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quinta-feira, 14 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 04

Guer (FR) – Bordeaux (FR)

14 maio 2015-05-14

Hoje pela manhã, descendo a escada, fotografei a belíssima vista do Hal do Hotel, reparem na porta à esquerda que é a entrada pelo bar. 

Fotografei a porta pelo lado do bar também, senão vocês dizem que eu invento essas coisas.  


Fora isso o quarto é muito maneiro, principalmente a sacada genial da combinação da televisão com o vaso sanitário. Impressionante !

Acordei com frio e muita chuva, a vontade de ficar na cama era muita mas o lay-out do quarto era assombroso: moderno demais para mim. Arrumei-me com calma, tralha colocada na Brigitte, saímos do estacionamento e parei 50 metros à frente para fazer umas fotos de Guer. 







Que cidade bonita !  O melhor foi que durante a sessão de fotos meu xará começou a dar as caras e acabei saindo de Guer com frio mas debaixo de um solzinho gostoso. Prometi a mim mesmo acelerar o passo pois já tinha fotos suficientes para vocês mas quem resiste, ainda mais eu, que depois de velho estou ficando sensível às outras belezas que não sejam apenas as curvas femininas. Acabei parando em Maure de Bretaigne e Loheac para fazer mais fotos:









Poucos quilometros à frente surge Guipry com um belo riacho cortando a cidade. Mais uma parada e mais fotos.



Começou a chover e na hora de ir embora deixo a Brigitte cair. Estava saindo com ela do estacionamento à beira o tal racho, tinha uma pequena subida e a saída era em curva. Dei mole a garota engasgou, o motor apagou a Brigitte começou a tombar. Só deu tempo de cortar a ignição pois segurar a moto estava fora das minhas forças. Ela tombou para a direita e  fiquei segurando receoso de encostar o belo tanque de combustível no chão. Como levantei a moto (pelo lado direito) e consegui abrir o descanso do lado esquerdo até agora é um mistério para mim. São Cypriano dos “braços duros” me deu uma grande ajuda, com certeza.
Depois dessa trapalhada e com o tempo fechado decidi voltar para as grandes rodovias, onde a velocidade máxima é 130 km, pois em caso de chuva acho mais seguras. O asfalto tem mais aderência, a sinalização é perfeita, pistas únicas e muito mais recurso do que as pistas secundárias. O  que aconteceu é que entrou um vento violento e sumiu com as nuvens e o remédio foi enroscar o cabo e manter 130 Km para acompanhar o fluxo. O problema é que a danada da Brigitte é tão suave que eu só percebia que estava a mais de 140 Km quando começava a achar que os outros carros estavam muito devagar. Mesmo com vento de través o comportamento da moto é excelente. O consumo subiu um pouco (17 Km por litro) mas vim rodando o tempo todo a 130 Km. 
  
Cheguei em Bordeaux depois de 520 Km, usei o Wi-Fi do Mc Donalds e reservei o hotel de onde estou teclando estas mal traçadas.

O céu está caindo em forma de água, chove prá cacete, aguardemos o que vai ser amanhã. Boa noite moçada....

quarta-feira, 13 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 03

Le Ribay (FR) – Guer (FR)

13 maio 2015

Ontem ao entrar no quarto tomei um susto com os travesseiros. Tudo bem que os hotéis tem mania de encher a cama de travesseiros (até hoje não descobri o motivo) mas esse foi muito estranho, botei a imaginação para funcionar e a coisa tomou ares pornográficos, achei melhor parar. 



Hoje nem comentei o assunto com o dono, fiz o desjejum e coloquei a Brigitte na estrada depois de me agasalhar bem. Ontem na chegada já tinha sofrido um bocado. Hoje coloquei 2 meias, a calça de cordura, que deixa um cheiro de xulé miserável, por cima da calça de inverno e coloquei o forro de inverno que eu tinha retirado da jaqueta. Além disso cachecol e luvas inteiras pois o sol não tinha saído e estava uma espécie de neblina baixa. Melhorou muito e ficou gostoso de pilotar serpenteando por entre muros e galpões de pedra dos pequenos vilarejos, testemunhas de muita história com H maiúsculo. Mas isso era passado, agora era nosso momento, eu e a Brigitte. Ela, muito elegante e altaneira, jamais perdendo a classe mesmo nos passos mais ousado.  O problema era passar direto por paisagens de cinema sem fotografa-las para vocês. Perdi várias, por excesso de velocidade ou por vir carros colado na minha traseira mas acho que algumas delas dão uma ideia aproximada da beleza da região.





Meu destino era Porcaro onde se situa a capela da Notre Dame dês Motards, claro só velho coxinha sabe disso e, principalmente, a ligação dela com a Notre Dame de Fátima.

O caminho para Porcaro passa por Rennes, onde cheguei por volta de meio-dia e fui direto a uma concessionária Yamaha para resolver o problema do GPS. Eles tinham acabado de fechar para almoço e só abririam às 2 da tarde. Para minha sorte, o Fred, proprietário de uma bela loja de acessórios e pneus ao lado da Yamaha, vendo meu problema ajudou-me contactando o gerente da oficina da Yamaha (via celular), guardou meu capacete e casaco e me deu a dica para comer bem e barato a uma distancia de 1 quadra de onde estávamos. Na volta encaminhou-me ao gerente, e ainda me deu uma rede para prender a bagagem de brinde. O pessoal da Yamaha atendeu-me rapidamente, o serviço ficou perfeito pois fizeram a ligação pós chave escondendo o fio por baixo do tanque despedi-me de todos e o Fred ainda me deixou seu telefone para qualquer emergência com o idioma. Nas minhas viagens acontece com frequência encontrar esses verdadeiros motociclistas. 

Parti para Porcaro  encontrei a Capela da Notre Dame dês Motards e coloquei a moto bem próximo à entrada, já que não tinha ninguém tomando conta. 






Após as orações e as fotos comecei a me preocupar com a gasosa da Brigitte, parei na cidadezinha de Guer, tracei uma comida caipira (um tal de couscouz) e abasteci a garota. 


Depois da comilança vim para um hotel sensacional, a entrada é pela porta dos “toilettes” ! Também vocês querem o que por 34 Euros. Tomara que não tenha os travesseiros pornográficos do hotel de Le Ribay.

terça-feira, 12 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 02

Paris (FR) – Le Ribay (FR) 

12 maio 2015

Hoje sai tarde de Paris, tive que esperar as lojas abrirem e comprar ferramentas para instalar o suporte do GPS no “handle-bar”. Só não instalei a parte elétrica porque fui recomendado a levar a Brigitte apenas na rede autorizada  Yamaha, por sinal a maior da Europa.  Amanhã resolvo mais essa parada, enquanto isso o negócio foi carregar a bateria do GPS e vir economizando ao máximo. Ainda assim a bateria do GPS zerou e só me restou o mapa. Estou fazendo meu percurso fugindo das grandes estradas, com isso evito pedágios, passo por pequenas vilas francesas e arremato traçando umas curvinhas que já me fizeram arrastar a plataforma da Brigitte. O único inconveniente dessas estradas secundárias é que você pilota praticamente dentro de um cartão postal e tem que se portar à altura do momento para não destoar do conjunto da obra.....é muita responsabilidade para um velho e encarquilhado motoqueiro !  Só me resta, corrigir a postura, mãos naturalmente pousadas nas manetes, cotovelos mais baixos do que os punhos, cabeça erguida e o olhar como o que de uma águia fitando sua presa no horizonte, arrematando com o velho e saudável sorriso nos lábios de quem se sabe recompensado pela vida.







As velocidades, na maioria das vezes são entre 70 - 90 Km h nas estradas secundárias e em torno de 120-130 quando pego trechos das grandes rodovias com consumo na base de 18-19 Km por litro da 98 octanas (sem etanol). Já estou me sentindo à vontade na moto, ela tem uma relação de marchas bem longa e nas ultrapassagens basta jogar uma marcha para baixo e enroscar com fé que ela faz bonito.  O para-brisas enorme e sem distorções, permite pilotar confortavelmente nas baixas temperaturas que tenho encontrado, além disso, a forma como foi colocado não gera reflexos à noite nem dos cromados durante o dia. Isto sem falar no monte de insetos que eu iria engolir sem ele, heheheh. Estou gostando, estou gostando muito dessa tal de Brigitte.


 Abasteci duas vezes e na segunda, em uma pequena vila, o senhor que me atendeu indicou-me um toillete dentro da garagem. Todos os toilletes do mundo deveriam ser iguais àquele: uma réplica Shellby Cobra e um Triumph “Jacaré” enfeitando a entrada. Esses carros me perseguem ! O Cobra está parado a algum tempo, como denunciam as teias de aranha e ausência do cambio (está com um motor Rover V8). O Triumph, com as elegantes rodas raiadas e a “churrasqueira” na tampa da mala.





Parei numa pequena vila chamada Le Ribay onde vou jantar e pernoitar. Amanhã a luta continuara amigos. Tenham todos uma ótima noite e muito obrigado por tudo. Grande abraço moçada !!!!

sábado, 9 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 01

E A BRIGITTE, PONTUALÍSSIMA, NÃO FALTOU AO ENCONTRO...

Paris – 11 maio 2015

Depois de 13 dias navegando e 4 dias curtindo  a linda Barcelona, chego a Paris na sexta-feira  8 de maio para pegar a moto e iniciar a viagem no dia seguinte, sábado dia 9. Mas qual o que, o meu primo Didier, responsável por me apresentar ao pessoal da Yamaha, avisou-me que sexta, sábado e domingo eram feriados na França e eu não teria outra alternativa a não ser fazer turismo. Bem, fazer turismo em Paris nem é um sacrifício tão grande assim, pelas fotos dá para vocês terem uma ideia.








Na segunda-feira, dia 11, o momento tão aguardado: o encontro com a Brigitte. Lá estava ela, lindíssima, com tanque cheio e com os cromados faiscando como que para me impressionar. Os batimentos cardíacos quase entrando na faixa vermelha do conta-giros. 




O Didier colocando um pouco de bom senso na história recomendou-me levar um capacete antigo, dos tempos em que ele pilotava uma Yamaha pelas ruas de Boa Viagem (Recife).




Foi uma sorte pois lá é apenas o Centro Administrativo e eu não poderia sair com a moto sem estar devidamente equipado. Meu espanto foi ver o Di com 2 capacetes. Perguntei o motivo e vi que ele deixou o bom senso de lado, falou que ia voltar comigo pois o trânsito de Paris na hora do rush é complicado. Céus, não piloto uma moto há 2 meses, nunca pilotei a Brigitte, ainda mais na hora do rush em Paris e ainda por cima com um garupa. Apelei para o bom e fiel São Cypriano e a empreitada foi coroada d'exito. Chegamos sãos e salvos. Amanhã parto para a estrada. A todos os que tiverem um tempinho, se puderem e quiserem, dediquem-me um pensamento positivo. Vocês não imaginam como são importantes nessas minhas aventuras. Beijo grande no coração de todos.

terça-feira, 21 de abril de 2015

UM SONHO PRESTES A SE REALIZAR

Brigitte me aguarda em Paris !

Acabo de embarcar no “Splendour of the Seas” com destino a Barcelona em busca da realização de um sonho: viajar de moto pela Europa.

Alimento este sonho há 4 anos mas sempre esbarrando no item motocicleta. Afinal o aluguel estava fora de cogitações em função do alto custo. A alternativa mais viável  seria a compra de uma moto usada e, com algum deságio, sua venda ao final da viagem.  A grande dificuldade era a burocracia para a compra e  venda da moto. Se nos USA tenho facilidades para utilizar esta alternativa, na Europa não sabia nem como iniciar as negociações. Durante 2 anos pedi a vários conhecidos com parentes na Europa que, se possível,  conseguissem o e-mail de algum vendedor de uma concessionária de motos que me auxiliasse na negociação. Nunca recebi  retorno, até que num jantar de família, o noivo de minha prima, francês e voltando a Paris na semana seguinte,  quando soube de minhas viagens pelos USA perguntou-me por que não fazer uma viagem pela Europa. Era a 2ª. vez que via o Didier (seu nome) e falei-lhe de meus planos e da razão de não conseguir realizá-los. Imediatamente ele falou-me que iria contactar um amigo em Paris quando voltasse. Duas semanas depois recebo um e-mail do Didier dizendo que seu amigo pediu que eu lhe escrevesse pois conseguiria me ajudar na compra e venda da moto. Escrevi imediatamente para seu amigo, resumindo meu objetivo e falando um pouco de minhas viagens, aproveitando para dar o endereço de meu blog. Uma semana depois recebo a resposta onde fui informado que a compra e venda da moto seria coisa simples de se conseguir mas que ele  gostou do que viu no meu blog e, em nome da Yamaha Motor France,  me convidava para ser um “Embaixador da Yamaha Motor France” durante a minha viagem. Para isso eles colocariam à minha disposição uma Yamaha XVS 1300 Tour Classic, devidamente revisada e segurada. Em troca eu compartilharia com eles toda a mídia gerada durante a viagem. 


Céus, eu jamais pensei em ser patrocinado, ainda mais fora de meu país !  O coração disparou e foi difícil manter a discrição até que as negociações estivessem formalizadas.

Meus amigos, é um sonho estar a caminho de uma aventura desse naipe, e patrocinado pela YAMAHA MOTOR FRANCE. Claro que foi uma felicidade enorme ter conhecido o Didier, o amigo dele ser diretor da Yamaha da França e o golpe de sorte que foi colocar o link de meu blog,  onde fotos e textos bastante razoáveis mostraram o potencial de uma viagem como essa.
Agora é conversar com o pessoal de Marketing, receber a moto, assinar a documentação necessária e colocar a proa da Brigitte (nome da moto) voltada para o horizonte, onde tudo acontece, e acelerar impiedosamente dando chances ao destino.

Au revoir mon amies !

sexta-feira, 17 de abril de 2015

"AS 15 MELHORES" - EPÍLOGO

MOTOCICLISTAS NÃO MORREM, SIMPLESMENTE DESAPARECEM NUMA CURVA DA ESTRADA DO POENTE !

Kissimmee (FL) - 1 setembro 2014




 Agora que a viagem chegou ao fim, os preparativos para a volta concluidos, a Helô de banho tomado e óleo trocado, dei-me ao luxo de ficar 2 dias num hotel, refletindo sobre esses 3 mágicos meses que acabei de viver.
Muitos me perguntam: "-Afinal, qual o objetivo de uma viagem dessas sózinho, longe de seu país, apenas vendo estrada à sua frente !". A resposta é, para mim, muito fácil e engloba observações e reflexões que venho fazendo ao longo de meus 71 anos.
Antes de mais nada, viajar em grupo é muito interessante em viagens de pequena duração porém o desgaste no relacionamento depois de alguns dias é fato.
Por outro lado, não gosto de andar em grupos, evito ao máximo. E isso por um motivo muito simples, na minha "careta" opinião: quando fazendo parte de um grupo, você passa a pertencer a um coletivo com valores e comportamentos que podem não ser os seus.
Já vi gente pilotando à noite e na chuva, e sem a menor condição de faze-lo, apenas por temer abandonar o grupo com o qual estava viajando. Já vi pessoas extremamente educadas repetindo xingamentos apenas porque o grupo assim o fazia. Agressões que jamais seriam cometidas individualmente, viram motivo de piada quando grupos dão vazão a ódios, racismos, e preconceitos da minoria que o lidera. Já vi medrosos virarem valentões e, o pior, vejo diariamente grupos sendo utilizados como massa de manobra sem se dar conta disso. Principalmente agora que o conceito de "lados" ficou mais evidente através das redes sociais. Ou você é "bom" e está do meu lado, ou você é "mau" e faz parte do lado que pensa diferente de mim.
Outra vantagem de viajar "sozinho" é que você escolhe a companhia adequada àquele momento, considerada a paisagem, seu humor, as nuvens, o céu e outras alegorias que formam o ambiente perfeito para uma "conversa" com a pessoa escolhida, esteja ela no plano em que estiver. São momentos maravilhosos onde a energia dessas pessoas se faz tão forte que quase sentimos sua presença física. Tem sido muito bom, aliás tem sido excelente.
Nada se compara fazer uma curva para a direita, a plataforma quase raspando no asfalto, o contra-esterço na medida exata, o olhar adivinhando o ponto de saída, a Helô elegantemente inclinada, o motor cheio e sentir meu irmão falando: "-Beleza Hélio, agora enrosca o acelerador que vai ficar mais bonito ainda !". Meu Deus, juro que fiz um monte de curvas com o sacana na minha garupa, chegava a "ouvir" sua risada maravilhosa.



Mas falei, divaguei e acabei fugindo da resposta. Vamos lá, vou tentar explicar o que busco com essas viagens: Claro que pilotar uma motocicleta está entre os principais objetivos mas existe o objetivo chave, aquele que entendo dar um sentido à minha vida: TORNAR NOSSO PLANETA UM LUGAR MELHOR PARA SE VIVER.
Para isso muitas coisas devem mudar, muita injustiça deve ser corrigida, muita miséria erradicada.....enfim uma série de medidas precisa urgentemente ser adotada.
O homem, vaidoso e arrogante como é, tem solução para todos esses problemas e outros que ele próprio ainda vai criar. E isto sem jamais ter estudado, mesmo que superficialmente, qualquer um deles. Mas descobri, depois de muito apanhar, que tenho enormes limitações. Descobri mais ainda, uma coisa chamada ALÇADA : só posso modificar aquilo que conheço e que seja de minha ALÇADA faze-lo. E se existe alguma coisa que conheço bem  (ou deveria) e que consigo (se quiser) modificar: é um cidadão chamado Helio Rodrigues Silva. Esse é meu objetivo, aliás o é o de todos os "homens livres e de bons costumes" - cavar masmorras aos vícios e erigir templos às virtudes.

Piegas, pueril ! Chamem do que quiser mas este é o meu objetivo: CHEGAR AO FIM DA VIAGEM UM POUCO MELHOR DO QUE O HÉLIO QUE A COMEÇOU !


 Obrigado a todos e até à próxima !