PARECIA QUE IA SER MONÓTONO...MAS A ESTRADA SEMPRE NOS SURPREENDE...
Ganeisville (FL) - Columbia (SC)
Planos são alterados geralmente durante à noite, afinal é o momento em que, relaxados, passamos em câmara lenta todas as peripécias do dia, os riscos envolvidos, os obstáculos superados e, principalmente, o que vem pela frente. Talvez seja o momento em que refreamos um pouco a criança voluntariosa e um tanto irresponsável que nos assalta de quando em vez. Talvez seja o tal de equilíbrio. Mas o fato é que decidi ir o mais rápido possível até a Virgínia, na primeira cidade da divisa (acho que é Bristol). Isso porque a Helô, apesar de estar com a licença em dia, precisa fazer uma vistoria para rodar sem problema e ela venceu em 31 de maio. Caso ocorra algum acidente eu certamente estarei complicado. Por isso decidi setar o GPS para o caminho mais curto e estou subindo na direção desejada por estradas com enormes retas e com velocidades mais altas. Paciência, pensei. Sem foto, sem relato mas buscando a legalização da Helô.
Sai cedo do hotel, sem mesmo tomar café (o indiano que toma conta do muquifo acorda tarde) e adiantei o expediente. Depois de 100 milhas de reta me deu um sono impossível de prosseguir. Parei em um posto onde haviaumas mesas para pique-nique debaixo de umas árvores e dei uma bela cochilada de uns 40 minutos. Lavei as fuças e bebi um enorme copo de um troço que eles juram ser café e o sono foi embora. Sol na moleira, Helô a 70 milhas, de vez em quando 80 para ultrapassar as enormes carretas que deixam uma turbulência que sacode até o Jack Daniel's dentro do babageiro.
Foi assim, andando quase sem parar que sai da Florida por Jacksonville, passei Bronswick, deixei Savanah para trás, cruzei a Georgia de sul a norte, entrei gloriosamente em South Carolina e parei no visitor center. Como a sinalização mandava "cars" para um lado e demais veículos para outro, fiquei estqacionado no meio de carretas e moto-homes. Mas value a pena. Tinha um Peterbilt negro como o bigode do Sarney que ofuscava os demais caminhões. Existe até uma história que há alguns anos, a Peterbilt resolveu modernizer o desenho de seus caminhões e lançou uma série experimental. Pra quê, meus amigos,os caminhoneiros e até mesmo donos de transportadoras ameaçaram boicotar a fábrica e eles tiveram que voltar atrá. Mas o danado é lindo mesmo, e de uma beleza opressora.
Sai dali pensando, consegui pelo menos umas fotinhas para o pessoal. E lá ia eu empertigado na Helô, como se fora um "cop" que ia pedir a mão de uma policial canadense quando vejo uma pequena placa na beira da Estrada, com uma entrada à direita. Não pude entrar pois vinha um caminhão um pouco atrás e preferi não correr o risco. 5 milhas à frente fiz o retorno, voltei e entrei na cidadezinha chamada Walterboro. No posto de gasoline pedi informações e as duas coroas não sabiam de nada. Mais à frente, uma pequena casa onde era o centro turístico e a senhorinha me deu todas as coordenadas e o mapa. Segui por mais umas 3 ou 4 milhas e lá estava: uma pista de pouso com algumas construções em volta denunciando que ali foi uma base militar. Aliás a maior base militar da América e onde os cadetes chegavam, de todas as partes, para fazer seu treinamento de combate. Dali, sairam os imortais Tuskegee Airmen para escrever uma das mais belas páginas da luta contra o racismo na história dos Estados Unidos da América. E lá, em frente à pista, sob a sombra das árvores e a presença da Old Glory está o TUSKEEGEE AIRMEN MEMORYAL, onde pudemos reverenciar esses guerreiros que, por uma grande coincidência, lutaram no mesmo teatro de Guerra que nossos heróis do 1o. Grupo de Aviação de Caça.





