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sábado, 9 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 11



WAWA (Ontario) – THUNDER BAY (Ontario)

9 julho 2016



Hoje o dia foi perfeito, a começar pelo café da manhã. Ontem a polonesa dona do Motel já me deu as coordenadas exatas, sem possibilidade de erro. Quando perguntei horário e local do desjejum ela mandou na lata: “-A partir das 7 horas, você pega a estrada à esquerda, 4 Km à frente tem 3 restaurantes que servem desjejum a um ótimo preço”. Pronto, essa parte estava resolvida sem maiores delongas. Meu café foi uma banana que amadureceu no alforje da Helô e um comprimido de Diovan para controlar a bomba. Eu estava com pressa.




As previsões da meteorologia se confirmaram, o dia estava lindo. 17 gráus e sol, tempo ideal para pilotar. Coloquei a tal da “segunda pele”, que segura a onda muito bem, casaco de couro (que já estava esquecido), meias ainda um pouco molhadas (o secador de cabelo não deu conta) e a alegria de conseguirmos bailar, eu e a Helô, com uma certa elegância. Claro que ainda não tentamos o tango, dramático demais para nosso gosto.

A cada milha rodada a Trans Canada Highway, uma estrada apenas bonita porém monótona, ia ganhando vida. Apesar dos muitos consertos, a estrada passou a nos presentear com curvas suaves. Às vezes uma sequência delas, outras em ligeiros aclives e declives. Não é uma pilotagem brutal como o Rabo do Dragão mas, em compensação, você consegue olhar, curtir e sentir-se integrante das mais incríveis combinações de cenários com que a natureza nos surpreendia.





Aliás, o maior defeito da estrada é justamente esse. Por se repetirem cenários de tirar o fôlego, a vontade de parar é enorme mas o acostamento é mínimo. Por outro lado, existem muitas áreas para coleta de lixo com espaço para 30 a 40 carros no meio do nada. Bastava fazer essas áreas em alguns dos muitos locais incrivelmente belos. Parece que a mistura de francês com inglês não deu muito certo.

De qualquer forma consegui algumas fotos para vocês. Não me perdoaria se não o fizesse, com o risco de ganhar multas por parar no acostamento com pisca-alerta ligado.












Na estrada muitas motos, a maioria em grupos. Os caras sempre me cumprimentam e são muito simpáticos. O chato é cruzar com um “bonde”, você tem que cumprimentar todos. 

Já quase chegando a Thunder Bay parei para fazer umas fotos e um casal me cumprimentou ao ver nossa bandeira na Helô. Estavam em uma Trike, ele Bob (veterano do Vietnam) ela Lois (piloto de helicóptero). Batemos um longo papo e ele me deu umas dicas ótimas para British Columbia, ao final tiramos uma foto juntos e trocamos e-mails. Ele tem 78 anos e ela naturalmente não perguntei, os dois estão seguindo para o Alaska e na volta, dependendo de onde eu estiver, querem que passe na casa deles em Ohio. Saimos em seguida e acabamos nos encontrando novamente num restaurante alguns quilômetros à frente, agora ele estava com o grupo e fez questão de me apresentar. A maioria coroas, parece que a garotada não é muito chegada e uma estrada hoje em dia. 





Bem, missão cumprida, 480 Km feitos apenas 1 hora acima do estimado pelo GPS. O desinfeliz não considera paradas hidráulicas, gasolina e fotos. Acho até que ficou barato. Para amanhã ainda vou decidir. Meteorologia antes de mais nada.



Beijos e abraços a quem de direito....

sexta-feira, 8 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 10



MCKERROW (Ontario) – WAWA (Ontario)


8 julho 2016


Acordei hoje sob protestos. Apesar de deitar e pegar no sono imediatamente ontem, queria dormir um pouquinho mais, coisa de umas 10 ou 12 horas. Mas não tive escapatória: pulei da cama, banho para acabar de acordar, bagagem já previamente organizada e vamos ao café. Bem, eu não tenho preconceito, apenas evito ficar em hotel administrado por indianos. Eles são feras em um monte de áreas mas hotelaria não é o forte da casa. Eram 7.30 h e a família que toma conta do hotel dormia a sono solto. Quando vi os talheres de plástico, que em alguns lugares vem lacrados, em outros separados (faca, garfo e colher) em recipientes adequados, desisti de vez. Estavam todos misturados, em uma grande cesta que já teve dias melhores e as cores variavam do branco, ao amarelo encardido tantas foram as vezes em que foram utilizados. Sai o mais rápido possível dali, para evitar a tentação de jogar tudo no lixo. Foi meu erro. 

Logo que sai parei no primeiro posto de gasolina para tomar um café e comer o famigerado (e melado) donuts. Aproveitei para completar o óleo da Helô (300 ml) e o dono do posto ficou espantado ao ver-me colocar o Mobil 15W 40 para motores diesel na Helô. 

Depois de rodar 30 milhas parei para fazer uma foto e só então percebi que esqueci a bateria da câmera com o respectivo carregador. Claro que voltei mas já comecei perdendo um pedaço do meu esforço para acordar cedo.

Eu estava preocupado com a Trans Canada, afinal atravessa uma região enorme e escassamente povoada. Cidades de 400 habitantes ou menos são comuns. Na realidade muitas vezes nem as vemos, apenas placas que parecem estar ali para testemunhar que continuam existindo.

Gasolina, comida e cama eram minhas maiores preocupações (bem isso até ver uma placa dizendo “DON’T FEED BEARS”). No mapa a região parece um deserto mas na realidade trata-se de uma combinação de florestas nativas com muita água. Lagos, laguinhos, lagões (onde você não vê a outra margem) se sucedem ao longo da estrada, formando quadros que de tão bonitos parecem artificiais. O maior pecado cometido no projeto da estrada foi a falta de mirantes e locais para estacionar. Eu tentava parar mas o acostamento é feito de um pó de pedra muito macio e quase atolei com a Helô. Os americanos nisso dão aula.









De qualquer forma eu estava querendo cumprir uma etapa maior e tentei otimizar ao máximo a viagem. Passei por Sault Ste Marie, uma cidade de 75.000 habitantes, o que em termos de Canadá (com 30 milhões de habitantes) é considerada uma cidade grande. Almocei num restaurante da cadeia Husky, indicado pelo Rapha, que tem comida boa e preços civilizados. Agora eu iria adiantar ao máximo para amanhã alcançar Thunder Bay. 

Helô abastecida, eu com a barriga cheia e agora era hora de enroscar o cabo com vontade. 

Um parênteses, a velocidade máxima é 90 Km mas se você andar a menos de 110 Km vai ser ultrapassado até por bicicleta, o pessoal tem pé pesado e não vi um carro da polícia, apenas quando passávamos pelas cidadezinhas, fecha parênteses.




Bem, eu nem cheguei a dar uma boa esticada e começou uma chuva daquelas enjoadas, nem lava a pista nem para de chover. Por via das dúvidas coloquei a roupa de chuva e fui em frente mas a chuva foi aumentando transformando-se numa tempestade com raios e trovões. A temperatura caiu uma barbaridade, chegou a 14 gráus ! No momento em que percebi que estava com a Helô na contra-mão decidi: hora de parar (aliás passou da hora, né). Esperei uns 40 minutos, a chuva amainou e me mandei para achar um hotel antes que escurecesse, fui achar o hotel 120 Km depois, em Wawa, onde estou no momento trabalhando nestas mal traçadas.





Já olhei a previsão para amanhã, aqui e em Thunder Bay e parece que vai melhorar. Hoje fiz 450 Km (200 km debaixo de chuva) e amanhã, se tudo correr bem, faço outro tanto.



Por hoje é só, abraços e beijos

quinta-feira, 7 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 9



NIAGARA FALLS (Ontario) - ETOBICOKE (Ontario) – MCKERROW (Ontario)




6 e 7 julho 2016-07-07



Ontem o dia foi tão atribulado e prazeroso que, por uma questão de prioridade, resolvi não escrever e dedicar-me a solucionar um problema urgente: performance da Helô; além de curtir o encontro com pessoas queridas: Raphael Pieroni e Amalia. 

Aproveitando a dica do Carl Norberto Oliveira sobre a HD de Niagara-on-the-lake, descobri o endereço e o horário de atendimento deles. Acordei bem cedo, arrumei a bagagem, engoli um resto de pizza gelada empurrada por um copo de chá gelado e parti para o Dealer. Embora a oficina abrisse à 9 a loja abria uma hora mais cedo. Cheguei às 8 em ponto, ao mesmo tempo que a gerente de Atendimento, a Carol. Expliquei que não tinha feito agendamento e que estava no meio de uma viagem. Um dos mecânicos, o Claude, estava também chegando e ela conversou com ele que também simpatizou pelo meu caso. Bem, isso até começarmos a conversar. Foi a primeira vez, em toda minha vida, que vi alguém (além de meus professores, lógico) perder a paciência com meu inglês. Ele não entendia quase nada  ficava olhando para o céu e resmungando: “-Mon Dieu, Mon Dieu !”. A Carol, que entendia tudo, passou a fazer o meio de campo e a coisa começou a funcionar. Ele levou a moto para dentro da oficina e disse que não tinha barulho de corrente esticada. Eu teimei, através da Carol, ele acabou tirando a janela de inspeção da caixa da primária. Quando ele tocou a parte superior da corrente arregalou os olhos e soltou outro “Mon Dieu”. Resumindo, o mecanismo de regulagem automática colocado no Colorado travou numa posição que deixou a corrente muito tensa. Trabalho pela frente, drenar óleo, tirar tampa da primária, etc.... Já as válvulas ele acha que o som esta normal, eu ainda acho que bate um pouco mas prefiro os tuchos mais folgados do que mais apertados, além disso com a temperatura que está fazendo é normal baixar o grau de viscosidade do óleo aumentando o som dos tuchos. Trocamos também as pastilhas do freio traseiro que foram para o vinagre, afinal são 3 anos de Rabo do Dragão e ele deu um trato no cabo do acelerador, limpando-o e lubrificando-o o que tornou o funcionamento bem mais suave. 





Sai de lá com a Helô parecendo outra moto. Ou melhor, voltando a ser a Helô das nossas grandes aventuras. Sumiram os barulhos e a pilotagem ficou bem mais gostosa com o acelerador suave. Aproveitei pata fazer algumas fotos ao longo da estrada sempre que conseguia algum local para estacionar, o que é muito raro.



Parti então para a casa do Raphael, um dos componentes da família que é uma lenda no meio dos jipeiros: Os Pieroni..... Meus amigos, conheci essa turma por volta do ano 2000 em um passeio de Jipes em São Paulo. Nos adotamos mutuamente, o Henrique adora jipes, motos e trabalha na área de informática, a Helena, sua esposa, pilota a Camper, ou a Bonanza, ou a outra Camper, ou a Veraneio......(o cara é um acumulador de encrencas).......mas voltando, ela pilota ainda melhor do que ele. Raphael, Amanda e Luigi não ficam atrás. Todos curtem 4 X 4, motos e grandes viagens. O Rapha e a Amália, sua esposa, decidiram imigrar para o Canada, correram atrás e há dois anos estão estabelecidos aqui, ambos trabalhando na área de informática, ele como gerente de TI e ela programadora. 

Como a cidade não tem estacionamentos, parei num posto de gasolina próximo à casa deles, esperando chegarem do trabalho. Uns 20 minutos depois o momento mais emocionante para quem esta longe de casa, o encontro com duas pessoas que, naquele momento, representam todos os que deixamos para trás no início desta jornada. É como se fossem uma ponte que nos transporta a todos vocês. Foi muito bom, uma pena que meu tempo está escoando (não pensem asneiras seus sacanas, é o tempo do visto canadense !). De qualquer forma peguei uma sandália e uma bermuda do Rapha e fomos passear no parque em frente ao condomínio em que moram. 









Mais tarde ligamos para a Helena e para o Henrique, que devem vir no final de agosto. Aproveitei para combinar com o Henrique a compra de um 4 X 4 bem velho para a gente ir ao Alaska. Claro que ele topou na hora.

Hoje pela manhã, o momento doído das despedidas, segui o Rapha até a saída da cidade, a emoção foi tão grande que errei o caminho mas um artista não se impressiona com facilidade e acabamos (eu o GPS e a Helô) No caminho certo.....assim espero.

Passei por Barrie e planejava parar em Sudbury mas como eu estava bem e a Helô soberba, resolvi fazer um esforço e ir até Sault Ste Marie. Parei em Española para almoçar o mais terrível bife de fígado que já vi (só descobri o que era ao final) . Montei na Helô e após rodar uns 10 Km uma tremenda fila de carros. Um conserto em uma ponte obrigou-me, debaixo de um sol canicular, ficar por 2 horas parado. Todo mundo nos carros com ar condicionado e eu debaixo do sol. Uma senhora, que estava 2 carros à minha frente, trouxe-me uma garrafa de água mineral que foi a salvação da lavoura. Mais uma que entra na relação dos anjos que, inesperadamente, aparecem na minha vida. Acredite quem quiser.




Quando conseguimos passar do trecho interditado, resolvi parar num Motel pois o desgaste pelo sol foi muito grande. 

Vou dormir e amanhã volto cedo para a estrada. Ainda tenho 2.950 Km para engolir até Calgary...

Abraços e beijos....

quarta-feira, 6 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 8.3



NIAGARA FALLS (Canada)

6 julho 2017



UM DOS BARULHOS CORRIGIDO, OUTRO ACHO QUE IDENTIFICADO.



Após identificar uma folga no pedal do cambio (paulistes castiço) coloquei a Helô, carinhosamente, deitada de lado e corrigi a encrenca. 

O pedal foi trocado em 2014 na HD de Boulder no Colorado. O sacana não deve ter dado um aperto de macho e com o tempo o pedal foi deslizando para fora.



Nas duas fotos (antes e depois) dá para perceber o tamanho da folga. 

O outro barulho, além dos tuchos, acredito que seja a corrente da primária muito esticada. Esta sem folga nenhuma. Ainda pensei em folga-la mas fiquei com medo da ponta da chave de caixa cair dentro daquela goiaba.




Amanhã compro uma chave de cachimbo à prova de lambanças de tio Hélio. 

De qualquer forma o Carl Norberto Oliveira descobriu uma HD aqui perto e vou passar lá antes de partir. 

E vamo que vamo.