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segunda-feira, 18 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 16



MEDICINE HAT (ab) – HINTON (ab)

18 julho 2016


MAIS UMA JORNADA DE 800 km HOJE. 


Desconfiei da meteorologia que está errando todas. Acho até que não é erro, as condições mudam com uma velocidade incrível, além de existirem micro-climas totalmente diferentes. Uma loucura. 
O fato é que às 5 da matina o dia clareava lindo. Fiquei tão alegre que até tomei um banho. Arrumei tudo na Helô e às 6 eu estava esperando o gerente colocar o café. Eu ia direto sem o cafe mas sabia que ia acabar sem comer nada. Assim comi como um camelo faz com a água, antes de atravessar o deserto e 7:00 h em ponto sai do hotel. O dia estava lindo embora muito frio (12 graus). Coloquei Prince George no GPS e ele me informou que estava a 1.245 Km de distancia. Como a ideia era fazer esse percurso em duas etapas, pensei em adiantar ao máximo para aproveitar o bom tempo. Até Calgary foi mamão com açucar mas depois as estradas começaram a ficar desertas, sem movimento e pouquíssimos postos de gasolina. Desconfiei do GPS, parei e batata, o sacana (a culpa foi minha) estava programado para evitar estradas com pedágio e o caminho mais curto é a maravilhosa estrada que liga Banff a Jasper e que deve ter um pedágio ou uma tarifa para entrar no parque. Resultado, perdi a chance de fazer fotos fantásticas mas na volta conserto isso. Podem cobrar. 

A brincadeira acrescentou 200 Km ao roteiro mas realmente não dava para ir direto. No último terço do percurso a chuva desceu com vontade e a coisa começa a ficar perigosa. Às 16:15 molhado, sujo, com fome e com 800 Km rodados, achei que era hora de procurar um hotel e dar por encerrado os trabalhos por hoje. 

Amanhã tenho 450 Km até Prince George. Como dizem os gringos: "-Peanuts"... 

P.S. O capacete foi aprovadíssimo, tanto em relação à chuva, ao frio, aos pedriscos e aos insetos que impediam que eu ficasse com a cútis aveludada. Agora cuidado, tranquem as cabritas em casa porque o bode velho está solto....






quinta-feira, 14 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 15



BRANDON (Manitoba) – MEDICINE HAT (Alberta)




14 julho 2016



Hoje foi mais um dia para não esquecer. 

Às vezes reluto postar, ou mesmo omito, certos acontecimentos preocupado pela forma como serão entendidos. Trata-se de uma grande bobagem, esta é a conclusão a que cheguei. Além de ser impossível agradar sempre seria um enorme egoísmo não compartilhar momentos alegres, tristes, engraçados porém emocionantes todos, com aqueles que se dispuserem a ler o post. Como já lembrei antes, existe a alternativa de ir direto para os quadrinhos (as fotos).

Vamos aos fatos. Esta noite dormi maravilhosamente e meu sono foi apenas uma vez interrompido por um sobressalto. Não sei se sonhei ou lembrei da tempestade de ontem e me imaginei num local deserto e o risco de um raio cair sobre meu capacete, afinal eu seria o ponto mais alto. Além do mais tenho dois pinos de platina na fíbula e cismei que essa bosta atrai raios. Depois de rir de minha preocupação acabei dormindo novamente.

Levantei às 5:30 hoje. A bagagem organizada e breakfast iniciando às 7:00 h deram-me tempo para arrumar a bagagem na Helô. Quando estava nessa faina, estacionou ao meu lado o carro de um hóspede, um senhor de uns 60 a 65 anos, chamado Adam, que começou uma conversa sobre a moto. A filha e o genro também são motociclistas e apaixonados pela Harley. Ele é descendente de poloneses e parece muito católico pois conhecia tudo sobre João Paulo II e o Papa Fracisco. Mostrou-me foto dos filhos, dos netos perguntou de onde eu era, sobre minha família, minha idade, com quem eu estava viajando, essas curiosidades que todos tem quando veem um velho meio maluco sobre uma Harley Davidson. Na hora que eu saia para pegar o resto da bagagem ele foi no porta-malas do carro, pegou uma lanterna de led e me deu de presente, além disso, pegou no porta-luvas do carro uma vela benta e também me deu. Claro que aceitei, agradeci e dei um adesivo do meu blog para ele dar filha. Depois de arrumar o reesto da bagagem, estava no tal do breakfast quando ele chega com esposa trazendo uma sacola. Para encurtar, na sacola tinham duas latas geladas de Pepsi, uma caixa de chocolate com amêndoas e 2 sabonetes Dove que a esposa sugeriu que eu usasse por causa da poeira da estrada. 

Quando eu já ia saindo, depois de muito agradecer, ele me deu um cartão telefônico para ligar para meus filhos e uma nota de VINTE DÓLARES, pois a gasolina nesta região era mais cara. Eu não quis aceitar de forma alguma mas foi impossível demove-lo. Não me restou saída senão pegar a nota, guarda-la separada e, quando voltar, vou pendura-la na parede da sala junto com os óculos do meu amigo Lupo que tirou-me do sufoco por ocasião de meu acidente na Itália. 

Depois desse episódio, inusitado na minha carreira de viajante, subi na Helô e começamos os trabalhos. A temperatura estava em 13 gráus, céu nublado, nuvens altas e sem chuva. Ótimo, pensei, vamos abrir o gás e ver até onde vamos. Rodei 130 milhas e quando olhei a gasolina estava na reserva, culpa da mão pesada. Abasteci, tirei água do joelho e pau na máquina novamente. Cheguei a Regina e a partir dali começou a chuva. No início pouca dando para manter as 70 milhas que estabeleci como velocidade de cruzeiro. Além da chuva, cidades e postos de gasolina a partir de Regina ficam muito distantes, às vezes 200 Km, lembra muito a Patagônia.

À medida em que a chuva foi aumentando, passei a reparar que eu estava quase sozinho na estrada. A região é quase plana, sem árvores e com imensos pastos. Num determinado momento olhei à frente aquele paredão de água se aproximando riscados por raios e me veio logo a imagem do sonho. “-Cacete, sair do Brasil para ser eletrocutado aqui !”, pensei. Não vi um lugar para me esconder a não ser uma pequena fazenda um pouco à frente. Acelerei a Helô, descobri a trilha que ia da estrada até a casa, embarafustei-me com a Helô por ela, quase cai umas 4 ou 5 vezes mas cheguei no centro do quintal. O cara que manobrava o trator nem olhou para minha cara e a jovem senhora que saia do galpão carregando uma sela parou e ficou esperando o que eu tinha a dizer. Expliquei minha situação, ela tranquilamente e de forma simpática disse que eu poderia colocar a Helô no estábulo e eu, se quisesse poderia ficar no trailer que estava aberto. Bem a Helô não gostou da história e preferiu ficar na chuva mesmo. Para o estábulo fui eu, aliás local de onde nunca deveria ter saído, segundo a oposição. E, a bem da verdade, me senti muito à vontade no estábulo diria que é quase meu habitat natural. 

Meia hora e a tempestade passou ficando só a chuva. Como já estou cascudo, agradeci muito e, rezando para não cair, atravessei a tal trilha de volta para a estrada.

Mais uma hora debaixo dágua, gasolina quase no fim, achei um posto e enquanto estava abastecendo um raio acertou um transformador com uma explosão que me fez largar a bico da bomba cagando a Helô de gasolina. Que susto do cacete.

Novamente espera uns 20 minutos e vamos em frente, a uns 100 Km de Medicine Hat a chuva parou, o que permitiu mais uma presepada de tio Hélio que aconselho a todos praticarem. É o seguinte, uma linha férrea corre paralela à estrada e numa das enormes retas, vi, em sentido contrário, uma grande composição cargueira. Diminui a velocidade, fui bem para o canto da pista, fiquei em pé sobre as plataformas, a mão direita na manete do acelerador e com a esquerda eu fazia sinal para o maquinista tocar a buzina do trem.O sinal é um que os milicos usam para pedir pressa aos comandados, como se estivesse puxando para cima e para baixo a cordinha da buzina do trem ou do caminhão. Meus amigos, eu já estava desistindo achando que ele não tinha me visto mas o sacana do maquinista viu e respondeu. Que coisa linda ! Que momento único ! Naquela hora, acima de quaisquer diferenças, dois seres humanos se uniram para celebrar a alegria de um encontro que certamente jamais se repetirá. 



Por hoje é só. Abraços e beijos regulamentares a quem de direito.












quarta-feira, 13 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 14



KENORA (Ontario) – BRANDON (Manitoba)




13 julho 2013



Ontem, logo após me acomodar no motelzinho maneiro ainda em Kenora, um casal de moto chegou e foi logo limpando e cobrindo as motos por causa da chuva, que já caia bem fraquinha. Imediatamente lembrei-me de dois sobrinhos: o Mario Luiz e o Fernandinho Franco, ambos colocariam a moto dentro do quarto. Nem que tivessem de arrancar a porta. Mas o casal era muito legal apesar dessas “coxisses”, eles são de New Scotia, que fica no litoral do Atlântico e vão para Vancouver fazer um coast-to-coast canadense. É chão pra cacete. 





Saímos caminhando pela simpática cidadezinha e fazendo fotos de paredes de prédios pintados por artistas amadores e depois mantidos pelo Rotary Club. Cada “tela” fazendo referência à história da cidade. 












Foi boa a caminhada para ativar a circulação das pernas mas cheguei louco por um banho e cama. Eu queria sair cedo, com chuva ou sem chuva, e eles não sabiam se seguiriam com chuva. Acordei às 5:30, banho, um sanduiche da véspera (rosbife) mastigado enquanto me vestia: segunda-pele, calça, calça impermeável, meias, sacos plásticos nos pés e os dito cujos dentro da bota, que de impermeável não tem nada. Camisa, colete, jaqueta de couro e a parte superior do conjuto impermeável não impediram um certo desconforto com o frio. A temperatura estava em 16 graus e uma chuva fininha que espeta a cara dos idiotas que não usam capacete integral.



Pegamos a 17 (a Trans Canada) e com muito cuidado não tentávamos nenhuma gracinha. Até que a chuva deu uma trégua e pudemos abrir o gás um pouco mais. 



Fui direto até Winnipeg (210 Km), onde parei para abastecer a Helô e fazer outra perna sem parar até Brandon (230 Km). Mas foi só subir na moto e a chuva caiu com vontade. Nem muito forte, nem muito fraca mas na medida exata para nos fazer repensar todos os saudáveis procedimentos que podem ser adotados na chuva para minimizar os riscos. 



Um de muitos, que eu reputo importantíssimo é com relação a curvas. Quando chove costumo modificar a forma como faço o traçado das curvas. Em geral (apenas como exemplo) entro nas curvas fazenda a tomada pelo lado externo, no meio tangencio o lado interno e saio acelerando buscando o lado externo. Com chuva tento fazer a curva totalmente pelo lado interno. Claro que a uma velocidade inferior, já que não posso “retificar” a curva. 

Isso tem uma razão de ser, e quem me ensinou isso foi meu pai. Ele dizia que: se com tempo seco você pode ver manchas de óleo no asfalto, com chuva você deve tentar adivinhar o local mais provável delas. Principalmente de manhã cedo, quando caminhões e ônibus saem para as estradas e estão com tanques de óleo cheios até a boca. Se houver um vazamento, ele vai ocorrer quando o veículo inclinar para o lado em que está a boca do tanque e isto se dá sempre no lado externo da curva.


Sei que existem muitas outras correntes e o objetivo não é polemizar com ninguém, apenas uma curiosidade.


Depois desse parênteses, voltamos ao tema. Sai de Winnipeg debaixo de chuva e foi assim que vim até aqui. Muita água e muita obra na estrada. As faixas pintadas e a terra do acostamento que a chuva levava para a pista eram outros “inimigos” a evitar. Apesar disso chegamos cedo, por volta de 12:30 depois de rodar 430 Km. 


A previsão para amanhã é de chuva por um bom trecho mas isso depois eu vejo. Vou viver o Agora: encher a banheira de água quente, colocar meus sais de banho (a concorrência vai dizer que vai ser uma canja de galo velho), deitar-me, fechar os olhos e imaginar a minha jornalista holandesa e a policial das algemas me fazendo uma massagem relaxante.....morram de inveja !





Beijos e abraços.....

segunda-feira, 11 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 13



BUSINESS AS USUAL .
De volta aos negócios.

Kenora (Ontario) 11 julho 2013


Para quem já viveu situação semelhante sabe o sufoco pelo qual passei. Principalmente considerando-se os problemas para permitirem minha entrada no país. Só pensava na policial enfezada que me barrou. Tudo isto me veio à mente quando tive meus 3 cartões bloqueados (crédito e débito) e me vi com apenas 60 dólares canadenses no bolso, o que me garantia apenas mais uma estadia no hotel.


Descrever os acontecimentos de uma forma jocosa numa postagem é apenas uma forma de aliviar a tensão. Até mesmo de tentar reduzir o tamanho do problema e, egoisticamente talvez, dividi-lo com vocês.

A famosa Lei de Murphy tomou conta da situação desde o início, aconteceu de tudo mas não vale a pena cansa-los com detalhes. Um dia serão liberados, com parcimônia, ao redor de uma garrafa de Jack Daniel's Fire.

O mais importante foram vocês me mantendo equilibrado (o que é uma façanha e tanto) e protegido buscando soluções e me colocando, novamente, na estrada.

Foi incrível a cadeia de solidariedade que se criou a partir de Brasil, USA e Canada quando relatei meu problema no FB. Em menos de 10 segundos me atiraram o primeiro salva-vidas. E foi assim até a solução da melódia. Vocês são o que há de melhor. 

Obrigado a todos(as) e a cada um(a) daqueles(as) que se fizeram meu anjo protetor.

Beijos, muitos, porém sem viadagem, a todos...


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domingo, 10 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 12



THUNDER BAY - KENORA


10 julho 2016


Ontem, depois de uma puxada de 480 Km e após ver a previsão da meteorologia para hoje (nada boas), dormi cedo na esperança de acordar cheio de gas para enfrentar o que se previa pela frente: chuva e o tal de "thunderstorm" na parte da tarde.

No melhor do sono, às 2 da matina acordei com um berreiro desgraçado. Corri na janela para ver se a Helô estava metida na confusão. Não, nem precisava, uma baixinha gordinha plantou a mão nas fuças de um bêbado que já estava mesmo doido pra cair. A partir dai ninguém mais se entendia nem eu dormia. Isso durou mais de meia hora, até que vi um carro com aquelas luzes piscando em cima vindo na direção da lambança. Polícia, pensei. Não um taxi e pelo que notei o cara trabalha para o inferninho onde se deu o "arranca-rabo". Jogaram o pé-de-cana no banco de trás e, o mais interessante, a baixinha foi junto. Não sei se para terminar o serviço ou se era a proprietário do desinfeliz. 
Coisas dos hotéis "baixa-renda" que frequento.

3 e meia da manhã e acho que o sono também foi naquele taxi para ver o final do espetáculo. 6.30 pulei fora, banho, barba, tralha jogada de qualquer forma e vamos começar a trabalhar cedo para fugir da chuva.
Enchi o tanque da Helô, um capuccino, daqueles sem-vergonha de máquina em copo de isopor, um donuts (bleargh) e vamo que vamo.

Dessa vez a estrada começou com muitas e longas retas. Dava um sono desgraçado em motociclistas normais mas não em mim, não hoje. Eu fazia mais contas do que o Guido Mantega, o dia de hoje esta garantido mas o de amanhã só Deus sabe. O banco daqui bloqueou meu cartão de débito, o cartão de crédito está estourando o limite e tenho muito pouco em efectivo (nunca deixei isso acontecer mas sempre há uma primeira vez) .... Talvez dê para segurar dois dias. Mas essa é outra história....




Como eu ia dizendo,a estrada apesar de ótimo asfalto e bem sinalizada era monótona, as distancias entre as cidades aumentaram bastante. O risco de ficar sem gasolina existe e o trafego é, majoritariamente, de caminhões, moto-homes e motocicletas.


Por outro lado, uma surprêsa. Ontem reclamei bastante da falta de locais para estacionar perto de pontos especialmente atraentes. 
Hoje mordi a língua, encontrei uns 3 ou 4 desses locais melhor ainda do que sugeri: um mini-parque, todo arborizado, com mesas e bancos para pique-niques, banheiros e sempre ao lado de um lago ou à beira de um rio.












Se ontem agradeci à meteorologia o acerto na previsão de um belo dia, hoje agradeci pelo engano : sem chuva de Thunder Bay a Kenora.

Hoje foram 490 Km, nada mal para um velho motoqueiro.

Amanhã, bem, amanhã vai ser foda (perdoem-me o termo chulo). Vou reunir o departamento financeiro e analisar as alternativas que se nos apresentam (linda essa construção) : ou vendemos a Helô ou cozinhamos a bota de tio Hélio, como naquele filme de Carlitos. Foi cogitada a hipótese de um trabalho temporário como velho de aluguel mas, muito honrado pela lembrança, declinei da proposta.

Até manhã gente....e um abraço no amigo Johnnyboy Phd

sábado, 9 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 11



WAWA (Ontario) – THUNDER BAY (Ontario)

9 julho 2016



Hoje o dia foi perfeito, a começar pelo café da manhã. Ontem a polonesa dona do Motel já me deu as coordenadas exatas, sem possibilidade de erro. Quando perguntei horário e local do desjejum ela mandou na lata: “-A partir das 7 horas, você pega a estrada à esquerda, 4 Km à frente tem 3 restaurantes que servem desjejum a um ótimo preço”. Pronto, essa parte estava resolvida sem maiores delongas. Meu café foi uma banana que amadureceu no alforje da Helô e um comprimido de Diovan para controlar a bomba. Eu estava com pressa.




As previsões da meteorologia se confirmaram, o dia estava lindo. 17 gráus e sol, tempo ideal para pilotar. Coloquei a tal da “segunda pele”, que segura a onda muito bem, casaco de couro (que já estava esquecido), meias ainda um pouco molhadas (o secador de cabelo não deu conta) e a alegria de conseguirmos bailar, eu e a Helô, com uma certa elegância. Claro que ainda não tentamos o tango, dramático demais para nosso gosto.

A cada milha rodada a Trans Canada Highway, uma estrada apenas bonita porém monótona, ia ganhando vida. Apesar dos muitos consertos, a estrada passou a nos presentear com curvas suaves. Às vezes uma sequência delas, outras em ligeiros aclives e declives. Não é uma pilotagem brutal como o Rabo do Dragão mas, em compensação, você consegue olhar, curtir e sentir-se integrante das mais incríveis combinações de cenários com que a natureza nos surpreendia.





Aliás, o maior defeito da estrada é justamente esse. Por se repetirem cenários de tirar o fôlego, a vontade de parar é enorme mas o acostamento é mínimo. Por outro lado, existem muitas áreas para coleta de lixo com espaço para 30 a 40 carros no meio do nada. Bastava fazer essas áreas em alguns dos muitos locais incrivelmente belos. Parece que a mistura de francês com inglês não deu muito certo.

De qualquer forma consegui algumas fotos para vocês. Não me perdoaria se não o fizesse, com o risco de ganhar multas por parar no acostamento com pisca-alerta ligado.












Na estrada muitas motos, a maioria em grupos. Os caras sempre me cumprimentam e são muito simpáticos. O chato é cruzar com um “bonde”, você tem que cumprimentar todos. 

Já quase chegando a Thunder Bay parei para fazer umas fotos e um casal me cumprimentou ao ver nossa bandeira na Helô. Estavam em uma Trike, ele Bob (veterano do Vietnam) ela Lois (piloto de helicóptero). Batemos um longo papo e ele me deu umas dicas ótimas para British Columbia, ao final tiramos uma foto juntos e trocamos e-mails. Ele tem 78 anos e ela naturalmente não perguntei, os dois estão seguindo para o Alaska e na volta, dependendo de onde eu estiver, querem que passe na casa deles em Ohio. Saimos em seguida e acabamos nos encontrando novamente num restaurante alguns quilômetros à frente, agora ele estava com o grupo e fez questão de me apresentar. A maioria coroas, parece que a garotada não é muito chegada e uma estrada hoje em dia. 





Bem, missão cumprida, 480 Km feitos apenas 1 hora acima do estimado pelo GPS. O desinfeliz não considera paradas hidráulicas, gasolina e fotos. Acho até que ficou barato. Para amanhã ainda vou decidir. Meteorologia antes de mais nada.



Beijos e abraços a quem de direito....