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quarta-feira, 13 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 14



KENORA (Ontario) – BRANDON (Manitoba)




13 julho 2013



Ontem, logo após me acomodar no motelzinho maneiro ainda em Kenora, um casal de moto chegou e foi logo limpando e cobrindo as motos por causa da chuva, que já caia bem fraquinha. Imediatamente lembrei-me de dois sobrinhos: o Mario Luiz e o Fernandinho Franco, ambos colocariam a moto dentro do quarto. Nem que tivessem de arrancar a porta. Mas o casal era muito legal apesar dessas “coxisses”, eles são de New Scotia, que fica no litoral do Atlântico e vão para Vancouver fazer um coast-to-coast canadense. É chão pra cacete. 





Saímos caminhando pela simpática cidadezinha e fazendo fotos de paredes de prédios pintados por artistas amadores e depois mantidos pelo Rotary Club. Cada “tela” fazendo referência à história da cidade. 












Foi boa a caminhada para ativar a circulação das pernas mas cheguei louco por um banho e cama. Eu queria sair cedo, com chuva ou sem chuva, e eles não sabiam se seguiriam com chuva. Acordei às 5:30, banho, um sanduiche da véspera (rosbife) mastigado enquanto me vestia: segunda-pele, calça, calça impermeável, meias, sacos plásticos nos pés e os dito cujos dentro da bota, que de impermeável não tem nada. Camisa, colete, jaqueta de couro e a parte superior do conjuto impermeável não impediram um certo desconforto com o frio. A temperatura estava em 16 graus e uma chuva fininha que espeta a cara dos idiotas que não usam capacete integral.



Pegamos a 17 (a Trans Canada) e com muito cuidado não tentávamos nenhuma gracinha. Até que a chuva deu uma trégua e pudemos abrir o gás um pouco mais. 



Fui direto até Winnipeg (210 Km), onde parei para abastecer a Helô e fazer outra perna sem parar até Brandon (230 Km). Mas foi só subir na moto e a chuva caiu com vontade. Nem muito forte, nem muito fraca mas na medida exata para nos fazer repensar todos os saudáveis procedimentos que podem ser adotados na chuva para minimizar os riscos. 



Um de muitos, que eu reputo importantíssimo é com relação a curvas. Quando chove costumo modificar a forma como faço o traçado das curvas. Em geral (apenas como exemplo) entro nas curvas fazenda a tomada pelo lado externo, no meio tangencio o lado interno e saio acelerando buscando o lado externo. Com chuva tento fazer a curva totalmente pelo lado interno. Claro que a uma velocidade inferior, já que não posso “retificar” a curva. 

Isso tem uma razão de ser, e quem me ensinou isso foi meu pai. Ele dizia que: se com tempo seco você pode ver manchas de óleo no asfalto, com chuva você deve tentar adivinhar o local mais provável delas. Principalmente de manhã cedo, quando caminhões e ônibus saem para as estradas e estão com tanques de óleo cheios até a boca. Se houver um vazamento, ele vai ocorrer quando o veículo inclinar para o lado em que está a boca do tanque e isto se dá sempre no lado externo da curva.


Sei que existem muitas outras correntes e o objetivo não é polemizar com ninguém, apenas uma curiosidade.


Depois desse parênteses, voltamos ao tema. Sai de Winnipeg debaixo de chuva e foi assim que vim até aqui. Muita água e muita obra na estrada. As faixas pintadas e a terra do acostamento que a chuva levava para a pista eram outros “inimigos” a evitar. Apesar disso chegamos cedo, por volta de 12:30 depois de rodar 430 Km. 


A previsão para amanhã é de chuva por um bom trecho mas isso depois eu vejo. Vou viver o Agora: encher a banheira de água quente, colocar meus sais de banho (a concorrência vai dizer que vai ser uma canja de galo velho), deitar-me, fechar os olhos e imaginar a minha jornalista holandesa e a policial das algemas me fazendo uma massagem relaxante.....morram de inveja !





Beijos e abraços.....

segunda-feira, 11 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 13



BUSINESS AS USUAL .
De volta aos negócios.

Kenora (Ontario) 11 julho 2013


Para quem já viveu situação semelhante sabe o sufoco pelo qual passei. Principalmente considerando-se os problemas para permitirem minha entrada no país. Só pensava na policial enfezada que me barrou. Tudo isto me veio à mente quando tive meus 3 cartões bloqueados (crédito e débito) e me vi com apenas 60 dólares canadenses no bolso, o que me garantia apenas mais uma estadia no hotel.


Descrever os acontecimentos de uma forma jocosa numa postagem é apenas uma forma de aliviar a tensão. Até mesmo de tentar reduzir o tamanho do problema e, egoisticamente talvez, dividi-lo com vocês.

A famosa Lei de Murphy tomou conta da situação desde o início, aconteceu de tudo mas não vale a pena cansa-los com detalhes. Um dia serão liberados, com parcimônia, ao redor de uma garrafa de Jack Daniel's Fire.

O mais importante foram vocês me mantendo equilibrado (o que é uma façanha e tanto) e protegido buscando soluções e me colocando, novamente, na estrada.

Foi incrível a cadeia de solidariedade que se criou a partir de Brasil, USA e Canada quando relatei meu problema no FB. Em menos de 10 segundos me atiraram o primeiro salva-vidas. E foi assim até a solução da melódia. Vocês são o que há de melhor. 

Obrigado a todos(as) e a cada um(a) daqueles(as) que se fizeram meu anjo protetor.

Beijos, muitos, porém sem viadagem, a todos...


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domingo, 10 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 12



THUNDER BAY - KENORA


10 julho 2016


Ontem, depois de uma puxada de 480 Km e após ver a previsão da meteorologia para hoje (nada boas), dormi cedo na esperança de acordar cheio de gas para enfrentar o que se previa pela frente: chuva e o tal de "thunderstorm" na parte da tarde.

No melhor do sono, às 2 da matina acordei com um berreiro desgraçado. Corri na janela para ver se a Helô estava metida na confusão. Não, nem precisava, uma baixinha gordinha plantou a mão nas fuças de um bêbado que já estava mesmo doido pra cair. A partir dai ninguém mais se entendia nem eu dormia. Isso durou mais de meia hora, até que vi um carro com aquelas luzes piscando em cima vindo na direção da lambança. Polícia, pensei. Não um taxi e pelo que notei o cara trabalha para o inferninho onde se deu o "arranca-rabo". Jogaram o pé-de-cana no banco de trás e, o mais interessante, a baixinha foi junto. Não sei se para terminar o serviço ou se era a proprietário do desinfeliz. 
Coisas dos hotéis "baixa-renda" que frequento.

3 e meia da manhã e acho que o sono também foi naquele taxi para ver o final do espetáculo. 6.30 pulei fora, banho, barba, tralha jogada de qualquer forma e vamos começar a trabalhar cedo para fugir da chuva.
Enchi o tanque da Helô, um capuccino, daqueles sem-vergonha de máquina em copo de isopor, um donuts (bleargh) e vamo que vamo.

Dessa vez a estrada começou com muitas e longas retas. Dava um sono desgraçado em motociclistas normais mas não em mim, não hoje. Eu fazia mais contas do que o Guido Mantega, o dia de hoje esta garantido mas o de amanhã só Deus sabe. O banco daqui bloqueou meu cartão de débito, o cartão de crédito está estourando o limite e tenho muito pouco em efectivo (nunca deixei isso acontecer mas sempre há uma primeira vez) .... Talvez dê para segurar dois dias. Mas essa é outra história....




Como eu ia dizendo,a estrada apesar de ótimo asfalto e bem sinalizada era monótona, as distancias entre as cidades aumentaram bastante. O risco de ficar sem gasolina existe e o trafego é, majoritariamente, de caminhões, moto-homes e motocicletas.


Por outro lado, uma surprêsa. Ontem reclamei bastante da falta de locais para estacionar perto de pontos especialmente atraentes. 
Hoje mordi a língua, encontrei uns 3 ou 4 desses locais melhor ainda do que sugeri: um mini-parque, todo arborizado, com mesas e bancos para pique-niques, banheiros e sempre ao lado de um lago ou à beira de um rio.












Se ontem agradeci à meteorologia o acerto na previsão de um belo dia, hoje agradeci pelo engano : sem chuva de Thunder Bay a Kenora.

Hoje foram 490 Km, nada mal para um velho motoqueiro.

Amanhã, bem, amanhã vai ser foda (perdoem-me o termo chulo). Vou reunir o departamento financeiro e analisar as alternativas que se nos apresentam (linda essa construção) : ou vendemos a Helô ou cozinhamos a bota de tio Hélio, como naquele filme de Carlitos. Foi cogitada a hipótese de um trabalho temporário como velho de aluguel mas, muito honrado pela lembrança, declinei da proposta.

Até manhã gente....e um abraço no amigo Johnnyboy Phd

sábado, 9 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 11



WAWA (Ontario) – THUNDER BAY (Ontario)

9 julho 2016



Hoje o dia foi perfeito, a começar pelo café da manhã. Ontem a polonesa dona do Motel já me deu as coordenadas exatas, sem possibilidade de erro. Quando perguntei horário e local do desjejum ela mandou na lata: “-A partir das 7 horas, você pega a estrada à esquerda, 4 Km à frente tem 3 restaurantes que servem desjejum a um ótimo preço”. Pronto, essa parte estava resolvida sem maiores delongas. Meu café foi uma banana que amadureceu no alforje da Helô e um comprimido de Diovan para controlar a bomba. Eu estava com pressa.




As previsões da meteorologia se confirmaram, o dia estava lindo. 17 gráus e sol, tempo ideal para pilotar. Coloquei a tal da “segunda pele”, que segura a onda muito bem, casaco de couro (que já estava esquecido), meias ainda um pouco molhadas (o secador de cabelo não deu conta) e a alegria de conseguirmos bailar, eu e a Helô, com uma certa elegância. Claro que ainda não tentamos o tango, dramático demais para nosso gosto.

A cada milha rodada a Trans Canada Highway, uma estrada apenas bonita porém monótona, ia ganhando vida. Apesar dos muitos consertos, a estrada passou a nos presentear com curvas suaves. Às vezes uma sequência delas, outras em ligeiros aclives e declives. Não é uma pilotagem brutal como o Rabo do Dragão mas, em compensação, você consegue olhar, curtir e sentir-se integrante das mais incríveis combinações de cenários com que a natureza nos surpreendia.





Aliás, o maior defeito da estrada é justamente esse. Por se repetirem cenários de tirar o fôlego, a vontade de parar é enorme mas o acostamento é mínimo. Por outro lado, existem muitas áreas para coleta de lixo com espaço para 30 a 40 carros no meio do nada. Bastava fazer essas áreas em alguns dos muitos locais incrivelmente belos. Parece que a mistura de francês com inglês não deu muito certo.

De qualquer forma consegui algumas fotos para vocês. Não me perdoaria se não o fizesse, com o risco de ganhar multas por parar no acostamento com pisca-alerta ligado.












Na estrada muitas motos, a maioria em grupos. Os caras sempre me cumprimentam e são muito simpáticos. O chato é cruzar com um “bonde”, você tem que cumprimentar todos. 

Já quase chegando a Thunder Bay parei para fazer umas fotos e um casal me cumprimentou ao ver nossa bandeira na Helô. Estavam em uma Trike, ele Bob (veterano do Vietnam) ela Lois (piloto de helicóptero). Batemos um longo papo e ele me deu umas dicas ótimas para British Columbia, ao final tiramos uma foto juntos e trocamos e-mails. Ele tem 78 anos e ela naturalmente não perguntei, os dois estão seguindo para o Alaska e na volta, dependendo de onde eu estiver, querem que passe na casa deles em Ohio. Saimos em seguida e acabamos nos encontrando novamente num restaurante alguns quilômetros à frente, agora ele estava com o grupo e fez questão de me apresentar. A maioria coroas, parece que a garotada não é muito chegada e uma estrada hoje em dia. 





Bem, missão cumprida, 480 Km feitos apenas 1 hora acima do estimado pelo GPS. O desinfeliz não considera paradas hidráulicas, gasolina e fotos. Acho até que ficou barato. Para amanhã ainda vou decidir. Meteorologia antes de mais nada.



Beijos e abraços a quem de direito....

sexta-feira, 8 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 10



MCKERROW (Ontario) – WAWA (Ontario)


8 julho 2016


Acordei hoje sob protestos. Apesar de deitar e pegar no sono imediatamente ontem, queria dormir um pouquinho mais, coisa de umas 10 ou 12 horas. Mas não tive escapatória: pulei da cama, banho para acabar de acordar, bagagem já previamente organizada e vamos ao café. Bem, eu não tenho preconceito, apenas evito ficar em hotel administrado por indianos. Eles são feras em um monte de áreas mas hotelaria não é o forte da casa. Eram 7.30 h e a família que toma conta do hotel dormia a sono solto. Quando vi os talheres de plástico, que em alguns lugares vem lacrados, em outros separados (faca, garfo e colher) em recipientes adequados, desisti de vez. Estavam todos misturados, em uma grande cesta que já teve dias melhores e as cores variavam do branco, ao amarelo encardido tantas foram as vezes em que foram utilizados. Sai o mais rápido possível dali, para evitar a tentação de jogar tudo no lixo. Foi meu erro. 

Logo que sai parei no primeiro posto de gasolina para tomar um café e comer o famigerado (e melado) donuts. Aproveitei para completar o óleo da Helô (300 ml) e o dono do posto ficou espantado ao ver-me colocar o Mobil 15W 40 para motores diesel na Helô. 

Depois de rodar 30 milhas parei para fazer uma foto e só então percebi que esqueci a bateria da câmera com o respectivo carregador. Claro que voltei mas já comecei perdendo um pedaço do meu esforço para acordar cedo.

Eu estava preocupado com a Trans Canada, afinal atravessa uma região enorme e escassamente povoada. Cidades de 400 habitantes ou menos são comuns. Na realidade muitas vezes nem as vemos, apenas placas que parecem estar ali para testemunhar que continuam existindo.

Gasolina, comida e cama eram minhas maiores preocupações (bem isso até ver uma placa dizendo “DON’T FEED BEARS”). No mapa a região parece um deserto mas na realidade trata-se de uma combinação de florestas nativas com muita água. Lagos, laguinhos, lagões (onde você não vê a outra margem) se sucedem ao longo da estrada, formando quadros que de tão bonitos parecem artificiais. O maior pecado cometido no projeto da estrada foi a falta de mirantes e locais para estacionar. Eu tentava parar mas o acostamento é feito de um pó de pedra muito macio e quase atolei com a Helô. Os americanos nisso dão aula.









De qualquer forma eu estava querendo cumprir uma etapa maior e tentei otimizar ao máximo a viagem. Passei por Sault Ste Marie, uma cidade de 75.000 habitantes, o que em termos de Canadá (com 30 milhões de habitantes) é considerada uma cidade grande. Almocei num restaurante da cadeia Husky, indicado pelo Rapha, que tem comida boa e preços civilizados. Agora eu iria adiantar ao máximo para amanhã alcançar Thunder Bay. 

Helô abastecida, eu com a barriga cheia e agora era hora de enroscar o cabo com vontade. 

Um parênteses, a velocidade máxima é 90 Km mas se você andar a menos de 110 Km vai ser ultrapassado até por bicicleta, o pessoal tem pé pesado e não vi um carro da polícia, apenas quando passávamos pelas cidadezinhas, fecha parênteses.




Bem, eu nem cheguei a dar uma boa esticada e começou uma chuva daquelas enjoadas, nem lava a pista nem para de chover. Por via das dúvidas coloquei a roupa de chuva e fui em frente mas a chuva foi aumentando transformando-se numa tempestade com raios e trovões. A temperatura caiu uma barbaridade, chegou a 14 gráus ! No momento em que percebi que estava com a Helô na contra-mão decidi: hora de parar (aliás passou da hora, né). Esperei uns 40 minutos, a chuva amainou e me mandei para achar um hotel antes que escurecesse, fui achar o hotel 120 Km depois, em Wawa, onde estou no momento trabalhando nestas mal traçadas.





Já olhei a previsão para amanhã, aqui e em Thunder Bay e parece que vai melhorar. Hoje fiz 450 Km (200 km debaixo de chuva) e amanhã, se tudo correr bem, faço outro tanto.



Por hoje é só, abraços e beijos