, em frente ao local onde estou na última foto, existem outras duas igrejas : uma metodista e uma católica, completando um belo conjunto arquiteonico. Engraçado que nunca me liguei muito nesse negócio de arquitetura e coisa e tal, achava que era coisa de coxinha (ainda acho) mas a idade permite tudo, até mesmo entrar no banheiro feminino por engano.


 
 
As tres construções são vizinhas, a da esquerda é a Port Gibson Methodist Church e a da direita é St. Joseph Catholic Church. Separando as duas, embora pertença à Igreja Metodista, a casa onde morou Henry Hughes, o ...autor do primeiro livro sobre sociologia e quem deu este nome a essa ciencia que tantas recordações me traz (para o bem e para o mal). Eu detestava essa matéria pois não conseguia prestar atenção à aula, a professora era uma delícia. Quando ela chegava queimadinha de praia a fazia a entrada triunfal a galera chegava a urrar. E eu, olhando a casa do Henry Hughes não pude deixar de pensar: "- É meu chapa, voce pode ter inventado a sociologia mas as dicotomias da Ana eram muito mais saborosas. Perdeu playboy."


 
É a tal história, voce deve estar sempre de olhos bem abertos e todos os sentidos aguçados (os 2 ou 3 que ainda funcionam) para aproveitar as oportunidades que as curvas da estrada nos reservam. Eu vinha feliz da vida na 61 quando vejo uma pequena placa verde indicando uma tal de Natchez Trace Pkwy a 1/2 milha. Reduzi a velocidade e imediatamente 2 motos que me acompanhavam me ultrapassaram, ambas com casais e ambas puxando um reboquinho (uma BMW e uma Goldwing). Fiquei de olho na Pwky e quando ví a entrada para ela nem pestanejei, redução e curva para a direita dando de cara com a sinalização identica à da Blue Ridge Pkwy na Virginia. Os caras dos reboquinhos seguiram em frente pela 61 mesmo. A distancia era um pouco maior (39 milhas) ao invés das 38 pela 61. Acontece que a Pkwy é vedada a veiculos comerciais, não atravessa cidades além de ser considerada, e é, uma atração turística. Fiz algumas fotos com a máquina na mão esquerda e pincei essas 4 no meio de dezenas. O mais legal foi que quando cheguei a Natchez e parei num posto para abastecer, pouco depois passaram os 2 casais e seus reboques. Eles me viram e devem estar pensando até agora como passei por eles sem que notassem.



 
DAS VANTAGENS DO WINDSHIELD
Hoje, já próximo de Baton Rouge, comecei a sentir alguma coisa batendo nos meus dedos (estava com aquela luva que deixa a ponta dos dedos descobreta. Preciso me acostumar com luva fechada) ao mesmo tempo em que o parabrisa (windshield para os coxas) recebia uma chuva de respingos. Na realidade era uma nuvem de mosquitos que nos acompanhou por umas 5 milhas. Cheguei o mais para a frente possível, quase em cima do tanque, e abaixei a cabeça atrás do para-brisas ao mesmo tempo que imaginava meus amigos das Soft recebendo aquela chuva de mosquito pelo meio da cara. Deve ser sinistro.
 



 
 
 
 
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

CAMINHO DE VOLTA - Vicksburg

Vicksburg (MI) 3 de setembro de 2013
 
A decisão de permanecer mais um dia em Vicksburg foi das mais acertadas. Trata-se de uma cidade com uma importancia histórica muito grande, como veremos mais adiante, e que preserva com carinho uma arquitetura, a meu ver e leigo no assunto, com forte influencia européia. Para curti-la e admira-la voce precisa ir ao Historic Downtown, estacionar a moto e andar a pé. Como eu precisava encontrar um café pensei em juntar o útil ao agradável e lá fui eu para o centro histórico. Parei a moto e comecei a fazer fotos. Era uma atrás da outra de construções antigas mas muito bem cuidadas e uma grande quantidade de igrejas. 









 
Outra coisa que chama atenção na cidade é a quantidade de livrarias, cafés e galerias de arte, algumas com enfase no Blues e tudo que se relaciona a ele, além de galerias ao ar livre, como é o caso dos painéis ao longo do Rio Yazoo.


 
 
E foi ao lado da Livraria Loreley que ví o meu cafe, o Cafe 61. Para variar, na sobreloja o cafe tem um atelië de pintura onde o artista expõe e negocia seus quadros. Como só gosto de quadros de "pelado artístico" nem me aventurei a subir. Fiz meu pedido e aguardei mineiramente sentado na mesa na calçada observando o  Yazoo (afluente do Mississipi) passando tranquilamente lá em baixo. Muito legal. O café: um tal de "bagel" com creme de queijo e um chocolate misturado com um monte de coisas que nem ousei pedir para que a atendente repetisse o nome. Fiz de conta que entendí tudo, com cara de inteligente, entremeando "shure" com a "litle bit"  e aguardei impávido. Não sei o que era mas estava uma delícia...


 

 
Quando estou quase terminando eis que chega um casal e o cara, com uma camisa da Harley Davidson, me pergunta o ano da Helö. Pronto, foi o ponto de partida para mais um bate-papo. Eles são Tailandeses e irmãos. Ela se chama Kady e vive há 23 anos nos Estados Unidos. Ele, que se chama Lon, vive na Tailandia, tem uma Harley Davidson e veio para visitar a irmã e os 110 anos da HD. Ele esteve em Milwaukee onde alugou uma moto e participou da festa mas disse que não gostou, o negócio dele é estrada e sózinho (conheço um cara que pensa dessa forma). Conversamos sobre minha viagem, a compra da moto, minha volta para o Brasil,  trocamos cartões, telefones e e-mails além dos tradicionais votos de boa viagem e "ride safe".  Embora um conhecimento muito rápido e, aparentemente, superficial a despedida sempre nos traz uma ponta de emoção. Grande abraço para Kady e Lon, foi muito bom encontra-los

 
 
Após as despedidas, montei na Helö e fui um pouco mais à frente para fazer o retorno e tomo um baita susto: um barco do Mississipi estacionado ao lado da calçada. Parei a Helö e fui ver do que se tratava. Para variar era parte do museu do Rio Mississipi. Voce entra por um prédio cujo desenho lembra um barco do rio e, após admirar e conhecer a história do rio, através de uma passarela voce entra num autentico barco do Mississipi trazido do rio e montado alí ao lado e em excelente estado de conservação. Acredito até que pode navegar com tranquilidade.


 
 
O grande problema de fazer essas fotos é que de vez em quando passa alguma coisa que nos tira a atenção. Embora eu seja disciplinado quando estou registrando algo com minha desconjuntada Sony apenas duas coisa me tiram do sério.
 

 
Após a coxuda do cachorro sem rabo e o Pontiac GTO cruzarem meu caminho meu lado mineiro acordou e pensei: aqui deve haver uma estação de trem, nem que esteja desativada e pus mãos à obra. Saí na captura da estação perdida. Não precisei andar muito, uma belíssima estação, transformada em museu, estava lá à minha espera às margens do Yazoo. Que visão maravilhosa!


 
Claro que eu entrei no Museu ferroviário, administrado por um simpático casal de idosos, voluntários ( o que é muito comum aqui, a participação voluntária dos cidadãos em atividades comunitárias) e que me receberam como se eu fosse uma visita ansiosamente aguardada. Muito simpática a preocupação deles em saber de onde eu era, o que estava achando da cidade, se precisava de algo e coisas do genero. Pode ser apenas por educação mas impressiona e faz bem. O senhor fez questão de ligar a maquete com a miniatura dos trens e de mostrar algumas das réplicas em miniatura de barcos que navegaram no Mississipi.

 
 
Na cidade está localizado o Vicksburg National Military Park cuja entrada é ao lado do motel em que estou (um Motel 6 de 45 obamas com desconto de 10 % para velhos da AARP - meu caso). O Park abrange a área onde ocorreu a batalha chave da guerra civil americana. A batalha pelo controle do Rio Mississipi ao sul de Cairo (Illinois) visando isolar Texas, Arkansas e a maior parte da Louisiania, região onde o Sul buscava recrutas e suprimentos. Esta batalha durou de outubro de 1862 a 4 de Julho de 1863 quando Vicksburg finalmente assinou a rendiçãonao General Grant. Como voces veem, motociclismo também é cultura.
O Vicksburg National Military Park é, para os americanos, como se fora um campo santo. Em apenas dois locais é permitido fazer  piquenique. Não se escuta música, mesmo em volume baixo. Todos tem uma atitude respeitosa e as conversas se dão em tom que não incomodam ninguém. O único som mais grave mas que, na minha apaixonada opinião, não quebrava em nada a solenidade do local, muito pelo contrário, eram os motores V8 girando em baixas rotações lembrando o distante troar de canhões. Mas isso na minha opinião que não vale absolutamente nada.


 

 
 



 
Imbuido de um fervor cívico e preocupado com a situação mundial, empolguei-me e fiz um discurso onde a linha mestra foi estabelecer parametros para a política externa desta grande nação.
 
Parece que não apreciaram muito minhas idéias visto que me algemaram e me despacharam num vagão que era utilizado para levar loucos perigosos para o manicömio. Injustiça !!!!