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quinta-feira, 7 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 4

CONQUISTANDO AS APPALACHIANS...

Columbia (SC) - Bristol (VA) - 7 junho 2018

Como os amigos sabem, hoje meu objetivo era fazer a inspeção annual da Helô para evitar problemas com a lei. Nada como não precisar de contar "história" para policial, ainda mais em Inglês. O negócio era sair cedo, botar o pé na Estrada, parar o mínimo possível e manter o foco na inspeção. Acordei bem cedo (umas 5:30), olhada na meteorologia, ver o estrago na conta bancária, pagamentos inadiáveis para alegria dos credores, bagagem arrumada na Helô, um café rapidinho na recepção (com aquelas rôscas açucaradas enjoativas. Mas como esta embutido no preço não há o que fazer, comi umas cinco). Era cedo mas o calor já começava a incomodar. Jaqueta de couro nem pensar. Sei que é um risco enorme pilotar de manga de camisa e com capacete aberto, já sofri um acidente assim trajado e sei as consequências. Por outro lado, se me visto de forma adequada, a qualidade da minha pilotagem vai cair muito em função do desgaste físico. Por isso, e não recomendo a ninguém, piloto o mais confortavelmente possível e compenso o risco aumentando minha margem de segurança. Por exemplo, aumento a distancia para o carro da frente, reduzo a velocidade em uns 10 a 15 % da que normalmente estaria utilizando, paradas com mais frequências, além de evitar manobras um pouco mais ousadas (olhar a mulher do próximo, nem pensar). Mas o fato é que começamos a subir o morro e o frio veio substituir aquele calorão infernal. Foi parar, colocar jaqueta, luvas e mandar para escanteio a tal margem coxinha. Meus amigos, o que nós tínhamos pela frente ! Simplesmente três National Forest se interligando e sobre as Montanhas Appalachians: Nantahala, Pisgah e Cherokee Forest. Uma pilotagem que deveria ser feita a caráter. E foi o que fizemos, uma Estrada de sonho, piso perfeito, com 3 (às vezes 4) pistas de rolamento, serpenteando por uma topografia de cartão postal. Meus amigos, foi inesquecível. Aquele friozinho gostoso que fica lutando com o sol para ver qual dos dois vai vencer a disputa. A Helô impecável, até mesmo uns estouros no escapamento quando fechava o punho para ajudar no freio motor. A sacana parecia adivinhar o toque suave da palma da mão indicando o lado do contra-esterço. E ela estava esfuziante, se entregava com tanta confiança ao seu velho motoqueiro que este, como que por encanto, conseguia acompanha-la mesmo nos passos mais ousados. Comecei a me movimentar e ajudar na inclinação quando tinhamos uma sequência de curvas em S. Fomos nos entrosando tanto que foi uma pena chegarmos à Virgínia. O encanto foi quebrado...
E foi assim, bailando e conversando que atravessamos o belo estado da Carolina do Norte e adentramos a cidade de Bristol.
Acontece que na realidade Bristol é uma cidade com metade no Tennesse e metade na Virginia. Torci para a HD estar na Virginia pois assim eu faria a inspeção. Em 2014 deixei um caminhão de dólares com eles quando a Helô teve um problema sério no comando de válvulas.
Por sorte era na Virginia mesmo. Foi muito simples, só colocar a moto na recepção, eles levaram-na para dentro e em meia hora ela já estava do lado de fora com o selo de inspeção. Paguei 12 dólares, peguei o document e me mandei para um hotelzinho bem razoável aqui em Bristol.
Estava revendo algumas fotos e vi uma que fiz no estacionamento do Welcome Center da Carolina do Norte. Deixei GPS, casaco, capacete, moto destrancada sem o menor problema. E não tem flanelinha ! E pensar que já fomos assim também....
Amanhã veremos o que reza o contrato.
Grande abraço a todos e boa noite....



















quarta-feira, 6 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 3

PARECIA QUE IA SER MONÓTONO...MAS A ESTRADA SEMPRE NOS SURPREENDE...

Ganeisville (FL) - Columbia (SC)

Planos são alterados geralmente durante à noite, afinal é o momento em que, relaxados, passamos em câmara lenta todas as peripécias do dia, os riscos envolvidos, os obstáculos superados e, principalmente, o que vem pela frente. Talvez seja o momento em que refreamos um pouco a criança voluntariosa e um tanto irresponsável que nos assalta de quando em vez. Talvez seja o tal de equilíbrio. Mas o fato é que decidi ir o mais rápido possível até a Virgínia, na primeira cidade da divisa (acho que é Bristol). Isso porque a Helô, apesar de estar com a licença em dia, precisa fazer uma vistoria para rodar sem problema e ela venceu em 31 de maio. Caso ocorra algum acidente eu certamente estarei complicado. Por isso decidi setar o GPS para o caminho mais curto e estou subindo na direção desejada por estradas com enormes retas e com velocidades mais altas. Paciência, pensei. Sem foto, sem relato mas buscando a legalização da Helô.
Sai cedo do hotel, sem mesmo tomar café (o indiano que toma conta do muquifo acorda tarde) e adiantei o expediente. Depois de 100 milhas de reta me deu um sono impossível de prosseguir. Parei em um posto onde haviaumas mesas para pique-nique debaixo de umas árvores e dei uma bela cochilada de uns 40 minutos. Lavei as fuças e bebi um enorme copo de um troço que eles juram ser café e o sono foi embora. Sol na moleira, Helô a 70 milhas, de vez em quando 80 para ultrapassar as enormes carretas que deixam uma turbulência que sacode até o Jack Daniel's dentro do babageiro.
Foi assim, andando quase sem parar que sai da Florida por Jacksonville, passei Bronswick, deixei Savanah para trás, cruzei a Georgia de sul a norte, entrei gloriosamente em South Carolina e parei no visitor center. Como a sinalização mandava "cars" para um lado e demais veículos para outro, fiquei estqacionado no meio de carretas e moto-homes. Mas value a pena. Tinha um Peterbilt negro como o bigode do Sarney que ofuscava os demais caminhões. Existe até uma história que há alguns anos, a Peterbilt resolveu modernizer o desenho de seus caminhões e lançou uma série experimental. Pra quê, meus amigos,os caminhoneiros e até mesmo donos de transportadoras ameaçaram boicotar a fábrica e eles tiveram que voltar atrá. Mas o danado é lindo mesmo, e de uma beleza opressora.
Sai dali pensando, consegui pelo menos umas fotinhas para o pessoal. E lá ia eu empertigado na Helô, como se fora um "cop" que ia pedir a mão de uma policial canadense quando vejo uma pequena placa na beira da Estrada, com uma entrada à direita. Não pude entrar pois vinha um caminhão um pouco atrás e preferi não correr o risco. 5 milhas à frente fiz o retorno, voltei e entrei na cidadezinha chamada Walterboro. No posto de gasoline pedi informações e as duas coroas não sabiam de nada. Mais à frente, uma pequena casa onde era o centro turístico e a senhorinha me deu todas as coordenadas e o mapa. Segui por mais umas 3 ou 4 milhas e lá estava: uma pista de pouso com algumas construções em volta denunciando que ali foi uma base militar. Aliás a maior base militar da América e onde os cadetes chegavam, de todas as partes, para fazer seu treinamento de combate. Dali, sairam os imortais Tuskegee Airmen para escrever uma das mais belas páginas da luta contra o racismo na história dos Estados Unidos da América. E lá, em frente à pista, sob a sombra das árvores e a presença da Old Glory está o TUSKEEGEE AIRMEN MEMORYAL, onde pudemos reverenciar esses guerreiros que, por uma grande coincidência, lutaram no mesmo teatro de Guerra que nossos heróis do 1o. Grupo de Aviação de Caça.
Com isso lá se foram duas horas mas valeu...













terça-feira, 5 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 2

KISSIMMEE - CEDAR KEY - GANEISVILLE

5 junho 2018

Pois bem moçada, hoje começamos a rodar para valer. Claro que tivemos um enorme atraso na saída, prevista para 9:00 h mas só foi acontecer às 11h. Como foi a primeira vez, após 2anos, que voltamos a arrumar a bagagem na Helô, óbviamente perdemos a mão. Ao longo da viagem iremos encontrando o nosso ritmo e ao final estaremos fazendo isto em menosde 10minutos como sempre foi. O pior de tudo foi o calor, estava simplesmente insuportável.
Após arrumar toda a tralha, a alegria da partida com a certeza de ter esquecido algo me leva a pilotar bem devagar e tentando rememorar o que foi esquecido e bingo ! Os carregadores do net-book e do celular. Por sorte estava perto e foi só uma retornada bem rápida.
Dali direto ao banco para desbloquear o novo cartão de débito e informar que estarei trocando dólares por gasolina em várias cidades num mesmo dia. O que para eles é uma coisa tão espantosa que tendem a bloquear meu cartão. Aconteceu algumas vezes.
Depois de todos esses arranjos, pegamos a Estrada quase às 13 horas. GPS setado para Cedar Key e lá fomos nós conhecer a costa oeste da Florida.
Como de hábito, estradas secundárias. Eu coloco o GPS para evitar pedágios e as grandes estradas. Como não tenho horários e nenhuma pressa, prefiro utilizar estradas menores e com mais "alma", fugindo de intermináveis e sonolentas retas, de caminhões e automóveis disparados rumo ao nada e de pessoas esbaforidas e tensas. As estradas secundárias tem curvas, passam por pequenos povoados, as pessoas são muito mais receptivas e alegres, o que facilita muito a comunicação. Nas pequenas cidades onde parei para hidratar e tirar água do joelho todas as pessoas com quem tive contato estavam de bem com a vida, alegres e sempre dispostas a trocar uma palavra simpática ou carinhosa. Assim foi com o motoqueiro que era a cara do Wolfmann. Ao parar em um sinal ela mandou eu parar ao lado e perguntou se eu era um "Cop" por causa da minha moto. Depois de darmos boas gargalhadas, paramos em mais uns 3 ou 4 sinais (estávamos atravessando uma cidadezinha) onde conseguimos saber os destinos de cada um. Ele desejou-me boa viagem e recomendou-me muito cuidado pois eu estava longe de casa. Bacana o Wolfmann.
Antes de entrar em Cedar Key, parei em um pequeno empório no cruzamento da estrada. Ele tinha um simpatico banco de pinho canadense e foi só pedir um basket de camarão empanado, pegar uma Heyneken geladíssima, sentar no banco e ficar filosofando enquanto saboreava aquela cerveja maravilhosa. Sei que estou realizando o sonho de muita gente porém o mais curioso é que nem eu mesmo jamais sonhei com isto. Era tão distante da minha realidade e tão improvável que nem me dava ao trabalho. Mas eis que de repente o cavalo passou encilhado e trotando na minha frente. Foi só pular em cima e o resto é história.
Bem, mas voltemos ao dia de hoje. Após o almoço à base de camarões, temos que sair da estrada principal e pegar 25 milhas até chegar a Cedar Key. A impressão é que estamos chegando a uma Key West menor, o mesmo sistema de pontes ligando as pequenas ilhotas, casas, marinas e hoteis acompanhando a mesma arquitetura das cidades costeiras do sul da Florida e preços salgados que me fizeram botar o pé na estrada e buscar um pouso aqui na bela cidade de Gainesville.
Amanhã talvez não seja tão sofrido, vou tentar sair o mais cedo possível por causa do calor. Uma das medidas adotadas foi colocar toda a bagagem concentrada em um só local. Hoje pela manhã foi uma loucura pois a bagagem estava toda espalhada pelo quarto do hotel.
Hoje, apesar de ser o primeiro dia, ter saído tarde e ainda estar fora de ritmo, fizemos cerca de 420 km.





















segunda-feira, 4 de junho de 2018

AMERICAS TOUR 2018 - 1

FINALMENTE SOLTANDO AS AMARRAS, AGORA A COISA VAI... só não sei para onde.

Kissimmee - 4 junho 2018

Meus amigos, após um belo descanso, que não foi tão descanso mas continuou sendo belo, finalmente me livro das amarras dos compromissos, da burocracia e das surprêsas de ultimo hora e me preparo para colocar a Helô na estrada.
Como vocês sabem, cheguei no sábado dia 27 após um voo que recomendo; sai às 12 horas e chega as 21.30 h direto a Orlando. É o tempo de ver 3 filmes e comer a gororoba que nos empurram. Mas foi ótimo, 2 poltronas vagas a meu lado era tudo que eu queria. Chegando no Aeroporto, vazio e tudo muito rápido, parti para alugar um carro. Nessas horas temos de usar bom senso. Vim aqui para andar de moto, para que alugar um carrão né, seria pura ostentação. Fui lá na tal de Sixth, expliquei que meu budget era limitadíssimo e dei as características do carro : econômico, mecânico, sem direção, sem ar condicionado, entre outros supérfluos. A mulher esbugalhou os olhos e juro que ficou na dúvida entre me oferecer um Marea baleado e um Ômega com cabeçote empenado. Nesse momento olho no estacionamento e vejo uma coisa espetacular acabando de chegar: um Camaro SS conversível e na cor adequada, o famoso "vermelho opressor". Perguntei e a atendente me disse que aquele estava for a da disponibilidade pois estava sujo. "-Eu lavo", berrei imediatamente. Bom senso e budget foram pra casa do cacete mas eu sai de lá com aquele Opala metido a bêsta.Cheguei na casa do sobrinho domingo pela manhã e descobri que não precisava ter levado bagagem, tinha deixado uma mala cheia de roupa na Helô. Bem verdade que foram 2 anos e o mofo fez uma festa mas lavando fica tudo zerado. Resultado, dei uma mala inteira de roupa (com a mala inclusa) para a arrumadeira. Voltando ao tema, para fazer a Helô funcionar comprei uma bateria e um galão de gasolina podium. Em 2 minutos a bichinha estava na marcha-lenta. Ficou tão boa que deixei o Camaro com meu sobrinho e fui para o hotel com a Helô. Segunda-feira, moto na HD para troca de pneus e todos os óleos, bem como uma olhada nos freios. O vazamento de óleo pelo pedal do câmbio vai continuar, a mão de obra da HD é proibitiva. Vou comprar as peças e um litro de óleo e tocar em frente.
Aproveitei para visitar um desmanche atrás de uma peça para o meu Camaro velhinho. Encontrei a peça (peguei logo três) e comprei um jfarol, já que o meu está meio amarelado. 10 dólares o lote.
Uma surpresa que tive foi a quantidade de caixas de coisas que comprei e mandei entregar na casa do meu sobrinho. Levei tudo para o hotel a fim de otimizar o que fosse possível. Os gringos são exagerados nas embalagens mas ainda assim era muita coisa. Não vou conseguir trazer tudo e deixei um monte para trazer depois.
Hoje chegaram meu capacete, minha jaqueta de chuva, meu cartão do banco gringo, os selos e o document de 2018 da Helô. Adesivei o capacete, coloquei o sêlo na placa da Helô, amanhã desbloqueio o cartão do banco e vamos procurar o Café Photo daqui ou quebrar um cassino em Las Vegas.
Agora que a festa vai começar. Abração a todos