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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Kayenta a Hurricane

Kayenta (AZ) - Hurricane (UT)  8 de agosto de 2013

Ontem à tardinha chegando a Kayenta (AZ), cidade em uma reserva indígena dos Navajos, procurei vaga em um dos muitos hotéis da cidade: todos lotados e o único que tinha uma vaga, ainda assim de fumante, custava 240 obamas. Só se eu “fumasse” mesmo ! Como se não bastasse o atendimento era feito pelos próprios índios que olhavam para mim como se eu fosse o próprio General Custer, a impressão é que iam me escalpelar a qualquer momento. Saí dali rápido temendo pela integridade de meus parcos fios da outrora juba. Em geral não tenho esse tipo de problema pois quando saio de uma cidade já estou com uma reserva feita na próxima mas como saí de Monticello sem saber para onde iria, deixei para fazer depois de decidir. Não sei até agora a razão de quase todos os hoteis naquela região estarem lotados, talvez a última semana de férias escolares. O fato é que resolví botar o pé na estrada e ver o bicho que ia dar. Bastou rodar umas 10 milhas e encontrar uma espelunca que era um assalto mas depois daquilo vinha um baita deserto e resolvi morrer em 100 dólares por um banho quente e uma cama por uma noite. Hoje, café (pago) e pé na estrada em direção a Hurricane (Utah), cidade que já conheço quando fiz uma parte da Route 66 em 2010 com uma Ultra alugada. A estrada é quase o tempo inteiro atravessando regiões desérticas, passando por Page (AZ) e Kanab (UT) até Hurricane (UT), mas nem por isso desprovida de belezas e algumas surpresas.
 


 
 
A primeira das surpresas foi quando olhei o marcador de gasolina e lembrei que não tinha abastecido em Kayenta naquela confusão de hotel. O negócio foi pilotar na ponta dos dedos e conversar, principalmente conversar, com a Helö que só ela poderia nos tirar daquela encrenca que eu, irresponsável e incompetente confesso, fabriquei. E ela não me decepcionou, chegamos a Page com menos de meio litro no tanque !
 
 
Um contraste doloroso de se ver mas gostaria que um desses "ecochatos" fossem lá tentar fechar a termoelétrica. O primeiro obstáculo seria a polícia indígena. Sim, está em reserva indígena e seus proprietários são os Navajos, exímios escalpeladores d'outrora mas que ainda mantém a tradição se necessário for.
 

 

Quando eu ví de longe não acreditei: "-É uma miragem ou o velho Jack desceu atravessado hoje pela manhã quando firmei o caráter!" pensei. Mas qual o que, era um grande, enorme, monstruoso barco passeando no deserto. Mas esses gringos não pregam prego sem estopa, deve haver uma explicação !
 


 
 
Pronto, a explicação esta dada. O rio Colorado represado na região do Glen Canyon, entre Page e Big Water, formando um lago artificial de quilometros de extensão além de gerar energia elétrica. Ampliando a foto em que abarece o paredão da barragem ao fundo voces podem ver veículos sobre ele o que pode dar uma idéia do tamanho da goiaba.
 
 
Como não existe almoço de graça, aí está uma das consequencias de pilotar moto nesta região no verão, mesmo com bloqueador soar Fator 100 (eu nem sabia que existia). Pilotar de casaco nem pensar, é desidratação na certa. Engraçado que até umas 9 horas faz bastante frio, de repente o calor vem com força total. O negócio é parar a cada 30 minutos, mesmo sem desligar ou descer da moto, e beber um pouco d'agua.
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Monticello a Kayenta

 Monticello (UT) - Kayenta (AZ)    7 agosto 2013

Hoje pela manhã, debaixo de um baita frio e uma chuva fina saí de Monticello sem saber muito bem para onde ir. Todas as cidades na direção de Kayenta (Arizona) estavam sem vagas nos hotéis. O problema é que eu queria conhecer a região de Mexican Hat e resolvi me mandar assim mesmo pois nem todos os hotéis são cadastrados no Booking e Hotwire, principalmente as espeluncas (minha especialidade). Parei em Blanding para o café da manhã e estudei os mapas pois desconfio muito desse tal de GPS. Anotei num pedaço de papel a numeração das estradas e desliguei o GPS para economizar bateria e minha paciencia com aquela mulher maluca falando "- Wrong way, wrong way, wrong way...". Um porre ! A verdade é que quando voce pilota com tranquilidade, sem a ansia de chegar, sem nem mesmo um destino muito certo, voce repara coisas que às vezes passam despercebidas. Alguns resquícios da outrora próspera Route 66, a tranquilidade com que um Deer (veado) atravessa a estrada mostrando estar acostumado com os humanos e suas máquinas barulhentas (parei a moto quase ao lado dele para tirar a foto) e como se não bastasse, após uma curva ou uma lombada surge uma escultura trabalhada na pedra por uma parceria entre o tempo e o vento (Erico Veríssimo que me perdoe). Tudo isso para transformar um mero deslocamento entre dois pontos em UMA VIAGEM .


 

 


ARIZONA - Mais um estado conquistado.

Eu sabia, a gloriosa estrela solitária está sempre me mostrando o caminho, agora na bandeira do Arizona. Bom gosto ao extremo.

 





 

 
As paisagens se sucedem cada uma mais impressionanto do que a anterior. Isto, claro, na minha opinião. Talvez por ter sido um péssimo aluno de geografia os acidentes topográficos me fascinam e jamais confundi-os com acidentes de tráfego.
 
 

 

 
 
De repente uma camisa do Brasil ! Vai ver é da turma do protesto, pensei. Que nada, é um italiano, Ricardo, apaixonado pelo Brasil. Ele fez qestão de dizer que é romano e torce, lógicamente, para o Roma e o Totti é o melhor jogador do mundo. Não gosto de discutir mas perguntei se já tinha ouvido falar num tal de Falcão no que ele retrucou: "- Estava falando de jogador de futebol, não do Rei de Roma !". Fodaço
 
O famoso "Twin Rocks Cafe" que fica próximo a Bluff (UT) em uma reserva indígena. Logo após, algums milhas à frente, a região do Mexican Hat com seu perfil característico.
 
 
 
 
Pilotar motocicleta numa estrada deserta com o horizonte lá na frente prometendo tudo que voce for capaz de imaginar é, com certeza, a melhor coisa que se pode fazer vestido.
 
 
 


 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Green River - Monticello

Green River (UT)  -  Monticello (UT)     5 de agosto de 2013
Hoje, aproveitando que fica no caminho, foi dia de conhecer o Canyonland National Park, em Moab. Acordei cedo, para meus padrões, fiz o check-out, montei a tralha na moto pois depois do parque seguiria meu roteiro e fui em busca da estrada. Encontrei-a bem rápido passando em frente a meu hotel e ela, a estrada, já merece uma nota bem alta e com louvor. Poucos carros, muitas curvas em subidas e descidas e uma paisagem de tirar o folego. Pena que era curtinha, umas 25 milhas até o Visitor Center mas também depois que voce entra no parque, as alternativas de vistas são sencacionais. Na realidade voce está sobre um enorme platö, onde a estrada circula-o totalmente, permitindo diferentes angulos de observação.


 
Num lugar desses é impossível voce não virar criança ou se emocionar, na maioria das vezes as duas coisa ao mesmo tempo, para desespero de meus amigos motoqueiros malvadões. A energia que nos envolve é algo de que jamais me esquecerei. A presença de pessoas queridas é sentida quase fisicamente e impossível não se emocionar. Ao final, saio dalí montado com todo o garbo e elegancia na não menos elegante, fiel e incomparável parceira de aventuras matutando como uma máquina pode ter caráter e personalidade de causar inveja a muita gente. Coisas de motociclistas, coisas de um velho sem juizo...







 Estava procurando uns angulos melhores para fazer algumas fotos mais agressivas (sair daquele feijão com arroz de sempre) mas desisti rápido quando uns moleques começaram a gritar " -Look, the neanderthal man, the missing link !" Porra me chamar de "missing link" aí é ir longe demais. Se bem que cheguei a pensar em voltar lá com uns trajes adequados e cobrar 10 dólares por foto com o "missing link".
 
 
Após esta visita ao Canyonland National Park, peguei a estrada, a 191, pois a idéia era continuar até Mexican Hat porém os hotéis estavam lotados e acabei ficando em Monticello, único local onde encontrei vaga.

domingo, 4 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Green River

Green River - Archs National Park   4 de agosto de 2013


Hoje resolvi passar o dia rodando no Arches National Park que dista cerca de 50 milhas de meu hotel. Foi uma sábia decisão, voltei para o hotel cansado mas satisfeito com tudo o que ví e pelos locais em que passei. A entrada do parque é vedada a carros comerciais além de ser paga: moto 5 obamas mas é valido por uma semana. O Visitor Center, como todos aqui na terra de Marlboro, é coisa de profissionais, tem um anfiteatro com sessões de 30 minutos, com flimes didáticos sobre a história do parque. A estrada asfaltada que percorre o parque, embora sem acostamento na maioria dos trechos, é bem sinalizada e policiada pelos Park Rangers (a maioria mulheres), além de ter estacionamentos nos pontos de maior interesse.

 
 
 
 
 


 

sábado, 3 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Silt - Green River

Silt  ( CO) - Green River  (UT)     3 de agosto de 2013

A viagem começou com o termometro da moto marcando quase 43 gráus Celsius. Apesar de ir por uma Highway, a I-70, nesta parte do estado ela atravessa uma região lindíssima, correndo ao longo do rio Colorado, entre paredes de rocha e acompanhando o traçado sinuoso do rio. Uma pena que o acostamento é mínimo o que não permite fazer as fotos que gostaríamos, o risco de multa é muito alto. De qualquer forma o Colorado não nos decepcionou, muito ao contrário, proporcionando atrações para todos os gostos e todas as idades. Levo muitas e boas recordações deste estado onde encontrei muito das gerais de minha infancia.
 
 





 A entrada em Utah foi com pompa e circunstancia mas daí para a frente a região é desértica até Green River, onde me aboletei num Motel 6 da vida. Fiquei preocupado pois não encontrava posto de gasolina e o tanque estava baixando rápido. A velocidade máxima na região é 75 milhas mas o pessoal estava andando a 80/85. Acompanhei o ritmo no início mas a Helö começou a beber mais do que uma amante argentina. Reduzi o ritmo e pelos meus cálculos daria na conta do chá. Pouco antes do meu destino encontrei um posto caindo aos pedaços mas tinha gasolina, era o que interessava. Na chegada de Green River um enorme paredão ao longe anuncia o final do deserto. Acho que vou gostar de Utah, tem estilo !
 

 
 


 
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A MARCHA PARA O OESTE - Leadville - Silt


Leadville (CO) - Silt (CO)       1 de agosto de 2013

ASPEN (CO) - Engraçado que Aspen não estava nos meus planos (a bem da verdade eu não tenho planos) e a idéia era sair de Leadsville e ir para Boulder por estradas secundárias mas depois da "vaca" de ontem resolvi que Aspen seria um desafio à altura do momento pelo qual eu passava. Nada como seguir a intuição. A estrada é cinematográfica, uma serra sem acostamento e guard-rails que isso é coisa de coxinha. Angulo de subida pronunciado, curvas em cotovelo e uma pista estreita que mal dá para dois carros. Mas o visual é lindíssimo apesar do perigo que representa uma pequena distração naquelas condições. Só quando a paisagem estava na minha frente é que eu arriscava uma olhadinha. A descida, embora não tenha os abismos tão radicais, em alguns trechos não dá mesmo para dois carros e isso sem falar nos trechos em que a terra corre para a estrada. Valeu a pena, a sensação de dominar a moto, sem presepadas e sem riscos desnecessários, apenas sabendo que está utilizando toda a sua bagagem e experiencia tornando a viagem segura e prazeirosa. Realmente hoje foi um dia que lavou a alma.
 
 
 

Quando eu ia chegando no famoso "Independence Pass", o ponto culminante da serra, vejo dois ciclistas chegando pedalando. Pomba, esse morro tem quase 4.000 metros de altura pensei, eles devem estar sem fala. Qual nada, os caras vieram conversar comigo e perguntaram se eu vim de moto desde o Brasil. Morri de vergonha e confessei que não mas limpei minha barra dizendo que foi por problemas diplomáticos (a taxa... de corrupção estava em alta). Depois disso eles pegaram barras de cereais, energizantes e hidrantes e me perguntaram se eu estava servido, aí foi minha vez de tirar uma onda: "- No meu país a Embrapa desenvolveu um tipo de banana que além disso tudo ainda tem um toque de Jack Daniels para ajudar a firmar o caráter". E sossegadamente sentado ao pé do letreiro comecei a sabarear a bananinha que levei do Brasil ( claro que foi roubada do hotel, pö).
 
 
Passei um bom tempo passeando pela cidade que é lindíssima e muito bem frequentada (eu era a exceção, naturalmente). Os hotéis caríssimos já me escanteavam para uma cidade próxima (Silt) mas ainda assim deu para sentir o astral. Imagino na alta estação (inverno) quando o Independence Pass fica fechado deixando Aspen isolada por terra. Uma coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de cãezinhos de estimação, impressionante. Eles levam os totós presos a uma espécie de trena e o bichinho anda uns 10 metros na frente do dono. A maioria é velho de cabelo pintado (cores assombrosas). Um amigo sugeriu que eu pintasse o cabelo de verde-oliva mas acho que não ficaria bem além do mais, para mim, lugar de cachorro é no habitat dele: a casa dos outros.
 
 
 
Os preços de hotéis e restaurantes fizeram com que eu fugisse dali como o cramunhão foge da cruz. Peguei um pouco de chuva na saída mas nada muito sério, assim fui pilotando na boa até chegar a Silt, uma simpática cidadezinha a 60  milhas de Aspen e com preços honestos. Acabei ficando mais um dia para conhecer a região.