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domingo, 11 de janeiro de 2015

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 10



UM DIA PARA FICAR NA HISTÓRIA

Livermore (CA) - Eureka (CA) - 8 julho 2014

Como vocês percebem, estou escrevendo no dia seguinte à nossa maior tragédia FUTEBOLÍSTICA.  Perder é do jogo mas em casa e com aquele placar convenhamos, não é comum. Eu não ia assistir ao jogo já que excesso de adrenalina afeta minha arritmia cardíaca. Conversei com a Helô e resolvemos dar sequência às nossas peripécias.  Saímos de Livermore por volta das 9 h, paramos num Cafe maneiríssimo onde fizemos um desjejum gringo excelente. Dali, após regular o GPS, fomos em frente. 

Na região de Sacramento a quantidade de cataventos (aqueles enormes de 3 pás) me chamou a atenção. Era uma zona de fazendas e rodei umas 10 milhas em meio àquele mar de cataventos. Já me imaginava um Dom Quixote investindo contra um daqueles monstros para usufruir da gratidão da Dulcinéia (acho que era esse o nome da sacana). O bom disso é que procurei saber a razão daquele exagero e descobri que a California foi o primeiro estado americano a testar a energia eólica, implantando a primeira "Wind Farm"  em 1975 alimentando 4.000 casas. Quando da implantação da primeira unidade fora da California, em 1994, no sul do estado de Minnesota, a California já tinha 53 fazendas de geração de energia em operação. Hoje 7 % da geração de energia da California vem dessa fonte de energia. Em todo  USA, 15 milhões de residências são alimentadas por energia eólica. Somando-se a isso a oferta de energia solar, o número crescente de veículos elétricos e a exploração, numa velocidade incrível, de gás e óleo de folhelho (fracking) explica por que os Estados Unidos ultrapassaram a Rússia na produção de gás e reduziram as importações de petróleo. Alguns analistas prevêem que eles se tornarão o maior produtor mundial de petróleo em 4 ou 5 anos. Não por acaso a Arábia Saudita reduziu o preço do petróleo em quase 50%.


Passando Sacramento entrei no Sonora Valley, uma área de vinícolas e com as tradicionais chamadas para degustação mas preferi seguir em frente apreciando a beleza do cultivo e atento às curvas da estrada. Numa dessas curvas percebo vários carros antigos parados em frente a um  terreno com uma casa aos fundos, comecei a reduzir a Helô, segurando no freio (não vinha nada atrás) e entrei direto no terreno pois o portão estava aberto. Olhei para um lado e vi umas pessoas removendo a tinta de uma carroceria. Cheguei mais perto e quase caio da moto, era um Corvette 1966, para mim o mais belo modelo desse carro. O dono tinha vários outros carros, inclusive 3 Corvair com motor a ar traseiro que não "emplacou" mas hoje é um ícone. O cara me recebeu muito bem permitiu as fotos e com isso mais tempo de viagem foi para o brejo.





Saindo de minhas velharias, percebi que tinha feito uma lambança no GPS e estava na estrada errada. Tratei de corrigir e jurei que iria direto, afinal ia pegar a US-101 que não deveria ser nada demais. Ledo engano, a estrada é belíssima, curvas largas, visibilidade ampla e contornando a Mendocino National Forest. Velocidade de 65 milhas mas com os arredondamentos você anda a 75 milhas sem ser incomodado. Muitos motociclistas e pouco transito de caminhões. Uma estrada que dá prazer de pilotar e, para completar, eu estava inspirado: olhar à frente, redução de marchas jogando o giro do motor num patamar de macho, ponto de entrada bem aberto tentando definir o de tangência, contra-esterço seguido do balanço buscando a inclinação ideal mas sem perder a elegância, aceleração suave a partir do ponto de tangência trazendo a Helô para o ponto de saída já com o guidon reto, sem inclinação e com uma marcha mais alta engatada permitindo enroscar o acelerador com a determinação daqueles que rasgam talões de multa. Claro que tudo isso com um sorriso nos lábios e uma prece agradecendo o milagre da vida e o privilégio de pilotar uma Harley Davidson.





O que atrasava eram as frequentes paradas para fotografias mas acho que valeu a pena. Lá pelas 3 ou 4 h bateu a fome e parei numa espécie de "saloon", com apenas um cliente assistindo algo num telão. Adivinhem o que ele estava vendo. Exato e era o começo do 2o tempo. Quando vi 5 X 0 achei que éramos nós ganhando e fiquei até com uma certa pena da Alemanha.  Mas comecei a notar algo estranho, os nossos jogadores apavorados e os gringos tocando a bola como se fosse uma brincadeira de "bobinho". Só aí me dei conta e não consegui despregar o olho da televisão. No final, arrasado,  paguei a conta, montei na Helô e partimos sem o menor animo e  vontade de fotografar o que fosse. Mas o Criador reservava uma surpresa para mim:  a 101 corta dois dos mais lindos parques do estado da California, o Richardson Grove State Park e, em seguida, o Humboldt Redwood  State Park, cujas sequóias formam, em um trecho, a chamada Avenue of the Giants. São sequóias gigantes, que parecem colunas ladeando a estrada transformando-a na nave central de uma catedral.  








Claro que você tem que parar, desligar o motor e mergulhar na energia daquele lugar mágico.  Lembranças maravilhosas afloram, pessoas queridas ficam mais próximas ao levantarmos  um pouco o véu da eternidade, e a gratidão pelo privilégio se transforma em lágrimas. Realmente, foi um dia para entrar na história.   Ah o jogo ?  Foi apenas mais uma partida de futebol....

MAIS UMA DAS 15: “ROUTE-36” UMA ESTRADA INCRÍVEL.
Eureka (CA) - Red Bluff (CA) - 9 julho 2014
Uma das coisas que aprendi, em relação a numeração das estradas americanas, é que aquelas que correm no sentido North-South são representadas por números ímpares e as no sentido Est-West por números pares.  A Route 36 liga a 101 à 5 atravessando de lado a lado a Shasta-Trinity National Forest que é como se fora a continuação da Mendocino National Forest.  São quase 150 milhas de uma das melhores estradas para motocicletas da California que conheço. Valeu a pena ouvir as sugestões do Rodrigo Cabral, consultar o site das TOP 15 que o Carlos Schaeffer me enviou e a conversa com o Dotô Badá Barreto. Não adianta querer bancar o sabichão, temos de estar atentos às sugestões daqueles que curtem motocicletas e tem olhos de águia para descobrir locais onde essas máquinas maravilhosas se sentem à vontade. A verdade  que a 36 é uma espécie de montanha russa, principalmente a metade mais próxima a Red Bluff. Você experimenta subidas e descidas a todo o momento. Curvas nem se fala. Não existe tempo para você relaxar e apreciar o visual.  Já a metade mais próxima a Eureka  atravessa a Shasta-Trinity National Forest,  um dos visuais mais incríveis que vi entre todas as estradas por que passei. Você atravessa uma floresta com a estrada serpenteando por entre sequóias gigantes.  Em algumas curvas, no ponto de tangência, o retrovisor passa bem  junto delas  e essa proximidade, no começo, assusta e intimida.  O grande problema que a beleza do local traz é você não saber se pilota ou aprecia o visual, o que é muito, muito perigoso. Resolvi parar quando visse um local especialmente bonito, curti-lo e tirar fotos mas a cada curva surgia  um cenário mais bonito do que o anterior, até chegar ao ponto em que decidi não mais  parar e curtir unicamente a pilotagem, afinal foi para isso que viajei até ali. Bem verdade que  estava com um pouco de medo. Já explico: o rio que corre ao lado da 36 na área da floresta, onde os ursos pescam os salmões e trutas que nadam subindo para desovar, estava com um filete d'água e isso deve deixar os ursos com fome. Por vias das dúvidas, durante as fotos, o motor da Helô ficava ligado para qualquer eventualidade.








Depois que abandonei as fotos e me dediquei a pilotar passei a me concentrar em fazer curvas o mais redondas possíveis, usando o mínimo, ou não usando na maioria das vezes, o freio. Só mantendo as rotações em um regime que nem force o motor mas que tenha "tesão" suficiente para segurar a moto quando fecho o punho. Em um trecho, que lembrava muito o Rabo do Dragão, uma camionete da manutenção da estrada, cujo motorista já tinha batido um papo comigo numa parada,  ficou atrás de mim. Como eu não usava freio, só reduzia ou apenas fechava o punho antes da curva, ele se aproximava pois vinha com tudo e freava com vontade em cima. Acontece que eu saia mais forte do que ele nas curvas  (o carro dele era automático) e abria distancia, porém vinha uma curva logo em seguida e ele voltava a se aproximar mas cada vez menos, até que desistiu. Foi um pouco de  criancice minha mas não passei do meu limite, apenas deixei uma margem de 10 % ao invés dos 30 % tradicionais. Por outro lado, o cara estava logo ali, qualquer "vaca" ele iria ver e parar. Os maiores riscos da 36 são, além do traçado exigir toda sua habilidade durante 3 a 4 horas, ter pouco trânsito em dias de semana, muitas áreas sem guard-rail, não ter sinal de celular e ursos. Um péssimo local para você ter problemas. A sinalização também é terrível na metade próxima a Red Bluff, ela só diz que a velocidade máxima são 55 milhas mas muitas das curvas não tem nenhuma indicação ou aviso. E isso em curvas de 180 graus !  A atenção tem que ser redobrada tentando adivinhar o que vem pela frente através de marcas de freio no asfalto, procurando a continuidade da estrada para calcular o angulo, 3 dedos da mão esquerda "cobrindo" a manete de embreagem, pé por cima do pedal do câmbio pronto para uma rápida redução se a curva o exigir e, principalmente, motor "cheio" para qualquer eventualidade. Tudo isso com sol a pino e temperatura na casa dos 40 graus. O desgaste é grande, podem ter certeza. Porém, pesando tudo diretinho eu diria que foi uma das melhores estradas para motocicleta em que já pilotei. Faria novamente sem sombra de dúvida.

DEIXANDO A CALIFORNIA EM GRANDE ESTILO
Red Bluff (CA) - Klamath Falls (OR) - 10 julho 2014

Ontem fiquei num excelente hotel em Red Bluff, 44 obamas sem café da manhã mas o quarto com vista para o rio. Além disso, inscrevi-me no programa de "milhagem"  do Hotels.com que dá uma diária grátis a cada 10 pernoites, hoje completei as 10 vamos ver como funciona essa encrenca. Dormi maravilhosamente e acordei cedo, com isso pude sair do hotel às  7:30. Dia lindo e paro num posto para abastecer e desjejum. Comprei um sanduíche, um suco e sentei-me embaixo de uma árvore linda em frente ao posto fazendo uma espécie de pic-nic matinal. Tirei até uma foto da árvore, muito bonita mesmo. 

Liguei o GPS, coloquei o destino e notei que ele (o GPS) estava de sacanagem comigo. Como não confio nele nem na maluca que fica berrando, olho sempre no Road Atlas e sabia que o caminho era pegando a 5 e depois a 97, umas 60 milhas à frente. O descacetado do GPS já veio com um papo totalmente diferente, mandando-me para uma tal de 273 depois 299 e provavelmente eu estaria em Havana se sigo aquele louco e perigoso aparelho. Refiz a trajeto, usando um artifício que aprendi com meu amigo MGiver (Luiz Maria Netto) o que foi ótimo pois o GPS viu que não estava lidando com nenhum leigo e parou de agir com viadagem. Eu optei por esse caminho para ficar dentro da área do Shasta-Trinity National Forest, que se estende quase até a fronteira com o Oregon e foi uma escolha das mais felizes. A Route 5 passou por locais maravilhosos, sem exagero. Sei que estou com o astral lá em cima e tudo fica bonito nessas horas mas o que eleva qualquer astral é o ambiente que nos cerca, e eu estava muito bem cercado. Para começar o Shasta Lake, enorme, com a 5 dando uma visão privilegiada de suas casas e ancoradouros, além da floresta que comparece nos locais e momentos mais apropriados. O próprio desenho de estrada, com curvas  parecendo jamais terminar mas que, repentinamente, invertem o sentido fazendo você levar sua "dama", com suavidade e firmeza, a inclinar para o outro lado numa dança que, em alguns momentos, chega quase a ser tão bom quanto sexo.
Eu seguia assim, quase embriagado de tanto bailar numa paisagem cinematográfica quando, ao sair de uma curva, me deparo com uma montanha com marcas brancas de geleiras. Embora não tivesse local para estacionar, parei no acostamento mínimo para emergência, liguei o pisca-alerta e fiz as fotos. Vocês mereciam ver aquilo, muito impressionante. Daí para a frente, quando aparecia um local com recuo para paradas eu entrava e fotografava. 





Com isso nem me dei conta que a gasolina estava indo para o brejo. Usei a tal função do GPS e acabei chegando a um posto na lateral da estrada. Abasteci e perguntei ao negão (forma carinhosa de falar afro-descendente) que me atendeu na loja o nome da montanha. O cara sabia tudo sobre ela: o nome é Mount Shasta, tem mais de 4.000 m de altitude e é o segundo mais alto da California. As geleiras do Shasta constituem um mistério pois estão aumentando com o tal de "aquecimento global" ao invés de diminuir (conferi no Google e é verdade, crescem 15 m por ano). Ele disse que as geleiras representam as pegadas do Deus quando ele desceu a Terra. Não discuti com ele pois tinha 2 m de altura, pesava uns 200 Kg e o cabelo tinha um corte tipo brócolis. Uma figuraça. Falando em figuraça, quando saio da loja, abastecendo ao lado da Helô estava um Fordinho 1931 inteiro, com 2 coroas ao lado. Puxaram conversa e perguntei se podia fotografar no que eles concordaram. Ficamos ali batendo papo, eles se espantaram quando disse que vinha da Flórida e disseram que vinham do Arizona. Falei com eles que era uma grande viagem para o carrinho que, a propósito, estava cheio de bagagem na parte de trás. Fiquei meio desconfiado pois a placa do carro era California mas, vai saber !  




Eles foram embora, fiquei mais algum tempo por ali e depois peguei a estrada. Agora que eu sabia o nome da montanha estava doido para encontrar um local e parar. Assim que o encontrei, olhei lá na frente e vi dois moto-home parados e os putos dos velhinhos enganchando o Fordinho na traseira de um deles. Sacanas tiraram onda com minha cara. Passei por eles na estrada e apontei o dedo como se fosse uma arma atirei neles. Velhos coxinhas do cacête !


Dalí, foi continuar a tocada na 97 e de repente me vejo entrando no Oregon, mais um estado no livro de bordo da Helô. Esse eu nunca tinha passado. 


Parei, tirei as fotos em frente ao monumento de boas-vindas e segui até Klamath Falls. Antes dei uma parada no Visitor Center, os caras tem Wi-Fi e com isso não precisei de ir a um McDonalds reservar um hotel. 
Na hora de sair escuto aquele ronco e vejo um enorme grupo de motos. Excursão, com toda a pinta. Contei 28 motos e os 3 presepeiros que vinham em pé nas plataformas me faziam desconfiar de que eram brasileiros. Como minha experiência com grupos de brasileiros no exterior é tenebrosa, preferi fazer hora para não atrapalhar  a comitiva. Se eu soubesse que eram minhas amigas Ana Sofia ou Ana Pimenta teria me juntado ao grupo com a maior alegria pois sei que são motociclistas, e das boas mas na dúvida melhor não arriscar.

KLAMATH CRATER LAKE, O LAGO MAIS PROFUNDO DOS USA
Klamath (OR) - Biggs Junction (OR) - 11 julho 2014

Ontem, logo que entrei no Oregon parei no Visitor Center. Gosto sempre de fazer isto, principalmente em estados em que entro pela primeira vez, como era o caso. Além de água gelada, ar condicionado e banheiros limpos eles tem uma equipe de recepcionistas que conhecem tudo sobre o estado, além de fornecerem mapas, dicas de atrações e, muitas vezes, exibem filmes dessas atrações. Foi assim que ví uma foto de um lago de um azul profundo em local que mais parecia uma enorme cratera lunar.  Mais tarde vim saber que se tratava de uma cratera mesmo mas de um vulcão que teve uma erupção monstruosa 7.700 anos atrás deixando uma enorme bacia no lugar do pico da montanha. Ao longo dos séculos, a água da chuva e da neve derretida, acabou por encher a bacia de uma água com uma coloração e transparência raramente vistas.  





A cratera tem quase 10 Km na sua parte mais larga e quase 7 Km na mais estreita. Na realidade ela é quase redonda e você pode contorna-la através de uma estrada que acompanha suas bordas. Em alguns pontos, os mais elevados, você encontra gelo mesmo no verão. Hoje, enquanto eu contornava a cratera, começou uma chuva fininha e a preocupação triplicou. A estrada, para variar, não tem guard-rails e no lado contrário ao lago, são verdadeiros despenhadeiros. Com chuva e  temperatura baixíssima a probabilidade de transformar aquela camada de água em gelo era grande, pelo menos na minha cabeça medrosa. Segui com cuidado e tudo deu certo, sem nem apenas um susto.





O lago fica a cerca de 50 milhas de Klamath Falls, onde fiquei hospedado.  Mas mesmo essa viagem vale a pena, você pega a 97 no sentido North, roda umas 20 milhas e na junção com a 62  pega o sentido West, cerca de 10 milhas a frente você está num encontro de 3 Florestas Nacionais: a Winema, a Rogue River e a Umpqua.  As emoções começam a partir daí. São paisagens incríveis onde as paradas são quase que automáticas. A arte de pilotar fica em segundo plano, não por falta de estradas adequadas mas a beleza e a energia que está em forma latente leva-nos, naturalmente, a priorizar a obra com que a natureza nos presenteia.





  


Foi uma parada providencial naquele Visitor Center, o Klamath Crater Lake merece estar entre os destinos Top de viagens de moto. Não por acaso a estrada estava lotada de motocicletas. Os gringos sabem o que é bom.
Depois que saí de lá botei o pé na estrada e rodei mais 200 milhas perfazendo um total de 280 milhas no dia de hoje.





Nada mau para um velho coxinha !


US-84 MAIS UMA BELA ESTRADA PARA CURTIR.
Biggs Junction (OR) - La Grande (OR) 12 julho 2014

Hoje o "tiro" foi curto, 160 milhas. A ideia era ir até Enterprise mas os hotéis estão lotados e minha melhor opção foi La Grande. Estou no McDonalds aguardando a hora do check-in (13 h) e aproveitando para postar umas fotos que fiz pelo caminho. Desta vez não parei a moto, fiz as fotos com a mão esquerda enquanto pilotava com a direita. Não ficaram grandes coisas mas dá uma ideia aproximada do visual e da estrada.






Agora vamos sofrer mais um pouquinho com o Marcelo "marcando" o Robben. Sou sem vergonha assumido, vou ver essa droga na esperança de ganharmos dos laranjeiros !

"ROUTE 3 - OREGON", MAIS UMA DAS 15 TOPS DESBRAVADA: 
La Grande (OR) - Clarkston (WA) - 13 julho 2014

Hoje a "Route 3", roteiro que é um ícone para os motociclistas da terra, foi desbravado pela nobre e fiel companheira. A Helô tem corrigido até mesmo minhas "braçadas" que, convenhamos, ao longo de 40 dias,  17 estados percorridos e pilotada por um coxa com os sentidos embotados pelo tempo é mais do que razoável que aconteçam. Lembrem-se do ano passado em que tentei sair com a trava de segurança na roda dianteira !  Coisas do genêro, acontecem com os melhores motociclistas, imaginem com um velho cujos sentidos só pegam no tranco, funcionam irregularmente e nem todos simultâneamente. Isso me obriga a usar certos artifícios para aumentar minha margem de segurança. Posso resumir da seguinte forma:  MEU nivel de risco está diretamente associado à minha capacidade de identificar um obstáculo, decidir o que fazer e executar a manobra para evitar (ou minimizar, em alguns casos) o obstáculo.  Podemos dizer, portanto, que são 3 ações: PERCEBER - DECIDIR - EXECUTAR.  Quanto mais cedo você perceber o obstáculo mais tempo e ESPAÇO você terá para decidir e executar a manobra evasiva. Com o tempo e com a vivência de estrada a gente vai descobrindo uma série de macêtes que compensam o "desgaste do material" (um elegante apelido para a velhice).
Bem, mas vamos falar do desafio de hoje. Na realidade eu ja sabia que o enfrentaria apenas não gosto de anunciar de véspera para não criar expectativas. De imediato digo que valeu a pena. Ele consiste de duas estradas que na prática é uma só, a Route 3 no Oregon, conhecida como "Anatone Grade" e a Route 129 em Washington também chamada de "Rattlesnake Grade". Elas ligam a cidade de Enterprise (OR) a Clarkston (WA) com uma extensão de 156 milhas.  Atravessa a Wallowa-Whitman National Forest que, com a vegetação característica daquela região, se estende até o Canadá e sempre (acho até que é coisa cenográfica só para me impressionar) com um rio correndo ao lado. 





Ela vai subindo na direção da divisa com Washington levando-nos ao Joseph Canyon Viewpoint ainda do lado do Oregon, onde dá para se ter uma noção da grandiosidade da obra que a natureza me presenteou. Não só a mim como a inúmeros motociclistas que fazem seu ponto de parada lá no alto.






Depois a paisagem muda e começamos a descer pelas paredes internas do canyon onde vamos encontrar o marco da divisa dos estados de Oregon e Washington. 









Tanto na subida como na descida fiz um monte de fotos enquanto pilotava (hoje foram quase 200) mas em determinados momentos a coisa complicava um pouco pois as curvas, na descida, são bem apertadas e acabei parando com as fotos pois o risco de fazer lambança começou a aumentar e a segurança falou mais alto.
Toda essa área é completamente deserta, apenas um posto de gasolina 80 milhas após sair de Enterprise e depois mais nada. No Joseph Canyon Viewpoint existem apenas banheiros limpos e só. Com o sol maltratando e depois de rodar quase 130 milhas, ao final da descida, em frente a um riacho uma placa: "Boggan's Oasis" com várias motos estacionadas. 





Meus amigos, uma lanchonete charmosa, a proprietária, uma senhora elétrica (como o são todas as magrinhas) e simpaticíssima me atendeu e comi como um condenado. Pela primeira vez achei gostoso aquele tal de "hashbrown" (eu juro que aquilo é feita de tenras e finas fatias de isopor).  

Tinham vários motociclistas comendo e TODOS falaram comigo, nem que fosse aquele grunhido que até hoje eu não entendo o que seja mas eu também rosno de volta e está tudo certo.
De qualquer forma foi um dia altamente produtivo, uma pena que ao ligar a TV me deparo com os hermanos dançando polca em pleno Maracanã......sacanagem.....acho que nem vou dormir hoje, já pensaram, torcer para a Arrentina ? Pelo menos o grito de guerra já está bolado: "ARRIBA HIJOS DE UNA PUTANA, VAMOS A GANAR ESTA MIERDA !". Pode não ser politicamente correto mas foi o que deu para arrumar.

OUTRA DAS 15 TOPs: "LOLO PASS"  
Clarkston (WA) - Missoula (MT) - 14 julho 2014

Essa também estava planejada, afinal montei meu roteiro de forma a abranger o maior número possível de roteiros tipicamente motociclisticos, onde o prazer da pilotagem encontre um cenário à altura. Foi assim que o "Lolo-Pass"  entrou na seleção. O nome foi dado a uma passagem nas montanhas, entre Idaho e Montana, por onde o famoso Chief Joseph, líder dos Nez-Perce, levou sua tribo em uma retirada de 1.400 milhas perseguido por 2.000 homens do exército americano. Considerando que a tribo era composta de 700 pessoas e apenas 200 eram guerreiros, usando táticas sofisticadas, durante 3 meses enfrentaram 4 grandes batalhas e diversas escaramuças o que levou o General Sherman a declarar que aquela foi uma das mais brilhantes manobras militares da história americana. O início da confusão foi, como não poderia deixar de ser, a descoberta de ouro no território dos Nez-Perce, levando o governo americano a descumprir o tratado com eles. Hoje esse chefe é um dos ícones na história da conquista do oeste americano. No Visitor Center do Lolo-Pass existe uma ala dedicada a ele. Aliás não apenas ele mas vários dos grandes chefes indígenas são hoje considerados heróis e cultuados como tal pelos americanos.




Mas o nosso assunto é moto e foi o que mais vi na estrada, aliás moto e um belíssimo rio que nos acompanhou por mais de 100 milhas das 200 do roteiro. Você sai de Clarkston em Washington e já, do outro lado da rua, está entrando em Idaho onde pega a Route US-12  em território dos Nez-Perce.

Paralelo à estrada, do lado esquerdo da moto, tranquilamente desce o Clearwater River. No início, fui fazendo fotos com a mão esquerda mas a estrada pede para você se dedicar à pilotagem, não só pelo atenção mas pelo prazer que ela proporciona a quem curte uma motocicleta. 














 A estrada é muito boa mesmo. Para variar, o famoso cuidado com o combustível pois tem um trecho de quase 80 milhas sem posto de gasolina. O negócio é abastecer sempre que possível.  Por outro lado, é comum encontrar áreas de descanso com banheiros, sombras e onde se concentram os bikers. Todos se cumprimentam, alguns que percebiam que eu era brasileiro puxavam conversa e até mesmo um mexicano veio tirar sarro com minha cara: "-4 años más tendrá que esperar", ele me disse. Na mesma hora mandei na lata : "-No hay problema, tenemos 5"  e mostrei a mão espalmada para ele com os dedos bem separados para não haver dúvida. Mas isso faz parte, ele levou numa boa.
Nessas paradas 2 coisas também chamam a atenção, a primeira é a idade média da turma: acima dos 60 anos fácil. Em alguns momentos eu me senti um garoto. Sem exagero, tinha gente na casa dos 80 !  E isso, além de impressionar, me deu uma alegria incrível. Só não sei se os filhos vão compartilhar dessa alegria.  O outro aspecto que chamou a atenção, mais do que no ano passado, foi a quantidade de mulheres pilotando HD, especialmente as Tourings. Coisa de louco, senhoras já entradas na casa dos 50 fazendo dupla com o marido também com uma Touring. Coisa bonita de se ver.






Foi uma viagem daquelas que ficam gravadas para sempre em nossa memória, de vez em quando vem a imagem de um trecho onde o  Clearwater se apressava formando pequenas corredeiras onde o pessoal fazia "rafting" e eu quase saia da estrada  tentando ver as coxas das gringas (com todo o respeito, naturalmente).
Depois que você chega ao alto do morro e atravessa o "Lolo-Pass", entrando em Montana, a estrada fica mais fácil, embora seja a descida da serra, com a velocidade máxima de 70 milhas. Isso já dá uma idéia das curvas bem abertas e com ótima visibilidade durante toda a descida. Interessante é que logo no início da descida tem um aviso dizendo que as marcas brancas (na realidade pequenas cruzes brancas em um suporte espetadas no acostamento) eram locais de acidentes fatais.  Não contei pois o visual e as tomadas de curva justificavam muito mais minha atenção do que uma contagem mórbida.










Cheguei cansado e com dor de cabeça pois fiquei muito tempo sem comer, me esqueci. Coisa de velho esclerosado.




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