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domingo, 14 de dezembro de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 7





NAO DISCUTA COM O GPS, VOCÊ SEMPRE ESTÁ COM A RAZÃO

Asheville (NC) - Sevierville (TN) 

15 junho 2014




Hoje desliguei o GPS que teimava em dizer que nunca tinha ouvido falar da Blue Ridge Parkway. Parei num posto de gasolina e perguntei ao cara do caixa (um indiano - eles me perseguem). Juntando o inglês dele ao meu o resultado foi uma volta de mais de 40 milhas para sair no mesmo lugar. Mas valeu a pena, conheci o entorno de Asheville que realmente é lindo e, o que é melhor, passando por estradas que atravessam bosques, cheias de curvas e com pouquíssimo trânsito. Estava muito bom mas eu não poderia ficar fazendo aquele looping eternamente. Além disso alguém poderia desconfiar daquele velho maluco rondando sua casa e chamar a policia. Procurei um lugar seguro e à sombra de uma arvore estacionei a Helô. 











Liguei o notebook, embora não tivesse nenhuma conexão, pois mantenho um mapa dos gringos que deu uma noção de onde estava e pude traçar um "tramo de ruta", como dizem os arrentinos. Coloquei-o em prática mantendo o GPS desligado e quase que juro, fazendo cara de deboche para mim. 
Consegui encontrar rapidamente a Blue Ridge e comecei a praticar meu esporte predileto: pilotar uma motocicleta com a maior "finesse" possível porém com a firmeza de quem se sabe comandando, levando-a tangenciar a curva exatamente nos pontos que determinei, sem permitir "reboladas" fora de hora e mantendo o motor falando na altura que se espera de um Harley Davidson. Esse exercício é ótimo, até mesmo minha postura corrijo e não relaxo, a Helô merece ser levada a sério e o resultado é que, em determinados momentos, executamos "solos" impecáveis, dignos de uma platéia maior do que aquela que normalmente nos brinda com sua presença: esquilos, pavões e veados. Por outro lado é impossível não perceber a beleza que cerca a estrada, seja aquela colocada pela mão do Criador seja pela do homem. Parei na região do Mount Pisgah pois o frio estava aumentando. Coloquei o casaco e não resisti à orgia de cores da vegetação à beira da estrada, principalmente após a chuva de ontem à noite, acentuando aquilo que já era belo. 







Eu fazia as fotos e pensava: "-Será que o homem, algum dia, conseguiria fazer algo tão belo ?". 

Estava refletindo sobre isso quando ouço o inconfundível rugido de um motor V8 brutalmente exigido na entrada de uma curva. Foi o tempo de apontar a câmara para a saída da curva e ter a minha resposta: 



"-Sim, o homem conseguiu: um Corvette !"




Esses episódios acontecem a cada momento mas nem sempre, na maioria das vezes quase nunca, estamos disponíveis para eles. A pressa em chegar, a ansiedade, os recordes a serem quebrados, tudo isso impede curtir uma viagem como deve ser curtida. Por isso acho muito difícil, senão impossível, encontrar um parceiro que acompanhe meus delírios e minhas infantilidades. Paciência, isso me faz um bem enorme e por isso estou aqui tentando, da forma mais honesta e sincera, relatar as emoções que fazem disparar o coração um velho motoqueiro, a caminho do poente, fazendo aquela que sempre imagina ser a última viagem.



ENCONTROS DA TERCEIRA IDADE 
Mount Pisgah Campground

Eu já estava próximo ao ponto culminante da Blue Ridge quando passei pelo Mount Pisgah Campground. Ali é um ponto de parada quase que obrigatório pois, além de banheiros públicos, existe um dos raros comércios da Blue Ridge. É uma espécie de empório que vende de tudo mas eu estava interessado apenas no chocolate quente para rebater o friozinho gostoso. 
Quando estacionei, notei um grupo de motociclistas conversando animadamente sentados em cadeiras de balanço que ficam do lado de fora, na calçada. Comprei meu chocolate e fui saboreá-lo do lado de fora. Os caras me convidaram para sentar e puxaram conversa. Começamos a falar de motocicletas, mulheres, viagens e por fim já dávamos risadas das tiradas de um deles (parecia o mais velho e o mais gozador). Eles quiseram saber tudo sobre minha viagem, sobre meu país, como minha família encarava minhas viagens, etc. Por fim, quase na hora de me despedir, todos me fazendo mil recomendações, perguntando se eu tinha gasolina suficiente já que teria mais 80 milhas à frente sem postos (eu tinha abastecido recentemente), se eu tinha roupa de chuva, se precisava de algo além de palavras de incentivo cheias de calor humano que dizem os gringos não as ter. Como estão enganados. Sempre fui muito bem tratado por todos. Quando me viram tirando fotos das motos convidaram para voltar a sentar-me junto a eles e fazer uma foto de recordação. Coisa de MOTOCICLISTAS, coisa de quem conhece a Estrada !





A GLORIOSA ESTRELA SOLITÁRIA, MELHOR DO QUE GPS 

À medida que nos aproximamos do ponto culminante da Blue Ridge a temperatura cai uma barbaridade e é muito comum você encontrar nuvens baixas (nem tão baixas assim já que estamos a mais de 2.000 metros de altitude). Hoje, o frio estava suportável, gostoso mesmo pois o sol não deixou de comparecer à festa. É uma sensação deliciosa atravessar túneis de arvores que, por impedir a passagem dos raios solares, mantém uma temperatura mais baixa do que os trechos ensolarados. Foi assim, entremeando trechos de sombra com outros de sol que chegamos ao "overlook" onde esta o marco do ponto culminante da Blue Ridge. Como não poderia deixar de fazer, encostei a Helô próxima ao marco, ajustei a câmera no tripé e comecei a fazer as fotos. 




Nisso alguns gringos foram chegando e, educadamente como sempre, ficaram esperando a vez de fazer as próprias fotos. Quando me viram empunhando o glorioso pavilhão alvi-negro se encantaram com o mesmo e quando eu, em rápidas palavras (imaginem o que saiu !), contei-lhes as glórias do Botafogo (inclusive antecipando que seria o ÚNICO clube do Rio de Janeiro a ser convidado a participar do disputadíssimo e internacionalmente conhecido Campeonato Brasileiro da Série B ) todos pediram para ter a honra de tirar uma foto segurando a bandeira desse tal de "Put-Fire", clube que mais cedeu jogadores para as seleções brasileiras que conquistaram títulos mundiais, fora os ovos ...


HOTEIS LOTADOS E CAROS EM CHEROKEE, HOTEIS ÓTIMOS E BARATOS EM SEVIERVILLE


A Blue Ridge nos deixa praticamente dentro de Cherokee, acontece que hoje (junho 15) é domingo, pleno verão e a cidade ferve. Consegui uma conexão de internet e através do site www.hotels.com consegui um Days-inn numa cidade chamada Sevierville (TN), próxima a Gatlinburg que conheço (e acho ótima). Como o preço era para lá de convidativo (40 obamas + cafe da manhã) e depois do rombo nas minhas finanças por causa do reparo na Helô, entrei num corte de gastos que deveria servir de exemplo para esses perdulários que nos governam (ou deveriam). Quando chego, um monte de surpresas: a cidade é uma loucura, parece uma mistura de Disney, Universal Studio e Las Vegas. 





O hotel é fantástico, foi longe o melhor em que fiquei até agora, instalações novíssimas, 2 camas king size e aquele monte de travesseiros que até hoje não sei para que servem além das guerras de travesseiros organizadas com as “primas” do Photo (bons tempos) , micro ondas, cafeteira, geladeira, cafe, chá, ferro de engomar, tábua de passar roupa, etc... 
Foi tão bom que fiquei mais um dia para tentar organizar meus escritos e lavar minha roupa pois estava ficando chato um monte de abutres sobrevoando a Helô por onde passávamos.




TAIL OF THE DRAGON
Deals Gap (NC) - 17 junho 2014

Acordei bem cedo hoje e às 7:00 h já de banho tomado, barba feita, bagagem devidamente arrumada na Helô, check-out realizado, só esperava abrir a sala do café da manhã, excelente por sinal. Tudo isso para botar o pé na estrada antes das 8 pois eu sabia que iria travar uma luta mortal com o GPS. Ontem à noite conclui que seria uma ofensa eu chegar tão perto e não fazer uma visita ao Tail of the Dragon. Por outro lado, eu queria ir por uma estrada que contorna um lago e passa em frente ao Dealer da HD e sabia que o GPS ia inventar qualquer outra coisa para me sacanear. Bingo, não deu outra, rodei mais de 60 milhas mas acabei chegando no dealer. Com o GPS desligado, lógico. Procurei a simpática cadeira de balanço que ficava na entrada e constatei que trocaram por outra de ferro sem o menor charme, acho que para evitar velhos desocupados sentados por um longo tempo olhando para o infinito, e sem comprar porra nenhuma. Não tive outra alternativa senão me preparar para pegar o Dragão pelo rabo. 



Antes de mais nada uma parada para colocar os auri-verdes pendões de minha terra. Sim são dois, colocados nos porta-flamulas que mandei confeccionar com base nas fotos que o Comandante Tanure me enviou. A Helô ficou uma graça com uma bandeira de cada lado dos para-lamas dianteiros tremulando ao vento. 


Eu vinha conversando comigo mesmo pedindo cautela e que não me metesse a fazer gracinhas. Ainda por cima eu estava com toda a bagagem em cima da moto e muitos quilometros pela frente. 
Bem esse era o discurso mas quem conhece o Dragão sabe o que acontece quando você entra naquela montanha russa, ainda por cima com os dois gloriosos lábaros do meu país tremulando à frente. Transformei-me de imediato em um Granadeiro do Imperador, enviado em missão especial pelo Comandante Tanure para botar ordem na quitanda. 
 Ah se eu tenho uma sirene e um 45 na cintura ! Ia encher aqueles transgressores de bala, ia ser só tiro na rótula. 
Meus amigos, a adrenalina do Dragão é única. Vale sempre a pena, ele nunca esta da mesma forma. Continua traiçoeiro e não perdoa vacilos mas um Granadeiro do Imperador não se impressiona com facilidade e depois dessa só tenho a dizer: "-Comandante Tanure, missão dada missão cumprida !"

"A GUARDA MORRE MAS NÃO SE RENDE !". SÃO OS GRANADEIROS DO IMPERADOR CHEGANDO PARA BOTAR ORDEM NA QUITANDA !
Tail of the Dragon at Deals Gap (NC) - 17 junho 2014

A realização do sonho de um moleque de 8 anos de idade, quase atropelado por uma HD da Policia Especial utilizada por um dos "batedores" de Getulio Vargas em 1951. As linhas da moto, o rugido do motor e as bandeiras tremulando enquanto ela abria caminho formavam um dos mais belos quadros que guardei de minha infância. 

Com o passar dos anos (e como passaram !) sempre que via um "batedor" com uma Harley Davidson (se não for HD não é batedor, trata-se de estafeta ou entregador de pizza) a imagem voltava e cada vez mais forte. Quando entrei no mundo das motos, aproximei-me de um grupo de profissionais que orgulharia o exercito de qualquer nação, são os Granadeiros do Imperador, os conhecidos e admirados "batedores" do Exército Brasileiro. Como o Criador me deu a oportunidade  de "fazer" o Rabo do Dragão 4 anos seguidos resolvi prestar uma homenagem a todos os "batedores" do Brasil, em especial aos valorosos e competentes Granadeiros do Imperador. Acreditem vocês ou não, foi o melhor momento de minha viagem. Nada se compara a um bailado executado em parceria com uma Road King Police, idêntica (até nas cores) às dos nossos granadeiros, e orgulhosamente fazer tremular em terras gringas a bandeira desse nosso tão mal tratado mas nem por isso menos amado Brasil.
"Selva !"




O PROBLEMA DE ASSUMIR UM PERSONAGEM

Pilotar uma motocicleta, aliás uma Harley Davidson, modelo policial, com as cores das motos dos "batedores", com duas bandeiras brasileiras nos porta-flamulas dos para-lamas dianteiros, o garbo e a elegância dos Rodrigues Silva colocando-nos à altura do momento pode ser extremamente perigoso e a tendência a dar merda é enorme. O fato é que, imbuído do espírito de Granadeiro do Imperador, quase que paro o transito na I-40 só para testar o meu poder. Ainda por cima vou arrastar o  CapitãoTanure numa parada dessas !


MAIS UM ESTADO PARA O LIVRO DE BORDO DA HELÔ: ILLINOIS.
18 junho 2014

A verdade é que cruzei uma pequena parte do sul do estado de Illinois, terra de Abraham Lincoln. A cidade de Cairo, logo na divisa com o Kentucky, chamou minha atenção pelo aspecto decadente, com prédios e comércios abandonados, não se vê gente nas ruas, contrastando com todos os outros locais por onde venho passando, cujas economias estão em franca ascensão. Aparentemente a economia da cidade é baseada na agro-pecuária e fatores climáticos podem tê-la afetado negativamente.
A igreja católica de Saint Patrick se destaca numa paisagem de casas abandonadas e ruas desertas.





O CONTRASTE ENTRE DUAS CIDADES: CAIRO (IL) X CAPE GIRARDEAU (MO)


Basta atravessar a ponte sobre o Mississippi e você esta no Missouri, na cidade de Cape Girardeau. 



Como o nome sugere, a influência francesa, além da espanhola, é muito forte. A cidade preserva mansões a beira do rio Mississippi e muitas estão abertas à visitação. 




A cidade parece que tem no turismo sua maior fonte de renda, embora seja um importante porto comercial para as barcaças que sobem e descem o Mississippi. Rodei um pouco com a Helô mas achei melhor estacioná-la e percorrer a pé, a despeito do calor, as ruas do centro com seus restaurantes e comércios em prédios antigos (os tais de tijolinhos vermelhos) cuidadosamente preservados. Pena que a bateria da câmera descarregou.

Depois de um belo prato de massas e uma taça de vinho em uma simpática cantina italiana, uma caminhada e pé na estrada que o horizonte nos aguarda.


LÁ VAI TIO HÉLIO NO 3o. SOCORRO ATENDER A UM "PAVOROSO"

Pois é, como falei em outro post o GPS levou-me por estradas sensacionais enquanto cruzava o Missouri. Não sei o nome dos locais nem me preocupei com isto, apenas curtia os vilarejos, o comércio bem peculiar e parecido com as "vendas" do interior das gerais da minha infância. A qualquer momento esperava encontrar o Luiz Toledo, com sua incrível paciência, aturando minhas diabruras e perturbando seus fregueses. 

Como se fosse pouco, além do visual as estradinhas tinham curvas feitas para motociclistas mesmo, aquelas em que você contra-esterça com vontade e sente a danada lhe chamando para bailar e aí de você que não aceite ! Vai "comprar um lote" bem longe de casa. 

E foi assim, Valentino Rossi uma hora, Barrichelo na outra que saio de uma curva e vejo uns vultos vermelhos no acostamento à minha direita. Fui lá na frente, retornei e quando cheguei perto o coração disparou: carros de bombeiros ! Esses gringos adoram carros de bombeiros também. 


Tudo bem que eram antigos mas eu também sou antigo, aliás muito mais do que o necessário mas nada posso fazer para mudar isso a não ser pilotar a Helô (para desespero de meus filhos e inveja da concorrência). 



Mas voltando ao tema, venho de uma família de bombeiros: meu pai, 2 tios e 2 primos. Eu escutava histórias heroicas, dramáticas e algumas muito engraçadas e cresci admirando esses bravos que não hesitam em colocar suas vidas em risco em favor do próximo. Por isso, carros de bombeiros exercem fascínio sobre mim, abandono tudo para vê-los passando com suas sirenes abrindo caminho em direção ao perigo.


Ah, com relação ao titulo do post. Meu pai contava que a escala de serviço tinha o primeiro, segundo e terceiro socorros. De acordo com a gravidade do incêndio "corria" o 1o. socorro e, caso fosse insuficiente, ia o 2o. até chegar ao 3o. socorro. Quem estava escalado para o 3o. socorro dizia que só era chamado quando ocorria um "pavoroso" ! Talvez seja diferente hoje mas era assim na época do velho.


A VINGANÇA DO GPS FOI MALIGNA. DEPOIS DE VELHO E COM UM PASSADO DE GLORIAS ACABEI ENTRANDO NA ROLLA !!!!!!


Depois dos carros de bombeiros o GPS continuava me mostrando estradinhas maravilhosas mas, mineiro que sou, comecei a ficar desconfiado pensando: "-Esse sacana, junto com a maluca do Wrong Way, deve estar aprontando alguma para mim!". Bem, depois de quase 400 milhas percorridas, foi batendo o cansaço e resolvi procurar um hotel. O GPS tem lá uma função, uma tal "Interest Points" (ou coisa que o valha) e uma opção para hotéis. Pedi um mais próximo de onde eu estava e ele foi me guiando. 

Quando ia entrando no tal "exit" que ele indicou, vejo lá uma placa: CUBA !!!! Putaquipariu, nem meus amigos comunas se animam a ir pra lá, imagina eu reacionário já catalogado, fichado e relacionado para a primeira "rodada" do paredon assim que possível ?   Vade retro Fidel..... 



Passei batido e pedi outra indicação e o GPS parece que ficou meio putinho da silva e deu uma mais longe ainda. Como a vista já estava ardendo (não fumei nada, parem de pensar besteira), resolvi encarar qualquer coisa que ele recomendasse. Esse foi meu erro, depois de velho, com uma folha de ótimos serviços prestados, eis que me vejo entrando na Rolla. O nome do hotel em que estou é Rustic Rolla Motel. Céus, era só o que me faltava, uma rola rústica ? O lado bom é que vários amigos enviaram mensagens inbox querendo comprar o "danadinho do GPS" (palavras deles). Acho que vou fazer um leilão. Pago a viagem e sobra uma grana. 


Bem, depois de fugir de Cuba e entrar na Rolla só me restou "firmar o caráter" com meu amigo Jack Daniel's e tentar dormir. Amanhã será outro dia e esquecerei, com a ajuda do alemão (o Alzheimer), essa passagem vergonhosa. E foi o que aconteceu, esqueci tudo, até mesmo das dívidas mas só até abrir a porta do quarto e ver o que me aguardava no estacionamento.....



VOU COMPRAR UM PRESENTE PARA MINHA NETA
Rolla (KS) – Iola (KS) - 19 junho 2014


Aproveitando as dicas que o Luiz Maria Ferreira Neto me deu sobre o GPS já começo a exercer uma certa autoridade sobre ele. Isso se refletiu hoje quando fugi das grandes estradas e passei a rodar em estradas secundárias. Você perde um pouco na velocidade, já que nas Highway é 70 milhas chegando fácil às 80 milhas com as contas malucas que faço. Enquanto isso, nas secundárias a velocidade é 55 milhas e não dá para fazer muita gracinha pois são cheias de curvas e lombadas com inúmeros pontos cegos. De qualquer forma você tem mais "qualidade de vida" nessas estradas, chega mais descansado, encontra surpresas, conhece pessoas e tem oportunidade de chamar a Helô para bailar, sempre com garbo, elegância e donaire. Às vezes a paisagem é tão exuberante que temos de parar a moto e nos inserir na mesma, ainda que fazendo papel de espantalho. Mas tudo vale a pena se a alma não é pequena, já dizia Galileu da Galiléia..







UM PRESENTÃO PARA MINHA NETA CHAMADA IOLA...


Sei que sou um avô meio bagunçado, esqueço datas, não pego as netas na escola, não dou presentes pois elas já tem tudo e seria jogar dinheiro fora. Não dou dinheiro também pois as mães iriam comprar roupas e elas ficariam furiosas pois preferem brinquedos (e estão cobertas de razão). Isso sem falar que os outros avôs, além de pegar os netos na escola, ainda tem carros de pessoas normais e não aquele Jipão que mais parece um pesadelo saído de um filme de terror. Imagino como ela deve sofrer com as piadinhas dos coleguinhas. Mas isso agora acabou. Quando um deles começar a sacanear o avô dela (o locutor que vos fala), ela pode virar para ele, fazer cara de desdém e mandar na bucha: "-Meu avô pilota Harley Davidson e foi para os Estados Unidos comprar uma cidade para mim seu coxinha!". 







IOLA, UMA PEQUENA CIDADE DO KANSAS...

Esta cidade tem um grande significado para mim, afinal minha esposa se chamava Iola e um dia, lá pelos anos 80, prometi meio a sério meio a brincadeira, que um dia iríamos juntos conhecer a "sua"  cidade. Estou certo de que ela, de alguma forma, estava presente.
Algumas edificações da limpa e bem cuidada cidade de Iola, com pouco mais de 5.000 habitantes. Ruas largas, arborizadas, casas com o gramado e jardins muito bem cuidados. Parques, áreas de lazer e cultura difíceis de ver até mesmo em cidades maiores. Realmente a cidade está à altura do nome.








HOJE NÃO FOI VIAGEM, FOI DESLOCAMENTO.
Iola (KS) - Dodge City (KS) - 20 junho 2014


Antes de decidir pelo roteiro do dia costumo pesquisar as “scenics highways” num site de motociclismo. Vi que teria de modificar a direção geral e sacrificar algum tempo para encontrá-las. Decidi manter o rumo original, em direção ao Colorado, o que me levou a iniciar uma marcha batida cruzando o Kansas de leste a oeste. Apesar de ter saído tarde a temperatura estava agradável já que o sol estava encoberto por nuvens. Adiantei então o que podia pois sabia que a hora que abrisse uma brecha o maçarico seria ligado a todo volume. E quando isso acontece, o desgaste físico é muito grande mas tem lá suas compensações. No meu caso, eu vinha cruzando campos que se fundiam com o horizonte. Parecia que eu estava numa página de "O tempo e o vento". A qualquer momento poderia surgir o incrível capitão Rodrigo Severo Cambará, peleando com os castelhanos da banda oriental. Olhando para o céu, conclui que o vitrinista hoje estava inspiradíssimo, tive que parar, fotografar e dividir com vocês. 



No meio disso tudo, uma parada e um pseudo-lunch acompanhando nossos amigos "red-necks" que faziam o mesmo na carroceria da pick-up. 

Para tornar a coisa mais emocionante, esqueci de abastecer numa pequena cidade (poucas e distantes uma da outra) e só cheguei numa cidade chamada Ford, por graça e obra do excelente caráter da Helô. Finalmente cheguei a Dodge City onde pretendo passar o fim de semana descansando e conhecendo os arredores. Já vi que tem museu e o nome da avenida do meu hotel (38 doletas mais um tal de "plâstaques") é Wyatt Earp. A coisa promete: "forifaive" na cintura, Jack Daniel's na veia e dançarinas com ligas vermelhas na coxa esquerda me aguardando. Voilá, cherchez la femme !



"BOOT HILL MUSEUM"  FRONT STREET
Dodge City - 21 junho 2014

Os gringos sabem como explorar as características mais divulgadas de suas cidades e acabam por criar todo um comércio em torno disto (para desespero da concorrência). Alguns homens da lei, e muitos fora dela, viveram em Dodge City (Bat Masterson, Doc Hollyday, Wyatt Earp, etc...), em função disto preservam enormes áreas com o comércio típico da época do velho oeste, com os figurantes vestidos à caráter (todas as coristas tinham liga vermelha na coxa esquerda - verifiquei uma a uma) e duas vezes por dia encenam um espetáculo com tiros, fumaça e cavalos a galope para alegria dos malucos como eu e desespero dos pacifistas (aqui prá nós, desconfio que eles adoram também).





ADORO O ATENDIMENTO DA HARLEY DAVIDSON.
Dodge City - 23 junho 2014

Ontem à noite, ao voltar das minhas libações vespertinas imaginei ter ouvido algum som estranho na caixa da primária. Como sou meio surdo e com o Jack dominando as idéias, esqueci o assunto. Hoje à tarde, ao sair do hotel voltei a ouvir um barulho que logo parou. Voltei, deitei a moto de lado, abri a janela de inspeção e a grande surpresa: O PARAFUSO QUE SEGURA TODO O CONJUNTO DE TENSIONAMENTO DA CORRENTE CAIU... Filodasputas, eu poderia ter me hodido todo se aquela bosta de parafuso enrosca na corrente e trava aquela goiaba toda com a moto em velocidade. Era chão na certa. E longe de casa ! Tirei fotos, chamei testemunha (o gerente do hotel) e já escrevi para a gerencia da HD de Bristol (onde fiz o serviço) e da HD de Dodge City onde vou amanhã.






CONCESSIONÁRIA HARLEY DAVIDSON É A LESMA LERDA EM TODO LUGAR.

Para não me acusarem de falta de paciência, tirei fotos do mecanismo de regulagem da corrente primária sem o parafuso de fixação. Escrevi um e-mail relatando exatamente o ocorrido para a HD de Bristol (VA), que fez o serviço de troca do mecanismo de tensionamento da corrente de distribuição motora (como parte do serviço regularam a corrente primária). Avisei que estava enviando cópia para o gerente de serviço da HD de Dodge City, onde estou, já que entendia que deveria ser um reparo feito dentro da garantia do serviço realizado pela HD de Bristol uma semana antes. Para resumir, o gerente da HD de Dodge City disse que a HD de Bristol não autorizou o serviço. Foram simpáticos, vieram buscar minha moto (cerca de 2,5 milhas do hotel), fizeram o reparo o mais rápido possível mas tive que pagar o serviço (não me cobraram o reboque). Já o gerente da HD de Bristol me respondeu (via e-mail) dizendo que quando regularam a corrente da primária o parafuso estava lá e ponto final. Uma resposta que chega a ser ofensiva de tão imbecil. Não vou estragar minha viagem por causa disso agora, estou guardando as notas e os e-mails e ao final vejo o que faço.







ASSISTINDO MÉXICO E CROÁCIA. 

Os gringos não estão passando o jogo do Brasil.
Os mexicanos se deram bem pelo fato dos americanos terem tomado parte da California, Texas e Novo Mexico. Eles desenvolveram essas áreas de uma forma que os mexicanos jamais sonhariam e hoje, entrando ilegalmente no país, os mexicanos tem mais empregos que em seu país, não pagam impostos, tem direito à assistência social e ainda assistem a copa do mundo com uma imagem melhor do que no Mexico. E a polícia não pode, sequer, perguntar se ele está legalmente no país....Estranho país essa terra de Marlboro.





A CAMINHO DO COLORADO ANTES QUE ACABE A COPA !
Dodge City (KS) - Walsenburg (CO) - 25 junho 2014

Ontem, peguei o Road Atlas a fim de estabelecer algum objetivo para hoje. Bem verdade que eu não estava com cabeça para isso, as despesas com a os problemas da Helô ainda me preocupavam. A segunda conta nem foi tão salgada, mesmo eu tendo aproveitado para trocar o mecanismo de regulagem da corrente, que era manual, por um automático por molas. Afinal a mão de obra seria a mesma para retirar o parafuso. O fato é que essas contas na minha cabeça certamente influenciaram na escolha quando bati o olho no nome da cidade: DURANGO ! Pronto, resolvido, é para lá que eu vou. 

Destino definido fui fazer o levantamento básico: distancias, estradas, cidades no trajeto e meteorologia. A meteoro previa tempo bom em Dodge City e Durango, com possibilidades de chuva em ambas as cidades na parte da tarde. Isso já definiu meu horário de saída, no máximo 7:30 h e uma parada na estrada para o desjejum. A distância entre as duas cidades, pela rota que escolhi, era de 520 milhas. Muita coisa para fazer em um dia. Como existem varias cidades no trajeto, decidi fazer, no mínimo, a metade do percurso e parar onde encontrasse uma pousada razoável.

Sai de Dodge City no horário previsto. Em Cimarron parei num cafe de caminhoneiros, onde as pessoas se sentam em mesas compridas onde cabem umas 20 pessoas de cada lado. Só havia caminhoneiros (uns 30) e um casal isolado numa mesa separada. Sentei-me próximo a eles e em pouco tempo o Paul (vim saber seu nome depois) aproximou-se e puxou conversa sobre a moto, minha viagem , meu país e no final, a esposa já participando do papo, tirou uma foto comigo e me deu seu portfólio. O cara é russo, veio para os USA muito jovem fugindo daquela maravilha, mora no Novo Texas (Clovis) onde é pastor e desenvolveu uma forma de divulgar a Bíblia através de trabalhos em esculturas na madeira, além disso é um apaixonado colecionador de ítens ligados a rota 66. Com isso atrasei minha viagem, mas valeu a pena, foi um papo muito bom. 

As estradas de Dodge City para esta região do Colorado (Sul) são monótonas e atravessam imensas pradarias onde nem gado se vê, apenas sente-se o cheiro horrível do gado confinado em determinadas áreas. Cheguei a andar quase 2 horas numa reta imensa onde você olhava em qualquer direção e via apenas a linha do horizonte, lembrando demais a região da patagônia argentina. 




Para mim não tem problema, de vez em quando parava, desligava a moto e ficava olhando ao redor tendo a perfeita noção de quão ridiculamente minúsculo somos perante a obra do Criador (seja lá o nome que você dê). 


Essas horas são ótimas para filosofar, a paz e a distancia da influência dos chamados racionais no entorno, transporta-nos para mundos paralelos criados na nossa infância julgados adormecidos para sempre. O resultado de toda essa filosofia é que não estou mais preocupado com os gastos na Harley Davidson. A solução foi simples: transferi para meus filhos a preocupação.....mais uma parte da herança vai arder no altar da insensatez.

Acabei rodando quase 300 milhas e parei numa cidade chamada Walsenburg de onde saio amanhã em direção a Durango.

FIZ AMIZADE COM UM CACHORRO 

Esse negócio já está virando piada. Depois de deixar a bagagem no hotelzinho resolvi dar uma caminhada para ativar a circulação. A cidade é bem pequena, mais um vilarejo , e de repente um simpático cachorro começa a me seguir. Aqui não é comum animal solto na rua (com exceção de velhos motoqueiros chamados Hélio) e fiquei preocupado pois o sacana poderia estar perdido. De repente, de seguido passei a seguidor. O cachorro passou minha frente trotando calmamente, ao dobrar uma esquina correu para uma espécie de ferro-velho onde, logo na frente, estava estacionado um carro de bombeiros, um International KB-6 idêntico ao que tinha no Depósito da Aeronáutica onde servi em 1961. Esses gringos tem mania com carro de bombeiros mesmo, incrível.





DURANGO, UMA ESCOLHA DAS MAIS FELIZES....
Walsenburg (CO) - Durango (CO) - 26 junho 2014

Ontem dormi cedo, deixei a bagagem toda preparada. Hoje, foi só acordar, tomar banho, fazer a barba (a Helô merece), arrumar a bagagem, abastecer no posto ao lado, aproveitando para um desjejum bem pilantra: aquele café aguado com uma rosca besuntada de um creme açucarado. Depois disso pé na estrada. Embora o dia estivesse lindo fazia frio exigindo a jaqueta de couro. A estrada, para variar, é ótima e logo na saída a paisagem começa a mudar, ao invés daquelas imensas planícies que você vê o horizonte de qualquer direção que se olhe, você continuava numa imensa planície porém cercado de cadeias de montanhas ao longe por todos os lados. Era como se você estivesse na cratera de um imenso vulcão. Claro que isso me obrigava a parar para as fotos de praxe, afinal a natureza veio trabalhando bilhões de anos (sem adendos ao contrato nem superfaturamentos, diga-se) especialmente para o momento de minha passagem e eu vou ignorar isso ? De forma alguma, seria uma desfeita inominável. Parei, fiz as fotos, me emocionei, lembrei de parentes, amigos e de todos que acompanham minhas loucuras e agradeci a Quem de direito pelo presente único e personalizado.









COMO DOBRAR O TEMPO DE UMA VIAGEM SEM SE ESTRESSAR...


A estrada que liga Wasenburg a Durango é a 160. São cerca de 220 milhas passando por uma série de pequenas cidades. Normalmente é uma viagem para 4 horas, considerando a velocidade máxima de 65 milhas (fora o tal arredondamento que eu inventei), parada para reabastecimento e redução de velocidade cruzando as tais cidadezinhas. O problema é que você vai perder muito, talvez o mais importante, da viagem que é encontrar e entrar no clima da região onde você está passando. A estrada já ajuda pois tem curvas que jamais deixarão você se esquecer de que está pilotando uma moto, ao contrário das grandes Highways, com suas retas intermináveis e que, após algum tempo, você nem se dá conta de que está sobre uma motocicleta. Curvas pois, muitas curvas, são elas que nos mantém focados e que nos fazem sentir a magia de pilotar uma motocicleta no limite do equilíbrio. Bem, isso são devaneios de um velho metido a motoqueiro, o que interessa é que a 160, além dessas curvas e de uma paisagem linda, permite que você admire essas pequenas cidades pois a Main Street de todas elas é a própria 160. Como a velocidade máxima nas cidades é 25 milhas, você tem tempo de admirar o centro da cidade. Assim foi que parei em Alamosa, cidade com grande influencia mexicana, para fazer algumas fotos. 











CORTANDO A SAN JUAN NATIONAL FOREST - 1
Região de South Fork (CO) a Durango (CO) 

Meus amigos, só por este trecho da estrada já se justificaria a viagem. A vontade de parar a todo momento é muito grande porém nem sempre há um acostamento nos locais que desejamos. De qualquer forma tentei, com minha desconjuntada Sony e sem entender nada de fotografia (vou fazer um curso urgente), registrar para vocês as melhores tomadas que consegui.








Este rio correndo em paralelo à estrada forma, em alguns locais, imensos lagos, uma pena que não tive como parar para registrar. O frio estava brabo mas eu, preguiçoso de marca, não quis desamarrar a bagagem para pegar a jaqueta que já havia guardado. A opção mais fácil era o velho Jack mas fiquei com medo da Lei Seca. 

Comecei a perceber que estava com alguma dificuldade para retomar o fôlego depois que corria para as fotos. Sabem como é né, regula o tripé na altura adequada, focaliza a câmera, coloca os 10 segundos no "self-timer" e sai numa desabalada carreira após apertar o botão de disparo. Tudo bem que não tenho feito exercícios e vivo mais sentado e deitado do que de pé mas hoje a coisa estava pior. Acontece que eu estava subindo, e subindo sem perceber, de repente noto a Helô pedindo marcha e só então me dou conta de quão íngreme é a subida. Virei o GPS para a modalidade "mostradores em profusão" e vejo no altímetro que estou a mais de 3.000 metros de altitude ! Cacetete, agora que os 3 cateterismos vão para o brejo, pensei na hora. Porém não tinha mais o que fazer, seguir em frente era a única alternativa. Pus-me a respirar como um atleta, aspirando pelo nariz e expirando pela boca. Liguei os faróis auxiliares da Helô (acredito que aumente a carga de energia positiva ao nosso redor) e continuei rodando e acompanhando o altímetro. Quando ele estava próximo de 11.000 pés vi uma placa anunciado a área para os caminhões testarem os freios. Tínhamos chegado ao ponto culminante. 
Parei a moto perto do marco, e comecei a fazer as fotos regulamentares.


Logo em seguida chegou um grupo que vinha em sentido contrário. No início uma certa cerimônia mas quando viram o nome Brasil na Helô o papo rolou solto e amigável. 

Na hora das despedidas ainda fizemos uma foto juntos, trocamos e-mails, apertos de mãos, abraços e recomendações para que eu me cuidasse. 

Um deles ainda mandou: "-Ride safe, gringo !".........É, aqui o gringo sou eu.


FIRMANDO O CARÁTER" EM TERRAS GRINGAS !
San Juan National Forest (CO) 

Deixei os "gringos" para trás e iniciei a descida da serra. Muitas curvas, naturalmente, mas nada que chegue perto da Serra do Rio do Rastro ou mesmo da Serra de Mauá (RJ). Por outro lado, pavimentação, sinalização e um visual de se tirar o chapéu. 
Quase ao final, no último "overlook", parei para comemorar, fazendo algumas fotos.





e, já que estava a um passo de Durango, bem discretamente, abri uma garrafinha "profissional" do velho Jack e fui obrigado a "firmar o caráter" em homenagem ao belíssimo dia que tive. 

Foi o primeiro "pecado" de uma enorme lista que viria pela frente.







terça-feira, 10 de junho de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 6



A HELÔ ME DÁ UM SUSTO
Mountain City (TN) - Bristol (VA)
10 junho 2014

Hoje pela manhã, após um desjejum mixuruca, deitei a Helô no estacionamento do hotel e abri a janela de inspeção na tampa da primária Isso porque venho desconfiando de um chiado que ocorre de vez em quando. Vi que a corrente da primária estava com uma baita folga.




Não consegui apertar pois eu não tinha chave de caixa 9/16. Fechei novamente, procurei uma loja, comprei a chave mas preferi ir a uma oficina que havia visto nas paginas amarelas. Chegando lá, falei com o mecânico que precisava apertar o esticador da corrente da primária. Ele, cheio de má vontade, veio com a desculpa que não tinha a junta da tampa da primária. Expliquei a ele que não precisava tirar a tampa pois o serviço poderia ser feito através da janela de inspeção. Ele deu um sorriso de pouco caso e disse que eu não sabia o que estava falando, como se eu fosse um imbecil (na maioria das vezes até sou mesmo mas hoje eu estava num dia de exceção). Fiquei com mais raiva ainda por saber fazer o trabalho. Só recorri a ele, em benefício da minha coluna, que ja estava em chamas. O fato é que fiquei tão puto que tombei a Helô para fazer o trabalho e ele veio correndo que nem um veadinho achando que ela tinha caído. 



Inocente.....sabe de nada. Ai foi a hora de tio Helio deitar os cabelos. Em 10 minutos a corrente já estava ajustada e a moto de pé, levantada orgulhosamente por mim, utilizando a técnica correta e sob os olhares espantados do cretino de quem recusei ajuda. Bundão........mal sabe ele dos meus tempos de mecânico na Paissandu !

Ferramentas arrumadas vagarosamente, entremeando generosos goles d' água enquanto esperava os batimentos cardíacos voltarem a um ritmo civilizado. Aproveitei para tirar um último sarro com o bestalhão: perguntei a direção da tal de "The Snake". Claro que eu já sabia mas foi bom para ele ver que o velhote é um coxinha abusado.


UM DESAFIO CHAMADO " THE SNAKE "

Embora eu não seja um fervoroso seguidor de guias e catálogos, esse trecho da 421 é um dos mais badalados no meio motociclistico. Realmente ele reune características que o tornam um verdadeiro parque de diversões para quem gosta de motos. Vejam só: atravessa a Cherokee National Forest, cruza duas montanhas, cortas os dois vales formados por elas (Shaddy Valley e Holston Valley) e ainda por cima contorna um lago ao seu final. 
A parte gostosa, no entanto, é o seu traçado com curvas de todos os tipos, subindo e descendo. Complementado por uma pavimentação excelente e com curvas compensadas (mais alta na parte externa). 
O problema (ou o gostoso) é que são curvas quase que em sequência. E são muitas curvas exigindo muita "mão de obra". Você não tem tempo para relaxar. Apesar da sinalização ajudar um bocado, na maioria das vezes você não tem noção do que o espera ao entrar numa curva. Por isso, toda a atenção é necessária, qualquer descuido as coisas se complicam terrivelmente, até por que não existe guard-rail e a topografia é semelhante ao Rabo do Dragão, barranco de um lado ribanceira do outro. Não dá para fazer presepada. Tem que respeitar, principalmente em dias como o de hoje em que não havia movimento quase nenhum. Cruzei apenas com duas motos (juntas) e o Michael e Cris (mais à frente vocês saberão quem são) que iam na mesma direção. Se caio numa ribanceira daquelas ninguém vai descobrir..... Mas a velocidade em que fui, poupando a pobre Helo, deixou a companhia de seguros bem tranquila....

                                       








COUNTRY STORE - SHADY VALLEY 

Na descida da primeira montanha, a mais difícil, a gente se depara com um vale tranquilo, quase que totalmente despovoado, à exceção de uma meia duzia de ranchos esparsos. Na metade do vale, à direita, uma placa que é o marco da The Snake. Ao lado, um empório, ao entrarmos temos certeza de estar voltando uns 2 séculos no tempo.






O tal de Country Store vende de tudo, roupas, pedras semi-preciosa, cocares de indios, CDs de musica country, sanduiches, tira-gostos diversos, cervejas, pilhas, ingressos para o metrô, enfim, uma loucura total mas tudo isto em um clima daqueles saloons do velho oeste. A decoração é de uma cafonice gloriosa com balanças, caixa registradora e até as garçonetes do inicio do seculo passado. Só não tirei fotos porque a bateria da máquina estava indo pro saco. Mas terei que voltar por aqui e tiro as fotos que fiquei devendo. Vai valer a pena, o lugar é imperdível. Lembrei de meu sobrinho Mario Coutinho quando vi uma bomba de gasolina antiquíssima no meio do salão. Uma hora a gente descola uma.


Essa foto, no marco da The Snake, é uma tradição e no meu caso, além do orgulho, serviu para lembrar-me daqueles que de alguma forma ajudaram a realiza-la: Mario Coutinho, Rodrigo De Rezende Cabral, Leozinho, Fernando Tanure, Cyro Franca, Dotô Badá da Lapa, Chick (Ride Like a Pro de LA), os instrutores do MSF (Virginia e Colorado) e muitos outros que a memoria, já pegando no tranco, me deixa na mão.





COINCIDÊNCIAS QUE, SEM PROVAS, DIRÃO QUE E' MENTIRA.

Como acabei de receber um e-mail do Michael e respondi enviando as fotos para ele e a Cris (e melhorei da enxaqueca) achei que voces teriam o direito de compartilhar dessa incrível coincidência. Como falei antes, tive que fazer a tal de The Snake com cuidado para não forçar a Helô. Nada de reduzidas, giros muito altos, etc... Mas a danada da estrada é tão bonita que resolvi parar e fazer umas fotos para vocês. Eu estava terminando a atividade quando ouço u'a moto, algumas curvas abaixo, subindo e seu piloto tirava tudo que o motor tinha pra dar. Era uma beleza "ouvir" o trabalho do piloto reduzindo, fazendo a curva e acelerando na retomada. Daria tempo de sair na frente dele mas resolvi ficar e fazer uma foto daquele "solista", além do mais o ritmo em que eu estava acabaria por prejudica-lo. Quando a moto apontou na curva, esperei um pouco até ela ficar no enquadramento que eu queria e cliquei torcendo para dar certo. No momento em que eles iam passando por nós (eu e a Helô), a mulher que ia na garupa quase que ficou em pé, com os braços bem abertos e exclamou: "- Brasileiro !", e isso num perfeito português....


Descobrir que tinha brasileiro na parada foi fácil pois o auri-verde pendão está devidamente preso na bolsa traseira da Helô. Mais tarde, na tradicional parada no empório que é um point da "Snake", encontrei os dois: ele americano,pilotando uma Victory, e ela brasileira de São Paulo.




Batemos um papo, ela feliz por poder falar português (eu idém) ele sem entender nada. No final trocamos e-mails, ele acabou de me escrever e eu repondi enviando as fotos. Ou o mundo está ficando cada vez menor ou os brasileiros estão se espalhando por ele. Ou os dois.

HOJE NÃO VAI DAR.
Bristol (VA) - 10 junho 2014



Aos amigos e colegas que acompanham as insanidades que posto aqui minhas desculpas mas não tenho cabeça no momento para escrever nada além deste post. 
Ontem ao chegar em Mountain City já havia percebido um barulho estranho na Helô. Hoje pela manhã abri a janela de inspeção da tampa da primaria e vi que a corrente estava muito frouxa. Fiz o aperto e melhorou alguma coisa, como só tinha um dealer da HD em Bristol, a 34 milhas e pelo tal de "The Snake", não tive alternativa senão seguir em frente pilotando da forma mais conservadora possível. Consegui chegar e levei a moto na HD e o técnico acha ( e eu também já desconfiava) que o esticador da corrente dos eixos de cames (comando de válvulas) foi para o vinagre. Além disso, estrago poderia ter sido grande, a ponto de condenar o motor. Eles me trouxeram para o hotel, foram super atenciosos, e amanhã vão desmontar o motor para ver a extensão do dano e entrar em contato comigo. Enquanto isso ficarei aguardando no hotel.
O duro foi sair da HD e deixar a Helô para trás.......

De qualquer forma, nessas horas lembro sempre de um ditado de um cabo velho com quem servi na Força Aérea: "Um artista não se impressiona com facilidade !". Até hoje não sei que merda é essa mas é meu grito de guerra.... deve ser algo como "a gente enverga mas não quebra".




A VONTADE DE DAR UMA "ADUBADA" NA VIDA E' CONSTANTE !
Bristol (VA) - 11 junho 2014

Acordei com a arrumadeira batendo na porta e só então me dei conta da hora. Dormi pra caramba após as "bombas" que tomei para a enxaqueca (provavelmente a PA foi para a estratosfera). Tomei um banho, renovei a diaria do hotel e ao sair vi, do outro lado da rua, uma agência de carros usados. Na mesma hora o diabinho começou a soprar no ouvido: "-E se o conserto da Helô ficar mais caro do que seu próprio valor ?". Pensei um pouco e admito que isso é uma possibilidade, embora o valor de uma pessoa motociclistica como a Helô não deva ser considerado sob essa ótica jamais. De qualquer forma, curioso que sou, atravessei a rua (fora da faixa, claro) e vi 4 carros com o capô aberto: 3 deles (Honda, Jeta e Toyota) com aqueles motorezinhos homo-afetivos de 4 cilindros. Nem olhei para eles e fui direto no carro de gente grande, um Cadillac 1995 cupê. Confesso que não me recordo de ter visto Cadillac de 2 portas. O carro está inteiro, ao nível de exigência do Mario Coutinho. O estofamento é de couro claro, o banco do motorista esta com bastante desgaste na lateral esquerda (local onde a pessoa se apoia para entrar e sair) e alguns outros detalhes que desaparecem quando você ouve os 8 cilindros em V falando mais alto. O Jonathan (dono da agência e que já ficou meu chapa) fez questão de tirar o carro e coloca-lo em uma posição mais nobre (longe daqueles carros com motorzinhos de dentista). O porta malas do danado dá para transportar uns 6 fugitivos. As portas fecham tão bem que, com vento favorável, dá para ir navegando com ele até Cuba. Na volta é só aproveitar e fazer um frete para Miami e cobrar 1a. classe.









A SAGA VAI CONTINUAR
Bristol (VA) - 11 junho 2014


Recebi um e-mail do chefe da oficina informando-me que as peças vitais do motor, com exceção do eixo comando de válvulas, não foram afetadas. O trabalho pode estar concluido até sexta-feira (será que eles vão parar amanhã para o jogo do Brasil ?). Combinamos de aproveitar a mão de obra e fazer um upgrade colocando os tensionadores hidráulicos, que equipam as versões mais novas, e uma bomba de óleo mais possante. Vou morrer numa graninha sentida mas encaro como um investimento em quem jamais me deixou na mão. Até para ter um chilique esperou chegar dentro de uma oficina Harley Davidson após carregar-me através de vales, desertos e montanhas, sob chuva ou sob o sol inclemente. Poucas, aliás nenhuma, faria isso por mim, e certamente exigiriam uma pensão escorchante




HELÔ, PARABÉNS PELO DIA DE HOJE !
Dia dos Namorados - 12 junho 2014



Nosso relacionamento tem sido maravilhoso, onde você mostra uma enorme dedicação, levando-me ao mundo dos sonhos, não importando os caminhos, o frio ou o calor. Desafiando a fisica em muitas situações e aproveitando-se dela em outras, tudo para criar em mim a ilusão de um grande piloto. Que despreendimento, que nobreza de caráter que eu, confesso, não conseguiria ter. Helô, minha nobre e fiel namorada, vamos continuar nossa caminhada rumo ao horizonte da forma que você me ensinou: cruzando estradas construídas pelas mãos humanas mas que, por suas artes e mágicas, me aproximam do Criador.





A GRANDE DÚVIDA: TORÇO PARA O BRASIL OU PARA ARGENTINA ?
Bristol (VA) - 12 junho 2014


Após constatar que 99% dos canais americanos estavam passado uma emocionante partida de golf, eis que acho um tal de 92 que estava televisionando o jogo do Brasil. Naturalmente decorei o quarto (onde estou confinado, por ordem dos filhos e de um Cadillac- mas isso é outra historia). Como ia dizendo, decorei o quarto da melhor forma possivel usando o meu já lendário bom gosto. Porém uma decisão deveria ser tomada: TORCER PARA QUEM ? 
Confesso que estava balançado pela Arrentina, principalmente por declarar-me macanudo após situações vexatórias. Cheguei a comprar uma camisa da gloriosa seleção porteña. Acontece que quando aqueles côrnos de amarelo entram em campo a coisa complica e para evitar a tal de arritimia busquei auxilio no senado romano. Até por que soube que eles aceitavam representantes da classe dos equinos, quem sabe eles estendessem o beneplácito para a dos muares ? 

E assim foi que, envergando minha túnica senatorial, apresentei-me aos ínclitos senadores de Roma e expus meus argumentos. Antes que eu terminasse minha peroração (nem sei que porra é esta), o côrno do Neymar, arranca da intermediaria, dá um chute mascado de canhota, o goleiro ajuda, a trave idém e eu jogo camisas e túnicas para cima e me pego gritando: "-Brasillllllllll, nos somos fodaaaaaaa, chuuuuuuupa Joseph Blatter, o mundo mais uma vez se curva ante o Brasil. Felasdaputas, etc, etc.". Só parei quando o segurança esmurrava a porta.

Pronto, a escolha estava feita....






A CAMINHO DA BLUE RIDGE PARKWAY.
Bristol (VA) - Mountain City (TN) - Asheville NC)
14 junho 2014


Hoje pela manhã recebo o telefonema do chefe da oficina avisando que a Helô esta testada, lavada, com óleo trocado só esperando por mim. A HD mandou uma pick-up pegar-me por causa da bagagem. Após morrer nuns dólares que farão um rombo na herança dos garotos, fui ver a doce criatura. Só de ligar o motor percebi a mudança, nada daquela chiadeira que parecia ferro com ferro e, além disso, a trepidação do motor caiu uns 90% - os coxins estavam muito prejudicados e foram trocados. Arrumei a bagagem na Helô, e sai da HD por volta do meio dia. Fui até o centro da cidade, comi um bifão e fiz a digestão da maneira que mais gosto: pilotando a Helô. Caramba, parece outra moto, a impressão é que as válvulas estão abrindo e fechando completa e corretamente e parece que melhorou o desempenho da nobre parceira. Vou medir o consumo pois ela gastava mais do que amante argentina, uma base de 16 Km/l na estrada. Vamos ver agora. Peguei a estrada e parti em direcao à "The Snake", agora em sentido contrário. As reboladas de traseira práticamente desapareceram, o torque melhorou e ela subia e fazia curvas que era uma beleza. Claro que não me meti a gato mestre pois as ribanceiras são muito mais profundas dos que a do Rabo do Dragão, e o movimento muito menor, o risco de você não ser visto sofrendo um acidente é enorme, além disso, na minha idade colar ossos é um problema meio complicado. Assim, bailando com garbo, elegância e juizo, subimos e descemos a primeira montanha (a mais fácil), cortamos o Shady Valley e chegamos ao principal marco da Snake, o tal de "The Country Store". Seu proprietario é o David, um coroa gente boa que vive comendo enormes sanduiches (ele prepara o seu enquanto come o dele, acho até' que ele se engana algumas vezes e morde o do cliente). Quando ele soube que eu era brasileiro me falou que quase não aparece gente do Brasil por lá e pediu que eu colocasse um marco (um alfinete com cabeça verde) num mapa meio esculhambado que ele tem para registro. Mas faz parte do ritual, afinal o kit coxinha tem que ficar completo.











BLUE RIDGE PARKWAY - ESTRADA FEITA PARA MOTOCICLISTAS
14 junho 2014



Após concluir a "The Snake", atravessando a segunda montanha e chegando a Mountain City(TN) resolvi procurar a Blue Ridge Parkway e matar as saudades daquela que considero uma das mais lindas e perfeitas estradas para motos. Já percorri essa estrada de cabo a rabo (cerca de 500 milhas) umas 4 ou 5 vezes, nos dois sentidos. Nunca vou me cansar de desfrutar da paisagem, do clima, do astral e, principalmente, de pilotar uma Harley Davidson numa estrada que corre por cima de montanhas, onde o ar é mais puro, a temperatura amena, a flora exuberante, e a presença do Criador uma constante. 

Consegui pegar a Blue Ridge em Blowing Rock (NC). Engraçado que quando tive que passar pelo meio da cidade um carro emparelhou com a Helô no sinal, dentro um casal com um garotinho. A moça, que dirigia, olhou para mim e fez sinal de positivo. Achei até que não era comigo, então ela baixou o vidro e gritou: "- Brasil !" e me mandou um beijinho. Muito legal.

Peguei a Blue Ridge e comecei a curtir as curvas que se sucedem em todo o percurso. A sinalização é excelente mas você tem que tomar cuidado para não se distrair com a paisagem. Como a estrada corre pelo alto das montanhas Appalachian, tem momentos que você descortina vistas cinematográficas. Nesses casos sugiro parar nos locais apropriados para isso, já que a estrada não tem acostamento e é de mão dupla. No meu caso, eu paro mesmo, faço fotos de todos os ângulos, afinal é uma oportunidade de ouro registrar momentos tão marcantes.







Eu ia assim, parando, rodando, cumprimentando e sendo cumprimentado pelos irmãos motociclistas que cruzavam comigo. Num determinado momento, vi um grupo de umas 10 motos iguais paradas num mirante. Se eu tivesse certeza de que eram gringos teria parado pois sempre me recebem muito bem, porém o risco de serem brasileiros existia e nesse caso prefiro passar batido pois as decepções que tive com brasileiros que se dizem motociclistas me levaram a ficar longe deles. Claro que existem exceções, como os dois que encontrei cruzando o Novo Mexico no ano passado, os gaúchos na JP Cycle e principalmente a turma do Comichão de Brasília que fui encontrar em Milwaukee e rodei 2.000 Kms adicionais só para estar com eles mas essa é uma história que vou contar mais à frente. Paciência pois.

Impressionante como os gringos nos tratam bem e se colocam à disposição para qualquer eventualidade. Eles sabem que você esta sozinho e muito longe de casa, enquanto isso, conterrâneos seus, preferem que você fique distante do "grupinho" deles. Mas isso, apesar de me entristecer, não me afeta pois entendo que todos tem limites e honrar o "código da estrada" não é para qualquer um, tem que ser motociclista e não apenas se fantasiar como tal. Se um dia precisarem do tio Helio, estarei de pé e à ordem, seja quem for.

Bem, deixemos de lado essas coisas ridículas e voltemos ao nosso assunto. Hoje, como em todos os fins de semana, a Blue Ridge estava com o transito intenso com as motos e trikes predominando, especialmente as custom. Difícil ver alguém rodando sozinho, a quantidade de pessoas de idade acima dos 70 pilotando é enorme.


Muito comum também ver casais na casa dos 80 com uma Electra ou Goldwing puxando um reboquinho fazendo sua viagem de fim de semana. Esse respeito e valorização dos idosos faz parte da cultura americana. O idoso aqui não fica sentado em uma cadeira de balanço esperando sua hora, ele sai, se diverte, trabalha (e muito) , se associa a grupos, pilota motos (muitos) e por ai vai. Dá gosto de ver. Hoje quando cheguei no The Country Store, tinham umas 10 motos paradas na frente e seus pilotos sentados na varanda (a maioria tomando cerveja). O mais novo deveria ter mais de 75 anos, a maioria gordões, uns 2 com rabo de cavalo. Maneiríssimo, acho até que tinham dois dando um "tapinha" !

E foi assim, curtindo as curvas da Blue Ridge, cumprimentando irmãos motociclistas até a mão doer de tanto fazer o "wave", que cheguei ao "exit" que me levaria ao meu hotel em Asheville (NC). Um dos piores e mais caros em que me hospedei.





Bom para aprender a não confiar demais em fotos do site mas eu estava muito cansado para procurar outro. Amanhã tem mais.