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domingo, 28 de junho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 35



35 - ROMA

28 de Junho de 2015, 16:09

Permaneci um dia em Roma para conhecer um pouco mais a cidade. Aproveitando que era domingo, sem o trânsito louco das scooters e dos motoristas italianos, levei a Brigitte comigo. Acabei vendo e Papa e recebendo a bênção meio por acaso visto que só pretendia ir à Praça de São Pedro no dia seguinte.



Eu ia apenas olhar e fotografar o Vaticano. Acontece que tinha passeata de um movimento ecológico se dirigindo para a Praça de São Pedro, os guardas de trânsito entraram em parafuso e um deles mandou eu entrar numa contra-mão. Depois que entrei na primeira fui em frente cometendo as maiores barbaridades e quando dei por mim, estava dentro dos muros do Vaticano. Por onde passei não sei, mas essa é a verdade.







Coloquei a Brigitte estacionada junto com algumas motos da polícia e fui a pé, engolfado pela passeata que tinha um boneco que era a cara do Hugo Chavez. Assisti à fala do Papa, orei junto com o povo e todos recebemos a benção do Papa Francisco. Foi muito bom.








Saindo dali, um almoço bem sem vergonha. Italiano não sabe fazer massa. Peça qualquer coisa menos pizza e massa. De barriga cheia, a sessão de fotos continuou. Busquei ângulos diferentes e acho que consegui alguns interessantes. Estou começando a gostar desse negócio de fotografia.















sábado, 27 de junho de 2015

QUEM É ESSA TAL DE BRIGITTE ?

QUEM É ESSA TAL DE BRIGITTE?
27 de Junho de 2015, 23:23


Muitos amigos e conhecidos que me acompanham no site ou no Facebook perguntam quem é a Brigitte. Outros querem mais informações sobre ela, visto ser um modelo da Yamaha não comercializado no Brasil. Bem, como sempre, minha mania de escrever muito vai obriga-los a conhecer a história desde o seu início.
Como é de conhecimento público, sou um apaixonado pelo motociclismo e pelas grandes viagens solitárias. Após viajar pelos Estados Unidos três anos consecutivos, tentei fazer o mesmo na Europa. Na ocasião analisei três alternativas: levar minha moto, alugar ou comprar uma moto usada e vender ao final da viagem. Esta última alternativa era a que se mostrava economicamente mais interessante.
Entrei em contato com várias pessoas que, embora prestativas, não sabiam como responder às questões burocráticas que surgiram. Por outro lado, isso só me estimulava a investir mais tempo no projeto e assim comecei a definir a moto que buscaria quando todas as perguntas estivessem respondidas. Partindo de um modelo Custom, ideal para grande viagens, os seguintes itens seriam desejáveis:
1Bagageiros com boa capacidade de carga e, de preferência, trancados com chave. Afinal a moto carregaria toda minha bagagem durante 3 meses.
2Um bom para-brisas. Eu uso óculos e não me adapto a capacetes integrais, além da proteção contra o vento gelado dos Alpes e dos Pirineus. Sem contar pedriscos e insetos ao longo do caminho.
3Banco confortável, de preferência com altura que permitisse, sentado, colocar a sola da bota por inteiro no chão. Além do conforto isso baixa o centro de gravidade, trazendo maior facilidade de condução.
4Motor com torque aparecendo a baixos regimes de rotação.
5Mecânica simples e confiável. A simplicidade acaba por trazer confiabilidade.
6Uma ampla rede de concessionárias na Europa. Isto é fundamental para quem vai rodar por vários países. Já tive viagem interrompida por dois dias pela falta de um pequeno parafuso numa concessionária local.
7Mercado. Eu tinha de levar em conta que venderia a moto ao final da viagem. Esse era o plano de então, logo a marca teria de ter uma boa aceitação no mercado.
8Tinha que ser uma moto e modelo que eu já tivesse pilotado.
Partindo desses pré-requisitos, fiquei entre duas motos: uma delas era a Yamaha Midnight Star 900, que meu amigo Fernando Franco deixou-me pilotar e gostei muito do que vi.
O problema era o para-brisas, para mim mandatório. Mas vamos em frente. Falei com um primo que mora na França e ele disse que, embora não entendesse nada dessas motos atuais, tinha um amigo que trabalhava na área. Ele me colocou em contato com o amigo, falei dos meus planos e ele me convidou para ser uma espécie de embaixador da Yamaha na minha viagem. A Yamaha Motor France emprestaria uma Midnight Star XVS 1300 Tour Classic. 




Eu não conhecia a moto e quando vi a foto quase cai para trás, tinha exatamente tudo que eu queria, além de uma suspensão traseira mono-choque, bagageiros com chaves e para-brisas também com chave por segurança.
Peguei a moto no dia 12 de maio de 2015 com 7.000 km e hoje, depois de rodar 8.000 km, posso dar um depoimento com algum conhecimento de causa.
Rodei, e continuo rodando, sob as mais diversas condições. Em geral busco estradas secundárias, onde existem mais curvas e, algumas vezes, o piso não é de tão boa qualidade. A suspensão da moto comporta-se maravilhosamente e, apesar de regulável, não tive necessidade de mexer na mesma. Ela absorve as imperfeições do terreno de uma só vez sem pancada seca e sem “quicar”. Nas curvas o comportamento é exemplar, embora eu não fique balanceando a carga nos bagageiros laterais, ela ignora se há diferenças entre os lados e curva para ambos sem a menor dificuldade ou “reboladas”.
Nas subidas e descidas com curvas radicais, como no Col de Turini, Furka Pass, Route de Gentley, Gourges Du Verdon e tantos outros por onde passamos, não tive o menor problema e o desempenho dela foi me deixando cada vez mais à vontade. Em alguns trechos peguei muita chuva. No Furka Pass cheguei a pegar neve, mas a aderência ao solo foi sempre o ponto alto da moto. Acredito que o centro de gravidade baixo, aliado a seu peso e bons pneus, trouxe um resultado excelente.
Em algumas ocasiões eu queria chegar mais rápido ao meu destino e optava pelas autoestradas, onde a velocidade máxima é de 130 km/h, sem o menor problema. Mesmo em regiões onde havia vento de través, ela mantinha a trajetória sem me dar sustos. Acredito que o perfil baixo e o CG da XVS ajudam muito a minimizar o efeito do vento lateral.
Outro ponto positivo da XVS é sua autonomia. Um tanque de 19 litros com 3,7 litros de reserva. Quando entra na reserva, além de acender a luz, o hodômetro de viagem dá lugar a um hodômetro da reserva, que vai marcando quantos quilômetros você está rodando com a reserva. Se você sabe a autonomia da reserva, ajuda muito.
O consumo, em média, ficou na faixa dos 18 km por litro. Em uma condução mais suave, eu fazia 20 km por litro, mas quando pegava os trechos em que exigia muito das reduções, subidas ou nas autoestrada a 130 a 140 km/h, caia para 16 a 17 km litro.
Bem, então a moto é perfeita? Não, não é perfeita. Até porque aquilo que é qualidade para mim pode ser defeito para outro. No meu caso, para o tipo de viagem e forma de pilotar que adoto, acho a primeira marcha muito longa. Se fosse mais curta e a segunda pudesse “entrar” mais cedo seria o ideal. Sentia isso principalmente nas curvas em cotovelo. Uma outra sugestão seria um “Cruise Control” que, em algumas ocasiões traria um conforto adicional. O cromado do farol atrapalha a leitura do velocímetro, coisa fácil de resolver.
Finalmente, um ponto que chamou a atenção da maioria das pessoas, o nome do fabricante aparece de uma forma tão discreta que só procurando mesmo para encontrar. Talvez seja uma estratégia da Yamaha, quem sabe? O fato é que muitas pessoas me perguntavam a marca da moto.
No mais, é uma moto que me surpreendeu e que vai deixar muitas saudades. Uma companheira inesquecível. Se me convidassem para dar a volta ao mundo com ela não hesitaria um segundo.  
Além de tudo a danada é muito fotogênica, vejam só:













Para aqueles que gostam de dados técnicos:
Dimensões:
Comprimento........ 2.490 mm
Largura................. 995 mm
Altura total ........... 1.145 mm
Altura do banco .... 690 mm
Entre eixos ............ 1.690 mm
Vão livre do solo.... 145 mm
Peso :
A seco .................. 304 Kg
Motor
Refrigerado à liquido, 4 tempos, bicilíndrico em V, 1.304 cm3
Taxa de compressão 9,50 : 1
Embreagem: multidisco em banho de óleo
Transmissão
Correia dentada
Câmbio 5 marchas
1ª. 2,769
2ª. 1,778
3ª. 1,381
4ª. 1,115
5ª. 0,960
Pneus:
Dianteiros.... 130 X 90 X 16 MC 67 H
Traseiros ..... 170 X 70B X 16 MC 75 H
Freios:
Dianteiro: duplo disco
Traseiro: monodisco
Fluido recomendado: DOT 4
Suspensão dianteira:
Garfo telescópico com amortecimento hidráulico.
Curso 135 mm

Suspensão traseira:
Braço oscilante com amortecimento hidráulico e a gás
Curso 110 mm

sexta-feira, 26 de junho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 34



SIGNA – SIENA – ROMA

26 de Junho de 2015 

Sai de Signa bem cedo, ainda não eram 8 horas, para passar algumas horas em Siena conhecendo as belezas daquela que rivaliza e, na minha opinião de leigo, sobrepuja Firenze. Foi um tirinho bem curto, cerca de 80 km e, como já tinha checado as atrações e endereços, foi fácil chegar ao local, ainda mais com o GPS de boa vontade.

O primeiro contato é muito bonito, pois a cidade está no alto de uma elevação e as torres de igrejas e edificações podem ser vistas de longe. Parei a moto, fiz algumas fotos e dirigi-me para o arco da entrada da cidade. O trânsito é permitido apenas para veículos de residentes e os de duas rodas (a Brigitte estava incluída, lógico). Isso facilitou um bocado minha vida, pois as ladeiras dentro da cidade são uma constante. Embora fosse cedo, o número de turistas era muito grande e a confusão nas ruas e vielas estreitas era enorme, principalmente quando algum veículo de serviço ou de moradores se misturava com os passantes. Edificações medievais muito bem conservadas e várias utilizando o térreo como lojas de marcas famosas. Sorveterias, joalherias, restaurantes, cafés, residências, órgãos públicos, todos, enfim, mantendo a fachada original, inclusive com as argolas de ferro onde os viajantes amarravam seus cavalos.




















A Piazza Del Campo, onde está o Palazzo Comunale, é algo espetacular. Era o local onde os comerciantes de toda a região ofereciam seus produtos e festejavam o sucesso (ou fracasso), enchendo a cara nas bodegas em volta. Tentar descrever é difícil, mas resumindo, é um circulo enorme ainda mantendo o calçamento original com um formato côncavo, o centro é mais baixo do que as extremidades, que terminam em uma divisória de madeira de cerca de 1,30 metros. Após esta divisória, um anel externo de uns 10 metros de largura que estava sendo coberto de terra vermelha para a corrida do PALIO de SIENA. Duas vezes por ano acontece este evento (em julho e agosto), trata-se de uma corrida de cavalos (sem sela) disputada por representantes de 17 paróquias em homenagem à Nossa Senhora. Os cavaleiros usam apetrechos da época e carregam a bandeira de sua paróquia. Aquele que completar as 3 voltas na frente ganha o PALIO, um estandarte especialmente criado para o evento. Os espectadores ficavam no circulo central e a corrida era realizada no anel externo.







Os prédios ficam em volta desta praça e os restaurantes colocam mesas em frente para quem quiser se aventurar a ser atropelado por cavalos em disparada. Coisa de louco. 








Apesar da vontade de continuar em Siena, não podia esquecer que Roma estava nos esperando. O negócio era acelerar para não chegar muito tarde à “Cidade Eterna”.