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sexta-feira, 10 de abril de 2015

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 18

CHEROHALA SKYWAY, MAIS UMA DAS 15 !

Bryson City (NC) - Crossville (TN) - 19 agosto 2014

Hoje pela manhã, após fechar a conta do hotel, resolvi fazer um ligeiro tour a pé pela pequena e aconchegante Bryson City, afinal de contas é a melhor forma de conhecer e sentir o verdadeiro “american way of life”. Recomendo a todos que o façam sempre que possível, misturem-se à gente da cidade, sem preconceitos e abrindo sua mente para todos os tipos de informação. Cada rua percorrida era mais bonita do que a anterior. Surpresas se sucediam como atravessar uma ponte com vasos de flores decorando os gradis, a antiga estação de trem como se estivesse operacional, bibliotecas, museus, cafés ao ar livre e uma gente simpática e educada que me brindava com sorrisos e cumprimentos fazendo-me sentir em minha própria cidade.











Foi um tanto difícil encerrar o tour mas eu tinha um compromisso com Cherohala Skyway. Finalmente consegui encontrar-me com essa belíssima estrada de nome tão perigosamente estranho. Desde 2011 tento encontrar-me com ela mas sempre havia algum obstáculo. Desta vez ela me recebeu de braços abertos e, em alguns momentos, com os olhos marejados em forma de chuva.




Foi emocionante, principalmente quando a névoa nos envolvia. Só quem não gostava da brincadeira era a Helô que me puxava as orelhas quando eu ficava um pouco mais mais ousado: "- Juizo seu velho desmiolado, já corrigi várias lambanças de Vossa Majestade (é uma forma irônica dela me tratar) mas se continuar a pilotar desta forma vai acabar nos derrubando!". Isso refreou meu entusiasmo e trouxe-me para o mundo real. 


Encontrar a Cherohala foi facílimo seguindo as instruções da bonita e simpática dona do posto de gasolina de Tobacco Branch (arrependi-me de não fazer-lhe a côrte com mais ousadia...mas eu voltarei) além disso ela me forneceu mapas e "folders" que ajudaram a entender um pouco a malha viária da região. O início da estrada, umas 3 milhas,  lembra bastante as curvas do Tail of the Dragon. A pista estava molhada  pela chuva da noite e o sol ainda não havia saído para seca-la.



Pilotagem cuidadosa, pisando em ovos, margem de segurança maior do que o normal até que alcançamos o marco do final da Cherohala, no nosso caso seria o início já que faríamos o sentido inverso. 

A partir desse ponto a pista mais seca e as curvas permitindo velocidades maiores a gente começa a se entusiasmar. Muitas motos na estrada mas ninguém atrapalha ninguém, se o cara está mais lento ele dá passagem até mesmo indo para o acostamento quando possível.





Eu estava empolgadíssimo quando começou uma chuvinha não muito forte mas que me obrigou a colocar o "google" por cima do meu óculos de grau.



Continuei no mesmo ritmo (a Helô está com pneu novo na traseira e o dianteiro está excelente) até baixar a neblina. No começo ainda tentei seguir na mesma toada mas começou a piorar a visibilidade até que a Helô me deu o tal puxão de orelhas. A chuva aumentou e a visibilidade era de no máximo uns 20 metros.



Segui bem devagar, tenso, principalmente quando a faixa amarela do centro da pista desaparecia, e isso durante as 12 milhas mais longas de minha vida de "coxa". Finalmente, logo após entrar no Tennessee, o tempo foi melhorando, a chuva parou e pudemos voltar a pilotar com garbo e elegância já que o "cagassus galopandis" ficou para trás. 





Chegando a Tellico Plains com uma fome de padre vi uma lanchonete a beira de um rio, estacionei a Helô bem ao lado de uma mesa, debaixo de uma grande árvore e à beira do tal rio. Lindo o lugar e ponto de parada dos motoqueiros.





Fiquei por lá quase 1 hora curtindo o local. Sai  dali e poucos metros à frente um dealer Harley Davidson obrigou-me a outra parada para as fotos coxinhas de praxe.



Como já estava ameaçando chuva novamente botei o pé na estrada e segui para o Motel 6 que reservei em Crossville e de onde teclo essas mal traçadas.

P.S.:  A Cherohala Skyway atravessa duas florestas nacionais, uma da nação Cherokees (de onde foi tirado o "Chero") e a outra da nação Nantahala (de onde vem o "Hala" para formar o nome Cherohala).

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AS 15 MELHORES ROTAS DOS USA - 17

280 MILHAS FINAIS DA BLUE RIDGE PARKWAY CONCLUIDAS.

Galax (VA) - Bryson (NC) - 17 agosto 2014

Foi muito mais tranquilo do que eu imaginava, em geral o transito na Blue Ridge aos domingos é intenso, principalmente de motos.

 Não que o transito chegue a atrapalhar, longe disso, acontece que isso leva os "cops" a apertarem a fiscalização. Talvez eu tenha saído muito cedo (7 h) mas o fato é que a estrada estava quase vazia, a temperatura bem baixa (na casa dos 18 graus) e o sol nem sinal de vida.  Adiantei ao máximo essa primeira etapa, com um certo abuso na velocidade já que hoje eu teria de fazer 280 milhas. Pode parecer pouco, e realmente não é nenhum absurdo mas para um "coxinha" que está desde o dia 2 de junho na estrada, quase que sem parar, a margem de tempo que me sobra é mínima. Afinal tenho que fazer pagamentos (infelizmente tenho o péssimo hábito de pagar minhas contas. Mania de pobre !), ligar para meus filhos, escrever alguma coisa inteligível para aqueles que se dão ao trabalho de ler meus posts, baixar fotos, seleciona-las, lavar roupa, carregar baterias (celular, câmara, notebook), manutenção da Helô, consultar meteorologia, reservar hotel e um monte de outros detalhes que aparecem no dia a dia. Assim enrosquei um pouco o acelerador para ter alguma coisa antes de começar as paradas para fotos. Impossível não faze-las. Estou tentando faze-las enquanto piloto mas a qualidade, em 90 % dos caso, é péssima além de ser um tanto arriscado.








Uma coisa que me chamou a atenção, e olha que conheço a estrada desde 2011, é que não existe nenhuma "defensa" (guard-rail) metálica, todas são de pedra ou de madeira bem como as cercas que delimitam pastagens que, às vezes, confrontam com a estrada







Os túneis, pontes e viadutos, sempre que possível, tem sua fachada com acabamento em pedra, o que torna sua integração com o meio ambiente onde estão inseridos muito mais suave.





Outra coisa que me deixou espantando foi um conserto na estrada logo após entrar em North Carolina. Lembrem-se de que era um domingo e não havia ninguém trabalhando no local. A estrada estava com meia pista apenas, numa extensão de uns 2 Km cheia de curvas. Não havia NENHUM guarda, fiscal ou quem quer que seja controlando o transito.  Apenas dois sinais, um numa ponta e outro na outra, com placas de advertencia e informando que a multa por violar o sinal vermelho poderia chegar a 5.000 DÓLARES ! Um pequeno gerador fornecia energia para o sinal e para um display que informava o tempo que restava para trocar a luz de vermelha para verde. A espera poderia chegar no máximo a 10 minutos, com isso você desligava o motor da moto, colocava-a no descanso e quando faltassem 20 segundos tornava a liga-la. INACREDITÁVEL ! Me deu uma inveja braba.





Consegui chegar a Cherokee ainda cedo e surpreendi-me com o que ví. A última vez que entrei em Cherokee foi em 2011 e a cidade mudou muito nesse tempo. Era uma cidadezinha muquirana mas os danados dos índios estão investindo muito e, já no ano passado, notei uma grande mudança com um comércio bonito e muito mais forte, parques bem cuidados, sinalização perfeita e um tipo de turista bem diferente dos motoqueiros e mochileiros do meu tempo. Os sacanas dos Cherokees decidiram investir pesado no jogo e construíram um complexo de Cassino, hotel e mall de 14 andares, bem ao estilo Las Vegas.



De Cherokee rumei para Bryson City onde tinha conseguido um hotel (na bacia das almas) de 129 doletas por 50. Mal desci da moto um grupo se aproxima de mim e pergunta: "Brasileño ". Si, respondi e então iniciamos um papo animadíssimo em espanhol, inglês e português. Eles são de Porto Rico e moram na Virginia, amigos que viajam sempre nas suas Goldwings e adoram, como eu, a Blue Ridge.

Após me convidarem para jantar e fazer questão de tirar uma foto comigo perguntaram por que eu todo ano voltava àquela região. Pensei bem antes de cada palavra e acho que conseguí me fazer entender falando mais ou menos o seguinte: "Viajar pela Blue Ridge Parkway é o mesmo que entrar no paraíso sem ter a rídicula obrigação de morrer antes !"