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quarta-feira, 29 de maio de 2013

AV. GERIÁTRICAS II - Preparação das motos

 
Após a intempestiva aquisição da Helö e toda a correria resultante, credores por um lado, Receita Federal por outro, neta reclamando que vai ficar com saudades e  a troca de reais por dólares exigindo uma burocracia que nos tenta  apelar para a ilegalidade, entro no avião e desligo-me das conexões que me unem ao nosso confuso país, tomando o cuidado de manter apenas  os laços que  dão um sentido para minha vida: pessoas amadas  e  maravilhosas lembranças.  Ambos  regados à   lágrimas de emoção e de saudades,   estas últimas cada vez mais constantes e dolorosas.  Mas fazer o que, senão aboletar-me na Helö, ou na Thaís, voltar a proa para o horizonte, transformar a saudade numa ponte com a eternidade e descobrir que a felicidade é uma curva feita com capricho e arrojo ao som de um Big Twin que faz tremer o chão e disparar os corações. Bem,  mas isso são divagações de um velho gaga’ que não sabe muito bem o que fala. Prossigamos.  O fato e’  que cheguei a Charlottesville no dia 8 e imediatamente tratei de ligar a Sabrina Sato (a Goldwing) do Cyro. A danada pegou no ato e isto graças a filha do Cyro, que ligava a moto semanalmente além de manter a bateria carregada graças a um mini crregador da HD. At’e ai tudo correndo muito bem, apenas na hora de sair com a moto e’  que deu-se  o problema, a embreagem não funcionava. Como o acionamento da mesma é hidraulico, a primeira ação foi verificar o reservatorio do fluido (DOT 4)  e constatar que estava totalmente seco. Como não havia (e não há vazamentos) só pude atribuir a alguma barbeiragem da concessionária Honda onde a moto ficou para trocar o “estator”. Por ai se ve que concessionárias lambonas não são privilégio nosso não. Comprei o fluido, enchi o reservatório e fiz a “ sangria” . Por sorte o parafuso de sangria, embora na parte inferior da moto, e’  do lado esquerdo, o que me permitia, de joelhos,  “bombear”  a manete de embreagem com a mão esquerda, segura-la e com a mão direita aliviar o parafuso de sangria ate’  expulsar todo o ar. Fiquei de pescoço torto mas valeu a pena, consegui dar uma volta com a moto e ela saiu-se esplendidamente.


 
Depois disso, banho e um merecido descanso pois no dia seguinte o cara que me vendeu a moto viria me pegar as 8 da matina para a conclusão do negócio cujos detalhes foram objeto do capitulo “Uma policial entrou na minha vida”.

 




Após pegar minha moto  aproveitei para tratar de fazer a vistoria anual da Sabrina Sato, que já estava vencida. Procurei um posto autorizado, são vários e em geral oficinas particulares homologadas e sem nenhuma burocracia: voce chega, entrega o documento do veículo, aguarda numa saleta de espera com café, água e ar condicionado, na sua vez voce é chamado, coloca a moto no box, eles verificam pastilhas de freio, sistema elétrico, numeração de chassis e colam o selo com mes e ano da próxima vistoria no local que voce escolher para tal. Pague 12 dólares e após, no máximo, 30 minutos voce está liberado. Pronto a Sabrina estava operacional aguardando o Cyro e a Helö, cuja vistoria só venceria no final do mes, já estava circulando com seu orgulhoso piloto por todos os cantos de Charlottesville.
 
 

O grande problema foi que o Cyro não chegou sózinho, ele trouxe o virus de uma gripe como clandestino e o sacana do virus, ao invés de aproveitar a viagem, cismou de manifestar-se de forma traiçoeira derrubando o Cyro com um tal de “ipon”. Isso modificou totalmente nossos planos pois pior do que uma gripe é a recaida da danada e na nossa idade não podemos dar chances ao adversário que faz nossa fila andar com uma velocidade que em nada nos agrada. Tá certo que o cara também não ajuda muito, um dia em que se sentia melhor peguei-o deitado no chão debaixo da Sabrina (epa, epa...) regulando o pedal de marchas, verificando óleo e continuaria assim não fosse a bronca da filha. O fato é que o cara sossegou o facho.

Pelo meu lado, fazia pequenos percursos e apenas no sábado,  18 de maio, resolvi ir a Staunton na concessionária HD dar uma checada na “marcha lenta” (idle) da minha moto que estava muito baixa depois de aquecida (cerca de 500  RPM).

sexta-feira, 17 de maio de 2013

AV. GERIÁTRICAS II - A Helo entrou em minha vida



Ultimo fim de semana de abril, cafe da manhã de sábado na Harley da Barra, revejo velhos e novos amigos mas não consigo evitar a preocupação com o funcionamento da “bomba”. Afinal, sem fazer nenhum dos vários e periódicos exames que minha maravilhosa cardiologista solicitou resolví partir para a gringolandia  em abril de 2012, apenas 40 dias após após fazer um terceiro cateterismo, para viver, ainda que fosse pela última vez, as tais “Aventuras Geriátricas”.  Valeu a pena, e como, mas a verdade é que relaxei e jamais fiz os tais exames.  Sei que viver é perigoso mas deixar a vida passar sem saber o que é uma defesa de mão trocada, a matada no peito arrematada pela acrobática “bicicleta ”, o cheiro de grama misturada com gasolina nas manhãs  enevoadas  no Aero Clube de Nova Iguaçu, o toque de silencio na Base Aérea do Galeão quando a juventude nos parecia eterna, a primeira e gaguejada declaração de amor que jurava jamais fazer,  o saber-se dominando uma motocicleta com mais de 400 Kg aos 70 anos de idade, olhar para trás e o que se ve  nos estimula a seguir em  frente continuando a jornada até quando as forças permitirem.  Embora eu saiba e concorde com tudo isto a preocupação persistia.
Este ano, convidado pelo Cyro para voltar à gringolandia, resolvi fazer pelo menos o mais importante dos exames:  uma tal de tomografia computadorizada das veias pulmonares para ver se havia algum processo de estenose. O resultado sairia no dia 7 de maio e até lá só me restava aguardar para embarcar para os Estados Unidos no final do mes.  Acontece que no dia 1 de maio (feriado),  navegando na Craigs List, vi o anuncio de uma Road King Police 2001 em uma cidade a cerca de 120 milhas de Charlottesville e aquilo mexeu comigo, aliás mexeu muito comigo. Escrevi para o cara que se mostrou extremamente paciente com meu ingles e o fato é que fechamos negócio (eu em Cabo Frio, ele em Fairfax – O que é a globalização !). Tentei organizar minha vida o mais rápido possível – alguns credores devem ter ficado de fora – e consegui  uma passagem para o dia 7 de maio, o mesmo dia em que ficaria pronto o resultado do exame que, a propósito, nem quis mais saber dele. As prioridades passaram a ser outras. Meus filhos que cuidassem desse departamento (grandes garotos). Cheguei a Charlottesville no dia 8 e antes do Cyro, que só  chegaria no dia 11. No dia 9 o cara que me vendeu a moto veio a Charlottesville de carro, paguei a ele, fomos ao DMV (Depto de Transito da Virginia) e em 30 minutos a moto estava em meu nome e a placa na minha mão. Seguimos para Fairfax, a cidade do Drew (o que me vendeu a moto) onde fui buscar a minha policial. Confesso que quase cai para trás quando ví o estado da moto. Ela está práticamente nova.


 
Apesar de ser uma 2001 esta com apenas 36.000 milhas pois o Drew era milico e serviu no Iraque, Arabia e outros paises por alguns anos tendo a moto ficado na garagem a maior parte do tempo. Ele a vendeu por ter comprado uma Road Glide (mais confortável para levar a esposa).



Antes vir embora o Drew deu-me todas as peças sobressalentes e vários acessórios além de uma caixa de ferramentas além de levar-me para almoçar. Acabamos nos tornando amigos e fui convidado para rodar com o grupo dele, composto de ex-policiais e ex-milicos.









Na viagem de volta, como tenho o hábito da dar nomes às minhas motos, vim pensando no nome mais adequado para ela.  O comportamento da máquina era excelente, o baita para-brisas e o enorme banco sobre coxim de ar regulável, além das suspensões (dianteira e traseira) com amortecedores a ar tornavam-na gostosíssima de pilotar. Neste momento pensei : “- Linda, gostosa e policial ? Bingo, só pode ser a Helö !” . Aquela policial gostosa que a gostosa da Giovanna Antonelli interpretava em uma novela. E assim meus amigos a Helö entrou com tudo em minha vida......






Ah....o resultado do exame ?  Meu filho escaneou e mandou por e-mail: SEM estenose, apenas o átrio esquerdo dilatado. Fazer o quë ?  Minhas mulheres e ex-mulheres dizem que tenho todos os defeitos possíveis e imaginários mas que tenho um grande coração, hehehehehehe !

sábado, 4 de maio de 2013

Rabo do Dragão - Vídeo


Fazendo uma limpeza em meus aquivos, encontrei um filme de minha primeira viagem ao Tail of the Dragon em outubro de 2011 onde fui comemorar meus 69 anos de idade.
Aluguei uma Harley Davidson Ultra Classic 2010 na HD de Staunton, em dois tons de grená, a quem dei o nome de Angelina em homenagem a uma das meninas do Photo.
 
 
 
Embora tenha ido com o Cyro para Charlottesville, fui sozinho para Deals Gap pois ele ficou curtindo a filha que iria viajar para a Africa do Sul. Já narrei esta viagem em outubro de 2011 (vide postagens antigas).  A viagem de Charlottesville (VA) a Cherokee (NC) através da Blue Ridge Parkway (cerca de 500 milhas) é qualquer coisa de sensacional e vou repetir sempre que tiver oportunidade, aliás repeti-a em maio de 2012.
 
 
 
De qualquer forma, acho interessante postar o vídeo pois ele dá uma idéia razoável do que é o Tail of the Dragon: um trecho da 129 na divisa entre a Carolina do Norte e o Tenessee , com cerca de 11 milhas e 318 curvas. A estrada é de mão dupla, estreita, sem acostamento, com curvas em sequência,  pequenas elevações  e transito aberto para carretas e moto-homes.  Deals Gap é onde se convencionou ser o ponto de partida para os "tiros". Tem um motel (barato e bem no meio da muvuca), um posto de gasolina, e um restaurante, além de um pátio enorme lotado de todos os tipos de motos. Nos finais de semana a quantidade de equipes que chegam com suas motos em reboques é impressionante. Mais impressionante ainda é a disposição dos pilotos que ficam subindo e descendo o Dragão o dia inteiro e não raro durante a noite.  



 
Como era minha primeira incursão adotei uma pilotagem cautelosa e conservadora mas tendo o cuidado de não atrapalhar ninguém. Lembrem-se de que eu  estava sózinho (se caio num daqueles valões e ninguém vê estaria lá até hoje), a moto era alugada e tinha uma multa de 5.000 dólares se eu desse PT na bichinha.  De qualquer forma valeu a pena pois motocicleta é igual a sexo: mesmo que não tenha sido uma maravilha sempre vale a pena.
 
Ao vídeo:

terça-feira, 23 de abril de 2013

Pilotagem - Segurança

Parando a moto no transito - Vídeo

Grande moçada,

correndo o risco de estar cansando vocês com minhas preocupações com segurança tomo a liberdade de relatar uma mania que tenho que acho bem saudável: trata-se de parar a moto, especialmente em estradas onde o transito é mais rápido. Devido ao verdadeiro pavor que tenho de levar uma porrada por trás sem poder fazer nada, como se fosse "tiro ao pato", resolvi adotar um procedimento que poderia me tirar da situação do "pato". É o seguinte,  quando, por qualquer motivo, o transito pára, busco uma posição entre a lateral do carro que estava à minha frente e o acostamento à direita.. Mesmo parado fico olhando pelo retrovisor e com a primeira engatada. Uma ocasião, logo após uma curva na estrada que vai de Juiz de Fora a Viçosa, o transito estava parado e procedi da forma habitual, entre o carro e o acostamento, primeira engatada, pé direito no freio, mão na embreagem e, embora não estivesse olhando para o retrovisor na hora, ouvi um forte barulho de frenagem e imediatamente arranquei com a moto pelo acostamento. O carro vinha muito rápido, freiou forte, perdeu o controle e saiu rodando, parando sem bater em ninguém. Fiquei feliz em não ter acontecido nada e mais ainda por ter feito o procedimento sem pensar, no reflexo mesmo (ainda que seja altamente discutível falar em reflexo em um ancião de 70 anos, hehehehe).

Hoje, um colega postou este vídeo no FB que é altamente didático.
http://www.facebook.com/#!/photo.php?v=10151396876272507&set=vb.561952506&type=2&theater

Caso você não consiga vê-lo tente com este outro link: http://www.youtube.com/watch?v=FyG_fGpNgmU

Grande abraço,

segunda-feira, 25 de março de 2013

Pilotagem - Vídeos

Pilotagem - Manobras em baixas velocidades e contra-esterço



Este vídeo mostra uma turma fazendo exercícios de um curso de manobras em baixa velocidade para motocicletas de grande porte (Hondas Goldwing)

Depois os caras vão para a estrada praticar o contra-esterço (counter steering). Reparem no olhar dos pilotos, eles estão focalizando o ponto para onde querem que a moto vá, alguns corretamente outros um pouco forçados mas a técnica é essa mesmo: A MOTO VAI PARA ONDE VOCÊ OLHA !

E é incrível como você consegue levar essas motos a grandes inclinações em baixas velocidades utilizando a técnica da polícia americana. Um verdadeiro "ovo de colombo" que a maioria (aliás imensa maioria) dos motociclistas se recusa vaidosamente a aprender. Por essas e outras é que vemos um número imenso de HD Tourings com baixíssima quilometragem à venda pois seus proprietários, acostumados com motos menores que perdoam quase tudo, se assustam ao descobrir que não conseguem domina-las (o que é facílimo, diga-se).

http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&v=digSeQLDvoo&NR

 

Pilotagem - Vídeos

A importancia do olhar na pilotagem

Este vídeo mostra clara e didaticamente a forma correta do olhar do piloto em uma curva. Vejam que ele tira a cabeça de trás da "bolha" para olhar o ponto em que deseja que a moto passe. Isso se aplica a qualquer tipo de veículo de duas rodas, inclusive bicicletas.

http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=fPnkDd0cepg&NR=1


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Segurança - REDUZINDO RISCOS


REDUZINDO RISCOS NA PILOTAGEM


Pilotar uma motocicleta é a melhor coisa da vida que pode ser feita em público.  Por outro lado, se você não conhecer a técnica correta para pilotar a sua máquina o que deveria ser um prazer, a qualquer momento pode se transformar em um sério problema. O pior de tudo é que pouquíssimas pessoas reconhecem a necessidade de buscar ajuda e quando o fazem, quase sempre procuram as pessoas erradas.  
No meu caso dei uma sorte muito grande. Resolvi comprar uma motocicleta, uma Vulcan Classic 800, 3 ou 4 anos trás. Comecei como a maioria, achando que sabendo dirigir automóvel e bicicleta estaria automaticamente graduado. Passei por inúmeros “sufocos” e descobri, após uma viagem a Minas sozinho, que não sabia nada sobre a matéria.
Busquei ajuda na Internet e baixei um livro que, embora sobre motos “speed”, me deu  algumas dicas fundamentais  e onde fui apresentado ao “contra-esterço”. Após 8 meses com a Vulcan comprei uma Harley Davidson Road King Classic. Trouxe-a para Cabo Frio e após uma semana resolvi vende-la: cheguei à conclusão que jamais a dominaria. Um amigo, ao saber do motivo da venda, apresentou-me ao Comandante Cyro França que se dispôs a ensinar-me a Técnica das Polícias Americana e Canadense. Começamos no mesmo dia e após 3 ou 4 aulas desisti definitivamente de vender a moto e pela primeira vez me senti completamente seguro.
Continuei tomando aulas e praticando manobras em baixa velocidade, depois na estrada fazendo curvas em velocidades mais altas até que, com menos de 8 meses, viajei para a California onde aluguei uma HD Ultra Classic e “fiz”  20 dias de “Route 66” cruzando os desertos de Mojave e Arizona, atravessando o “Death Valley”, perdendo uns dólares em Las Vegas, conhecendo o Zion National Park,  Gran Cannyon,  Bagdad Café, etc... Tudo isso sozinho, enfrentando chuva e frio em algumas ocasiões, transito pesado nas cidades em outras,  e sem nenhum contratempo.  Aproveitando ao final para fazer o curso do Jerry Paladino (Ride Like a Pro) em Los Angeles e constatar que as aulas do Comandante Cyro eram bem mais completas e didáticas.
Assim é que continuo aprendendo, treinando, fazendo cursos, lendo e colocando em prática os conhecimentos que venho adquirindo e, em especial, as aulas do Comandante Cyro com quem tive o prazer e o privilégio de formar uma parelha, com duas veteranas Gold Wing, e rodarmos pela Virginia, North Carolina, Tennessee, New York, Maryland, West Virginia, Ohio, Pennsylvania e Michigan, onde o ponto alto foi uma louca disparada pelo famoso “Tail of the Dragon” onde os limites de velocidade foram excedidos, confesso envergonhado.
Fruto de todo ensinamento que recebo e recebi, tentei colocar em forma de artigo informações que, espero sinceramente, ser de alguma utilidade. 

REDUÇÃO DOS NÍVEIS DE RISCO

Antes de mais nada temos que definir o que é risco e como medi-lo. Em se tratando de pilotagem de motocicletas, podemos dizer que risco é a possibilidade de nos envolver em um acidente devido a  um PROBLEMA surgido em nosso percurso. Problema este que pode ser óleo, areia,  lama ou interdição na pista; veículos quebrados/parados; curvas que requerem velocidades mais baixas; etc... Naturalmente que o piloto, de acordo com seu nível de competência e com a natureza do problema,  buscará uma SOLUÇÃO  que exigirá TEMPO e ESPAÇO para ser executada com sucesso.
Isto nos permite dizer que, entre o momento em que o PROBLEMA for identificado e a MOTOCICLETA  devem existir  TEMPO e ESPAÇO suficientes para o piloto executar a SOLUÇÃO (freiar, desviar, acelerar ou qualquer outra que julgar adequada).  
Portanto, para avaliarmos o Nível de Risco de nossa pilotagem devemos medir  os componentes TEMPO e ESPAÇO existente entre a motocicleta e a nossa capacidade de perceber o PROBLEMA.  O Nível de Risco aumenta na razão inversa da redução desses dois fatores. Quanto mais  reduzido for  o tempo e o espaço entre você e o problema maior será o Nível de Risco de sua pilotagem.
Vamos tentar exemplificar. Imagine que você esteja pilotando, dentro dos limites legais da estrada, em uma reta e nessa reta exista um veículo acidentado obstruindo a pista. Este problema requer que você encontre e ponha em prática uma solução. Seja qual for a solução encontrada você precisará de TEMPO e ESPAÇO para executar a manobra adequada. A diferença entre sucesso e desastre serão os metros e frações de segundo disponíveis para o procedimento.
A responsabilidade por criar este verdadeiro Espaço Vital é unicamente do motociclista, através de uma postura que deveria ser ensinada antes de qualquer outra coisa e onde três ações devem ser destacadas:  PERCEPÇÃO, DECISÃO e EXECUÇÃO.

PERCEPÇÃO:
Esta é a mais importante das ações. Quanto mais cedo você perceber um problema ou a simples possibilidade de sua ocorrência, mais tempo e espaço você terá para as duas outras ações: DECISÃO e EXECUÇÂO.
Não por acaso os bons pilotos olham 2 ou 3 segundos à frente,  antecipando o que será necessário fazer para alcançar  aquele ponto. Parece uma coisa difícil mas se você praticar torna-se automático.  O seu olhar deve funcionar  como a luz dos faróis de um carro:  não se fixam num objeto mas sim estão sempre à frente varrendo a estrada. Você deve utilizar igualmente, a  visão periférica com a qual perceberá os obstáculos mais próximos sem necessidade de desviar o foco que estará à frente.
Existem exercícios para aprimorar (na realidade aprender a utilizar) a visão periférica que ajudam muito. Por exemplo, sentado em uma mesa com vários objetos em volta e olhando, sem desviar o foco, um ponto fixo à frente mover as mãos e pegar os objetos sobre a mesa.
Olhar os veículos que estão bem à frente muitas vezes nos ajuda a perceber obstáculos que a vista ainda não alcança, seja através da luz de freio, algum solavanco, fumaça de pneus, ou mesmo um desvio brusco. Com o tempo, e exercitando sempre, adquirimos uma capacidade de percepção que irá nos livrar de muitos problemas. Animais nas margens da pista,  veículos no acostamento ou parados em cruzamentos e interseções devem ser considerados problemas em potencial.

DECISÃO:
Neste ponto, após ter PERCEBIDO o problema, considerando o espaço e o tempo disponível você DECIDIRÁ qual a solução a ser EXECUTADA. Lembre-se que a moto continua rodando comendo metros e frações de segundo que podem fazer toda a diferença, quanto mais rápido você der início à EXECUÇÂO do procedimento maior será a probabilidade de sucesso.
Dito assim parece difícil ou mesmo impossível de ser feito mas não é. Antes de mais nada você deve conhecer os fundamentos básicos de pilotagem (Frenagens, Contra-esterço, Olhar, Postura, Curvas em baixa velocidade, etc...) e, principalmente, que você tenha um programa de treinamento que simule situações imprevistas (falaremos disso mais tarde), você vai incorporando manobras e procedimentos de segurança que, pela repetição, seus músculos acabam por memorizar  se transformando em reflexos.
Uma ótima maneira de simular situações de risco em segurança é o chamado Treinamento Mental. Sentado em uma cadeira confortável em um local sossegado em sua casa, feche os olhos e imagine que está pilotando sua moto, procure imaginar o som do motor, os pneus girando no asfalto e de repente uma situação de risco, por exemplo um carro quebrado após uma lombada. Imagine uma solução e realize as manobras mentalmente. É um ótimo exercício pois nos leva e desenvolver soluções para as situações mais inusitadas em completa segurança. Mais tarde você coloca-as em prática em um local seguro onde você poderá verificar o espaço e o tempo requerido para sua conclusão, ajudando-o a conhecer ainda mais sua motocicleta.
Uma dica fundamental  é que após você decidir por um procedimento jamais desista dele. Leve-o até o fim.

EXECUÇÃO:
Já que o problema foi PERCEBIDO e uma solução foi DECIDIDA,  se ambas as ações foram realizadas em tempo hábil e você vinha pilotando mantendo um Nível de Risco adequado, ou seja: com TEMPO e ESPAÇO suficientes para as três etapas:  PERCEPÇÃO – DECISÃO  - EXECUÇÃO, esta é a etapa mais fácil, basta que você coloque em prática a sua habilidade como motociclista para contornar a situação com sucesso
Além da manobra propriamente dita, existem dois aspectos fundamentais que não podem ser negligenciados , especialmente neste momento : RESPIRAÇÃO e OLHAR.
RESPIRAÇÃO: Como todos que passamos por situações estressantes e recebem uma descarga de adrenalina, tendemos a contrair os músculos, trincar os dentes e bloquear a respiração. Isto é altamente prejudicial em todos os sentidos pois acaba prejudicando a oxigenação do cérebro afetando nossos reflexos. O que aprendi é que, em situações como essas, ao PERCEBER o problema, começo a inspirar pelo nariz e expirar pela boca, como um atleta. Isto funciona muito bem comigo evitando uma elevação dos batimentos cardíacos. Aliás, sempre que vou fazer uma manobra um pouco mais complicada passo a respirar como um atleta garantindo uma oxigenação adequada.
OLHAR: Uma verdade que aprendi é que a motocicleta vai para onde olhamos, é inevitável.  Se você olha para o acostamento ou para o carro que vem em sentido contrário, você é atraído para eles como se foram imãs.  Se você está numa curva e deixa de olhar para o ponto onde quer que a moto vá e olhar para a pista contrária, esteja certo de que você invadirá a pista contrária.  No presente caso, você identificou um PROBLEMA, DECIDIU o que fazer e está EXECUTANDO a manobra que o livrará do PROBLEMA. Não olhe para o  PROBLEMA mas sim para onde quer que a manobra leve a moto pois lá está a SOLUÇÃO !
Olhe para a SOLUÇÃO, jamais para o PROBLEMA !
Naturalmente que a capacidade de executar estas 3 etapas variam de motociclista para motociclista  cabendo a cada um de nós conhecer e  estabelecer  nossos próprios limites.  As diferenças podem se tornar perigosas quando se anda em grupos pois algumas vezes colocam motociclistas experientes “puxando” o “bonde” obrigando, eventualmente, outros motociclistas  a pilotarem acima de seus limites.
Um outro aspecto interessante é o Nível de Risco que a pessoa está disposta a assumir. Conheço motociclistas que fazem uma determinada curva a 140 Km/h, no limite. Sei que tenho habilidade e competência para faze-lo mas prefiro contorna-la a 110 Km/h, tenho como padrão andar entre 70% a 80% do meu limite deixando uma margem de segurança. Tem sido saudável.
Se eu pudesse dar uma sugestão para meus irmãos motociclistas diria o seguinte:  Faça da pilotagem de sua moto um prazer, andando da forma e na velocidade que você julgar a mais adequada. Não tema abandonar um comboio se você não está disposto a assumir um Nivel de Risco que não é o seu.


Referências Bibliográficas:

WWW.aviaomotoskill.com -  Com. Cyro França

Ride Like a Pro – Jerry Palladino

Maximum Control – Pat Hahn

Proficient Motorcycling – David L. Hough

A Twist of the Wrist II – Keith Code

Street Strategies – David L. Hough

Motorcycling Excellence – The Motorcycle Safety Foundation’s Guide