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domingo, 8 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - New Orleans - Pensacola (1/2)

New Orleans (LA)   -    Pensacola (FL)        8 de setembro de 2013

(1a. Parte)


Hoje pela manhã fui colocar a tralha na moto para pegar a estrada e encontro com o Frank, o manobrista que hotel metido a besta chama de "Valet", e ele me avisa que a moto dela está ao lado da minha. O cara veio com a Moto Guzzi 750 para me mostrar. A moto só precisa de uma pintura e uma boa limpeza. Ela está íntegra e funcionando "redondinha".



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O Frank, o Valet, arranjou uma vaga coberta para a Helô, o problema é que tinha que passar no meio de carros e entre eles tinha um com cara de mauzão. Este Camaro da segunda foto. Pedi a ele para chegar a viatura para a frente passei com o maior cuidado, o carro é zero e o dono é um afro-descendente com mais de 2 m de atura.
 
 
Ontem à noite, analisei a rota de New Orleans para Pensacola e ví que o vigarista do GPS iria me mandar para a I-10. Uma enorme Highway, reta e cheia de caminhões. Sem a menor emoção, é o mesmo que beijar a própria irmã. Mas eu sou cheio de artimanhas e pus-me a examinar o atlas com um óculos que comprei por 1 dólar com 3 gráus acima do meu, uma beleza. Ví uma estradinha, a 90, que atravessa a região do delta do Mississipi, passando por pantanos, manguezais, cruzando inúmeras pequenas pontes e seguindo pelo litoral. Não conversei, é por ela mesmo. No início foi um tanto complicado encontra-la pois tinha jogo do Saints e a cidade estava fervendo de torcedores e carros mas depois que peguei a estrada foi uma maravilha. Como falei, a estrada atravessa todo o trecho do delta com o Lake Borgne do lado direito (formado pelas aguas do Atlantico) e pelo Lake Pontchartrain à esquerda formado pelas águas do Mississipi. Existem trechos com menos de 200 m de largura e as casas são construidas sobre uma espécie de palafitas deixando espaço suficiente para as marés que em algumas ocasiões, chegam a atravessar a estrada. 
 
 



Tentei fazer fotos à esquerda e à direita da estrada para dar uma idéia do "environment" (não sei o que é isso mas ouvi Hopalong Cassidy falando isso num filme e achei o máximo). Os pantanos me encagaçaram um pouco p...ois dizem que tem aligator (uma espécie de lagartixa enorme). Por via das dúvidas fiquei sempre por perto da Helö. Do outro lado da estrada, o direito, uma espécie de "banhado", como o do Taim no Rio Grande do Sul. O asfalto não preciso nem comentar, excelente embora a estrada seja de apenas uma pista na sua maior parte. Transito quase nenhum pois é vedado a carros com mais de 4 toneladas devido às pontes. Além do mais passa por uma infinidade de condados e municípios pequenos da forma como eu gosto: paro no posto de gasolina para abastecer, bato um papo com o balconista ou com um outro viajante, com calma e, principalmente, tendo a consciencia de que estou vivendo um momento especialíssimo que compartilho mentalmente com todos voces. Para mim essa é a maior façanha da minha viagem: ter a consciencia do que estou vivendo. Isto não tem preço.
 



Bay of  Saint Louis

A primeira foto foi de uma das inúmeras pontes pelas quais passei. As pontes mais novas me chamaram a atenção por terem uma pista para bicicleta. Em toda a parte se ve uma preocupação muito grande em estimular o uso de bicicletas, principalmente nas "Scenics Parkway" como eles chamam as estradas com um visual especialmente atraente. O melhor foi o visual quando acabei de cruzar a ponte dou de com uma baita avenida beirando o mar, costeando a  Bay of Saint Louis que faz parte do Golfo do Mexico. A areia é como a de Cabo Frio, branca e finíssima. O mar, pelo menos hoje, estava tão manso que parecia uma lagoa. Agora vejam se eu vou viajar na I-10 no meio daquele monte de caminhões vomitando rolos de fumaça misturados com óleo diesel ! A Helô é muito chique para se misturar com aqueles bárbaros.
 
Como a hora do almoço já tinha passado há muitas luas, vi um monte de barcos de pesca de camarão numa marina e resolvi parar. Tinha um restaurante no alto de uma escadaria, lotado e lembrei logo da Cabana do Pescador na praia das Conchas, "Jamil" para os iniciados. A bagunça lá dentro também era igual, apenas o idioma era um pouco diferente. Digo um pouco por que bêbado fala qualquer idioma, até mesmo Braile. O fato concreto é que eles estavam vendo um jogo (aquele que o cara corre e todo mundo pula em cima dele. Coisa bêsta) do Saints nas várias televisões espalhadas. É igualzinho a jogo de futebol, neguinho berra, faz comentário, dá soco na mesa, enfim toda aquela fleugma da torcida do Flamengo e Corintians juntas. Para não ficar deslocado eu fingia que assistia e quando os caras berravam eu mandava lá um "- Uta que ariu !", cada vez mais alto. Eu tava indo bem, molhava o camarão no molho creole, mastigava o infeliz e assistia aquele bando de barbados se agarrando e de vez em quando mandando meu recado. Foi um almoço interessante, principalmente depois que uma coroa queimadinha de praia sentou numa mesa a boreste da minha o que me estimulou a mudar o grito para "- Oxtozaaaaaa !". E foi assim, de gritos em gritos, sem poder conter o riso (acho que ela ficou desconfiada ) que curti um almoço da filial do Jamil em Bay of Saint Louis. 

 

Sai do restaurante, mal rodei 2 milhas e dou de cara com "isso". Um Reo, com chassis encurtado, pneus 16 x 20 parado na beira da praia. Pelo estado dos paralamas e do resto do carro que voces não viram mas eu ví, dá para saber que quem o usa tem 18 anos, cabelo parafinado, surfista e se chama Carlo, como o meu filho pois era exatamente isso que ele fazia com meus jipes. Sei que já se passaram 25 anos mas vendo esse Reo me bateu uma vontade danada de dar-lhe umas porradas em homenagem aos velhos tempos



Depois de deixar para trás essa monstruosidade e sempre costeando o o Golfo do México, proa na direção do Alabama e acelerador enroscado pois tínhamos muito asfalto à frente para engolir...
 










 

 





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