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domingo, 17 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 06

Lourdes (FR) – Gurmeçon (FR)

17 maio 2015

O programa de hoje era um prato cheio para motoqueiros: atravessar os Pirineus passando por Col de Toumalet e Col d’Abisque pegando o rumo de Roncesvalle na Espanha.   O dia amanheceu lindo, sem uma nuvem no céu mas fazendo aquele frio que justifica colocar a tal da “segunda pele”. Os romeiros e a maioria dos milicos já tinham ido embora esvaziando os cafés à beira rio. Com isso, aproveitei para saborear com calma meu capuccino e o tal de “Le croissant”, os Pirineus que me aguardassem... e como isso me custou caro.....


Acabei o cafe e segui a direção informada pelo Tomtom Macoute (o GPS),  depois de rodar uns poucos quilômetros você divisa alguns picos ainda cobertos de neve que, ao derreter, alimentam os rios que correm no sopé da cadeia de montanhas e fazem a festa dos pescadores, da turma do “rafting” e de velhos motoqueiros que adoram fotografar esses momentos.





Resolvi acelerar o passo e ia muito bem quando começou a subida, a estrada estreitando, passando por povoados antiquíssimos, em alguns pontos só permitindo a passagem de um carro. Claro que tive de parar. 






Mais à frente algumas cabanas de pedra que pareciam à espera de um artista para retrata-las, nessas horas lamento profundamente minha falta de conhecimento e técnica para capturar a magia do lugar. Que falta faz uma pintora na minha vida !




Depois disso foi um incrível cortejo de carros antigos precedidos por dois motociclistas batedores da polícia. 




E foi assim parando aqui e ali que o GPS me levou de volta ao ponto de partida !  Pedi outro caminho e ele mandou-me entrar numa picada que nem bicicleta passava...enlouqueceu de vez o desgraçado !  Abri o meu mapão e mandei ver, pelo menos cheguei a uma estação de Sky, morto de fome e fiz a melhor refeição até agora: uma bisnaga, com um queijo com cheiro de xulé (um tal de fromage ou coisa que o valha)  com uma fatia de uma espécie de presunto metido a macho e uma chavena de chá de hortelã. Muito bom, se bem que esse negócio de chavena parece meio boiola mas que é elegante lá isso é. 

Melhor ainda quando o dono do café me avisou que o Cal d’Aubisque estava fechado mas os GPS não sabiam disso.  Peguei a estrada que ele me indicou mas isso tirou-me totalmente do planejamento. Cansado e desorientado resolvi procurar um hotel para um banho bem quente e me aboletar na cama que o frio está brabo agora à noite. Foi só o tempo de traçar estas benditas linhas para não deixar acumular serviço.

Amanhã posto as fotos......

sexta-feira, 15 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 05

Bordeaux (FR) – Lourdes (FR)

15 maio 2015

Hoje, o dia amanheceu sem chuva, com cerração e bastante frio. A jaqueta que comprei numa liquidação em Paris está quebrando o galho numa boa. Até agora, além de bloquear o vento, ela se mantém impermeável como me jurou a vendedora.  O desjejum no hotel ficava em 8 euros, com essa grana eu lancho 3 dias na Padaria Rosa de Saron, em Cabo Frio, e ainda sou atendido por atendentes risonhas e educadas. Com isso, deixei para tomar café na estrada, programei o Tomtom (isso lá é nome que se dê a alguém !) para evitar pedágios e priorizar estradas secundárias. Ontem passei por um sufoco na chegada na hora de pagar o pedágio. O lance é que tem um monte de cabines com um monte de logos e palavras em francês em cada um deles. Me benzi e entrei no primeiro que vi, após colocar o ticket na máquina (recebido quando entrei na estrada),  uma louca falou o preço em francês e, graças ao bom Deus, apareceu no visor simultaneamente: 16 euros. O problema começou nesse momento, não existe ninguém na cabine, você tem que pagar com cartão. Todos meus 6 cartões foram recusados e a louca falando um monte de coisas sem eu entender xongas. Até que uma alma caridosa, uma senhora da concessionária do tal de “Peage”, veio me ajudar. Tentamos várias vezes até que o cartão de uma conta que tenho nos USA (declarada no IRPF, claro) funcionou e pediu a senha, após teclar a dita cuja o pagamento foi aceito, peguei o recibo e me mandei. Chegando no hotel, abri minha caixa de entrada e tinha um e-mail do banco avisando que tinha bloqueado meu cartão por tentativa de fraude, além de cancelar o pagamento. Tentei entrar no site e também esta bloqueado. Sei lá o bicho que vai dar. Por via das dúvidas ´passei a andar só em estrada sem “Peage”.
E foi assim que entrei numa região de vinícolas. São pequenas aldeias, com suas construções seculares de no máximo 2 pavimentos onde sobressai a torre da igreja que, quase sempre, identifica a praça principal. Todas tem seu charme, não parar para um café ao ar livre ou para fazer fotos que eternizarão momentos tão incríveis é um sacrilégio. 













Assim, um deslocamento de 3 a 4 horas acaba se transformando numa senhora viagem de 7 a 8 horas.  Mas compensou e muito, nessas cidades descobri um marco do “Caminho de Santiago”,  tracei um almoço  com direito a uma garrafa de vinho da casa por 13 euros.  Tomei uma aula sobre a igreja do século XIII que estava fotografando, além das fotos que consegui fazer para vocês.

A chegada a Lourdes, onde tinha feito uma reserva ontem à noite, foi um espanto. A cidade está tomada por milicos de todas as nacionalidades,  o trânsito é um caos só. Vielas, onde não pode passar um veículo, passam dois.... A sinalização foi toda modificada e o idiota do GPS não me servia para mais nada. Desliguei-o antes de atira-lo no rio. Só muito depois vim saber que eles estavam comemorando, naquele dia, o início do jubileu pelos 500 anos da aparição da Virgem Maria e, em paralelo, estava acontecendo a "Peregrinação dos militares". Minha sorte é que tinha reservado, e pago, antecipadamente o hotel através do site "Hotels.com"......bem, pelo menos era o que eu pensava.













A rua foi descoberta meio ao acaso e a numeração ficava na contra-mão. Dar uma volta nem pensar, parei a moto em frente a uma loja (meio na calçada) e corri até o hotel (muito do xulé), ainda por cima fui atendido por um marroquino grosso que só repetia “no reserve, no reserve” enquanto a mulher dele cozinhava na sala ao lado enchendo o ambiente de um odor tenebroso. Fiquei louco para sair dali o mais rápido possível, depois iria me entender com o site. Pedi para ele escrever no cartão de visita que não tinha vagas e, colocando meu meu melhor sorriso no rosto, apertei a mão dele e caprichei no sotaque “- Que te vás a mierda maricón !”.  O fato é que comecei a me preocupar, o frio estava terrível, a cidade lotada e eu na rua.  Resolvi pegar a estrada novamente para ver no que ia dar. Andei uns 500 metros  saindo do sufoco e vejo um hotel bem razoável.  A recepcionista era portuguesa, simpática e me conseguiu um quarto com garagem coberta para a Brigitte por 45 euros...... 
A herança dos garotos vai segurar mais essa. Amanhã tem mais moçada. Beijos e abraços a todas e todos.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 04

Guer (FR) – Bordeaux (FR)

14 maio 2015-05-14

Hoje pela manhã, descendo a escada, fotografei a belíssima vista do Hal do Hotel, reparem na porta à esquerda que é a entrada pelo bar. 

Fotografei a porta pelo lado do bar também, senão vocês dizem que eu invento essas coisas.  


Fora isso o quarto é muito maneiro, principalmente a sacada genial da combinação da televisão com o vaso sanitário. Impressionante !

Acordei com frio e muita chuva, a vontade de ficar na cama era muita mas o lay-out do quarto era assombroso: moderno demais para mim. Arrumei-me com calma, tralha colocada na Brigitte, saímos do estacionamento e parei 50 metros à frente para fazer umas fotos de Guer. 







Que cidade bonita !  O melhor foi que durante a sessão de fotos meu xará começou a dar as caras e acabei saindo de Guer com frio mas debaixo de um solzinho gostoso. Prometi a mim mesmo acelerar o passo pois já tinha fotos suficientes para vocês mas quem resiste, ainda mais eu, que depois de velho estou ficando sensível às outras belezas que não sejam apenas as curvas femininas. Acabei parando em Maure de Bretaigne e Loheac para fazer mais fotos:









Poucos quilometros à frente surge Guipry com um belo riacho cortando a cidade. Mais uma parada e mais fotos.



Começou a chover e na hora de ir embora deixo a Brigitte cair. Estava saindo com ela do estacionamento à beira o tal racho, tinha uma pequena subida e a saída era em curva. Dei mole a garota engasgou, o motor apagou a Brigitte começou a tombar. Só deu tempo de cortar a ignição pois segurar a moto estava fora das minhas forças. Ela tombou para a direita e  fiquei segurando receoso de encostar o belo tanque de combustível no chão. Como levantei a moto (pelo lado direito) e consegui abrir o descanso do lado esquerdo até agora é um mistério para mim. São Cypriano dos “braços duros” me deu uma grande ajuda, com certeza.
Depois dessa trapalhada e com o tempo fechado decidi voltar para as grandes rodovias, onde a velocidade máxima é 130 km, pois em caso de chuva acho mais seguras. O asfalto tem mais aderência, a sinalização é perfeita, pistas únicas e muito mais recurso do que as pistas secundárias. O  que aconteceu é que entrou um vento violento e sumiu com as nuvens e o remédio foi enroscar o cabo e manter 130 Km para acompanhar o fluxo. O problema é que a danada da Brigitte é tão suave que eu só percebia que estava a mais de 140 Km quando começava a achar que os outros carros estavam muito devagar. Mesmo com vento de través o comportamento da moto é excelente. O consumo subiu um pouco (17 Km por litro) mas vim rodando o tempo todo a 130 Km. 
  
Cheguei em Bordeaux depois de 520 Km, usei o Wi-Fi do Mc Donalds e reservei o hotel de onde estou teclando estas mal traçadas.

O céu está caindo em forma de água, chove prá cacete, aguardemos o que vai ser amanhã. Boa noite moçada....