TOTAL DE VISUALIZAÇÕES

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 17

280 MILHAS FINAIS DA BLUE RIDGE PARKWAY CONCLUIDAS.

Galax (VA) - Bryson (NC) - 17 agosto 2014

Foi muito mais tranquilo do que eu imaginava, em geral o transito na Blue Ridge aos domingos é intenso, principalmente de motos.

 Não que o transito chegue a atrapalhar, longe disso, acontece que isso leva os "cops" a apertarem a fiscalização. Talvez eu tenha saído muito cedo (7 h) mas o fato é que a estrada estava quase vazia, a temperatura bem baixa (na casa dos 18 graus) e o sol nem sinal de vida.  Adiantei ao máximo essa primeira etapa, com um certo abuso na velocidade já que hoje eu teria de fazer 280 milhas. Pode parecer pouco, e realmente não é nenhum absurdo mas para um "coxinha" que está desde o dia 2 de junho na estrada, quase que sem parar, a margem de tempo que me sobra é mínima. Afinal tenho que fazer pagamentos (infelizmente tenho o péssimo hábito de pagar minhas contas. Mania de pobre !), ligar para meus filhos, escrever alguma coisa inteligível para aqueles que se dão ao trabalho de ler meus posts, baixar fotos, seleciona-las, lavar roupa, carregar baterias (celular, câmara, notebook), manutenção da Helô, consultar meteorologia, reservar hotel e um monte de outros detalhes que aparecem no dia a dia. Assim enrosquei um pouco o acelerador para ter alguma coisa antes de começar as paradas para fotos. Impossível não faze-las. Estou tentando faze-las enquanto piloto mas a qualidade, em 90 % dos caso, é péssima além de ser um tanto arriscado.








Uma coisa que me chamou a atenção, e olha que conheço a estrada desde 2011, é que não existe nenhuma "defensa" (guard-rail) metálica, todas são de pedra ou de madeira bem como as cercas que delimitam pastagens que, às vezes, confrontam com a estrada







Os túneis, pontes e viadutos, sempre que possível, tem sua fachada com acabamento em pedra, o que torna sua integração com o meio ambiente onde estão inseridos muito mais suave.





Outra coisa que me deixou espantando foi um conserto na estrada logo após entrar em North Carolina. Lembrem-se de que era um domingo e não havia ninguém trabalhando no local. A estrada estava com meia pista apenas, numa extensão de uns 2 Km cheia de curvas. Não havia NENHUM guarda, fiscal ou quem quer que seja controlando o transito.  Apenas dois sinais, um numa ponta e outro na outra, com placas de advertencia e informando que a multa por violar o sinal vermelho poderia chegar a 5.000 DÓLARES ! Um pequeno gerador fornecia energia para o sinal e para um display que informava o tempo que restava para trocar a luz de vermelha para verde. A espera poderia chegar no máximo a 10 minutos, com isso você desligava o motor da moto, colocava-a no descanso e quando faltassem 20 segundos tornava a liga-la. INACREDITÁVEL ! Me deu uma inveja braba.





Consegui chegar a Cherokee ainda cedo e surpreendi-me com o que ví. A última vez que entrei em Cherokee foi em 2011 e a cidade mudou muito nesse tempo. Era uma cidadezinha muquirana mas os danados dos índios estão investindo muito e, já no ano passado, notei uma grande mudança com um comércio bonito e muito mais forte, parques bem cuidados, sinalização perfeita e um tipo de turista bem diferente dos motoqueiros e mochileiros do meu tempo. Os sacanas dos Cherokees decidiram investir pesado no jogo e construíram um complexo de Cassino, hotel e mall de 14 andares, bem ao estilo Las Vegas.



De Cherokee rumei para Bryson City onde tinha conseguido um hotel (na bacia das almas) de 129 doletas por 50. Mal desci da moto um grupo se aproxima de mim e pergunta: "Brasileño ". Si, respondi e então iniciamos um papo animadíssimo em espanhol, inglês e português. Eles são de Porto Rico e moram na Virginia, amigos que viajam sempre nas suas Goldwings e adoram, como eu, a Blue Ridge.

Após me convidarem para jantar e fazer questão de tirar uma foto comigo perguntaram por que eu todo ano voltava àquela região. Pensei bem antes de cada palavra e acho que conseguí me fazer entender falando mais ou menos o seguinte: "Viajar pela Blue Ridge Parkway é o mesmo que entrar no paraíso sem ter a rídicula obrigação de morrer antes !"


domingo, 29 de março de 2015

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 16

BLUE RIDGE PARKWAY, A MELHOR ENTRE AS MELHORES.

Staunton (VA) - Galax (VA) - 16 agosto 2014

A Blue Ridge Parkway aparece como a melhor estrada para motocicletas no "ranking" da AMA (American Motorcycle Association). Só conheci esse "ranking" recentemente mas a Blue Ridge conheço desde 2011 quando aluguei uma Electra na HD de Staunton e fiz o Tail of the Dragon pela primeira vez. Engraçado que eu nunca ouvira falar nela e, na ocasião,  iria pela I-81 normalmente. Por acaso conheci uma senhora bem idosa que me falou maravilhas sobre a estrada mas que, segundo ela, tinha apenas um problema:  era a preferida dos motociclistas....Ela não sabia que eu era metido a motociclista e fiquei calado, já que ela me deu um mapa e um livreto com todas as informações sobre a estrada. Foi amor à primeira vista, de lá para cá já percorri a Blue Ridge em toda a sua extensão (460 milhas de Wynesboro  a Cherokee) umas 3 vezes nos dois sentidos. E não me canso de faze-lo pois quem a construiu deve ter sido motociclista. A preocupação com a preservação do meio-ambiente (já naquela época - década de 10) ajudou no traçado sinuoso da estrada visto que ela acompanha as dobras, subidas e descidas das montanhas Blue Ridge (que fazem parte das Appalachians) ao invés de túneis escavados na rocha, pontes, aterros e viadutos na tentativa de retificá-la. Esses recursos são  utilizados da forma menos agressiva possível e isso, além de tornar a estrada mais "natural", resulta em curvas que fazem a alegria dos motoqueiros. Porém isso não é tudo, ela integra o Parque Nacional  Shenandoah ao Great Smoky Mountains, isso permite que você rode o tempo inteiro dentro de uma floresta nativa, com sua fauna preservada, flores silvestres, sem nenhum comercio em toda sua extensão, com exceção de um restaurante e 2 lojas de souvenir, além de ser vedada a veículos comerciais (ônibus e caminhões).
Acordei cedo, fazia frio porém o sol estava começando a cumprir sua missão. Céu de brigadeiro, hotel sem breakfast,  tralha colocada na moto  e parti em busca da entrada da Blue Ridge que conheço tão bem (I-64 Exit 99). Um pouco antes da entrada parei para comer alguma coisa e vejo no estacionamento um Triumph "Jacaré" imaculadamente novo.




Parei a moto e comecei a bater papo com o gringo e ele me disse que estava aguardando outros carros pois fariam um mini-rallye apenas com carros ingleses. Para fazer hora fui abastecer a Helô,  quando encosto na bomba me deparo com um Hot-Rod Ford 1931 amarelo. Uma coisa linda, o dono era um senhor (mas bem senhor mesmo) que na hora de ir embora fez questão de acelerar o V-Oitão e me matar de inveja. 




Voltei para os ingleses , após abastecer e comer umas besteiras, e lá estavam Jaguares, MG, Lotus Elan (com volante na direita) e Triumphs.








Todos muito bem restaurados e originais. Não esperei a largada pois tinha que tratar da minha vida, afinal o plano de vôo era fazer 220 milhas pela Blue Ridge até Galax. Se você for pela I-81 pode fazer em quase a metade do tempo pois a velocidade máxima permitida é de 65 e 70 milhas enquanto na Blue Ridge é de 45 (milhas), isso sem contar que as paradas são muito mais frequentes, tanto para fotos como simplesmente curtir um local que nos encante (e são muitos). 
No meu caso nem titubeei, fui de Blue Ridge sem pestanejar.


Entrei na estrada, temperatura que permitia pilotar de casaco, proa da Helô na direção Sul e lá fomos nós. Visualizada a primeira curva para a esquerda  em aclive, redução de marcha  com o "clank" característico de moto de macho, rotação do motor elevada ao nível adequado, um leve balanço chamando a Helô para bailar e ela, como sempre, jamais recusando um passo mais ousado. E assim, olhando o ponto de entrada, procurando o de tangência e adivinhando o de saída, formamos o desenho da curva. Um toque sutil na manopla esquerda da barra de direção desperta o milagre do contra-esterço e tudo acontece: a Helô inclina-se graciosamente contornando a curva levando todos a pensar:  "- Oh céus, como aquele velhote pilota bem !". Inocentes...sabem de nada !

Não sou o dono da verdade nem fechado a novas descobertas, continuarei buscando outras estradas, pesquisando e ouvindo opiniões. Quem sabe eu descubra outra que também mereça o título de  "America's Favorite Drive", enquanto isso vou saboreando a "minha"  Blue. 









Hoje foi o dia dos carros. Parei em Roanoke para abastecer e quando sai da loja de conveniência tinha um Camaro antigo, lindíssimo e todo mexido. Um baita de um buracão no capô com as bocas dos carburadores aparecendo.

Fiquei procurando quem era o dono mas só tinham dois caipiras mal-enjambrados e uma baixinha gorducha.  Era a gorducha a dona do carro, pedi para fazer as fotos e ela muito simpática mandou um dos red-necks abrir o capô.




Agradeci, ela saiu vagarosamente, fez o retorno e quando colocou o carro na pista certa, acelerou fundo e parecia que tinham aberto os portões do inferno. O carro levantou a frente, afundou a traseira e saiu urrando como um leão sendo emasculado. PQP. Uma gorduchinha de nada !!!!!!