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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 9

CONHECENDO MAIS TRÊS DAS MELHORES ROTAS

Victorville (CA) - Buttonwillow (CA) - 3 julho 2014

Depois de fechar um costa a costa, em pleno verão, com um conjunto (moto e piloto) se aproximando dos 100 anos, o mais sensato seria fazer o caminho de volta  mais curto possível. Quiçá (cuíca, como diria Benedito Valadares) colocar a Helô numa transportadora e o piloto coxinha num avião, mas aí eu não seria o Hélio, o insensato. A verdade é que informações ficaram maquinando na minha cabeça, principalmente o tal site das 15 melhores estradas eleitas pelos motociclistas (que o Carlos Shaeffer me enviou) e uma conversa com o Dotô Badá Barreto  sobre a costa do Pacífico na California. Pesando os prós e ignorando os contras descobri que ficou tudo favorável à minha lúcida e equilibrada decisão: vamos continuar procurando essas tão faladas estradas preferidas dos motoqueiros da gringolandia.  Até ontem eu tinha encontrado e “solado” 3 delas:  Blue Ridge Parkway, Tail of the Dragon e a Million Dollar Highway.


“ANGELES CREST HIGHWAY”, mais uma das 15 melhores

Hoje achei e executei mais uma das 15 melhores rotas: a "Angeles Crest Highway", que liga La Cañada-Flintridge à Weightwood, uma estação de esqui no alto das San Gabriel Mountains e dentro da Angeles National Forest.




Como vim de Victorville, a cerca de 40 milhas da estação de esqui, fiz o circuito no sentido inverso. Depois que você passa de Weightwood e entra na chamada Angeles  Crest Hwy, você está no meio da floresta e nenhum comércio existe até você chegar ao final, 60 milhas à frente. Certifique-se que tem água e gasolina suficiente para atravessar a floresta. O dia estava ajudando, nem uma nuvem no céu, pouquíssimo transito e à medida em que subíamos a temperatura caia. A um ponto em que comecei a sentir frio apesar do sol,  mas era aquele friozinho gostoso que aumenta o prazer de pilotar.


A estrada, apesar de ter o nome de Angeles Crest Hwy, é a Route 2, muito badalada no meio motociclístico de Los Angeles. Você tem que tomar muito cuidado com os ciclistas que sobem de carro e descem com as bikes como uns alucinados. O visual é belíssimo e a estrada é uma sucessão de curvas o tempo inteiro. Ora subindo, ora descendo.











A maioria dos trechos não tem guard-rail porém o asfalto e a sinalização são perfeitos. Só no final, na direção em que eu fui, e que tomei um susto. Até então, a velocidade máxima era de 45 milhas, às vezes caindo para 35, 25  ou 15 dependendo do angulo da curva. De repente a velocidade máxima aumenta para 55 milhas e eu, filho de mineiro, desconfiei e mantive as 45 milhas, depois de 2 ou 3 curvas quase que me estrepo, foi a curva mais "quadrada"  de toda a viagem. Consegui fazer sabe Deus como ! Nem o Valentino Rossi faria aquela curva a 55 milhas !  Desse trecho em diante, realmente as curvas foram ficando mais abertas mas ainda assim muitas exigiam velocidades bem mais baixas, acho que o cara das placas se enganou ou algum motoqueiro pegou a mulher dele !
Eu entrei na estrada hoje por volta de 8,30 h da manhã. Um cafe meia-bomba num 7-Eleven e nada mais. Parei inúmeras vezes para tirar fotos e com isso, um trecho de 80 milhas, acabei fazendo em mais de 3 horas. Até a bateria da câmera zerou, tive que tirar o GPS e fazer uma gambiarra para carrega-la. Cavacos do ofício. Quando acabei o trecho de descidas e a 10 milhas de La Cañada, o primeiro sinal de civilização, um bar e restaurante cheio de motos na porta.  Parei a moto em frente, com um monte de jaspion olhando aquele ser anti-diluviano descer de uma jurássica HD. Todas as motos eram essas modernas esportivas de plástico: Kawa, Ducati e Honda (tinham umas 10 motos). A maioria dos pilotos era japa, vestindo aqueles macacões com corcunda e verrugas enormes nos joelhos.  Não me deram a menor atenção, o que foi ótimo já que poderiam desconfiar do que eu estava pensando desde que cheguei. Quando vi aquelas motos enfileiradinhas pensei comigo mesmo: "- Ah um lança-chamas na minha mão agora. Resolveria isso em 30 segundos."


“ROUTE 58”, mais uma das 15 melhores

Buttonwillow (CA) - San Simeon (CA) - 6 julho 2014

Após 2 dias descansando arrumei a tralha em cima da Helô e botamos os pés e as rodas na estrada. Como saí às 7:30 h ainda estava fresco, quase frio na realidade, mas o tempo estava aberto e eu sabia que dentro em pouco iriam ligar o forno. Nem me animei a colocar a jaqueta de couro.
O plano do dia era pegar a US-58, que liga McKittrick (a 16 milhas de onde eu estava) a Santa Margarita. Essa estrada também está entre a 15 "top", segundo a AMA. Além de estar na lista ela evita as grandes e tradicionais Highways, o que é ótimo. Na entrada da 58 já tem um aviso que desencoraja muita gente: "NEXT SERVICES 70 MILES". Eu já saio com o tanque cheio e minha garrafa d'água mas, de qualquer forma, é uma realidade a considerar.  Além das ferramentas (bastante) carrego também kit para conserto de pneus, spray para enche-los, bomba de encher manual, calibrador e alguns ítens diversos, claro que sempre pode acontecer algo mais grave mas se formos pensar nisso nem levantamos da cama. 

O que torna mais crítica essa estrada não é apenas a ausência de guard-rails mas a quase absoluta inexistência de trafégo. Nas 50 milhas iniciais cruzei apenas com 1 carro e mais nada. Por um lado é uma maravilha a sensação de isolamento mas a estrada é um sobe e desce incrível, serpenteando em torno de montanhas, com curvas acentuadas, à beira de ribanceiras que acenam para os mais afoitos e se você não tiver juizo as consequências podem ser muito desagradáveis. 




De repente você "desagua" no California Valley  e  o tráfego começa a aparecer, ainda que de forma tímida.  Valeu a pena embora, na minha opinião, ela não mereça ser uma das top 15.  Valeu, não só pelo traçado, que apesar de exigir muita "mão de obra" é o que um motoqueiro busca, mas também pela gama de informação que a gente adquire. Eu vi algumas dessas máquinas (que parecem papagaios gigantes) de extrair petroleo paradas, quase em processo de deterioração, não via plantação alguma e ficava me perguntando em torno de que giraria a economia daquela região.

Em pouco tempo comecei a ter uma resposta: energia solar ! Atravessei um sem número de fazendas e ranchos com uma quantidade incrível daqueles painéis solares dispostos ordenadamente em áreas enormes.  Uma coisa que realmente impressiona pelo porte. Pode ser que me engane mas os gringos estão trabalhando com seriedade para modificar a matriz energética além de reduzir a dependência da importação de petróleo.








Já no California Valley as coisa começam a  falar meu idioma: vinicultura !  Uma coisa linda ver o trabalho de plantio. A coisa é feita com extremo capricho mas não ficamos atrás nessa área não. Quem conhece nossas vinícolas sabe muito bem disso. Mas o melhor de tudo é a tal da degustação. Todas as vinícolas tem placas na estrada convidando para dar uma "firmada de caráter". A Helô não gostou nada quando entrei em uma delas mas eu prometi que iria apenas olhar como era a coisa. Eu menti, claro. Dei uma talagada meio desconfortável pois o nome do vinho deu medo: "Heroe", além do rótulo ser a cara de um cachaceiro (não, deixem de ser maldosos, não era elle não). 



Depois dessa não quis mais correr o risco e fui direto para San Simeon pegando a famosa US-1. E foi quando vi o Pacífico.  


E as saudades de Cabo Frio bateram mais forte. Mas vida de motoqueiro é assim mesmo, sorrindo o tempo todo e de vez em quando limpando um cisco que teima em incomodar a vista.



SAN SIMEON E A INCRÍVEL COLINA ENCANTADA

Chegando ao hotel, em San Simeon, a notícia que quarto só daí a 3 horas. Não conversei, tomei o rumo da Castle Road, a 3 milhas do hotel. Meus amigos, é algo que impressiona mesmo. Merece um capítulo específico. Trata-se de um castelo (castelo mesmo) construído por William Randolph Hearst (morto em 1951), fundador de um dos maiores impérios de editoras e mídias dos Estados Unidos: 26 jornais, 13 revistas nacionais, 8 estações de rádio entre outros empreendimentos na área, além de ter produzido mais de 100 filmes. Ele colecionava obras de arte de todas as partes do mundo e começou o projeto do castelo, a que deu o nome de "La Cuesta Encantada" (A  Colina Encantada), em 1919 cuja conclusão ocorreu em 1947. O trabalho foi da arquiteta Julia Morgan. 6 anos após a morte de Hearst, em 1957, a Hearst Corporation doou o Castelo Hearst para o Departamento de Parques e Recreação da California com todo o acervo de obras de arte incluído. 

LA CUESTA ENCANTADA - O CASTELO HEARST

San Simeon - 6 julho 2014

O Departamento de Parques da California,  criou uma estrutura para a exploração turística do castelo empregando um grande número de guias, motoristas, recepcionistas além de várias outras atividades. Interessante notar a quantidade pessoas da chamada 3a. idade, principalmente mulheres, trabalhando nessas atividades.  Você não consegue chegar de carro (ou moto) até o hotel. A partir do momento em que você entra nas terras do castelo, só há uma estrada até um estacionamento enorme e lá fica o Heart Castel Visitor Center. A coisa é enorme, abriga uma espécie de rodoviária, com 4 gates, e ônibus partindo de 10 em 10 minutos, além de lanchonetes, guichês de venda de ingressos, lojas de recordações, banheiros, informações, um cinema onde são exibidos filmes da época sobre a construção do castelo, além de outras facilidades para o público. 



Você compra o ingresso para um dos 4 tipos de tour (25 dólares cada) e o ônibus o leva até o castelo, cerca de 10 minutos de uma subida com um visual lindo do Pacífico. 

Descendo do ônibus há um guia esperando o grupo e começa o tour já pelo lado externo do Castelo. Existem estátuas com mais de 3.000 anos trazidos do Egito nos jardins.  








Do lado interno, a sala de refeições impressiona pelo tamanho da mesa e pelos estandartes colocados como se fora um castelo medieval.  Todo o acervo artístico e histórico que equipava  o castelo fez parte da doação.










Existem 2 quadras de tênis sobre o teto de uma das piscinas, a chamada piscina romana, que é um espetáculo à parte. 







Fiz apenas um dos tours mas já dá para ter uma idéia da magnitude e bom gosto do empreendimento.

“ROUTE 1 - PACIFIC COAST HIGHWAY“, mais uma das 15 melhores

San Simeon (CA) - Monterey (CA) - 7 julho 2014

Este é o trecho mais procurado da Route 1 e já tinha sido alertado pelo Dotô Badá Barreto sobre ele. Como se não fosse suficiente a opinião de um motociclista de bom gosto, o Carlos Schaeffer me enviou o famoso site com as TOP 15 e a danada estava lá. Juntando tudo isso à dica de meu sobrinho Rodrigo sobre o Castelo Hearst, não tinha outra alternativa a não ser ver de perto essa famosa Route 1, especialmente no trecho entre San Simeon e Monterey. São cerca de 100 milhas (160 Km) de uma estrada que, na sua disposição, lembra muito a Avenida Niemeyer: rochas de um lado, oceano do outro, muitas curvas, aclives, declives e com bastante trânsito.
Sai cedo de San Simeon com um frio tremendo. Fui obrigado a usar a "segunda pele", cachecol, jaqueta, luva de inverno e, pasmem, uma balaclava que estava no fundo da bolsa. Às vezes amigos me perguntam a quilometragem que faço por dia e sempre digo que depende de como eu esteja me sentindo. Tento explicar que motocicleta é completamente diferente de um automóvel. A pilotagem de uma moto exige que você trabalhe com o corpo o tempo inteiro. Você fica completamente exposto à ação do vento, frio, calor, sol, chuva, óleo diesel, insetos, pólen (sim, sou alérgico) além de estar se equilibrando sobre um dos vértices de um triangulo invertido. Após 3 ou 4 h os efeitos começam a se manifestar, e se você faz isso uma vez ou outra a recuperação é rápida mas diariamente a conversa é outra.  Tem dias em que rodo 100, 150 milhas e fico com uma vontade louca de parar. Outros dias vou até as 300, 350 milhas na boa.  Tudo isso para dizer que o frio estava tão brabo que me obrigou a usar a tal de balaclava já que meu capacete é aberto na frente e estava insuportável tomar aquele vento gelado na cara. Mas não adiantava chorar, quem está na chuva é para se queimar, assim é que partimos em direção ao norte na tal de Route 1.  Apesar da cerração, que nos acompanhou até Big Sur, eu parava a todo momento para fazer fotos aproveitando locais para estacionar a Helô. O Pacífico em sí não me encheu os olhos mas dêem o desconto, meu parâmetro é covardia: Cabo Frio - Praia do Forte. Por outro lado, o conjunto da obra é lindo com a estrada se equilibrando entre o mar e uma beirada roubada às rochas. 





Às vezes em vez de rochas, colinas com uma vegetação rasteira de flores amarelas e, uma vez ou outra, um rasgo na cerração permitia que o astro-rei viesse bisbilhotar o que tio Hélio e a Helô estavam fazendo ali. Muito bom mesmo.





Nas paradas que fazia para as fotos as pessoas viam a bandeira do Brasil na minha bagagem, vinham conversar e alguns para tirar fotos daquele velho metido a motoqueiro. 

Outros perguntavam-me sobre a Copa do Mundo. Um boliviano, fã do Neymar ficou desolado quando eu disse que ele estava fora da Copa, pensei que fosse chorar. Nos despedimos e ele voltou pedindo para tirar uma foto comigo ao lado da bandeira do Brasil. Claro que concordei e pedi que a esposa dele fizesse uma foto nossa com minha câmera.
O CHARME DE BIG SUR
Route 1 (CA) - 7 julho 2014

Big Sur fica a cêrca de 25 milhas de Carmel, até agora não entendi se faz parte de um parque ou de uma reserva florestal. O fato é que à medida em que vamos chegando a essa região denominada Big Sur, o comércio tradicional: lojas, postos de gasolina, restaurantes, campings, pousadas e o que mais houver, tem um charme característico, lembrando muito Búzios, por exemplo. Aparentemente é um reduto de artistas mas, ao mesmo tempo, acolhe mochileiros de todas as partes do mundo. Talvez por isso, seja comum encontrar galerias sofisticadas com peças caríssimas, com um café no terraço onde o viajante pode saborear um capuccino vendo uma Harley desaparecendo na curva em frente ou ouvindo um motor V8 respondendo a uma reduzida antes de despontar nessa mesma curva. Coisa para "gourmet". Quando vi esse Cafe parei de imediato. O local era privilegiado, o terraço permitia a visão das curvas à direita e à esquerda.




Com o frio que estava fazendo, peguei meu café e fiquei um boa meia hora curtindo e absorvendo a energia daquele lugar incrível. Para se chegar ao café você passa por uma galeria de arte e atravessa um jardim interno que, por sí só, já justifica a parada, isto sem falar nas peças expostas no estacionamento.








Tem uma escultura de um casal (eu fotografei) que pelo tamanho da bunda da mulher desconfio que o modelo ou foi o Hulk ou uma dessas mulheres-fruta. 

Ví a escultura de um pequeno dragão, não sei de que material, e pensei em levar para minha neta, quando perguntei o preço e pela a cara que fiz a mulher teve a mais absoluta certeza de que estava lidando com um "Zé Mané". QUATRO MIL DÓLARES. Céus.



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