TOTAL DE VISUALIZAÇÕES

Mostrando postagens com marcador Pilotagem - Segurança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pilotagem - Segurança. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A dificuldade em aceitar novos conhecimentos

 
Por quê a resistência em admitir que existem aspectos de nossa pilotagem que podem ser melhorados e, em conseqüência,  abrir nossas mentes a novas técnicas e ensinamentos ?
Desconfio que essa mentalidade deve-se à nossa formação como motociclistas. De um modo geral (em cerca de 85 % dos casos),  o primeiro contato com as duas rodas foi a bicicleta da infancia que, na base de tentativa e erro e a custa de muitos arranhões, conseguimos conduzir. Depois disso, na maioridade, veio o automóvel, onde aprendemos o que é embreagem, cambio, freio e acelerador. Quando pela primeira vez nos deparamos com uma moto, misturamos os conhecimentos ciclísticos com o automobilístico, geralmente em uma moto de baixa cilindrada, que a quase tudo perdoa, e saímos por ai impressionados com nossa espantosa capacidade de adaptação, culminando com a aprovação na ridícula e insensata prova do DENATRAN.  A terrível consequência é que os novos motociclistas, antes de mais nada, não sabem utilizar os freios já que trazem as seguintes memórias que não se aplicam a motocicletas:

a) automóveis - utilizar o pé direito para acionar o freio   em caso de emergência.

b) bicicletas - evitar freio dianteiro da bicicleta em velocidade por medo de que ela capote.

Esses hábitos :  o medo de utilizar o freio dianteiro conjugado com a utilização do pé direito (que aciona o freio traseiro da moto) em situações de emergência ou em velocidades mais altas são responsáveis por grande parte dos acidentes de moto.

        Sustos, tombos, colisões, ferimentos e cicatrizes passam a fazer parte do cotidiano do motociclista e tudo, claro, por culpa dos outros: ou do pedestre, ou da estrada, ou dos pneus, ou dos motoristas, ou do tempo, ou da chuva, ou de qualquer outra coisa, jamais do próprio motociclista. À medida em que o tempo vai passando as cicatrizes de acidentes, consideradas verdadeiras condecorações, são orgulhosamente exibidas para os novatos.
A simples sugestão de algum tipo de curso ou treinamento é recebida com um sorriso de desdém e a famosa frase: “-Piloto motos há mais de 30 anos, tenho mais de 30 tombos e, além de não ter mais nada a aprender, estou muito velho para mudar a forma de pilotar”. Claro que os novatos são influenciados por esses veteranos, chamados de “mestres”,   tornando-se também refratários a qualquer tipo de ensinamento, adotando uma postura arrogante e auto-suficiente além de desenvolver uma incrível capacidade de atribuir a responsabilidade de seus erros a terceiros.
Não leve muito a sério os conselhos para subir na moto rodar, rodar e rodar que é assim que se aprende a pilotar uma motocicleta. Um dia desses vi alguém sugerir a um novato: ”-Você quer aprender a pilotar moto ? Compre uma 150 cc de segunda mão, uma boa roupa de couro e rode até o motor explodir”. A experiência, claro, tem o seu valor mas se você não souber o que está fazendo vai ficar repetindo erros e, o que é pior, criando vícios de pilotagem dificílimos de retirar.
O tamanho da moto é irrelevante. Fundamental é aprender de forma correta: conhecendo e praticando, sob orientação de alguém habilitado para tal, técnicas e procedimentos de pilotagem que serão utilizadas no transito e em estradas; em baixas, médias e altas velocidades.

Motocicletas tem o comportamento muito parecido com o de um avião. As forças que atuam na curva de uma moto são as mesmas que atuam na curva de um avião.  Por quê a aviação é considerada o meio mais seguro de transporte ? Porque os pilotos estão em treinamento constante, preparados para qualquer emergência através de prática em simuladores onde são testados em todas as situações possíveis e imaginárias. Por outro lado se for perguntado aos caros leitores quando foi a última vez em que, com suas motocicletas, foram para um local adequado e praticaram 15 minutos de freadas de emergência, desconfio que as respostas tenderão a zero.

Gato Cansado – junho de 2010
(atualizado em novembro 2013)


 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Pilotagem - Segurança

Parando a moto no transito - Vídeo

Grande moçada,

correndo o risco de estar cansando vocês com minhas preocupações com segurança tomo a liberdade de relatar uma mania que tenho que acho bem saudável: trata-se de parar a moto, especialmente em estradas onde o transito é mais rápido. Devido ao verdadeiro pavor que tenho de levar uma porrada por trás sem poder fazer nada, como se fosse "tiro ao pato", resolvi adotar um procedimento que poderia me tirar da situação do "pato". É o seguinte,  quando, por qualquer motivo, o transito pára, busco uma posição entre a lateral do carro que estava à minha frente e o acostamento à direita.. Mesmo parado fico olhando pelo retrovisor e com a primeira engatada. Uma ocasião, logo após uma curva na estrada que vai de Juiz de Fora a Viçosa, o transito estava parado e procedi da forma habitual, entre o carro e o acostamento, primeira engatada, pé direito no freio, mão na embreagem e, embora não estivesse olhando para o retrovisor na hora, ouvi um forte barulho de frenagem e imediatamente arranquei com a moto pelo acostamento. O carro vinha muito rápido, freiou forte, perdeu o controle e saiu rodando, parando sem bater em ninguém. Fiquei feliz em não ter acontecido nada e mais ainda por ter feito o procedimento sem pensar, no reflexo mesmo (ainda que seja altamente discutível falar em reflexo em um ancião de 70 anos, hehehehe).

Hoje, um colega postou este vídeo no FB que é altamente didático.
http://www.facebook.com/#!/photo.php?v=10151396876272507&set=vb.561952506&type=2&theater

Caso você não consiga vê-lo tente com este outro link: http://www.youtube.com/watch?v=FyG_fGpNgmU

Grande abraço,

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Segurança - REDUZINDO RISCOS


REDUZINDO RISCOS NA PILOTAGEM


Pilotar uma motocicleta é a melhor coisa da vida que pode ser feita em público.  Por outro lado, se você não conhecer a técnica correta para pilotar a sua máquina o que deveria ser um prazer, a qualquer momento pode se transformar em um sério problema. O pior de tudo é que pouquíssimas pessoas reconhecem a necessidade de buscar ajuda e quando o fazem, quase sempre procuram as pessoas erradas.  
No meu caso dei uma sorte muito grande. Resolvi comprar uma motocicleta, uma Vulcan Classic 800, 3 ou 4 anos trás. Comecei como a maioria, achando que sabendo dirigir automóvel e bicicleta estaria automaticamente graduado. Passei por inúmeros “sufocos” e descobri, após uma viagem a Minas sozinho, que não sabia nada sobre a matéria.
Busquei ajuda na Internet e baixei um livro que, embora sobre motos “speed”, me deu  algumas dicas fundamentais  e onde fui apresentado ao “contra-esterço”. Após 8 meses com a Vulcan comprei uma Harley Davidson Road King Classic. Trouxe-a para Cabo Frio e após uma semana resolvi vende-la: cheguei à conclusão que jamais a dominaria. Um amigo, ao saber do motivo da venda, apresentou-me ao Comandante Cyro França que se dispôs a ensinar-me a Técnica das Polícias Americana e Canadense. Começamos no mesmo dia e após 3 ou 4 aulas desisti definitivamente de vender a moto e pela primeira vez me senti completamente seguro.
Continuei tomando aulas e praticando manobras em baixa velocidade, depois na estrada fazendo curvas em velocidades mais altas até que, com menos de 8 meses, viajei para a California onde aluguei uma HD Ultra Classic e “fiz”  20 dias de “Route 66” cruzando os desertos de Mojave e Arizona, atravessando o “Death Valley”, perdendo uns dólares em Las Vegas, conhecendo o Zion National Park,  Gran Cannyon,  Bagdad Café, etc... Tudo isso sozinho, enfrentando chuva e frio em algumas ocasiões, transito pesado nas cidades em outras,  e sem nenhum contratempo.  Aproveitando ao final para fazer o curso do Jerry Paladino (Ride Like a Pro) em Los Angeles e constatar que as aulas do Comandante Cyro eram bem mais completas e didáticas.
Assim é que continuo aprendendo, treinando, fazendo cursos, lendo e colocando em prática os conhecimentos que venho adquirindo e, em especial, as aulas do Comandante Cyro com quem tive o prazer e o privilégio de formar uma parelha, com duas veteranas Gold Wing, e rodarmos pela Virginia, North Carolina, Tennessee, New York, Maryland, West Virginia, Ohio, Pennsylvania e Michigan, onde o ponto alto foi uma louca disparada pelo famoso “Tail of the Dragon” onde os limites de velocidade foram excedidos, confesso envergonhado.
Fruto de todo ensinamento que recebo e recebi, tentei colocar em forma de artigo informações que, espero sinceramente, ser de alguma utilidade. 

REDUÇÃO DOS NÍVEIS DE RISCO

Antes de mais nada temos que definir o que é risco e como medi-lo. Em se tratando de pilotagem de motocicletas, podemos dizer que risco é a possibilidade de nos envolver em um acidente devido a  um PROBLEMA surgido em nosso percurso. Problema este que pode ser óleo, areia,  lama ou interdição na pista; veículos quebrados/parados; curvas que requerem velocidades mais baixas; etc... Naturalmente que o piloto, de acordo com seu nível de competência e com a natureza do problema,  buscará uma SOLUÇÃO  que exigirá TEMPO e ESPAÇO para ser executada com sucesso.
Isto nos permite dizer que, entre o momento em que o PROBLEMA for identificado e a MOTOCICLETA  devem existir  TEMPO e ESPAÇO suficientes para o piloto executar a SOLUÇÃO (freiar, desviar, acelerar ou qualquer outra que julgar adequada).  
Portanto, para avaliarmos o Nível de Risco de nossa pilotagem devemos medir  os componentes TEMPO e ESPAÇO existente entre a motocicleta e a nossa capacidade de perceber o PROBLEMA.  O Nível de Risco aumenta na razão inversa da redução desses dois fatores. Quanto mais  reduzido for  o tempo e o espaço entre você e o problema maior será o Nível de Risco de sua pilotagem.
Vamos tentar exemplificar. Imagine que você esteja pilotando, dentro dos limites legais da estrada, em uma reta e nessa reta exista um veículo acidentado obstruindo a pista. Este problema requer que você encontre e ponha em prática uma solução. Seja qual for a solução encontrada você precisará de TEMPO e ESPAÇO para executar a manobra adequada. A diferença entre sucesso e desastre serão os metros e frações de segundo disponíveis para o procedimento.
A responsabilidade por criar este verdadeiro Espaço Vital é unicamente do motociclista, através de uma postura que deveria ser ensinada antes de qualquer outra coisa e onde três ações devem ser destacadas:  PERCEPÇÃO, DECISÃO e EXECUÇÃO.

PERCEPÇÃO:
Esta é a mais importante das ações. Quanto mais cedo você perceber um problema ou a simples possibilidade de sua ocorrência, mais tempo e espaço você terá para as duas outras ações: DECISÃO e EXECUÇÂO.
Não por acaso os bons pilotos olham 2 ou 3 segundos à frente,  antecipando o que será necessário fazer para alcançar  aquele ponto. Parece uma coisa difícil mas se você praticar torna-se automático.  O seu olhar deve funcionar  como a luz dos faróis de um carro:  não se fixam num objeto mas sim estão sempre à frente varrendo a estrada. Você deve utilizar igualmente, a  visão periférica com a qual perceberá os obstáculos mais próximos sem necessidade de desviar o foco que estará à frente.
Existem exercícios para aprimorar (na realidade aprender a utilizar) a visão periférica que ajudam muito. Por exemplo, sentado em uma mesa com vários objetos em volta e olhando, sem desviar o foco, um ponto fixo à frente mover as mãos e pegar os objetos sobre a mesa.
Olhar os veículos que estão bem à frente muitas vezes nos ajuda a perceber obstáculos que a vista ainda não alcança, seja através da luz de freio, algum solavanco, fumaça de pneus, ou mesmo um desvio brusco. Com o tempo, e exercitando sempre, adquirimos uma capacidade de percepção que irá nos livrar de muitos problemas. Animais nas margens da pista,  veículos no acostamento ou parados em cruzamentos e interseções devem ser considerados problemas em potencial.

DECISÃO:
Neste ponto, após ter PERCEBIDO o problema, considerando o espaço e o tempo disponível você DECIDIRÁ qual a solução a ser EXECUTADA. Lembre-se que a moto continua rodando comendo metros e frações de segundo que podem fazer toda a diferença, quanto mais rápido você der início à EXECUÇÂO do procedimento maior será a probabilidade de sucesso.
Dito assim parece difícil ou mesmo impossível de ser feito mas não é. Antes de mais nada você deve conhecer os fundamentos básicos de pilotagem (Frenagens, Contra-esterço, Olhar, Postura, Curvas em baixa velocidade, etc...) e, principalmente, que você tenha um programa de treinamento que simule situações imprevistas (falaremos disso mais tarde), você vai incorporando manobras e procedimentos de segurança que, pela repetição, seus músculos acabam por memorizar  se transformando em reflexos.
Uma ótima maneira de simular situações de risco em segurança é o chamado Treinamento Mental. Sentado em uma cadeira confortável em um local sossegado em sua casa, feche os olhos e imagine que está pilotando sua moto, procure imaginar o som do motor, os pneus girando no asfalto e de repente uma situação de risco, por exemplo um carro quebrado após uma lombada. Imagine uma solução e realize as manobras mentalmente. É um ótimo exercício pois nos leva e desenvolver soluções para as situações mais inusitadas em completa segurança. Mais tarde você coloca-as em prática em um local seguro onde você poderá verificar o espaço e o tempo requerido para sua conclusão, ajudando-o a conhecer ainda mais sua motocicleta.
Uma dica fundamental  é que após você decidir por um procedimento jamais desista dele. Leve-o até o fim.

EXECUÇÃO:
Já que o problema foi PERCEBIDO e uma solução foi DECIDIDA,  se ambas as ações foram realizadas em tempo hábil e você vinha pilotando mantendo um Nível de Risco adequado, ou seja: com TEMPO e ESPAÇO suficientes para as três etapas:  PERCEPÇÃO – DECISÃO  - EXECUÇÃO, esta é a etapa mais fácil, basta que você coloque em prática a sua habilidade como motociclista para contornar a situação com sucesso
Além da manobra propriamente dita, existem dois aspectos fundamentais que não podem ser negligenciados , especialmente neste momento : RESPIRAÇÃO e OLHAR.
RESPIRAÇÃO: Como todos que passamos por situações estressantes e recebem uma descarga de adrenalina, tendemos a contrair os músculos, trincar os dentes e bloquear a respiração. Isto é altamente prejudicial em todos os sentidos pois acaba prejudicando a oxigenação do cérebro afetando nossos reflexos. O que aprendi é que, em situações como essas, ao PERCEBER o problema, começo a inspirar pelo nariz e expirar pela boca, como um atleta. Isto funciona muito bem comigo evitando uma elevação dos batimentos cardíacos. Aliás, sempre que vou fazer uma manobra um pouco mais complicada passo a respirar como um atleta garantindo uma oxigenação adequada.
OLHAR: Uma verdade que aprendi é que a motocicleta vai para onde olhamos, é inevitável.  Se você olha para o acostamento ou para o carro que vem em sentido contrário, você é atraído para eles como se foram imãs.  Se você está numa curva e deixa de olhar para o ponto onde quer que a moto vá e olhar para a pista contrária, esteja certo de que você invadirá a pista contrária.  No presente caso, você identificou um PROBLEMA, DECIDIU o que fazer e está EXECUTANDO a manobra que o livrará do PROBLEMA. Não olhe para o  PROBLEMA mas sim para onde quer que a manobra leve a moto pois lá está a SOLUÇÃO !
Olhe para a SOLUÇÃO, jamais para o PROBLEMA !
Naturalmente que a capacidade de executar estas 3 etapas variam de motociclista para motociclista  cabendo a cada um de nós conhecer e  estabelecer  nossos próprios limites.  As diferenças podem se tornar perigosas quando se anda em grupos pois algumas vezes colocam motociclistas experientes “puxando” o “bonde” obrigando, eventualmente, outros motociclistas  a pilotarem acima de seus limites.
Um outro aspecto interessante é o Nível de Risco que a pessoa está disposta a assumir. Conheço motociclistas que fazem uma determinada curva a 140 Km/h, no limite. Sei que tenho habilidade e competência para faze-lo mas prefiro contorna-la a 110 Km/h, tenho como padrão andar entre 70% a 80% do meu limite deixando uma margem de segurança. Tem sido saudável.
Se eu pudesse dar uma sugestão para meus irmãos motociclistas diria o seguinte:  Faça da pilotagem de sua moto um prazer, andando da forma e na velocidade que você julgar a mais adequada. Não tema abandonar um comboio se você não está disposto a assumir um Nivel de Risco que não é o seu.


Referências Bibliográficas:

WWW.aviaomotoskill.com -  Com. Cyro França

Ride Like a Pro – Jerry Palladino

Maximum Control – Pat Hahn

Proficient Motorcycling – David L. Hough

A Twist of the Wrist II – Keith Code

Street Strategies – David L. Hough

Motorcycling Excellence – The Motorcycle Safety Foundation’s Guide

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Segurança - Mortes avançam sobre duas rodas


Grande Moçada,


O Globo de 13/04/2011 publicou uma reportagem intitulada “Mortes avançam sobre duas rodas”.

Os números realmente são assustadores mas, para variar, causas não são investigadas, soluções não são propostas e desculpas são a especialidade da casa. 
Li um artigo do Sandro Andriow na Moto.Sport de 14/01/2008 onde ele faz um resumo de três estudos desenvolvidos por Universidades brasileiras sobre acidentes com motocicletas. Quem quiser basta pesquisar no "gugol". 


A título de curiosidade algumas constatações:

1) 86 % dos acidentados com idades até 40 anos.

2) 68 % dos acidentados com idades entre 18 e 24 anos.

3) 85 % dos acidentes com motos até 125 cc.

4) 96 % dos acidentes com motos até 200 cc.

5) 24 % dos acidentados estavam alcoolizados.


Na minha opinião já existem leis suficientes, o desafio é cumpri-las. O grande problema é que pouquíssimos motociclistas receberam treinamento adequado para conduzir uma motocicleta em segurança.


1) A maior barbaridade começa com o exame do Denatran onde os candidatos devem conduzir a motocicleta em um circuito padrão, utilizando uma técnica absurda (em 2ª. Marcha e com o freio traseiro proibido) que torna IMPOSSÍVEL conclui-lo em uma moto de grande porte. A solução “genial” encontrada é utilizar uma 125 cc. Após a aprovação no exame o cidadão está autorizado a pilotar qualquer moto e qualificado a exercer a função de motociclista profissional. É mais ou menos como quem tira sua carteira de motorista em Fusquinha e já pode sair dirigindo taxi, ônibus interestadual com 50 passageiros ou mesmo um “treminhão” de 70 toneladas.

2) As moto-escolas não ensinam absolutamente nada pois a prioridade é preparar alunos para completar o circuito do Denatran, ainda que sub-utilizando os recursos da moto. Aspectos como a correta utilização dos freios, manobras em baixas velocidades e grandes inclinações, contra-esterço, importância do olhar e da respiração na pilotagem, regulagem da moto segundo o biotipo do piloto (banco, comandos, para-brisas, etc), vestuário, etc... são práticamente ignorados.

3) Por outro lado, os próprios motociclistas são, muitas vezes, avessos a novos ensinamentos, afinal são habilitados; pilotam há vários anos; inúmeras quedas e incontáveis cicatrizes, exibidos orgulhosamente, dificultam o reconhecimento de deficiências em fundamentos de sua pilotagem. Manter um programa de treinamento é algo impensável para a grande maioria. Assumir a responsabilidade por suas lambanças procurando descobrir onde errou para corrigir é algo não muito comum.


Não me conformo quando tomo conhecimento de acidentes com um dos nossos, é como se fosse com um dos meus filhos ou com meu irmão. Fico arrasado. De qualquer forma acho que podemos reduzir em muito esses números. Comecemos deixando a arrogância, as desculpas e os resmungos de lado fazendo uma auto-crítica de nossa pilotagem, principalmente das situações de risco já vivenciadas e como evita-las no futuro. É de grátis e pode salvar nossas vida.


Abração,

Hélio Rodrigues Silva 14/04/2011

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pilotagem - Frenagens de emergência

Frenagens de Emergência
(Motos sem ABS)


Esta é uma situação que deve receber a mais alta prioridade em termos de ensinamento e prática, aliás deve ser a primeira lição antes mesmo de se iniciarem os treinos práticos.
Muito mais difícil do que disparar com uma motocicleta é para-la utilizando o espaço disponível entre a moto e o obstáculo, principalmente quando esse obstáculo surge de surpresa.

Alguns pontos devem ficar bem claros:

1)    O freio mais eficiente e responsável por parar a moto é o freio dianteiro.
2)    A manete do freio dianteiro deve ser espremida com os 4 dedos da mão de forma constante e não na base golpes e socos SEMPRE com a moto sem inclinação e com a direção reta.
3)    Caso a roda dianteira bloqueie, alivie a pressão na manete e rápidamente volte a pressiona-la tantas vezes quantas se fizerem necessárias até a parada total da moto. Esse procedimento simula o efeito do ABS (Anti Block System) que evita o bloqueio da roda.
4)    O freio traseiro deve ser usada nas baixas velocidades que, em conjunto com o uso do acelerador e da embreagem, permite manobras em baixa velocidade sem perda do controle da moto.
5)    Caso o freio traseiro bloqueie a roda, mante-lo pressionado não permitindo que a roda traseira volte a girar, pois se isto acontecer  ela tentará se alinhar e a traseira da moto será jogada de um lado para outro catapultando o piloto da moto.
6)    Manter o olhar em seu objetivo (o ponto para onde você quer que a moto vá). Jamais desvie o olhar de seu objetivo pois a moto vai para onde você olha !

Como vimos, existem pontos que devem ser considerados quando uma frenagem de emergência se fizer necessária. Antes de mais nada tente mentalizar que acima de uma determinada velocidade (30 Km/h) o freio a ser utilizado é o dianteiro. Para isso, ao atingir esta velocidade fale com você mesmo: “-Freio da frente !”, “-Freio da frente !”, “-Freio da frente !”, até que, se possível,  fique registrado em seu subconsciente.
Habitue-se a andar com os dedos (todos) na manopla do acelerador, o uso de dois dedos na manete do freio só se justifica nas provas de motovelocidade quando, ao mesmo tempo em que freia, o piloto mantém o giro do motor nas alturas. Frear com dois dedos apenas, além da perda de eficiência no espremer a manete, pode causar esmagamento dos dedos que ficam entre a manopla do acelerador e a parte traseira da manete do freio.
Ao se deparar com um obstáculo imprevisto e tendo decidido pela frenagem, esprema a manete do freio dianteiro com firmeza, mantendo o olhar em frente. Caso a roda dianteira ameace bloquear (o pneu começa a “cantar”), alivie a pressão e rápidamente volte a pressionar a manete do freio dianteiro, repita se for necessário. 
Embora existam autores que recomendem a utilização do freio traseiro em conjunto com o dianteiro, inicialmente preferimos utilizar apenas o freio dianteiro em frenagens de emergência pois se a a roda traseira bloquear, o que tende a ocorrer quando pressionamos fortemente o freio dianteiro e o peso da moto se desloca para o eixo dianteiro reduzindo a aderência do pneu traseiro com o solo, a moto derrapará agravando o problema do piloto, que terá de manter o pedal pressionado sob pena de ser cuspido da moto caso alivie essa pressão (estamos falando de velocidades médias e altas).  Mais grave ainda será o bloqueio de ambas as rodas, pois o freio dianteiro terá que ser aliviado e o traseiro continuar pressionado, exigindo que comandos antagônicos sejam rápidamente executados por um piloto sob uma intensa pressão mental. Nestes casos é preferível, e muito mais seguro, adotar apenas o freio dianteiro. Somente após muito treino e alcançado o domínio total da técnica deve ser utilizado o freio traseiro em conjunto com o dianteiro em uma frenagem de emergência.

Antes de mais nada deve ser considerado que estamos falando de motos "Custom", pesadas, cujo habitat são as estradas asfaltadas. Também estamos falando de frenagens de emergência e não das frenagens normais onde são usados os dois freios, com uma pressão maior no mais eficiente, o dianteiro (a unica diferença é que freio com os 4 dedos sempre). Quando falo em usar apenas o freio dianteiro em frenagens de emergencia e só após ganhar experiencia utilizar os dois simultaneamente, é devido a grande possibilidade de travamento da roda traseira, com suas consequências, por pilotos inexperientes.  A utilização de um freio apenas, desde que seja o dianteiro, em frenagens de emergencia reduz em muito pouco a capacidade de frenagem da moto, haja visto que ao ser aplicado o freio dianteiro o peso da moto recai quase que totalmente na roda da frente, em alguns casos (dependendo da velocidade) a roda traseira mal toca o solo. 

A única vez em que travei a roda traseira, estava devagar (cêrca de 30 Km/h) a traseira teve uma leve derrapagem e só não cai porque a velocidade estava muito baixa e deu para colocar os pés no chão (como patins).  Dependendo da velocidade em que se esteja, o bloqueio da roda traseira leva a moto a uma derrapagem onde pilotos profissionais preferem manter o bloqueio para "cairem técnicamente" do que correr o risco de ser cuspido de uma moto corcoveando

Em relação à frenagens de emergencia, não estou sózinho quando sugiro que apenas pilotos experientes utilizem o freio traseiro neste tipo de frenagem: 

Em uma manobra de frenagem de pânico ou em velocidade de corrida, quase qualquer controle te ajudará mais do que um freio traseiro travado. Usar o botão do farol alto ou a alavanca do afogador te causaria menos prejuízo. Na frente é onde estão o peso e a força de parada – não atrás. “TWIST OF THE WRIST”  Keith Code.

Exercícios práticos de frenagens de emergência devem ser realizados em locais adequados e, se possível, sob supervisão/orientação de instrutor com experiência no tema.


O video abaixo mostra uma frenagem de emergencia com ambas as rodas bloqueadas de uma moto sem ABS e outra com ABS.

http://www.youtube.com/watch?v=MVSjoyE7nsk&feature=PlayList&p=4F5E8C386279CB0A&playnext_from=PL&playnext=1&index=9


Hélio Rodrigues Silva  11/06/2010