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terça-feira, 3 de setembro de 2013

CAMINHO DE VOLTA - Vicksburg

Vicksburg (MI) 3 de setembro de 2013
 
A decisão de permanecer mais um dia em Vicksburg foi das mais acertadas. Trata-se de uma cidade com uma importancia histórica muito grande, como veremos mais adiante, e que preserva com carinho uma arquitetura, a meu ver e leigo no assunto, com forte influencia européia. Para curti-la e admira-la voce precisa ir ao Historic Downtown, estacionar a moto e andar a pé. Como eu precisava encontrar um café pensei em juntar o útil ao agradável e lá fui eu para o centro histórico. Parei a moto e comecei a fazer fotos. Era uma atrás da outra de construções antigas mas muito bem cuidadas e uma grande quantidade de igrejas. 









 
Outra coisa que chama atenção na cidade é a quantidade de livrarias, cafés e galerias de arte, algumas com enfase no Blues e tudo que se relaciona a ele, além de galerias ao ar livre, como é o caso dos painéis ao longo do Rio Yazoo.


 
 
E foi ao lado da Livraria Loreley que ví o meu cafe, o Cafe 61. Para variar, na sobreloja o cafe tem um atelië de pintura onde o artista expõe e negocia seus quadros. Como só gosto de quadros de "pelado artístico" nem me aventurei a subir. Fiz meu pedido e aguardei mineiramente sentado na mesa na calçada observando o  Yazoo (afluente do Mississipi) passando tranquilamente lá em baixo. Muito legal. O café: um tal de "bagel" com creme de queijo e um chocolate misturado com um monte de coisas que nem ousei pedir para que a atendente repetisse o nome. Fiz de conta que entendí tudo, com cara de inteligente, entremeando "shure" com a "litle bit"  e aguardei impávido. Não sei o que era mas estava uma delícia...


 

 
Quando estou quase terminando eis que chega um casal e o cara, com uma camisa da Harley Davidson, me pergunta o ano da Helö. Pronto, foi o ponto de partida para mais um bate-papo. Eles são Tailandeses e irmãos. Ela se chama Kady e vive há 23 anos nos Estados Unidos. Ele, que se chama Lon, vive na Tailandia, tem uma Harley Davidson e veio para visitar a irmã e os 110 anos da HD. Ele esteve em Milwaukee onde alugou uma moto e participou da festa mas disse que não gostou, o negócio dele é estrada e sózinho (conheço um cara que pensa dessa forma). Conversamos sobre minha viagem, a compra da moto, minha volta para o Brasil,  trocamos cartões, telefones e e-mails além dos tradicionais votos de boa viagem e "ride safe".  Embora um conhecimento muito rápido e, aparentemente, superficial a despedida sempre nos traz uma ponta de emoção. Grande abraço para Kady e Lon, foi muito bom encontra-los

 
 
Após as despedidas, montei na Helö e fui um pouco mais à frente para fazer o retorno e tomo um baita susto: um barco do Mississipi estacionado ao lado da calçada. Parei a Helö e fui ver do que se tratava. Para variar era parte do museu do Rio Mississipi. Voce entra por um prédio cujo desenho lembra um barco do rio e, após admirar e conhecer a história do rio, através de uma passarela voce entra num autentico barco do Mississipi trazido do rio e montado alí ao lado e em excelente estado de conservação. Acredito até que pode navegar com tranquilidade.


 
 
O grande problema de fazer essas fotos é que de vez em quando passa alguma coisa que nos tira a atenção. Embora eu seja disciplinado quando estou registrando algo com minha desconjuntada Sony apenas duas coisa me tiram do sério.
 

 
Após a coxuda do cachorro sem rabo e o Pontiac GTO cruzarem meu caminho meu lado mineiro acordou e pensei: aqui deve haver uma estação de trem, nem que esteja desativada e pus mãos à obra. Saí na captura da estação perdida. Não precisei andar muito, uma belíssima estação, transformada em museu, estava lá à minha espera às margens do Yazoo. Que visão maravilhosa!


 
Claro que eu entrei no Museu ferroviário, administrado por um simpático casal de idosos, voluntários ( o que é muito comum aqui, a participação voluntária dos cidadãos em atividades comunitárias) e que me receberam como se eu fosse uma visita ansiosamente aguardada. Muito simpática a preocupação deles em saber de onde eu era, o que estava achando da cidade, se precisava de algo e coisas do genero. Pode ser apenas por educação mas impressiona e faz bem. O senhor fez questão de ligar a maquete com a miniatura dos trens e de mostrar algumas das réplicas em miniatura de barcos que navegaram no Mississipi.

 
 
Na cidade está localizado o Vicksburg National Military Park cuja entrada é ao lado do motel em que estou (um Motel 6 de 45 obamas com desconto de 10 % para velhos da AARP - meu caso). O Park abrange a área onde ocorreu a batalha chave da guerra civil americana. A batalha pelo controle do Rio Mississipi ao sul de Cairo (Illinois) visando isolar Texas, Arkansas e a maior parte da Louisiania, região onde o Sul buscava recrutas e suprimentos. Esta batalha durou de outubro de 1862 a 4 de Julho de 1863 quando Vicksburg finalmente assinou a rendiçãonao General Grant. Como voces veem, motociclismo também é cultura.
O Vicksburg National Military Park é, para os americanos, como se fora um campo santo. Em apenas dois locais é permitido fazer  piquenique. Não se escuta música, mesmo em volume baixo. Todos tem uma atitude respeitosa e as conversas se dão em tom que não incomodam ninguém. O único som mais grave mas que, na minha apaixonada opinião, não quebrava em nada a solenidade do local, muito pelo contrário, eram os motores V8 girando em baixas rotações lembrando o distante troar de canhões. Mas isso na minha opinião que não vale absolutamente nada.


 

 
 



 
Imbuido de um fervor cívico e preocupado com a situação mundial, empolguei-me e fiz um discurso onde a linha mestra foi estabelecer parametros para a política externa desta grande nação.
 
Parece que não apreciaram muito minhas idéias visto que me algemaram e me despacharam num vagão que era utilizado para levar loucos perigosos para o manicömio. Injustiça !!!!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - El Dorado - Vicksburg

El Dorado  (AR)    -    Vicksburg (MI)         2 de setembro de 2013
 
Novamente acordei antes das 6 (estou ficando bom nisso, o que me preocupa pois acordar cedo é coisa de velho). De qualquer forma valeu a pena, tomei café no quarto mesmo já que ontem à tarde comprei algumas coisas mais compatíveis com nosso desjejum do que aqueles pães doces besuntados de uma geleia feita de óleo do diferencial de Opala 74. Não esquecí nada e deixei o GPS desligado, hoje eu iria ditar o rumo com base nas minhas observações e nas minhas consultas ao gugou ontem à noite. Descobri que a 82 no sentido Est iria, em algum momento e eu assim esperava, encontrar com a 61, a "The Missipi Blues Trail".  Essa estrada tem toda uma história e foi utilizada por aqueles que queriam descer até o Delta do Mississipi e se transformar em um "Blues Man" ou partir para um dos ramos do Blues. Foi assim com o maior de todos, o lendário Robert Johnson. Embora tenha gravado apenas 29 músicas e morrido com 27 anos é considerado pelos seus pares como aquele que deu uma personalidade ao Blues e recebeu a alcunha de "King of the Delta Blues Singers". Diz a lenda que ele fez um pacto com o diabo na encruzilhada da 61 com a 49. Na realidade trata-se apenas de uma história inventada por um despeitado blues-man.
Mas a própria 82 mostrou-se uma estrada muito melhor do que qualquer outra que a bosta do GPS queria me "vender" (vou acabar jogando fora essa invenção de ateus). Logo cedo, ainda meio no lusco-fusco, o sol com uma preguiça danada, passo por um trecho e resolvo fazer umas fotos, afinal ontem fiquei devendo.



 
 
 
Quando fui me aproximando da divisa do Arkansas com o Mississipi avistei o rio Mississipi. Apesar de ter chegado logo após uma tempestade, via-se restos de galhos de árvores pelas ruas bem como painéis derrubados pelo vento, a beleza e a placidez do rio dominavam a paisagem. Procurei um local para estacionar a moto e fazer as fotos já que não uso o acostamento para isso. Prefiro dar uma margem de segurança além de não dar motivo para os policiais me multarem. Ainda ssim, no momento em que estava preparando a máquina, um carro da polícia parou entre as faixas amarelas que diviedem as pistas mas apenas para me perguntar se estava tudo bem. Sim estava e aproveitei para fazer uma foto dele indo embora.
 

 
Andando um pouco mais, cruzo uma bela ponte estaiada e fico na expectativa da placa de boas vindas do Mississipi. Não demorou muito e lá estava ela, prontinha para ser fotografada mas guardando uma desagradável surpresa.
 
Terminei as fotos, montei na moto e começo a rodar, de repente vejo o "Visitor Center" e resolvo parar ao mesmo tempo em que sinto uma ferroada no joelho que quase caio da moto (eu estava manobrando para estacionar). Desço da moto, mais caí do que descí e olho para minha calça coalhada de formigas. Eu tinha parado em cima de um formigueiro e como estou usando bota de cano alto levou algum tempo até elas "escalarem" e chegarem na minha perna. Corri para o banheiro pulando que nem saci, tirei as calças, botas e meias e por sorte o banheiro estava vazio. Quando voltei  para o estacionamento a senhora que estava tirando fotos com as filhas já tinha sumido.

 
Após fazer as fotos sai ao encontro da 61 e foi muito fácil encontra-la, é só seguir a Est 82 que ela cruza com a South 61, pelo menos era isso que eu vinha repetindo para mim mesmo desde que tinha saído de El Dorado com medo de errar e dar "moral" ao tal de GPS e da maluca faladeira.
 
Daí para a frente foi só festa, a 61 corre paralelamente ao rio Mississipi em toda a sua extensão atravessando pequenos condados,áreas de plantações e algumas velhas casas abandonadas  típicas da região.
 




 
Com muita folga, por volta de 1 h da tarde, cheguei a Vicksburg e onde pretendo visitar o museu da  Guerra Civil amanhã, fazendo o Road Tour (se a previsão estiver errada e não choever).


 
 
 
 
 
 


domingo, 1 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - Forth Smith - El Dorado

Forth Smith (AR)     -      El Dorado (AR)           1 de setembro de 2013
 
Hoje acordei bem cedo, não eram 6 horas. Barba, etc, banho, arrumar bagagem na moto, desjejum meia boca do hotel, checkout (só entregar as chaves) monto na Helö e saio lépido e fagueiro para aproveitar enquanto a temperatura está baixa. Vou seguindo as indicações do GPS para sair da cidade, sempre desconfiado da honestidade daquela modernidade quando de repente começo a sentir um frio estranho na cabeça. Assustei-me, nunca tinha ocorrido isso antes. O que será ?  Será o tal do AVC ?  Comecei a formar frases em voz alta e quando parei num sinal de transito levantei os dois braços e forcei uma risada (lí uma vez que se voce não conseguir fazer um dos tres voces está, com licença da palavra, fodido). O motorista do carro ao meu lado arregalou os olhos, baixou um pouco o vidro e perguntou-me: "- Are You ok ?", não sabendo o que responder mandei lá: "I hope so". Neste momento vi minha cara de bunda no vidro do carro dele e notei que estava SEM O CAPACETE !  Esquecí o capacete no hotel !  Agradeci muito ao cara, ainda dei-lhe uma fechada para fazer a conversão para voltar ao hotel. Resultado que perdi uns 20 minutos. Mas deu para tirar a diferença pois, além de ser cedo, a estrada estava vazia e deu para apertar o passo. Em 2 horas rodei quase 150 milhas com apenas uma parada rápida para abastecer. Quando começou a esquentar eu fugi da Highway e peguei uma estrada secundária, passando por uma reserva de floresta natural que além de ter um visual muito bonito, não tinha quase transito. Parei inúmeras vezes para fazer fotos mas ao chegar ao hotel descobri que a camera estava na posição filmar. Perdí fotos sensacionais mas hoje foi dia das lambanças: primeiro o capacete, agora as fotos.
Cheguei a El Dorado cedo e aproveitei para descarregar as coisas no hotel e sair para almoçar. Passei por um local enorme com um monte de casas igualzinhas e ao chegar mais perto percebí que era uma fábrica de casas.

 
Os caras fabricam as casas em cima de uma espécie de chassis, com engate para reboque, feixes de molas, pneus e o escambáu. Voce compra a casa e eles levam-na até voce. Coisa de gringo mesmo.

 
Fiquei alí olhando ao mesmo tempo em que pensava na largura das casa na estrada. Lembro que uma vez fui ultrapassado por uma carreta carregando uma trapizonga dessas mas, apesar de ser larga, ainda cabia na estrada. De repente reparei que as casas são divididas ao meio para facilitar o transporte, vejam nas fotos abaixo:

 
Realmente, tudo planejado de forma a facilitar (e baratear) a construção e o transporte. Comecei a imaginar isso no Brasil e de cara ví que não ia dar certo. Já imaginaram os "sem teto", na calada da noite arrastando uma encrenca dessas com uma Brasilia 73 pela Avenida Atlantica e "plantando-a" em frente ao Copacabana Palace ?  E os nossos empresários vendendo a mesma casa para dois clientes, na hora de entregar vai metade para um e metade para outro. Na hora em que o cara quiser usar o banheiro tem que ir na casa do outro, este por sua vez se quiser ir na cozinha vai na casa do outro. O problema é na hora de dormir, aí vai dar galho, ou chifre.......Não ia dar certo. Melhor deixar como está.

O CAMINHO DE VOLTA - Moore - Fort Smith

Moore (OK)   -   Fort Smith (AR)        31 de agosto de 2013
 
Após uma semana de folga em Moore na casa dos meus amigos Dan e Odete, só tomando cerveja e curtindo um SPA para relaxar, entremeado com uma ida ao Cassino para tomar sorvete (é de graça) e perder um dólar em 100 jogadas de 1 cent, chegou a hora dolorosa: a despedida. Ontem à noite amarrei toda a tralha em cima da Helö. A impressão é que a bagagem vai aumentando embora eu não tenho comprado praticamente nada muito pelo contrário, andei jogando fora mapas antigos, folhetos promocionais, revistas de turismo, 2 pares de meias que se recusaram a ser lavados, teste caseiro para marijuana e outras bugingangas mas não adiantou muito a bichinha ficou parecendo moto de retirante da seca do nordeste.
 
 
Na hora de sair a maior dificuldade em falar, me despedir dizendo tudo que eu queria dizer para aquelas duas pessoas que abriram as portas de sua casa sem jamais ter me visto. Um amigo comum, o Nando de Cabo Frio (guitarra baixo dos Analfabeatles - os legítimos) falando comigo pelo Nextel (na época funcionava e eu já estava na gringolandia) disse que tinha uns amigos em Oklahoma e se eu iria passar por perto. Respondi que talvez. Ele então entrou em contato com eles, que pediram meu e-mail, e para minha surpresa recebo um e-mail super gentil com números de telefone, endereço e um convite para passar na casa deles e faze-la de base para meus passeios. Pensei em passar apenas para bater um papo e um cafezinho mas quando chego lá, um quarto me esperava com tratamento 5 estrelas. Eles me levaram a todas as cidades próximas. Aprendí muito sobre a história daquela região com o Dan e a Odete (ele americano e aposentado e ela brasileira do Rio Grande do Sul e advogada). Quando partí para a Marcha para o Oeste mantinhamos contato 2 a 3 vezes por semana tal o zelo e preocupação deles comigo. Pessoas especialíssimas que o Criador coloca no meu caminho, assim como Bob e Cristiane, Jeremy e Britini e muitos outros que a idade e a emoção não me permitem lembrar o nome. Não existem palavras para expressar toda minha gratidão. 
E foi assim, emocionado, de uma forma que um velho não pode ficar, que montei na Helö e sai pilotando da melhor forma que meus olhos permitiam.
 
 
 
 
Batimentos voltando ao normal, transito exigindo concentração e o calor quase derretendo o asfalto. Realmente estava muiiiito quente. Parei 3 vezes para dar um tempo na sombra e acabei colocando o colar gelado em torno do pescoço (ajuda um pouco). O fato é que não pude ir além de Fort Smith, a 180 milhas de Moore, mas o corpo sentia e quando isto acontece não adianta forçar. Parei num Days Inn maravilhoso (43 obamas, ar condicionado nevando e uma cama enorme, limpinha e com 4 travesseiros). Descansei um pouco e sai a pé (estou no centro) para fazer algumas fotos da cidade que é uma beleza. A igreja católica da Imaculada Conceição fica no início da avenida principal em um ponto mais elevado. A igreja foi construida no final do século XIX.
 
 
 
Interessante também a preocupação em preservar os antigos prédios, a maioria feita dos tradicionais tijolinhos vermelhos, fazendo com que as novas construções se harmonizem com as antigas:




 
As calçadas são um convite para andar a pé: sem buracos, limpas, arborizadas e floridas. Acho que estou ficando mal acostumado. Está na hora de voltar mesmo.

 

 
 
Ao lado da igreja está o Saint Anne's Convent, um pouco mais recente do que a igreja.

 
E assim, após uma boa caminhada pela cidade, entrei num restaurante "japa" e matei  um sushi sem dó nem piedade. Ainda bem que ficava longe do hotel e a caminhada ajudou a tal de "congestão" como dizia um amigo. Um abração pois amanhã tem mais.