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quarta-feira, 24 de junho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 32

PISA – PISTÓIA

24 de Junho de 2015, 16:39

Sai de Pisa com o objetivo de cumprir um compromisso que assumi comigo mesmo: visitar o antigo cemitério de Pistóia, hoje chamado de Monumento Votivo Militar Brasileiro, já que os restos mortais de nossos ex-combatentes repousam no Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial no aterro do Flamengo. Afinal, foi a única exigência do Brasil quando os vencedores faziam a divisão do "butim" : um pedaço de terra para enterrar seus mortos.


Coloquei a cidade de Pistoia no GPS, mas ele não conhecia outro caminho a não ser a estrada pedagiada, o que aumentava a distancia em 50 km. Usando o mapa, tracei minha rota e, atravessando fazendas, pequenas cidades e muitas plantações, aproveitei o belo dia de sol. Embora a velocidade fosse mais baixa, valia a pena, afinal dava tempo de curtir e imaginar os jovens pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB decolando de sua base em Livorno, sobrevoando aqueles campos para mais uma missão contra os boches.






Rapidamente cheguei a Pistóia, uma cidade bonita, com seus prédios antigos bem conservados, mantendo ainda muitas edificações antigas como muralhas fortificadas, arcos e colunas que lembram um estilo normando (pelo menos para um leigo como eu).







A dificuldade maior foi descobrir o “Cemiterio Braziliano” até que encontrei um cidadão que me deu as orientações precisas: “Ao fondo – destra - súbito sinistra – coluna d’arbes – rotonda uno niente – rotonda due sinistra – ao fondo a sinistra está”. Tudo isso com amplos movimentos das mãos, entonações diversas, caretas e ginga de corpo. Incrível como a linguagem corporal foi fundamental.

Descoberto o Monumento Votivo em um local um tanto afastado, a surpresa para quem está acostumado às coisas de nosso país: grama imaculadamente aparada, plantas bem cuidadas, espelho d’agua limpo, bandeira brasileira hasteada, fogo fátuo aceso, nem uma só pessoa por perto e o único som que se ouvia era o drapejar da bandeira sob uma rajada mais forte do vento. Impossível não se emocionar ao ler os nomes gravados no muro de pedra, as placas de agradecimento dos cidadãos italianos aos “brazilianos” que vieram de tão longe lutar por eles. Uma pena que nosso povo não valorize essa página de nossa história, nem conheça a história de amor onde o Cemitério “Braziliano” de Pistóia foi fundamental para um final feliz e que se estende até os dias de hoje.















terça-feira, 23 de junho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 31



31 - GÊNOVA – PISA 

 23 de Junho de 2015, 16:38 


Gênova, como cidade, foi uma decepção. Suja, com prédios em péssimo estado de conservação, quarteirões inteiros com obras paralisadas, muita gente trabalhando como flanelinha, camelôs ou simplesmente mendigando. Nota-se, nos italianos residentes, uma aversão crescente à imigração sem controle. 
Na saida do centro, em direção ao Porto a coisa vai melhorando e os prédios em tons pastéis debruçados nas encostas que terminam no Mare Ligure (Mediterrâneo) dão um colorido que nos faz esquecer os quarteirões que ficaram para trás. 













Ainda tentei conhecer o Porto Antico, mas sinceramente, desanimei. A sensação de insegurança é grande. Apesar do estacionamento para motos ser gratuito, você é abordado por grupos de cêrca de 10 “guardadores” que tentam insistentemente lhe vender bugingangas. 




Tirei 2 ou 3 fotos e peguei a estrada em direção à região de Cinqueterre (compreende as comunas de Monterosso, Vernazza, Riomaggiore e os distritos de Corniglia e Manarola). O astral foi melhorando, estradas mais apropriadas para motos e afastando-me do transito louco e coalhado de scooters do centro. 




Quando chegamos ao Parque Nacional de Cinque Terre, instituído em 1999 para preservar “terraços” e muros que os sustentam e onde são cultivadas uvas naquelas encostas íngremes, a coisa ficou realmente boa. Minha curiosidade era conhecer a técnica para o cultivo e colheita de parreiras naquelas inclinações. Na realidade é uma espécie de “ovo de Colombo”: o pessoal da região desenvolveu um  carrinho que anda sobre um trilho. Na parte inferior do trilho tem uma cremalheira que se adapta ao motor do carrinho. Como os trilhos são colocados entre as plantas, subindo e descendo e passando por cada abismo que tremo só de olhar, o piloto vai colhendo os cachos e colocando no reboque preso ao carrinho. Foi a forma que encontraram de plantar  com aquele grau de inclinação. 





Depois de satisfeita a curiosidade, segui pela estrada que, do alto, permite uma visão privilegiada do mar e das pequenas aldeias de pescadores e agricultores lá embaixo. Mas meu objetivo era Manarola, considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Trata-se de uma vila de pescadores, com suas casas onde a cor ocre predomina, parece que uma tradição da Toscana, descendo pelo costão em direção ao mar. O trânsito de carros é proibido no trecho mais próximo ao mar. Assim você tem de estacionar a 2 km do centro. 










Valeu a pena a visita, a cidade é mínima e muito bem cuidada. A maioria da população (umas 600 ou 700 pessoas) na sua maior parte vivem do turismo, seja com restaurantes, albergues, venda de lembranças e outros comércios ligados à área. Pelo menos apagou a má impressão de Gênova.  

Para completar, a chegada a Pisa ao entardecer foi um convite a um tour pela cidade terminando, lógicamente, na praça onde está a tal da torre inclinada com um monte de turistas em volta fazendo "selfies" ou fotos simulando segurar a torre...