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domingo, 21 de dezembro de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 8

MILLION DOLLAR HIGHWAY
Durango(CO) – Grand Junction (CO)  27 junho 2014

Após uma noite mal dormida a ansiedade causada por um novo desafio me tira da cama mais cedo do que de costume. Levanto-me e, após um banho demorado para ajudar no despertar, começo a me preparar cuidadosamente: segunda pele, jaqueta de couro, chaparreira, meia elástica para ajudar na circulação, água, banana, cachecol, luvas fechadas (que odeio), Helô abastecida e lá fomos nós. Hoje é o dia de conhecer e duelar com uma das 15 melhores rotas de motocicleta dos Estados Unidos, a Route 550, mais conhecida como “Million Dollar Highway”.

A história começou 2 ou 3 dias atrás quando, trocando idéias sobre viagens de moto, o Carlos Schaeffer enviou-me o link de uma reportagem onde a AMA (American Motorcycle Association), a partir de uma pesquisa com mais de 250.000 motociclistas, elencou as 15 melhores rotas para motocicletas nos USA: 

http://toprider.org/as-15-melhores-rotas-para-moto-dos-estados-unidos

Mais que depressa fui conferir e vi que uma delas, a chamada "Million Dollar Highway", estava  pertinho de mim, logo ali ao lado de Dodge City, mais precisamente ligando Durango a Ouray num percurso de 70 milhas. Confesso que nunca tinha ouvido falar dessa rota e fui averiguar no "GUGOL". Na realidade a estrada é a US Route 550 e a origem desse nome tem diversas versões, uma delas é pelo fato de ligar duas cidades, Ouray e Silverston, com mina de ouro uma e de prata a outra.  Portanto, minha opção por Durango, pouco teve a ver com saúde financeira e muito mais pela curiosidade de comprovar se a "Million Dollar Highway" merecia estar numa lista como essa. A resposta é: merece.... e com louvor !
Meus amigos, foi uma experiência e tanto.  São cerca de 110 Km atravessando 2 "pass" a mais de 3.000 metros de altitude, com pista única de mão dupla, pouquíssimos locais para acostamento, curvas em cotovelo e SEM guard-rails ! 

As primeiras 25 milhas, apesar de um visual lindo, não tinha nada que estimulasse a adrenalina mas a partir do momento em que a brincadeira começou ..... haja coração, concentração e juízo.



O trecho de Durango a Silverton já é um verdadeiro espetáculo, atravessando a San Juan National Forest serpenteando pelas laterais das montanhas San Juan. À medida que subíamos a temperatura caia uma barbaridade. Em alguns trechos chegamos aos 3.500 m de altitude e os três cateterismos não davam sinal de querer me sacanear. O cimo das montanhas ainda com sinais de neve, a estrada sinuosa, bem sinalizada porém com poucos guard-rails era um convite irrecusável para um bailado ajuizado com a parceira de tantas aventuras. Um verdadeiro "pas de deux" (seja lá o que signifique). 
Sempre que eu encontrava algum recuo, por mínimo que fosse, parava e fazia as fotos (vocês não me perdoariam se não as fizesse). 








Nas fotos a seguir a pequena cidade de Silverton, que delimita o primeiro trecho da "Million Dollar". Nos idos do século 19 Silverton tinha na exploração de minas de prata a base de sua economia. Com a exaustão das minas veio a decadência mas logo descobriram o substituto para a prata: o turismo. Hoje, todas as pequenas cidades daquela região são procuradas por turistas do mundo inteiro, tanto no inverno quanto no verão. As cidades, embora pequenas, ainda guardam traços da época áurea da extração de prata e de ouro na forma de prédios cuidadosamente preservados.











Saindo de Silverton pegamos o trecho conhecido como "San Juan Skyway" e é o mais difícil tal a quantidade de curvas fechadas, em subida e em descidas, o constante perigo de pedras caindo na pista, a cronica falta de guard-rails e o transito intenso em feriados e finais de semana.
A primeira foto mostra uma proteção de concreto formando uma espécie de tunel para os veículos como se fora a continuação da montanha pois naquele trecho as pedras não param de cair. Acho que com a não colocação de guard-rails ao longo da estrada os gringos conseguiram evitar o excesso de velocidade pois se o cara errar ele sai da estrada e provavelmente da vida.









A pilotagem tem que ser muito cuidadosa e o uso do "freio motor" é fundamental. As curvas são tão acentuadas que mesmo em 2a. marcha, com você fechando todo o acelerador, a moto às vezes está em uma velocidade acima da ideal para aquela curva. Nesses casos, jamais reduza para a 1a. marcha pois o risco dela não entrar vai deixá-lo no pior dos mundos: em neutro, com velocidade, sem tração e numa curva. Nesses casos o ideal é manter a moto em 2ª. marcha e usar a técnica da polícia americana para manobras em baixa velocidade. Lembre-se de que nas baixas velocidades (abaixo de 25 milhas) é perfeitamente possível usar a técnica em 2a. marcha. Era o que eu fazia e praticamente não usei os freios.  Mas isso é coisa de velho coxinha que se cuida para não dar trabalho ao "Resgate". E foi assim, com muito juizo e sem presepadas que cheguei à linda cidade de Ouray.









Após a parada em Ouray segui em frente pois os poucos hotéis com vagas eram caríssimos. Tentei em Montrose, mais à frente, e foi a mesma coisa. Acabei reservando em Grand Junction a 100 milhas de Ouray. Tudo bem,  o hotel está dentro do meu orçamento e tem um Curral d’Ouro (Golden Corral) ao lado, onde geralmente como bem e barato. O negócio é seguir em frente e aguardar o que o destino nos reserva. Em não sendo casamento o resto eu encaro !   E foi assim que resolvi almoçar em Delta, uma pequena cidade a 30 milhas de meu destino. Aproveitei umas dicas de meu amigo Neto, descobri um restaurante italiano perto e coloquei-o como novo destino, acontece que o GPS está um tanto desatualizado, entrei na rua que ele indicou mas vejo lá na frente carros estacionados. Tinham fechado a rua, já ia voltar quando vejo aquele monte de traseiras lindas, irresistíveis mesmo (tipo Sabrina Sato). 










Pronto, hoje eu não almoço mas vou me entupir de ferro-velho. Coisa de louco.
Fiquei tão empolgado que permaneci por mais um dia em Grand Junction, para curtir com mais calma os  calhambeques, e em especial para amadurecer a idéia de conhecer as restantes "melhores rotas para motos dos USA", visto que até agora só tinha cruzado duas: a "Million Dollar" e o "Tail of the Dragon". Verdade que faltavam 13, meu número da sorte, mas isso não me assustava. Não naquele momento. 
Analisei mapas, possibilidades, eventos, conta bancária (quase que infarto, acho que vou entrar em "default") mas achei que ir até a California passando por Las Vegas para recuperar o prejuízo na roleta seria uma ótima pedida. Em primeiro lugar fecharia mais um "coast to coast" e seria um ponto de partida para montar o roteiro que passaria pelas outras 13 "melhores rotas". Um plano perfeito.

Fui dormir com isso decidido em caráter irrevogável. Mas a noite é o momento em que temores e neuras vêem a tona e após uma titânica luta interior confesso que amarelei. Pensei nos cateterismos, na arritmia que vez por outra fazia disparar a "bomba", na distancia de casa, na insensatez da ideia e fiz como aquele político famoso: revoguei o irrevogável. Fiquei meio envergonhado com isso mas acabei dormindo. 



MAIS UM ESTADO NO LIVRO DE BORDO DA HELÔ: UTAH.

Grand Junction (CO) - Beaver (UT) - 29 junho 2014

Acordei hoje cedo e quando vi o dia ao abrir as cortinas não tive dúvidas, “desrrevoguei” o irrevogável, que irrevogável voltou a ser, arrumei as tralhas na Helô e parti com destino a Beaver (+ ou - 300 milhas). O plano é recuperar as forças e amanhã (ou depois) quebrar a banca do primeiro cassino que encontrar. Fora os ovos.

I LEFT MY SANDALS IN COLORADO !

Até chegar à divisa do Colorado com Utah a estrada corta uma região descampada com grandes planíces mas o traçado, a velocidade máxima (75 milhas + um outlaw de 5 = 80 milhas) e a temperatura baixa tornavam o ato de pilotar quase tão bom quanto........ (é isso mesmo que vocês estão pensando). Uma delícia. 
Ao chegar à divisa do Colorado com Utah, fiz uma parada para uma foto de despedida quando vejo, arrumados e com as pontas voltadas para o Colorado, pares de sapato como se fora uma oferenda aos deuses da estrada. Com essas coisas não brinco e cumpri o ritual deixando um par de havaianas com as cores do Brasil. Ano que vem passo por lá e pego de volta.  



Colorado é um estado que proporciona diversão e lazer para todo o tipo de viajante, do mochileiro ao mais sofisticado frequentador de Saint Moritz e assemelhados. Porém ele se mostra e se desdobra para os malucos que adoram viajar tomando vento, poeira, diesel e chuva na cara, que não fazem questão de hotéis estrelados, basta uma cama limpa e um banheiro decente. Que chegam sozinhos ou em bando, com suas máquinas barulhentas, roupas estranhas e cumprimentos ininteligíveis mas sempre com os olhos no horizonte buscando o próximo destino. Ainda que esse destino exija a travessia de um deserto.  
Antes de mais nada uma explicação sobre minha fixação por desertos.  Na minha adolescência, descobri um autor que toda candidata a miss diz conhecer: Antoine de Saint-Exupery. Naturalmente que o primeiro livro lido foi "O pequeno principe" mas a partir do momento em que descobri que ele, como piloto, esteve no Brasil várias vezes. Que Jean Mermoz, um de seus amigos pilotos citado em vários de seus livros, tem um busto em sua homenagem no Campo dos Afonsos. Que ele próprio, Exupéry, foi piloto de caça na II Grande Guerra voando na RAF e no final da guerra, em 1945, desapareceu sobre o Atlantico pilotando um Lightning P-38, um dos mais incríveis aviões construídos, conhecido como "O demônio de duas caudas" pelos alemães e "A morte sibilante", pelos japoneses. 





Tudo isso, piloto frustrado que sou, levou-me a devorar os livros dele, tais como: "Piloto de Guerra", "Correio Sul", "Vôo Noturno", "Um sentido para a vida", etc...  O deserto era pano de fundo para a maioria deles e ele o descrevia tão magicamente que eu queria vê-lo de perto, sozinho, conhecer o peso da solidão e a sensação de distanciamento. Por isso hoje, quando viajo sozinho, estou, de alguma forma, pilotando meu avião (a Helô) e cruzando meus desertos. Porém, quando aparece um deserto real, no verão, com temperaturas próxima dos 50 graus, com você totalmente exposto, o risco de uma desidratação é enorme. Por isso passei a noite de ontem preocupado com o que viria a enfrentar. Eu tenho um colar e um colete para hidratação que ficam no fundo do bagageiro da Helô e jamais foram usados. 




Quando sai hoje pela manhã lembrei deles e planejei usa-los se as coisas complicassem. E complicaram muito. Logo que atravessei a divisa do Colorado com Utah a temperatura começou a subir, o ar ficou mais pesado, minhas costas pegando fogo, transpirando muito e os batimentos mais rápidos. 

Parei a moto no primeiro posto que encontrei. Peguei o colar e o colete e entrei na loja de conveniências. Pedi à caixa um pouco de gelo, coloquei numa sacola plástica e fui para o banheiro. Coloquei o colete numa das pias e enchia-a de água. O colar eu coloquei dentro de um saco plástico com gelo e água. 

Cada um que entrava no banheiro achava que eu estava louco (eu também achei quando me vi no espelho descabelado,  sem camisa e de óculos escuro).  Depois de uns 10 minutos, tirei o excesso de água do colete (sacudindo-o) e vesti-o. 
Levei o saco plástico com água, gelo e o colar pela mão (faço idéia o que neguinho imaginou vendo-me sair do banheiro com aquele saco cheio de água, gelo e o colar boiando dentro). Quando cheguei na moto coloquei o colar em volta do pescoço e vesti uma jaqueta para verão toda furadinha. Meus amigos, a diferença é absurda.  O colete é feito de um material que retém a água e vai evaporando-a aos poucos. Ao mesmo tempo, o vento passando pelos furos da jaqueta soprando na evaporação, mantém seu corpo hidratado e com uma temperatura adequada.


 O colar mantém sua nuca sempre fresca o que também contribui para o conforto. Tudo isso vai refletir, positivamente, na pilotagem.
Uma das coisas que eu mais gostei foi de, com as mãos nas manetes da moto, levantar os cotovelos. O ar que passa por debaixo dos braços mantém a suvaqueira geladinha, geladinha.

Eu já conhecia o sul de Utah (belíssimo) e achava que a região por onde iria passar não apresentaria nada de interessante. Enganei-me totalmente, como sempre. Depois que entramos em Utah e chegamos à região da Fishlake National Forest, uma sucessão de cenários nos atropela: cadeias  de montanhas, canyons, rochas com estranhos desenhos feitos pelo vento, estrada atravessando gargantas escavadas na rocha, tudo parecendo um cenário montado em homenagem a um velho motoqueiro. 













Como valeu a pena. O melhor foi chegar em Beaver, parar num Days-Inn e a recepcionista me dar o preço: 76 obamas mais o tal de "plâstaquis". Olhei para o outro lado da rua e ví um tal de Country-Inn, com 3 motos estacionadas. Cheguei mais perto e li  "Affordable Rates - Senior Rates". Ah, é aqui mesmo que vou dar uma “affordablada”, pensei. Resumo: 44 obamas  + aquela goiaba (plâstaquis) e um quarto bem maneiro: ar, frezer, microwave, tv plasma, cama de casal (nunca se sabe, né. Vai que caia uma de para-quedas. E venha com o manual do usuário, lógico).



TRES ESTADOS EM UM DIA: Utah, Arizona, Nevada
Beaver (UT) - Las Vegas (NV)  - 30 junho 2014

Hoje foram 220 milhas mas debaixo de uma fornalha incrível. Se não tivesse usado os apetrechos para hidratação acho que teria parado no meio da jornada. Foi fogo, literalmente. Eu já estava em Utah próximo à divisa com o Arizona. Por outro lado, peguei apenas uma ponta do Arizona a caminho de Las Vegas em Nevada. Parece muita coisa mas a distancia não é tão grande, cerca de 220 milhas. Impressionante como a topografia muda logo que entramos no Arizona. Não que Utah não seja também pródiga em belezas naturais, muito pelo contrário mas a região de Utah em que eu vinha era basicamente um deserto. Logo ao entrar no Arizona você encontra uma região de rochas imensas formando verdadeiras muralhas e a estrada, muito sábiamente, aproveita-se das brechas entre elas e assim atravessamos aquelas enormes paredes que parecem nos olhar incomodadas com esses loucos barulhentos que vem perturbar seu sono milenar. 

Prometi que não iria parar para tirar fotos mas passando pelo Arizona isso é impossível. 








Na parada em Mesquite, a 40 milhas de Las Vegas, encontrei um grupo excursionando pela Eagle Rider, franceses e noruegueses, e, diferentemente do que acontece com alguns brasileiros, mal parei a moto no posto, os caras vieram falar comigo, perguntars sobre a seleção brasileira, me deram água mineral (eles tinham carro de apoio e Mustangs conversíveis) quando souberam que eu iria para Vegas me convidaram para ir junto mas declinei. Na hora das despedidas tiramos fotos juntos e trocamos e-mails para um dia, quem sabe, nos encontrarmos no Brasil

ADIVINHEM ONDE ESTOU.......
Acabei de chegar ao hotel e logo na entrada quase atropelo um bando de malucos: um casal de noivos, um casal que mais tarde vim a saber que foi
padrinho da goiaba e que foi "laçado" na rua na hora (o cara de bermuda e bebum sem entender nada) e um louco com cabelo cheio de laquê, topete e costeletas enormes, além de um óculos prateado e vestido de Elvis Presley. A porra era um casamento.
VIVA LAS VEGAS !


Amanhã continuo por aqui aproveitando as tarifas mais baixas (30 obamas + "plâstaqui"). Afinal preciso de calma e conexão de alta velocidade para programar meu destino. Agora tenho um compromisso seríssimo: vou recuperar o prejuizo no cassino.


Se amanhã vocês lerem a notícia "Milionário brasileiro compra 5 milhões de dólares de gasolina premium, casa com uma jornalista holandesa e contrata 10 enfermeiras suecas", podem ter certeza de que tio Hélio quebrou a banca. 
Mas se vocês lerem a notícia "ARGENTINO, em uma moto da polícia, sequestra o busto do Lula em Washington e para devolver exige uma passagem de volta para Buenos Aires (disse que para o Rio também serve)" é sinal que tio Hélio perdeu, além das calças, até a herança das netas


Como perdi apenas 5 dólares no caça-niqueis, tirei o dia de hoje (1 julho 2014) para visitar o Shelby Center Heritage e ficar admirando um dos carros mais lindos que já foram (e continuam sendo em forma de réplica) fabricados. Quem é do ramo sabe que o patamar é outros quando se invoce o nome de Carroll Shelby e seus Cobra 427.









MAIS UM "COAST TO COAST"
Las Vegas (NV) - Victorville (CA) - 2 julho 2014

Hoje foi muito bom, apesar da distancia não ser lá essas coisas (204 milhas) mas havia a travesia dos desertos de Nevada e Mojave. O de Mojave nem tanto mas a área de Nevada é absurdamente quente. Ontem fez 43 gráus à sombra em Las Vegas e na véspera chegou a 47 gráus !  Por tudo isso planejei sair o mais cedo possível, no máximo às 7 h. Consegui sair às 6.30 h mas já não dava para botar a jaqueta de couro devido ao calor.

Fui com a aquele casaco de verão todo furadinho levando o colete e o colar de hidratação dentro de sacos plásticos com água e gelo para qualquer eventualidade mas só lá pelas 10 horas é que fiz uso deles. 
A idéia era ir diréto, dar uma passada em Newberry Springs para uma visita ao Bagdad Cafe e de lá tocar para Victorville. Acontece, que um pouco antes de chegar à tal de Rest Area já na California, ví ao longe aqueles 3 pontos luminosos (fazia um sol incrível) que no ano passado me deixou intrigado. Mas agora eu sabia do que se tratava, o Ivanpah Solar Project, uma usina termo-solar que utiliza milhares de espelhos refletindo os raios solares em 3 torres que, em função do calor gerado, transforma um líquido semelhante à agua em vapor movimentando turbinas que geram energia elétrica. Os espelhos movimentam-se acompanhando o movimento do sol. 









A 1a. torre foi conectada à rede de distribuição em setembro de 2013 em fase de teste e todo o complexo estará totalmente operacional no fim de 2014. Claro que eu entrei numa estradinha para ver de perto aquela geringonça toda. Valeu a pena, como sempre vale quando você segue a intuição.

Sai dali, e fiz uma parada na Rest Area, aproveitei para colocar o colete e o colar de hidratação, a diferença foi enorme. Segui em direção a Newsberry Springs, o GPS comandando todas as "quebradas", passando por áreas que não se vê viva alma. Já comecei a decorar o caminho e não me espanto mais com a sensaçãode estar perdido no meio do nada mas finalmente surge o tão aguardado Bagdad Cafe.







Na realidade a locação do filme não foi ali mas isso pouco importa para turistas e velhos motoqueiros que estão mais é a fim de curtir. Na hora em que encostei a moto só havia um Moto-home saindo mas eis que chega um onibus de turismo cheio de turistas franceses. Saiu todo mundo de máquina na mão fotografando QUEM ?   Isso, por incrível que pareça o locutor que vos fala. E assim, meio de longe, com medo daquele velho motoqueiro com cara de louco. Foi a minha deixa, cara de desdém, tirando a luva com gestos bem lentos e displicentes (se tivesse um cigarro, ou quem sabe um baseado  ?  Acende-lo-ia na hora). O fato é que tirei uma onda, até que chegou um deles se aproximou e perguntou mais ou menos isso: "-What are You doing  ?" e eu respondi na bucha a única frase que sei em francês: " I'm doing cherchez la femme". Pronto, cairam na risada, minha moral foi para o cacete e uma loura pediu para sentar na Helô. Como o banco estava tão quente que dava para assar um sapo, ou uma perereca, cavalheirescamente peguei um pano e forrei o banco (o pano que eu limpo as mãos quando faço algum reparo na Helô).





 A chegada ao Bagdad é sempre uma alegria, afinal depois da poeirada e do calor terrível uma limonada geladíssima é um presente dos céus. É bem verdade que o garçon, bêbado como uma gambá, pega as pedras de gelo com uma das mãos e atira-as no seu copo enquanto com a outra segura o cigarro. A caixa, uma senhora também fumando, discute com um gordo com cara de mexicano, visivelmente "calibrado". Resumindo, uma zona total. A sujeira de fazer inveja a qualquer "pé-sujo" da Saúde. Confiram: a limonada fica na jarra de plástico encardida em cima do balcão que, por sua vez, acumula pratos e bandejas sujos até que alguém se disponha a tira-los. 




Mas os turistas adoram isso, desconfio que nem banho os garçons tomam para criar um clima mais, como direi....."noir".

No meio de tudo isso, sento-me ao piano, começo a dedilhar o Hino do Glorioso e paro, é quando ouço alguém sussurando: "Play it again seu velho louco!". Sim, era ele Nilton Santos, a Enciclopédia.



Caramba, já estou misturando Bagdad Cafe, Casablanca e o Fogão. Melhor tomar 2 Rivotril hoje !!!!!!!


RESUMO DO "COAST TO COAST" 
California (Victorville) 2 julho 2014



Entre essas duas fotos transcorreram 33 dias e foram rodados 4.826 milhas.

Eu e a Helô passamos por 15 estados (Florida, Georgia, South Carolina, North Carolina, Virginia, Tennessee, Kentucky, Illinois, Missouri, Kansas, Colorado, Utah, Arizona, Nevada, California).

Dentre as inúmeras belas estradas por que passamos 4 devem ser destacadas:
- Blue Ridge Pwky
- The Snake
- Tail of the Dragon
- Million Dollar Hwy

A se destacar ainda os desertos de Nevada e de Mojave, além dos 5 dólares que perdi no caça-niqueis do cassino.

Imprevistos praticamente nenhum, apenas o problema com o tensionador da corrente de distribuição da Helô, ocorrido por falta de manutenção já que ele estava com uma quilometragem que a HD recomendava troca-lo. Com isso perdi, além de um monte de dólares, 3 dias em Bristol (VA) aguardando o conserto.

O saldo tem sido altamente positivo, apesar das saudades e alguns problemas de comunicação pois às vezes falta-me tempo para responder ou dar uma atenção maior a alguns de vocês que me escrevem. Sair numa viagem dessa forma, sem planejamento prévio e sem apoio de uma empresa de turismo, obriga-nos a, diariamente, consultar a meteorologia, definir o destino do dia, verificar disponibilidade de hotéis, reservar hotel, verificar o melhor caminho no Google Maps, lavar roupa, telefonar para operadora de cartões que bloqueiam cartões de 2 em 2 dias. Eles não conseguem entender como eu uso o cartão em cidades e estados diferentes no mesmo dia ! Além disso, baixar fotos e postar alguma coisa no FB. A rotina é mais ou menos essa mas não me queixo, muito pelo contrário, agradeço a cada momento a oportunidade que estou tendo e mais ainda, a todos voces que tem a coragem de acompanhar as loucuras e infantilidades que posto aqui.

Vamos em frente que tenho que fazer o caminho de volta com muito mais emoção e completando o serviço, ou seja:  percorrendo TODAS as 15 "melhores rotas para motocicletas" da Terra de Marlboro.  

SEI NÃO MAS DESCONFIO QUE A MELHOR PARTE DA VIAGEM ESTÁ COMEÇANDO AGORA. 

Beijos e abraços a todos.
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