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quinta-feira, 5 de junho de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 3


UMA CIDADE CHAMADA SAVANNAH 

Kingsland (GA) – Savannah (GA)

3 junho - 5 junho

Uma reta só e duas horinhas cravadas. Velocidade máxima de 70 milhas (com a tal tolerância que cismo ser de 10% chego a 80 milhas). Como fui direto sem parada, cheguei cedo a Savannah.





Entrei em uma estrada vicinal, densamente arborizada, na procura do hotel reduzindo a velocidade para cerca de 45 milhas. A Helô seguindo a 1.800 giros, ronronando como se fora uma gatinha no cio, as árvores parecendo abraçar aquela língua de asfalto, a temperatura no ponto exato (um sol frio que nós, os motoqueiros, tanto curtimos)  tudo isso levava-me a pensar: “A felicidade completa é uma miragem mas muito poucos conseguiram chegar tão próximo dela como eu”.   Empertiguei-me no banco adotando uma postura a altura do espetáculo e agradeci ao Criador pelo milagre de mais um dia e, principalmente, pela consciência do momento vivido.



Finalmente encontrei o hotel, um Days-inn, que já na chegada  me brindou com um belo visual, além disso o quarto é enorme e não fosse a escada a Helô iria dormir ao meu lado. Além de ficar a 6 milhas de Downtown, ou por isso mesmo, tem um restaurante que cobra 6 obamas por um “rango”. Tenho que compensar o custo da troca de pneus da HD de qualquer forma.




Coisas que só acontecem com o Botafogo e comigo

Fui jantar num tal de Applebee's onde fui recebido por uma atendente muito simpática. Pela minha terrível pronuncia perguntou de onde eu era e respondi Brasil. Ai começou a melódia, ela, toda alvoroçada, disse
que sua irmã namora um cara que fala espanhol e está aprendendo com ele (acho que ela está traindo a irmã mas essa é' outra historia formada na minha mente devassa) desandando a falar alguma coisa onde todas as palavras terminavam em "ion". De nada adiantou eu dizer que falava português (e mal). Acabei fazendo meu pedido onde cai na asneira de pedir um pouco de pão. Entendi-a  dizer que teria algo parecido e mais adequado ao prato. Em seguida colocou-me em uma mesa vizinha a outra, ocupada por 4 motoqueiros. Os caras nem me olharam, embora eu estivesse com meu colete de carregar passaporte o qual não tiro nem para tomar banho (poucos, naturalmente). Eis que, em menos de 5 minutos, vem outra garçonete e coloca um prato com 8 bastões na minha frente (o da primeira foto). Pensei que era a tal espécie de pão que me falaram. Embora achando um exagero, peguei um para comer. O treco é uma espécie de charuto com queijo derretido por dentro, na primeira dentada o queijo, quente adoidado, esticou e eu também estiquei o braço no limite causando espanto e indignação na mesa dos motoqueiros. Os tais rolinhos eram deles que ficaram putíssimos (foto 2) pois estavam esperando por eles há muito tempo. Foi o maior bafafa' e na confusão acabei comendo outro bagulho daqueles. Veio gerente, garçonete chorando, o maior “micão” e eu só mandando o famoso " I'm sorry ". Propus pagar o prato, eles não aceitaram e as coisas foram se acalmando. Comi em silencio, envergonhado, com todos me olhando com cara de reprovação. Após pagar a conta e preparando-me para sair, um deles perguntou: " - Where are You from ?". Lembrei-me então de um sábio conselho de meu sobrinho Mario Luiz para usar em casos de emergência e mandei na lata, bem alto e estufando o peito: " ARRENTINA ! ".





Como Savannah é uma cidade histórica, muito bonita e já tinha sido recomendada pelo meu amigo Bob Swap, resolvi ficar mais um dia para conhecê-la um pouco melhor e visitar alguns museus. Valeu a pena como mostram algumas fotos a seguir:

BATTLEFIELD MEMORIAL PARK 
 Este memorial, inserido num parque em frente à antiga estação de trens, homenageia os mortos e feridos na batalha para tomar Savannah de mãos inglesas, em 9 de outubro de 1779. São 800 lápides representando cada um dos que tombaram na batalha. Soldados de outras nações tomaram parte no combate e seus países estão representados pelas suas bandeiras atuais.





GEORGIA STATE RAILROAD MUSEUM  

Por mais de 100 anos este complexo ferroviário, com imensas oficinas de reparo, funcionou no centro de Savannah transformando-se num pólo de desenvolvimento. As atuais oficinas foram transferidas para fora da cidade mas o antigo complexo foi preservado e transformou-se em um Distrito Histórico (National Historic Landmark District). Quando penso nas oficinas da Leopoldina de São Geraldo (MG) que hoje abrigam shows de "funk" sinto vergonha e dor no coração.







AINDA O GEORGIA RAILROAD MUSEUM 

Sempre quis ver uma caldeira de locomotiva por dentro. Surpreendente, uma experiência  única. Valeu a viagem. Já a locomotiva da segunda foto foi batizada de "Uncle Helio", ainda não descobri o motivo mas cada vez que olho começo a desconfiar. As outras fotos mostram o interior de UMA das oficinas e a descrição das ferramentas de "blacksmith" que eram utilizadas.









ESTAÇÃO FERROVIARIA DE SAVANNAH 

Em frente ao Railroad Museum e ao Memorial pela batalha de Savannah a estação ferroviária preservada. Você pode sentar-se nos antigos bancos e imaginar-se aguardando a hora do embarque. Cheguei quase na hora de fechar, estava vazio e foi melhor assim. Sentei-me e imediatamente lembrei de uma geração dos Rodrigues Silva que partiu  antes de minha, ainda ouvia o eco de suas risadas e de suas brincadeiras. Uma família onde a alegria imperava, composta de anti-heróis que faziam pouco de suas conquistas, isso quando não as escondiam, porém jamais se curvando ante quem quer que fosse, não por valentia mas pela nossa lendária teimosia muar. Artistas, músicos, escritores, compositores, boêmios, aventureiros e mulherengos. Eu ainda estava absorto nos meus pensamentos quando o vigia ma avisou que iria fechar. Levantei-me e sai falando com meus botões: “Pelo menos nos quesitos aventuras e mulheres não estou decepcionando os tios !”






NATIONAL MUSEUM OF THE MIGHTY EIGHT AIR FORCE 

Embora não tenha muitas peças, o acervo de filmes e fotografias e' impressionante. Existem várias cabines com exibições de filmes reais de combate de todas guerras, em especial a II Grande Guerra. Do lado de fora do museu um F-4 Phantom, originalmente desenhado para porta-aviões mas mostrou-se muito superior ao F-106 e foi adotado pela USAF. O outro avião e' um MIG-17A russo fabricado em 1951 e permaneceu em operação ate os anos 80, lutando no Vietnam e na maioria dos conflitos da Africa.











AINDA O MUSEUM OF THE MIGHTY EIGHTH AIR FORCE 

Em alguma ocasião já participei disso, provavelmente na I Guerra Mundial pois quando ouço o nome do Barão Vermelho o sangue ferve.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 2

PARTINDO PARA NOVOS EMBATES

Winter Garden (FL)  - Kingsland (GA) 

2 junho - 3 junho


A hora da partida é sempre complicada, para disfarçar a emoção a gente procura se ocupar com alguma coisa ou inventa algo, se não tiver nada para fazer. Como a Helô já estava devidamente abastecida, bagagem totalmente ancorada, para-brisas limpo pela enésima vez restou-me verificar os pneus, o que foi uma sorte pois o pneu traseiro já estava "quadrado" e a banda de rodagem prestes a atingir o TWI.   Afinal eu tinha rodado cerca de 18.000 Km com eles em 2013 antes do período de hibernação da Helô. Trocaria os dois logo que possível, pensei.


Assim foi que, após despedidas e mil recomendações carinhosas de meus sobrinhos, montei na Helô, liguei-a  e partimos. Eu, com a emoção à flor da pele e a Helô, com os pneus carecas. Trata-se de uma combinação perigosíssima: a moto "rebolando" tal qual passista mirim + olhos embaçados do velho motoqueiro. Para evitar problemas, parada para retomar fôlego logo após a saída do belo condomínio onde reside meu sobrinho Rodrigo.  Respirar fundo, caminhar um pouco, aproveitar para fazer algumas fotos e deixar as emoções para trás semeando o caminho.





Depois de algum tempo, com parte da compostura de volta, a primeira e mais séria decisão deve ser tomada: escolher uma direção. O sul foi logo descartado pois, estando na Florida, se desço um pouco mais acabo numa ilha paradisíaca, governada por um bom velhinho barbudo, com tênis Nike e agasalho Adidas. O grande problema é que pessoas muito mais merecedoras do paraiso do que eu, ainda não conseguiram lá se estabelecer definitivamente. Não seria justo eu chegar na frente deles para me esbaldar no canavial participando do corte de cana (aqui prá nos, sonho com isso todas as noites em que bebo o famoso vinho Telephone). Além do mais, o fluxo do tráfego marítimo inexplicavelmente é apenas de lá para cá. Estranho isso.... Bem, para evitar problemas com a moçada que mora na Vieira Souto e na Avenue Foch em Paris, resolvi ir para o Norte mesmo. Vou deixar o paraíso para mais tarde. Tratemos dos pneus antes de mais nada, afinal não sei para onde vou e por quanto tempo estarei na estrada assim a prudência recomenda a troca dos dois.

A escolha óbvia foi Daytona, naquele complexo que fica na interseção da 95 Norte com a 1 em Ormond Beach, afinal lá estão localizadas duas grandes lojas, uma da Harley Davidson e outra da JP Cycle. Na HD 500 dólares os dois pneus e na JP Cycle 270 dólares. Exatamente os mesmos Dunlop. Como a JP Cycle não faz a troca de pneus, fui na HD ver quando eles cobram e levei o maior susto 92 dólares por hora e um tempo estimado de 2 horas e meia (comprando lá o pneu ou não). 






Como não daria para sair com dois pneus em volta do pescoço morri em 230 dólares na troca e 270 nos pneus. Pelas minhas contas ficarei sem almoçar durante 3 semanas, como preciso perder peso nenhum problema (isso até minha cardiologista tomar conhecimento da iniciativa). Para evitar novas surpresas, resolvi comprar as pastilhas de freio na JP Cycle pois se tiver que trocar no meio do caminho eu mesmo faço o serviço e o preço é muito melhor do que o da HD. Tenho um kit pobreza com ferramentas variadas, óculos com lente vencida, recipiente para água com a boca larga (o que me permite roubar gelo nas maquinas de refrigerantes nos postos de gasolina), protetor solar vencido (do "verão da lata"), uma extensão sem tomadas nas duas pontas pois fios desencapados são mais fáceis de introduzir em tomadas redondas, chatas e até nas brasileiras, algumas notas de cruzeiro velho (impressiona incautos) e outros zilhões de itens que me conferem enorme flexibilidade porém o mais importante ainda é o velho charme dos Rodrigues Silva. Sorry periferia......


Enquanto estava na JP Cycle comprando os pneus vi um catalogo para motos “vintage” em cima do balcão. Pensei logo no meu sobrinho Mario Coutinho e pedi um exemplar para o balconista que é este fotografado. 










Eles distribuem direto mas este vai acompanhar-me durante toda a viagem, fazendo peso na moto, depois vou levá-lo na bagagem com enorme sacrifício para entregá-lo, reunindo minhas ultimas forcas, ao sobrinho. Valorizei assim para não ter a tentação de arrancar paginas (para fins não muito nobres) nas situações de emergência que vierem a ocorrer no meio da viagem.


Após a troca dos pneus a Helô parecia outra moto, um verdadeiro espetáculo, apesar do vento de través foi fácil manter as 80 milhas com a bagagem meio bamba e as enormes carretas formando um turbilhão quando ultrapassadas. O pior é que, em alguns casos, você tem que chegar quase a 90 milhas para ultrapassá-las, com o risco de ganhar um ticket que vai fazer uma enorme falta nas combalidas finanças.  Tudo isto com muito cuidado pois os primeiros 50 Km com pneus novos requerem muita atenção até que a camada de cera protetora que os recobre seja “lixada”. Foi assim, pisando em ovos e curtindo o novo equilíbrio da Helô, que entramos na Georgia e chegamos em Kingsland onde 2 carros de bombeiros me aguardavam no estacionamento do hotel. Depois vim saber que foi uma senhora que passou mal e teve que ser conduzida a um hospital. Até hoje não entendi o lance dos carros de bombeiros. Eles iriam me perseguir por toda a viagem.