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segunda-feira, 18 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 17



HINTON (ab) – VANDERHOOF (bc) 

18 julho 2016 

Acordei bem cedo para adiantar o café da manhã e ver as acondições do tempo. Previsão de chuva a partir das 9:00 h acelerou ainda mais os preparativos. Consegui fechar conta, arrumar bagagem e colocar o pé na estrada às 8:00 horas com destino a Prince George (BC). 

Certifiquei-me que o GPS estava com a função de evitar pedágios desativada, já que o melhor e mais aprazível percurso cruza o Parque de Jasper e este, certamente, deve cobrar um pedágio para permitir o ingresso. Ao chegar na guarita da entrada, uma jovem atendente, muito simpática e solícita, perguntou-me qual meu destino. Respondi, ela ficou satisfeita e desejou-me boa viagem, sem cobrar nada. Talvez porque fosse segunda-feira, talvez pela cara de subdesenvolvido, ou talvez não cobrem nada mesmo. Vai entender esses gringos. ! 

A estrada é ótima para variar, e tem um cenário tão lindo que me estimula voltar pelo parque até Banff para fotografar e compartilhar com vocês as belezas que deixei de ver por regular o GPS na modalidade “mão de vaca”.... mas não há de ser nada, já fiz coisas piores. 

Fiz poucas fotos pela premência do tempo, afinal tinha um compromisso ansiosamente aguardado: abraçar e ser abraçado por um amigo. Uma atividade que sempre me emociona e que não poupo esforços para realiza-la. Dessa vez foram só 1.225 Km que precisei rodar para encontra-lo mas valeu a pena. Quando cheguei a Prince George enviei uma mensagem perguntando onde iríamos nos encontrar eele, imediatamente responde : “- Na Harley Davidson, claro !”. Sim claro, encontro de motociclistas onde mais poderia ser........ 

Coloquei o endereço da HD no GPS e em 10 minutos eu estava lá. A primeira pessoa que vi foi Juanita, como sempre charmosa mesmo marcada pela lama e pela chuva dos muitos caminhos percorrido desde o Brasil. Sim meus anmigos, Juanita é a fiel escudeira daquele que considero um dos grandes das viagens de moto. Não apenas pela milhagem acumulada, maior do que o de muitos moto-clubes, mas principalmente pela simplicidade e companheirismo desse menino com a maturidade que muito veterano não tem. Claro que estou falando em Filipe Filipec, se vc quiser conhecer um pouco mais sobre esse personagem que está se tornando uma lenda aos 31 anos vá ao blog dele “Roadgarage” e veja algumns das viagens que ele fez bem como os vídeos que ele posta da atual no Youtube. 

Nem desci da moto e já estávamos nos abraçando. Aqueles abraços prolongados e espalhafatosos, com espetaculares tapas nas costas, que espantam as pessoas chamadas “normais”. Mas são esses abraços, são esses tapas que espantam e afastam os fantasmas do medo e da solidão que teimam, como parasitas, grudarem no couro da jaqueta de um velho motociclista. 

Como foi importante viver esse momento com meu amigo Filipec. Vai ficar registrado da mesma forma como ficaram dois outros: O encontro com o pessoal do Comichão de Brasília em Sturgis em 2014. O outro, em 2015, ao abrir a porta do meu quarto em Andermath na Suiça, encontrar o grande Tio Perez rindo, e de braços abertos, pronto para me esmagar num abraço fraterno. 

Velhas histórias. 

Mas com ajuda de Filipim quem sabe não escrevo novas.... 

Abraços e beijos a todos.
























CANADA E ALASKA DE MOTO - 16



MEDICINE HAT (ab) – HINTON (ab)

18 julho 2016


MAIS UMA JORNADA DE 800 km HOJE. 


Desconfiei da meteorologia que está errando todas. Acho até que não é erro, as condições mudam com uma velocidade incrível, além de existirem micro-climas totalmente diferentes. Uma loucura. 
O fato é que às 5 da matina o dia clareava lindo. Fiquei tão alegre que até tomei um banho. Arrumei tudo na Helô e às 6 eu estava esperando o gerente colocar o café. Eu ia direto sem o cafe mas sabia que ia acabar sem comer nada. Assim comi como um camelo faz com a água, antes de atravessar o deserto e 7:00 h em ponto sai do hotel. O dia estava lindo embora muito frio (12 graus). Coloquei Prince George no GPS e ele me informou que estava a 1.245 Km de distancia. Como a ideia era fazer esse percurso em duas etapas, pensei em adiantar ao máximo para aproveitar o bom tempo. Até Calgary foi mamão com açucar mas depois as estradas começaram a ficar desertas, sem movimento e pouquíssimos postos de gasolina. Desconfiei do GPS, parei e batata, o sacana (a culpa foi minha) estava programado para evitar estradas com pedágio e o caminho mais curto é a maravilhosa estrada que liga Banff a Jasper e que deve ter um pedágio ou uma tarifa para entrar no parque. Resultado, perdi a chance de fazer fotos fantásticas mas na volta conserto isso. Podem cobrar. 

A brincadeira acrescentou 200 Km ao roteiro mas realmente não dava para ir direto. No último terço do percurso a chuva desceu com vontade e a coisa começa a ficar perigosa. Às 16:15 molhado, sujo, com fome e com 800 Km rodados, achei que era hora de procurar um hotel e dar por encerrado os trabalhos por hoje. 

Amanhã tenho 450 Km até Prince George. Como dizem os gringos: "-Peanuts"... 

P.S. O capacete foi aprovadíssimo, tanto em relação à chuva, ao frio, aos pedriscos e aos insetos que impediam que eu ficasse com a cútis aveludada. Agora cuidado, tranquem as cabritas em casa porque o bode velho está solto....






quinta-feira, 14 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 15



BRANDON (Manitoba) – MEDICINE HAT (Alberta)




14 julho 2016



Hoje foi mais um dia para não esquecer. 

Às vezes reluto postar, ou mesmo omito, certos acontecimentos preocupado pela forma como serão entendidos. Trata-se de uma grande bobagem, esta é a conclusão a que cheguei. Além de ser impossível agradar sempre seria um enorme egoísmo não compartilhar momentos alegres, tristes, engraçados porém emocionantes todos, com aqueles que se dispuserem a ler o post. Como já lembrei antes, existe a alternativa de ir direto para os quadrinhos (as fotos).

Vamos aos fatos. Esta noite dormi maravilhosamente e meu sono foi apenas uma vez interrompido por um sobressalto. Não sei se sonhei ou lembrei da tempestade de ontem e me imaginei num local deserto e o risco de um raio cair sobre meu capacete, afinal eu seria o ponto mais alto. Além do mais tenho dois pinos de platina na fíbula e cismei que essa bosta atrai raios. Depois de rir de minha preocupação acabei dormindo novamente.

Levantei às 5:30 hoje. A bagagem organizada e breakfast iniciando às 7:00 h deram-me tempo para arrumar a bagagem na Helô. Quando estava nessa faina, estacionou ao meu lado o carro de um hóspede, um senhor de uns 60 a 65 anos, chamado Adam, que começou uma conversa sobre a moto. A filha e o genro também são motociclistas e apaixonados pela Harley. Ele é descendente de poloneses e parece muito católico pois conhecia tudo sobre João Paulo II e o Papa Fracisco. Mostrou-me foto dos filhos, dos netos perguntou de onde eu era, sobre minha família, minha idade, com quem eu estava viajando, essas curiosidades que todos tem quando veem um velho meio maluco sobre uma Harley Davidson. Na hora que eu saia para pegar o resto da bagagem ele foi no porta-malas do carro, pegou uma lanterna de led e me deu de presente, além disso, pegou no porta-luvas do carro uma vela benta e também me deu. Claro que aceitei, agradeci e dei um adesivo do meu blog para ele dar filha. Depois de arrumar o reesto da bagagem, estava no tal do breakfast quando ele chega com esposa trazendo uma sacola. Para encurtar, na sacola tinham duas latas geladas de Pepsi, uma caixa de chocolate com amêndoas e 2 sabonetes Dove que a esposa sugeriu que eu usasse por causa da poeira da estrada. 

Quando eu já ia saindo, depois de muito agradecer, ele me deu um cartão telefônico para ligar para meus filhos e uma nota de VINTE DÓLARES, pois a gasolina nesta região era mais cara. Eu não quis aceitar de forma alguma mas foi impossível demove-lo. Não me restou saída senão pegar a nota, guarda-la separada e, quando voltar, vou pendura-la na parede da sala junto com os óculos do meu amigo Lupo que tirou-me do sufoco por ocasião de meu acidente na Itália. 

Depois desse episódio, inusitado na minha carreira de viajante, subi na Helô e começamos os trabalhos. A temperatura estava em 13 gráus, céu nublado, nuvens altas e sem chuva. Ótimo, pensei, vamos abrir o gás e ver até onde vamos. Rodei 130 milhas e quando olhei a gasolina estava na reserva, culpa da mão pesada. Abasteci, tirei água do joelho e pau na máquina novamente. Cheguei a Regina e a partir dali começou a chuva. No início pouca dando para manter as 70 milhas que estabeleci como velocidade de cruzeiro. Além da chuva, cidades e postos de gasolina a partir de Regina ficam muito distantes, às vezes 200 Km, lembra muito a Patagônia.

À medida em que a chuva foi aumentando, passei a reparar que eu estava quase sozinho na estrada. A região é quase plana, sem árvores e com imensos pastos. Num determinado momento olhei à frente aquele paredão de água se aproximando riscados por raios e me veio logo a imagem do sonho. “-Cacete, sair do Brasil para ser eletrocutado aqui !”, pensei. Não vi um lugar para me esconder a não ser uma pequena fazenda um pouco à frente. Acelerei a Helô, descobri a trilha que ia da estrada até a casa, embarafustei-me com a Helô por ela, quase cai umas 4 ou 5 vezes mas cheguei no centro do quintal. O cara que manobrava o trator nem olhou para minha cara e a jovem senhora que saia do galpão carregando uma sela parou e ficou esperando o que eu tinha a dizer. Expliquei minha situação, ela tranquilamente e de forma simpática disse que eu poderia colocar a Helô no estábulo e eu, se quisesse poderia ficar no trailer que estava aberto. Bem a Helô não gostou da história e preferiu ficar na chuva mesmo. Para o estábulo fui eu, aliás local de onde nunca deveria ter saído, segundo a oposição. E, a bem da verdade, me senti muito à vontade no estábulo diria que é quase meu habitat natural. 

Meia hora e a tempestade passou ficando só a chuva. Como já estou cascudo, agradeci muito e, rezando para não cair, atravessei a tal trilha de volta para a estrada.

Mais uma hora debaixo dágua, gasolina quase no fim, achei um posto e enquanto estava abastecendo um raio acertou um transformador com uma explosão que me fez largar a bico da bomba cagando a Helô de gasolina. Que susto do cacete.

Novamente espera uns 20 minutos e vamos em frente, a uns 100 Km de Medicine Hat a chuva parou, o que permitiu mais uma presepada de tio Hélio que aconselho a todos praticarem. É o seguinte, uma linha férrea corre paralela à estrada e numa das enormes retas, vi, em sentido contrário, uma grande composição cargueira. Diminui a velocidade, fui bem para o canto da pista, fiquei em pé sobre as plataformas, a mão direita na manete do acelerador e com a esquerda eu fazia sinal para o maquinista tocar a buzina do trem.O sinal é um que os milicos usam para pedir pressa aos comandados, como se estivesse puxando para cima e para baixo a cordinha da buzina do trem ou do caminhão. Meus amigos, eu já estava desistindo achando que ele não tinha me visto mas o sacana do maquinista viu e respondeu. Que coisa linda ! Que momento único ! Naquela hora, acima de quaisquer diferenças, dois seres humanos se uniram para celebrar a alegria de um encontro que certamente jamais se repetirá. 



Por hoje é só. Abraços e beijos regulamentares a quem de direito.












quarta-feira, 13 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 14



KENORA (Ontario) – BRANDON (Manitoba)




13 julho 2013



Ontem, logo após me acomodar no motelzinho maneiro ainda em Kenora, um casal de moto chegou e foi logo limpando e cobrindo as motos por causa da chuva, que já caia bem fraquinha. Imediatamente lembrei-me de dois sobrinhos: o Mario Luiz e o Fernandinho Franco, ambos colocariam a moto dentro do quarto. Nem que tivessem de arrancar a porta. Mas o casal era muito legal apesar dessas “coxisses”, eles são de New Scotia, que fica no litoral do Atlântico e vão para Vancouver fazer um coast-to-coast canadense. É chão pra cacete. 





Saímos caminhando pela simpática cidadezinha e fazendo fotos de paredes de prédios pintados por artistas amadores e depois mantidos pelo Rotary Club. Cada “tela” fazendo referência à história da cidade. 












Foi boa a caminhada para ativar a circulação das pernas mas cheguei louco por um banho e cama. Eu queria sair cedo, com chuva ou sem chuva, e eles não sabiam se seguiriam com chuva. Acordei às 5:30, banho, um sanduiche da véspera (rosbife) mastigado enquanto me vestia: segunda-pele, calça, calça impermeável, meias, sacos plásticos nos pés e os dito cujos dentro da bota, que de impermeável não tem nada. Camisa, colete, jaqueta de couro e a parte superior do conjuto impermeável não impediram um certo desconforto com o frio. A temperatura estava em 16 graus e uma chuva fininha que espeta a cara dos idiotas que não usam capacete integral.



Pegamos a 17 (a Trans Canada) e com muito cuidado não tentávamos nenhuma gracinha. Até que a chuva deu uma trégua e pudemos abrir o gás um pouco mais. 



Fui direto até Winnipeg (210 Km), onde parei para abastecer a Helô e fazer outra perna sem parar até Brandon (230 Km). Mas foi só subir na moto e a chuva caiu com vontade. Nem muito forte, nem muito fraca mas na medida exata para nos fazer repensar todos os saudáveis procedimentos que podem ser adotados na chuva para minimizar os riscos. 



Um de muitos, que eu reputo importantíssimo é com relação a curvas. Quando chove costumo modificar a forma como faço o traçado das curvas. Em geral (apenas como exemplo) entro nas curvas fazenda a tomada pelo lado externo, no meio tangencio o lado interno e saio acelerando buscando o lado externo. Com chuva tento fazer a curva totalmente pelo lado interno. Claro que a uma velocidade inferior, já que não posso “retificar” a curva. 

Isso tem uma razão de ser, e quem me ensinou isso foi meu pai. Ele dizia que: se com tempo seco você pode ver manchas de óleo no asfalto, com chuva você deve tentar adivinhar o local mais provável delas. Principalmente de manhã cedo, quando caminhões e ônibus saem para as estradas e estão com tanques de óleo cheios até a boca. Se houver um vazamento, ele vai ocorrer quando o veículo inclinar para o lado em que está a boca do tanque e isto se dá sempre no lado externo da curva.


Sei que existem muitas outras correntes e o objetivo não é polemizar com ninguém, apenas uma curiosidade.


Depois desse parênteses, voltamos ao tema. Sai de Winnipeg debaixo de chuva e foi assim que vim até aqui. Muita água e muita obra na estrada. As faixas pintadas e a terra do acostamento que a chuva levava para a pista eram outros “inimigos” a evitar. Apesar disso chegamos cedo, por volta de 12:30 depois de rodar 430 Km. 


A previsão para amanhã é de chuva por um bom trecho mas isso depois eu vejo. Vou viver o Agora: encher a banheira de água quente, colocar meus sais de banho (a concorrência vai dizer que vai ser uma canja de galo velho), deitar-me, fechar os olhos e imaginar a minha jornalista holandesa e a policial das algemas me fazendo uma massagem relaxante.....morram de inveja !





Beijos e abraços.....

segunda-feira, 11 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 13



BUSINESS AS USUAL .
De volta aos negócios.

Kenora (Ontario) 11 julho 2013


Para quem já viveu situação semelhante sabe o sufoco pelo qual passei. Principalmente considerando-se os problemas para permitirem minha entrada no país. Só pensava na policial enfezada que me barrou. Tudo isto me veio à mente quando tive meus 3 cartões bloqueados (crédito e débito) e me vi com apenas 60 dólares canadenses no bolso, o que me garantia apenas mais uma estadia no hotel.


Descrever os acontecimentos de uma forma jocosa numa postagem é apenas uma forma de aliviar a tensão. Até mesmo de tentar reduzir o tamanho do problema e, egoisticamente talvez, dividi-lo com vocês.

A famosa Lei de Murphy tomou conta da situação desde o início, aconteceu de tudo mas não vale a pena cansa-los com detalhes. Um dia serão liberados, com parcimônia, ao redor de uma garrafa de Jack Daniel's Fire.

O mais importante foram vocês me mantendo equilibrado (o que é uma façanha e tanto) e protegido buscando soluções e me colocando, novamente, na estrada.

Foi incrível a cadeia de solidariedade que se criou a partir de Brasil, USA e Canada quando relatei meu problema no FB. Em menos de 10 segundos me atiraram o primeiro salva-vidas. E foi assim até a solução da melódia. Vocês são o que há de melhor. 

Obrigado a todos(as) e a cada um(a) daqueles(as) que se fizeram meu anjo protetor.

Beijos, muitos, porém sem viadagem, a todos...


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