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segunda-feira, 2 de junho de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 2

PARTINDO PARA NOVOS EMBATES

Winter Garden (FL)  - Kingsland (GA) 

2 junho - 3 junho


A hora da partida é sempre complicada, para disfarçar a emoção a gente procura se ocupar com alguma coisa ou inventa algo, se não tiver nada para fazer. Como a Helô já estava devidamente abastecida, bagagem totalmente ancorada, para-brisas limpo pela enésima vez restou-me verificar os pneus, o que foi uma sorte pois o pneu traseiro já estava "quadrado" e a banda de rodagem prestes a atingir o TWI.   Afinal eu tinha rodado cerca de 18.000 Km com eles em 2013 antes do período de hibernação da Helô. Trocaria os dois logo que possível, pensei.


Assim foi que, após despedidas e mil recomendações carinhosas de meus sobrinhos, montei na Helô, liguei-a  e partimos. Eu, com a emoção à flor da pele e a Helô, com os pneus carecas. Trata-se de uma combinação perigosíssima: a moto "rebolando" tal qual passista mirim + olhos embaçados do velho motoqueiro. Para evitar problemas, parada para retomar fôlego logo após a saída do belo condomínio onde reside meu sobrinho Rodrigo.  Respirar fundo, caminhar um pouco, aproveitar para fazer algumas fotos e deixar as emoções para trás semeando o caminho.





Depois de algum tempo, com parte da compostura de volta, a primeira e mais séria decisão deve ser tomada: escolher uma direção. O sul foi logo descartado pois, estando na Florida, se desço um pouco mais acabo numa ilha paradisíaca, governada por um bom velhinho barbudo, com tênis Nike e agasalho Adidas. O grande problema é que pessoas muito mais merecedoras do paraiso do que eu, ainda não conseguiram lá se estabelecer definitivamente. Não seria justo eu chegar na frente deles para me esbaldar no canavial participando do corte de cana (aqui prá nos, sonho com isso todas as noites em que bebo o famoso vinho Telephone). Além do mais, o fluxo do tráfego marítimo inexplicavelmente é apenas de lá para cá. Estranho isso.... Bem, para evitar problemas com a moçada que mora na Vieira Souto e na Avenue Foch em Paris, resolvi ir para o Norte mesmo. Vou deixar o paraíso para mais tarde. Tratemos dos pneus antes de mais nada, afinal não sei para onde vou e por quanto tempo estarei na estrada assim a prudência recomenda a troca dos dois.

A escolha óbvia foi Daytona, naquele complexo que fica na interseção da 95 Norte com a 1 em Ormond Beach, afinal lá estão localizadas duas grandes lojas, uma da Harley Davidson e outra da JP Cycle. Na HD 500 dólares os dois pneus e na JP Cycle 270 dólares. Exatamente os mesmos Dunlop. Como a JP Cycle não faz a troca de pneus, fui na HD ver quando eles cobram e levei o maior susto 92 dólares por hora e um tempo estimado de 2 horas e meia (comprando lá o pneu ou não). 






Como não daria para sair com dois pneus em volta do pescoço morri em 230 dólares na troca e 270 nos pneus. Pelas minhas contas ficarei sem almoçar durante 3 semanas, como preciso perder peso nenhum problema (isso até minha cardiologista tomar conhecimento da iniciativa). Para evitar novas surpresas, resolvi comprar as pastilhas de freio na JP Cycle pois se tiver que trocar no meio do caminho eu mesmo faço o serviço e o preço é muito melhor do que o da HD. Tenho um kit pobreza com ferramentas variadas, óculos com lente vencida, recipiente para água com a boca larga (o que me permite roubar gelo nas maquinas de refrigerantes nos postos de gasolina), protetor solar vencido (do "verão da lata"), uma extensão sem tomadas nas duas pontas pois fios desencapados são mais fáceis de introduzir em tomadas redondas, chatas e até nas brasileiras, algumas notas de cruzeiro velho (impressiona incautos) e outros zilhões de itens que me conferem enorme flexibilidade porém o mais importante ainda é o velho charme dos Rodrigues Silva. Sorry periferia......


Enquanto estava na JP Cycle comprando os pneus vi um catalogo para motos “vintage” em cima do balcão. Pensei logo no meu sobrinho Mario Coutinho e pedi um exemplar para o balconista que é este fotografado. 










Eles distribuem direto mas este vai acompanhar-me durante toda a viagem, fazendo peso na moto, depois vou levá-lo na bagagem com enorme sacrifício para entregá-lo, reunindo minhas ultimas forcas, ao sobrinho. Valorizei assim para não ter a tentação de arrancar paginas (para fins não muito nobres) nas situações de emergência que vierem a ocorrer no meio da viagem.


Após a troca dos pneus a Helô parecia outra moto, um verdadeiro espetáculo, apesar do vento de través foi fácil manter as 80 milhas com a bagagem meio bamba e as enormes carretas formando um turbilhão quando ultrapassadas. O pior é que, em alguns casos, você tem que chegar quase a 90 milhas para ultrapassá-las, com o risco de ganhar um ticket que vai fazer uma enorme falta nas combalidas finanças.  Tudo isto com muito cuidado pois os primeiros 50 Km com pneus novos requerem muita atenção até que a camada de cera protetora que os recobre seja “lixada”. Foi assim, pisando em ovos e curtindo o novo equilíbrio da Helô, que entramos na Georgia e chegamos em Kingsland onde 2 carros de bombeiros me aguardavam no estacionamento do hotel. Depois vim saber que foi uma senhora que passou mal e teve que ser conduzida a um hospital. Até hoje não entendi o lance dos carros de bombeiros. Eles iriam me perseguir por toda a viagem.










segunda-feira, 12 de maio de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 1

INÍCIO DA AVENTURA

Apenas para esclarecer, a viagem onde percorri as 15 melhores rotas para motocicleta nos Estados Unidos começou, de fato, no dia 12 de maio de 2014. Neste dia partimos, eu e meu sobrinho Mario Luiz que retornaria ao Brasil no dia 28, para Miami de onde iríamos de carro para a casa de outro sobrinho em Orlando, o Rodrigo, onde fica estacionada a fiel escudeira que me leva ao país dos sonhos, a Helô.

Esta perna da viagem, Rio-Miami, começou tumultuada, quase que não embarco por só ter passagem de ida. Não comprei a volta pois não sabia quando isso aconteceria. Depois de muita confusão e faltando apenas 5 minutos para o embarque consegui comprar uma passagem de volta no balcão de despacho de malas !!!!

Chegando em Miami alugamos um carro e partimos em direção ao norte sem pressa procurando locais interessantes. Por locais interessantes leia-se: locais onde se concentrassem carros, motos e mulheres. E foi assim, procurando lojas de acessórios (de carros e motos), exposições (de carros, naturalmente), shoppings e uns botequins metidos a besta que acabamos chegando a Orlando. Demoramos bastante a fazer este percurso mas valeu a pena.












O Rodrigo já estava preocupado com nossa demora, afinal 3 dias de Miami a Orlando deve ser algum tipo de recorde. Para comemorar nosso encontro nada melhor do que um rolé pelas cidades costeiras ao norte da Florida. De carro ?  Claro que não, afinal não ficaria bem para 3 motociclistas malvadões. O Rodrigo e o Mário alugaram duas motos e eu com minha fiel escudeira, a Helô, partimos em direção a  Mount Dora, Daytona Beach, Saint Augustine e outras pequenas cidades costeiras, usando a  US 1 sempre que possível.






Depois disso, como apenas eu e o Mario Luiz estávamos de férias, o Rodrigo teve de voltar a trabalhar. O vôo do Mario seria no dia 28 de maio a partir de Miami, enquanto isso ficamos rodando pela Florida sem destino muito certo mas, coincidentemente, esbarrávamos sempre em exposições de carros ou concessionárias de motos, especialmente Harley ou Indian.



























A partir da volta do Mario para o Brasil eu tinha de decidir o rumo a tomar, afinal eu levara remédio para a pressão arterial suficiente para 4 meses, urgia que eu definisse a data de partida. Assim foi que estabeleci o dia 2 de junho como o início de uma viagem da qual, até então, desconhecia duração e objetivo, afinal temos de dar uma chance ao destino......



domingo, 11 de maio de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS - Resumo


AS 15 MELHORES ROTAS PARA MOTOCICLETA DOS ESTADOS UNIDOS


1 - (NC/TN) Tail of the Dragon                          9 - (MT) Going-to-the-Sun
2 - (CO) Million Dollar Highway                        10 - (MT/WY) Beartooth
3 - (CA) Angeles Crest Hwy                             11 - (OH) Route 170
4 - (CA) Route 58                                             12 - (WV/VA) Route 33
5 - (CA) PCH Route One                                  13 - (VA) Blue Ridge Parkway
6 - (CA) Route 36                                             14 - (TN) Cherohala
7 - (OR/WA) Route 129& Route 3                 15 - (TN/AL/MS) Natchez Trace Pkwy
8 - (ID?MT) Lolo Pass

O mapa acima exibe o roteiro percorrido entre os dias 2 de junho e 2 de setembro de 2014. Foram 24.000 Kms cruzando 28 estados além dos desertos de Mojave e Nevada. 
A viagem começou da forma como mais gosto: sem roteiro pré-definido (afinal temos de dar chances ao destino) e apenas na companhia da Helô. Para quem não conhece, uma Harley Davidson 2001, modelo Road King Police que adquiri no ano passado na Virginia e deixo guardada na casa de um sobrinho na Florida. 

Iniciei a viagem tendo que conduzir a moto até a Virginia para fazer a inspeção anual já que ainda não tinha feito a transferência da placa para a Florida. Entrei na Virginia e fiz a vistoria na primeira cidade que encontrei, sem burocracia, sem demora e pagando uma taxa de 12 dólares. Após esta boa surpresa tinha que decidir para onde me dirigir. Como estava próximo à divisa com Norte Carolina e o Tennessee o "Tail of the Dragon" acabou sendo uma consequência natural. Valeu a pena, como sempre vale o Dragon, principalmente pela Helô, paramentada com 2 esvoaçantes lábaros pátrios, bailando com a costumeira elegância e precisão pelas 311 curvas do Tail of the Dragon. Naturalmente que eu sempre imagino que o mérito seja meu mas a única coisa que faço é pagar a gasolina (podium).





Após o Dragão resolvi ir até o Kansas para conhecer a cidade de Iola, nome da minha neta e da minha esposa a quem, um dia, prometi que iríamos conhecer. Valeu a pena, a cidade é linda e foi como se ela estivesse junto de mim curtindo "sua" cidade. Eu chegava a ouvir seu riso luminoso espantando a saudade que teima comparecer a eventos em que não foi convidada.

Seguindo para Dodge City, recebi uma mensagem de um amigo, o Carlos Schaeffer, perguntando se eu conhecia algumas das estradas citadas em um artigo no site "Toprider" ( http://toprider.org/as-15-melhores-rotas-para-moto-dos-estados-unidos/ ) .  Sim, conhecia umas 2 ou 3, outras só de nome e a maioria nunca tinha ouvido falar. Percebi porém que algumas estavam na costa do Pacífico e a tal de PCH (Pacific Coast Highway), ou Route One, seria o caminho natural para liga-las sendo, ela própria, uma das 15 "tops". Lembrei-me também de recomendações de meu sobrinho Rodrigo para colocar San Simeon e o inacreditável "Hearst Castle" na agenda. 


Juntando todas essas recomendações à descrição que meu guru para artes marciais, o Dotô Badá Barreto, fazia da costa do Pacífico acabei sucumbindo à pressão e deixei o destino me levar. Apontei a proa da Helô em direção à emoção e partimos para conhecer TODAS as 15 melhores rotas "from cab to rab"  (de cabo a rabo em inglês castiço).
Para se chegar a essas 15 rotas "top" a American Motorcyclist Association conduziu uma pesquisa com 250.000 motociclistas dos Estados Unidos e de outras partes do mundo. Embora eu discorde de algumas creio que umas 12 merecem, com louvor, estar nesta relação.
De qualquer forma foi uma das mais gratificantes viagens da minha vida, só não digo que foi a melhor pois sempre existira a próxima. 

Na medida do possível vou postando uma espécie de diário que tentei montar a partir do dia em que coloquei a Helô na estrada. Tenham paciência pois sou quase um "desalentado".

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A dificuldade em aceitar novos conhecimentos

 
Por quê a resistência em admitir que existem aspectos de nossa pilotagem que podem ser melhorados e, em conseqüência,  abrir nossas mentes a novas técnicas e ensinamentos ?
Desconfio que essa mentalidade deve-se à nossa formação como motociclistas. De um modo geral (em cerca de 85 % dos casos),  o primeiro contato com as duas rodas foi a bicicleta da infancia que, na base de tentativa e erro e a custa de muitos arranhões, conseguimos conduzir. Depois disso, na maioridade, veio o automóvel, onde aprendemos o que é embreagem, cambio, freio e acelerador. Quando pela primeira vez nos deparamos com uma moto, misturamos os conhecimentos ciclísticos com o automobilístico, geralmente em uma moto de baixa cilindrada, que a quase tudo perdoa, e saímos por ai impressionados com nossa espantosa capacidade de adaptação, culminando com a aprovação na ridícula e insensata prova do DENATRAN.  A terrível consequência é que os novos motociclistas, antes de mais nada, não sabem utilizar os freios já que trazem as seguintes memórias que não se aplicam a motocicletas:

a) automóveis - utilizar o pé direito para acionar o freio   em caso de emergência.

b) bicicletas - evitar freio dianteiro da bicicleta em velocidade por medo de que ela capote.

Esses hábitos :  o medo de utilizar o freio dianteiro conjugado com a utilização do pé direito (que aciona o freio traseiro da moto) em situações de emergência ou em velocidades mais altas são responsáveis por grande parte dos acidentes de moto.

        Sustos, tombos, colisões, ferimentos e cicatrizes passam a fazer parte do cotidiano do motociclista e tudo, claro, por culpa dos outros: ou do pedestre, ou da estrada, ou dos pneus, ou dos motoristas, ou do tempo, ou da chuva, ou de qualquer outra coisa, jamais do próprio motociclista. À medida em que o tempo vai passando as cicatrizes de acidentes, consideradas verdadeiras condecorações, são orgulhosamente exibidas para os novatos.
A simples sugestão de algum tipo de curso ou treinamento é recebida com um sorriso de desdém e a famosa frase: “-Piloto motos há mais de 30 anos, tenho mais de 30 tombos e, além de não ter mais nada a aprender, estou muito velho para mudar a forma de pilotar”. Claro que os novatos são influenciados por esses veteranos, chamados de “mestres”,   tornando-se também refratários a qualquer tipo de ensinamento, adotando uma postura arrogante e auto-suficiente além de desenvolver uma incrível capacidade de atribuir a responsabilidade de seus erros a terceiros.
Não leve muito a sério os conselhos para subir na moto rodar, rodar e rodar que é assim que se aprende a pilotar uma motocicleta. Um dia desses vi alguém sugerir a um novato: ”-Você quer aprender a pilotar moto ? Compre uma 150 cc de segunda mão, uma boa roupa de couro e rode até o motor explodir”. A experiência, claro, tem o seu valor mas se você não souber o que está fazendo vai ficar repetindo erros e, o que é pior, criando vícios de pilotagem dificílimos de retirar.
O tamanho da moto é irrelevante. Fundamental é aprender de forma correta: conhecendo e praticando, sob orientação de alguém habilitado para tal, técnicas e procedimentos de pilotagem que serão utilizadas no transito e em estradas; em baixas, médias e altas velocidades.

Motocicletas tem o comportamento muito parecido com o de um avião. As forças que atuam na curva de uma moto são as mesmas que atuam na curva de um avião.  Por quê a aviação é considerada o meio mais seguro de transporte ? Porque os pilotos estão em treinamento constante, preparados para qualquer emergência através de prática em simuladores onde são testados em todas as situações possíveis e imaginárias. Por outro lado se for perguntado aos caros leitores quando foi a última vez em que, com suas motocicletas, foram para um local adequado e praticaram 15 minutos de freadas de emergência, desconfio que as respostas tenderão a zero.

Gato Cansado – junho de 2010
(atualizado em novembro 2013)