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sábado, 16 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 12

  1. AINDA QUE A SAUDADE NOS ACOMPANHE, NAVEGAR É PRECISO...

  2. Hunterley (IL) 

  3. Meus caríssimos companheiros de viagem, ontem o Mark e a Maggie levaram-me a conhecer um pouco mais da pequena, bela e bem cuidada Huntley. São 22.000 habitantes que usufruem (e zelam) de uma cidade que parece cênica.
    A economia é baseada na agricultura (milho e soja) mas suas terras convivem em harmonia com bosques e lagos cortados por pequenas estradas vicinais, perfeitas para rodar de moto.
    A cidade tem um centro comunitário à altura dos melhores clubes de grandes cidades. A biblioteca é um local de onde não se tem vontade de sair. Livros, vídeos, computadores para o público, jornais do dia e local adequado para lê-los.
    Que diferença para a biblioteca de Cabo Frio com mais de 220.000 habitantes, mantida de pé por pura teimosia de poucos e abnegados funcionários.
    Apesar dos prédios modernos o lado histórico da cidade foi preservado, e da melhor maneira possível: BARES. Alguns com mais de 100 anos porém mantendo as características originais. Isto nos permitiu fazer um pequeno tour por alguns deles, mantendo um certo controle (afinal estávamos de moto e a Helô começou a me olhar de cara feia).
    Mas quando chegamos em casa o controle acabou. Enquanto aguardávamos a Maggie chegar do trabalho demos um desfalque na adega com a ajuda do vizinho motoqueiro. Depois da segunda garrafa de vinho o inglês ficou mais escorreito (nem sei o que significa mas a palavra caiu bem nessa frase) e novas palavras foram adicionadas ao idioma sem o menor respeito por Shakespeare.
    Foi uma despedida e tanto, o problema vai ser acordar amanhã e começar a jornada para o Canadá.




















quarta-feira, 13 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 11

UMA RECEPÇÃO PARA NÃO ESQUECER....

Indianápolis (IN) - Huntley (IL) 13 junho 2018

Conforme vocês devem ter percebido, tirei um período de férias destas mal traçadas. Não por boniteza mas por precisão. Para curtir, de forma adequada, o carinho e a hospitalidade que a Maggie Reis e o Mark tiveram com este velho cretino (segundo especialistas na matéria: mulheres, claro).
Como essas pessoas surgiram na grande Estrada, que teima em me levar para o futuro em velocidade maior do que a desejada, é uma história que merece ser contada. Paciência pois.
Após o sucesso da viagem do Felipe ao Alaska em 2016, onde peguei uma carona das mais prazerosas, a repercussão no meio motociclístico foi grande e naturalmente estimulou muita gente a realizar seus sonhos, fossem o Alaska ou o município vizinho. Em função disso, algumas pessoas me procuraram para conversar sobre a viagem.
Um dia recebo uma mensagem dos USA da Maggie. Não sabia quem era e logo imaginei alguma multa ou conta que esqueci de pagar (um salutar esporte, praticado pelos Rodrigues Silva com alegria e competência - mas pagamos sempre, acrescidas de multas, taxas e emolumentos). Porém não era nada disso, tratava-se de uma brasileira, motociclista, casada com o Mark, um americano também motociclista, que tinha como sonho vir ao Brasil pilotando sua moto.
Como apenas seus netos apoiassem a ideia ela queria a opinião de alguém com um pouco mais de maturidade (os netos devem ter 4 e 5 anos respectivamente e eu não fico muito longe disso, segundo a oposição).
O fato é que começamos a trocar informações e opiniões e apresentei-a a um grupo fantástico que minha amiga Karen Mcfo e Miguel Urista (do México) criaram, o International Assistance for Motorcycle Travelers. Grupo este que hoje conta com mais de 3.800 membros com pontos de apoio nas 3 Américas, Europa, Asia e Oriente. Provando que independente de religião, idioma, ideologia e outras besteiras que tais, a motocicleta tem um incrível poder de unir e despertar a solidariedade nas pessoas.
A Maggie já entrou em contato com a Karen e começou a perceber que seu sonho é perfeitamente viável.
Como minha viagem estava programada desde que a Maggie entrou em contato comigo combinamos que eu passaria por Huntley para conhece-los e talvez uma cerveja.
Bem, este era o combinado e foi assim que esse casal de motociclistas entrou na minha vida para ficar.
Voltando à narrativa, sai de Indianápolis com a temperatura já bem mais baixa, céu nublado mas sem chuva, o que tornou a viagem bem confortável. Não era muita coisa não, apenas 240 milhas (+ ou - 390 Km) mas atravessar Chicago em obras foi terrível: 40 minutos em meio a um engarrafamento que levou a temperatura da Helô a um nível de fritura d'ovos. Além de tudo rampas fechadas, desvios aloprados e o GPS entrando em "parafuso". A única alternativa era seguir em frente empurrando a moto com os pés, quase sempre, ou em primeira, quando possível.
Com tudo isso, cheguei no horário planejado. Milagre ! Pensei. Não sua besta, diferença de fuso horário.
Mas todas esses perrengues ficaram para trás quando toquei a campainha e a Meggi me recebeu com uma bronca bem humorada: "- Mas que raios de moto é essa que não faz barulho !". Pronto, quebrou o gêlo.. Em seguida mandou-me guardar a moto na garagem e, de forma idêntica à que fui recebida pela minha comadre Odete 5 anos atrás em Oklahoma, ela e o marido me ofereceram uma cerveja gelada para ajudar na caminhada até o "meu" quarto e apresentar-me ao freezer com várias marcas de cerveja. Sinceramente, recepção como esta deveria constar dos melhores manuais de boas maneiras.
Mas as surpresas não tinham acabado. Após um banho que melhorou até a visão da minha conta bancária, fiz a gentileza de colocar uma camisa limpa e me preparar para almoçarmos fora. Mas nãos, nada disso. O Mark convidou-me para uma pescaria no lago aos fundos de sua casa. Isca artificial, molinete desconhecido e lá fui pescar o almoço mas nem arremessar eu conseguia. Comecei a considerar seriamente um Bob's para o almoço até que um aroma bem conhecido começou a invadir Huntley.......FEIJOADA ! Não, devo estar sonhando, depois de séculos (parecem milênios), comendo feijão adocicado dos mexicanos uma feijoada. Só faltava uma caipirinha legítima......faltava, não falta mais. O Mark, conhecedor das coisas, preparou uma caipirinha com cachaça brasileira que não faria feio em nenhum boteco do nosso maltrado Rio de Janeiro. Não faltaram ao encontro o arroz, a couve, a farofa e a pimenta.
Depois disso vocês acham que eu teria inspiração para alguma coisa que não fosse uma boa soneca !
Acabei ficando aqui ontem e hoje, pelo andar da carruagem, também ficarei e saio amanhã bem cedo para evitar o transito de Chicago.
Ontem fomos até a HD de Woodstock, a 2a. maior do USA e de lá um rolezinho até Lake Geneva, onde recebemos os tickets, comandado pela Maggie com sua De Luxe pilotada com garbo e competência.
Quando conversávamos sobre viagens e distancias ela me disse que tinha ido a New York sózinha com a moto.
Quantos dias, perguntei: "Um dia, sai às 5 h e cheguei às 23 h" ................São 1.000 MILHAS !
Sim essa mulher vai com sua moto ao Brasil.
















terça-feira, 12 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 10

PASSEIO BÁSICO EM INDIANÁPOLIS.

Indianápolis (IN) - 12 junho 2018



Fiquei mais um dia em Indianápolis para resolver o problema das roupas que precisavam ser lavadas. Um hotel sem máquina de lavar e outro com as máquinas quebradas levaram-me a ponto de romper o precário equilíbrio ecológico do planeta. Ou lavo essa roupa ou compro um enxoval completo, e isso no dia dos namorados. O que iriam pensar os gringos me vendo comprar calças camisas e cuecas masculinas no dia de hoje ! Naturalmente iriam perguntar se era para presente.... Sem chance, a essas alturas do campeonato não dá para facilitar. Perguntei a senhorinha na recepção do hotel onde encontraria uma "laundry", ela falou para eu deixar a roupa que ela mesmo lavaria.

Pronto, ganhei o dia, agora era descobrir onde fica o IMS (Indianapolis Motor Speedway) e conhecer o local da vitória de Emerson (sempre abrindo caminhos, assim como Landi) nas 500 milhas mais famosas do mundo.
GPS programado e lá fui eu, reduzindo as 15 milhas de distancia na mesma proporção que aumentava a ansiedade pelo encontro com o solo sagrada da Indy. Palco de vitorias heroicas de meu primeiro ídolo no automobilismo: Bill Vukovich. Eu, sempre com a mania de ler tudo que via pela frente, em 1953, aos 12 anos de idade, tomei conhecimento dessa vitória e como ela se deu. Pronto, o cara virou meu ídolo e o automobilismo, que já estava na veia, ocupou um espaço semelhante ao futebol. Como no Brasil o automobilismo era incipiente e muito amadorístico, passei a acompanhar corridas internacionais como podia: jornais e revistas velhas. Nomes como De Portago, Fangio (que vi correr na Quinta da Boa Vista), Caracciola (que era alemão apesar do nome), Moss, Pintacuda, Nuvolari e outros, muitos outros, povoavam minha imaginação. As informações sobre a Indy só chegavam por ocasião das 500 milhas e no ano seguinte, 1954, Bill Vukovich ganhou novamente e se tornou, na minha então abalizada opinião, o maior piloto de todos os tempos. Como eu dizia, a ansiedade ia crescendo à medida que eu me aproximava e devo dizer, a visão do complexo de Indianapolis Motor Speedway e de impressionar até mesmo aos americanos, que dirá um simples Gato Cansado. Tudo muito bem organizado a começar pelas avenidas no entorno, permitindo um acesso rápido ao interior do oval através de uma passagem sob a pista. A visão do prédio que abriga o Hall of Fame e o Museum já nos deixa com os batimentos cardíacos nas alturas. A decoração e o paisagismo bem de acordo com o ambiente, esculturas em concreto de carros que marcaram época, um deles o Coyote da lenda A. J. Foyt.
Mas não adiantava ficar olhando, o negócio era entrar, atravessar as lojinhas que vendem lembranças sem olhar para os lados e ir direto ao Museum (10 doletas). Carros vencedores das mais diversas épocas, entre eles o de 1911. Uma verdadeira relíquia.
Uma particularidade que não me passou desapercebida foi a ênfase que é dada aos carros e construtores, os pilotos ficando em segundo ou terceiro plano. A única exceção era a família Unser que tinha até mesmo uma ala só deles, afinal são os maiores vencedores das 500 milhas e, acredito, um dos maiores mecenas do museu. Sim, mecenas pois não há dinheiro público, os carros são doados e muitos são restaurados a partir de restos encontrados após longas peregrinações da equipe do museu e com contribuições espontâneas e leilões beneficentes de peças de arte doadas. Difícil para nós acreditarmos no poder de engajamento do cidadão americano.
No momento estão restaurando a Lotus com que Jim Clark correu em Indianapolis pela primeira vez revolucionando a Indy em definitivo com um carro levíssimo e motor traseiro. Os americanos enlouqueceram quando viram o carro com sua aparente simplicidade projetado pelo genial Colin Chapman.
"Se você quer velocidade nas retas aumente a potência, se você quer velocidade no circuito inteiro reduza o peso" dizia Chapman. E ele levou este conceito às últimas consequências angariando, para a Lotus, a fama de carro frágil e perigoso para os pilotos.
Bem, mas vou parar por aqui e deixar vocês verem as fotos em paz. São tantas as histórias sobre automobilismo que ficaria horas falando sobre elas.
A propósito, encontrei o carro do Bill Vukovich e "descobri" que ele morreu nas 500 milhas de 1955 num acidente que envolveu vários carros quando liderava a prova, o que o tornaria tricampeão. Interessante, só fui saber desse acidente agora ao fazer uma rápida revisão nas datas. Acredito que apaguei isso da minha memória em 1955, eu não aceitei a morte de meu ídolo aos 12 anos para, aos 76, em um post para os amigos, homenagear o piloto que continuará sendo um eterno ídolo.
Obrigado e abração a todos.