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segunda-feira, 27 de junho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 3

COMMERCE (GA) – TAIL OF THE DRAGON (NC)

27 junho 2016

Mais um dia maravilhoso, como são todos quando estamos pilotando uma moto. Especialmente eu, que andava meio desconfiado da minha capacidade de continuar exercendo o ofício. 

O acidente do ano passado no Tirol me deixou algumas dúvidas que, gradativamente e de acordo com as situações que se apresentam, vou conseguindo eliminar. Hoje, por exemplo, peguei uma chuva para ninguém botar defeito.

Mais uma vez estava rodando pelas belíssimas estradas secundárias quando vi uma baita nuvem (cumulus nimbus) carregada de água e prestes a desabar na minha cabeça.






Não tinha para onde fugir, foi colocar a roupa de chuva, o Google por cima dos óculos e vamos em frente sem atrapalhar quem vem atrás. Batimentos cardíacos em sintonia com o motor da Helô, os Pirelli dando conta do recado, uso do freio restrito ao “freio motor”,  distancia aumentada para o carro da frente, olho no spray dos pneus, movimentos o mais suaves possível  e o bailado aconteceu ....... passei no teste .

Quando a chuva diminuiu dei de cara com uma cidade Suiça. Será que comecei a misturar as viagens, pensei.  Será que o velho Jack, com o qual firmei o caráter  pela manhã está batizado !  



A cidade é muito pequena, cortada por um rio limpíssimo, o Chattahoochee.  




TODOS os estacionamento são pagos (5 dólares) e apesar do preço quis saber um pouco mais da história. 

A cidade, que se chamava Helen, segundo o censo de 2.000 tinha 430 habitantes (e acho que uma grande parte trabalha nos estacionamentos). Em 1969, com a economia em declínio, seus habitantes resolveram transforma-la em uma cópia de uma cidade dos Alpes e assim todas as residências, prédios comerciais e públicos tinham de ter uma arquitetura típica dos Alpes. 







Para encurtar, a cidade é um sucesso, linda demais, as estradas um verdadeiro paraíso para os motociclistas, o turismo bomba o ano inteiro. A agenda de eventos tem  até mesmo uma Octoberfest que dura setembro, outubro e novembro, além de montanhismo, rafting e muito, muito mas muito motociclismo.

Hoje a cidade se chama Alpine Helen com todo o mérito, afinal eles apenas trocaram os Alpes pelos Appalachians.

O melhor de tudo foi na hora de ir embora, a lady que cobrava o estacionamento disse que para uma moto linda como aquela era grátis....

Voltando à estrada, ao mesmo tempo em que a topografia começava a ficar parecida como a da área do Tail of the Dragon, uma chuvinha intermitente voltava a encher a paciência. Mais uma vez muita concentração, repassando mentalmente os procedimentos para as situações que eu conseguia antecipar, as outras ia no improviso mesmo mas devo dizer que foi muito bom.





O maior problema  era que eu não consegui agendar um hotel na área. Os dois sites que utilizo para faze-lo estavam fora do ar. Nessas horas a chuva aperta, o notebook começa a ficar sem bateria, vai batendo uma vontade de tirar as botas  encharcadas, a unha encravada começa a doer e me lembro de alguns pilantras brasileiros. 

A opção foi apelar para o GPS, aquela função em que ele indica os hotéis mais próximos. Os dois primeiros não existiam mais (o GPS está desatualizado) mas quando olhei a relação dos demais gostei de um nome “TWO WHEELS INN”. Custei um pouco a achar pois chovia uma barbaridade mas quando cheguei, que surpresa. Até garagem (aquecida) para a Helô.





Bem, acho que extrapolei hoje, amanhã prometo não escrever nada.


Abração moçada....

domingo, 26 de junho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 2



RICHMOND HILL (GA) - COMMERCE (GA)


26 junho 2016


Hoje mais um tirinho de 270 milhas. Sempre por estradas secundárias, sem pedágio, passando por pequenas vilas e cidades minúsculas entre cada uma delas, cortando as belas fazendas da Georgia. 



Hoje com o templo nublado a temperatura caiu uma barbaridade....34 graus ! De qualquer forma não precisei me lambuzar com o tal de fator 60 que, misturado ao diesel e ao pó de asfalto, proporciona uma tez aveludada que enlouquece as minas. 



O fato é que estou voltando a pegar o gosto pela coisa. Depois de ficar no estaleiro por uns tempos e alguns aborrecimentos quase na hora da saída, cheguei a pensar em desistir da viagem mas quem tem os filhos que eu tenho é um privilegiado. A força que me deram me trouxe até aqui, como vem me trazendo ao longo da vida. 

Voltando à viagem, prefiro sempre as estradas vicinais às grandes estradas. Observar de perto e conhecer o americano das pequenas cidades é uma experiência fascinante. São parecedissimos com nossos patrícios do interiorzão. Desconfiados, curiosos e sempre prontos para nos ajudar. 






O maior problema é a falta de hotéis nessas pequenas cidades. Quando vai chegando a hora de interromper a jornada, parto para uma "I" qualquer coisa e procuro um Mcdonalds de beira de estrada. Ai é só entrar num site de reserva de hotéis, escolher um e torcer para que a Internet não seja como essa de hoje...tive que vir para um Mcdonalds para mante-los atualizados. 

Mas não há de ser nada, a estrada continua sendo minha querência e o horizonte meu objetivo. 

Até manhã moçada, provavelmente no Rabo do Dragão....

sábado, 25 de junho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 1

Kissimmee (FL) - Richmond |Hill (GA)

25 junho 2016



O primeiro passo é sempre o mais complicado, principalmente quando deixamos para trás pessoas (e pessoinhas) que nos fazem pensar duas vezes antes de entrar numa aventura que não sabemos muito bem qual seja. Mas eu não seria o Hélio se não superasse meus receios e acreditasse que tudo vai dar certo. 

Para início, o dia começou muito bem, a familia de uma ave pernalta veio me apreciar arrumando a moto. 





Na hora de escolher a camisa não tive dúvidas, a comemorativa do 2o. aniversário do Cabo Frio Moto Clube que hoje completa 6 anos. 

Despedi-me da turma do hotel, passei em Winter Garden para trocar um dedo de prosa com os sobrinhos Rodrigo e Diogo, combinar encontros e reencontros além de abraços emocionados.

Como sai tarde peguei um transito meio pesado prejudicando minha velocidade além de aumentar a temperatura na região "sacal" a ponto de fritar ovos....
Quando peguei uma estrada decente, uma "I" dessas da vida, enrosquei o cabo de forma despudorada....não era só eu não, tava todo mundo sentando a bota. 

Para variar, quem curte moto de macho (leia-se Harley Davidson) não pode passar na HD de Daytona (Bruce Rossemeyer's) sem entrar e recarregar as baterias para os próximos embates. 










Acabei ficando lá até umas 5 horas da tarde. Cheguei a pensar em trocar a moto e estive muito perto de faze-lo mas eles queriam pagar uma merreca na Helô, se bem que me davam um desconto na moto deles que quase compensava mas o coração falou mais alto. 

Pode ser que venha a me arrepender mas vamos continuar juntos um pouco mais. 



A Helô está com 70.000 milhas (mais de 100.000 Km) e isto para uma HD é muita coisa. Foi exatamente quando eu pensava nisso que a Helô virou para mim e falou: "-E você chegando aos 74 seu velho coxinha, tá passando da hora.".......,.,.,.,., Acabou comigo, depois dessa só me restou vir para o hotel e bater um papo com Trigue e o Jack.....



segunda-feira, 20 de julho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 45




COLMAR – PARIS

20 julho 2015 

Agendei um hotel em Saint-Ouen-l’Aumône, a 40 Km do centro de Paris porém a 1 Km da Yamaha Motor France. Afinal tinha de pensar na minha caminhada de volta depois de entregar a moto, hehehe. 

A viagem até Paris foi excelente, havia uma ameaça de chuva mas percebi que elas ocorrem sempre a partir da 13 horas, por isso saímos cedo e fomos desfrutando os últimos quilômetros de nossa parceria. 








O tempo estava nublado o que poderia contribuir para um certo clima de melancolia à nossa despedida mas isso não ocorreu, fomos lembrando os momentos maravilhosos de uma viagem de sonho. As encostas cobertas de parreiras da região do Douro no fraterno Portugal; as edificações medievais, gálicas e romanas enfeitando nosso trajeto; as curvas radicais dos Pass e Cols dos Pirineus e dos Alpes; os abismos incríveis domados pelo homem no Furka Pass; a fúria do vento no alto do Col de La Bonette; a força da fé e da esperança impulsionando peregrinos para Santiago de Compostella; Fátima, presença constante em minha vida; as estradas roubadas à rocha no Canyon Du Verdon; o azul incrível do Adriático e mais, muito mais porém nada que chegue perto daquilo que mais me emocionou em toda a viagem: o ser humano. Nada se lhe compara. 

Nesta viagem descobri que todos temos muito mais amigos do que imaginamos. Pessoas que jamais voltarão a vê-lo, e sem motivo aparente, são capazes de anônimos gestos de grandeza. O carabinieri Stefan; o meu amigo Lupo; as enfermeiras e médicas do hospital de Silandro; o ciclista que me socorreu com seu inglês pior do que o meu porém com uma enorme dedicação; o dono do Hotel em Silandro; Rosi, uma verdadeira mãe para mim; pessoas de quem nem sei o nome mas que me encorajavam com um “buon giorno” e um sorriso ao me verem capengando pelas ruas de Lasa. Foi maravilhoso sentir uma cidade torcendo por mim. 

No dia em que cheguei trazendo a moto da oficina pude ver a alegria estampada na face das pessoas. Parecia que estavam orgulhosos de mim e dizendo: “-Vá em frente motoqueiro, são apenas 1.000 Kms até Paris, você consegue seu velho coxinha !”. 

E conseguimos mesmo, após 11.000 Km iniciados em Paris no dia 12 de maio de 2015. Cruzando 5 países (França, Espanha, Portugal, Italia e Suiça), 2 principados (Andorra e Mônaco) e uma cidade estado (Vaticano) 

Hoje (22 de julho de 2015), depois que o pessoal da Yamaha saiu do galpão deixando-nos a sós, despedi-me da Brigitte com um afago no tanque e um “obrigado querida”. Em seguida, sem olhar para trás, sai mancando qual um pato aleijado em direção ao hotel numa caminhada que durou o tempo necessário. 

Bem, a lona foi enrolada, o picadeiro desfeito, a bailarina e o palhaço se despedem e esperam ter transmitido um pouco da alegria que os embalou durante esses 70 dias. 



Até qualquer hora....e muito obrigado.

sábado, 18 de julho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 44

MULHOUSE (FR) - COLMAR (FR)

18 julho 2015

Eu iria ficar mais uns três ou quatro dias em Mulhouse dando um descanso à minha perna e curtindo um pouco a cidade. Acontece que se mal consegui dormir na primeira noite por causa do calor, na segunda, além do calor, tinha um desgraçado tocando saxofone numa tal de Jam-Session no prédio em frente ao meu. Não existe melodia, não existe nada, o cara fica fazendo variações de escala que enchem o saco de qualquer pessoa minimamente lúcida. Que saudades de uma 12 “pump”!
Resolvi ir para um hotel com ar condicionado e longe do infeliz. Assim, fui para Colmar, a 45 km de distancia, onde ia colocar as ideias em ordem para encerramento da viagem e entrega da moto à Yamaha.
Moto na estrada, ainda com o capacete aberto e óculos de aviador da 2ª. Guerra (trouxe de brincadeira e é o que está me safando). A moto está sem para-brisas e isso causou um efeito terrível no GPS. Peguei uma chuvinha pequena, mas que cada gota no rosto era como uma picada de agulha. Acupuntura deve ser assim, eu acho, mas pilotando uma moto é meio chato, né?
A sorte é que o percurso era pequeno e chegamos logo ao hotel, ótimo por sinal (Le Roi Soleil). Logo na chegada um Fiat Topolino em exposição no bar do hotel.







No dia seguinte resolvi ir ao centro antigo da vila para conhecer e fotografar alguma coisa, afinal estava numa das cidades mais charmosas da França. Ela fica próxima da fronteira com Suiça e Alemanha e ao longo do tempo já esteve em mãos alemãs, o que se pode notar pela arquitetura tipicamente germânica. Além disso ela é cortada por inúmeros canais em uma área que é conhecida por Le Petite Venice, tendo até um passeio de barco de uns 20 minutos.







O ideal do passeio pelo centro antigo é que seja feito a pé, mas eu não estava em condições de fazê-lo. Optei (como era domingo) por percorrer as pequenas vielas de moto, quando possível.










Sempre de olho no GPS, assustei-me quando a tela começou a embaçar, como se tivesse alguma condensação, e não aceitar mais os comandos de “touch-screen”. A volta para o hotel, começando a chover, foi terrível. Por sorte encontrei um rapaz passeando com um cachorro que me deu dicas precisas e consegui voltar. Liguei o GPS no netbook e deixei-o a noite inteira. No dia seguinte a tela limpa, sem sinal de condensação, mas de lá para cá ele não aceita nenhum comando de “touch-screen”. Ou seja, virou um peso para papeis já que nem mesmo joga-lo na privada e dar a descarga consegui.