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segunda-feira, 4 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO 8.1


Niagara Falls (Canada) 

4 julho 2016


Quando estacionei a moto e me dirigi para a Sky Wheel (nome que eles dão para roda-gigante) bateu-me uma daquelas incontroláveis. 



Como ? A senhora não sabe o que é uma incontrolável ? Sorte sua, sorte sua..... 

O doloroso fato é que eu não sabia o que fazer, montar na moto e voltar para o hotel ? Procurar um banheiro naquela espécie de parque mas que não era parque, logo NÃO tinha banheiro público, como aqueles da Disney, "pisáveis" e "sentáveis" ? Tentar manter a disciplina no departamento específico usando o meu lendário controle mental e, após fazer as fotos na Roda-Gigante, voltar para o hotel ? Sim claro, pareceu-me que era melhor solução. 

Comprei o bilhete e antes de entrar na fila para embarcar, uma dúvida me assaltou: e se essa geringonça enguiçar quando eu estiver lá no alto ? Ou se meu organismo apelar para uma espécie de condução coercitiva, daquelas incontroláveis derrubando todo meu auto-controle e eu lá no alto ? 

Melhor não correr o risco e apelar para os banheiros da Tim alguma coisa (uma grande loja em frente à Roda-Gigante). 

E foi isso que fiz, principalmente depois de lembrar da policial que me travou na imigração e "ver" ela falando, com ar de superioridade para seu chefe: 

"-Eu não disse, eu não disse que aquele velho motoqueiro vinha fazer merda aqui ?" 

A verdade é que aliviado após fazer minha "delação premiada" consegui registrar em fotos algumas imagens do alto da roda-gigante e de minha caminhada pelas movimentadas ruas de Niagara Falls.









Após o almoço cismei que deveria ter alguma estrada decente por aqui. Pista única, com muitas curvas e com um belo visual. 

E isso é a Niagara Parkway, ela corre paralelamente ao Rio Niagara, ligando Fort Erie a Niagara-on-the-lake com cerca de 55 Km. 










O visual é belíssimo com muitas atrações ao longo do caminho. 

Hoje consegui fazer apenas a metade pelas inúmeras paradas para curtir o visual e fazer as fotos que compartilho com vocês. Amanhã tentarei cobrir o restante.

domingo, 3 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 8



ST MARYS (PA) - NIAGARA FALLS (Ontário)


3 julho 2016


Dia belíssimo entrando pela janela de meu quarto hoje pela manhã. Vontade de ir para a estrada e bailar com a Helô tornava a tarefa de arrumar a bagagem ainda mais aborrecida. Conseguimos pegar a estrada num horário gostoso. Temperatura a 23 graus obrigava o uso do casaco e até mesmo da chaparreira que não coloquei por pura preguiça. As estradinhas são maravilhosas, muita floresta em volta, asfalto da melhor qualidade e muito bem sinalizadas. 


Iamos tranquilamente, entre 55 e 65 milhas (velocidade era de 55) quando escuto uma vibração no alforje direito da moto. Na mesma hora pensei, deve ser Trigue e Adão (o dinossauro pelado) querendo sair. Parei a moto mas a culpa não foi deles, o fecho estava aberto, a tampa abriu e por sorte não perdi nada na estrada. Aproveitei para fazer umas fotos da estrada e dos dois. Na hora de subir na moto o pé escorregou na areia e deixei a Helô cair. Aliás nem tento segurar pois além de ser impossível faze-lo, é muito fácil conseguir uma distensão tentando. Iniciei os procedimentos para levanta-la e na mesma hora um carro para a meu lado e o motorista desceu para me ajudar. Moto levantada, apertos de mãos, agradecimentos e lá fomos nós. 




Quase na mesma hora em que sai notei algo estranho no GPS, ele estava me mandando entrar à esquerda 1 milha à frente. O maluco, na queda, entrou na modalidade “caminhada” e estava me mandando para uma ravina que se entro não tinha como voltar. 

Acertei o doido e a viagem voltou à normalidade. Encontramos um bloqueio feito por 2 carros de bombeiros onde pediam donativos (colocados dentro de uma bota) para o Corpo de Bombeiros local, formado por voluntários. Parei, tirei fotos e bati papo com um deles que me mostrou, orgulhosamente, a águia da Harley que mandou pintar em uma das viaturas... Desconfio que eles vão é customizar os carros de bombeiros da cidade.



Eu comecei a acelerar um pouco mais para chegar depressa naquele que, eu presumia, poderia ser o meu maior problema: o serviço de imigração canadense.

Mas nessas horas é que as coisas acontecem. A estrada passava por dentro de uma cidade impossível de ser ignorada. Bem que tentei mas fiz meia volta e estacionei a Helô bem no meio do muquifo. A bateria da máquina fotográfica estava a zero e não fazer fotos daquele lugar era um crime. Entrei na loja e falei do meu problema com o proprietário: precisava ligar o carregador de bateria da maquina por algum tempo. Na mesma hora ele concordou e falou para eu sair e curtir um pouco a cidade. Foi ótimo ver pessoas sentadas em mesas na calçada de sorveterias e bares. A Helô ficou destrancada com minha bagagem, GPS e capacete à vista sem o menor problema. Vários artistas trabalhando na calçada. Um cidadão fazia um trabalho de cinzelamento num bloco de pedra, literalmente polindo a pedra bruta. Parei e troquei umas palavras com ele. Mais à frente um Jeep lindo, perguntei ao dono se era um MB e ele pulou na hora: “- Não esse é Ford”... Mas a hora estava passando, voltei à loja, a bateria já com alguma carga, agradecimentos, fiz as fotos e parti.











Agora acelerando a ponto de merecer um ticket (como eles chamam multa aqui). Seguindo o GPS dou de cara com uma ponte onde, do outro lado, começa o Canada. Não tinha como fugir. Parei a moto no estacionamento do Duty-Free, dei uma olhada nos Jack’s (o meu acabou ontem). Tem um Fire que quero testar mas eles só tinham garrafas grandes. Prefiro as pequenas mais fáceis de acomodar na moto. Acabei não comprando. Segui em frente, encarei uma fila enorme, que andava razoavelmente, até chegar minha vez......




Não era a “minha” policial quem estava na cabine mas sim uma baixinha enfezada que falava na velocidade de uma metralhadora. Respondi a todas as perguntas, mostrei o visto canadense, a reserva do hotel, documentos da moto mas ela encrencou e só me perguntava se eu alguma vez pedi um visto de imigrante. E eu respondia que não o tempo todo até que ela segurou meus documentos, chamou outro policial e me conduziu ao setor de imigração. Fiquei sentado 3 horas e meia sem saber o que estava acontecendo, até que fui chamado para uma entrevista. O policial me perguntou, e quis ver, minha passagem de volta, meu seguro saúde (e quanto eu paguei por ele). Quanto eu levava de dinheiro, quantos cartões eu tinha, quanto de dinheiro eu tinha no banco, onde eu trabalhava (por sorte levo o cartão da Fundação Previdenciária IBM e que parece ter mais valor do que o passaporte do mercosul). Ele continuava me perguntando e eu respondendo em tom baixo até ele perguntar qual a moto em que eu viajava. Pronto, essa era minha deixa....encostei o cotovelo no balcão, mão no queixo, girei a cabeça para o povo sentado aguardando e falei 2 tons acima do que vinha utilizando: “-HARLEY DAVIDSON POLICE MODEL”. Agora vou preso, pensei. Coincidência ou não, a partir daí ele foi ficando mais friendly comigo. No final ele carimbou a entrada no passaporte e desejou-me boa viagem e que tivesse cuidado. 

Fui até a moto, peguei um adesivo do Gato Cansado com o endereço do meu blog e voltei para entrega-lo ao policial. Pela primeira vez ele sorriu e estendeu a mão para me cumprimentar. Agora tenho 30 dias exatos para rodar e sair daqui. É pouco mas farei o possível.



Foi um dia cansativo embora a distancia percorrida não fosse muita...



Beijos e abraços.

sábado, 2 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 7



STAUNTON (VA) – ST MARYS (PA)

2 julho 2016


Hoje o dia começou bem, postei no FB que estava saindo para Philadelphia quando na verdade era Pennsylvania, culpa do velho Jack. Acho que firmei o caráter com muita ênfase.

De qualquer forma o anunciado café da manhã do Motel 6 era apenas uma cafeteira com copos de isopor, o que me obrigou a procurar uma Wafle House e fazer uma refeição decente. Se é que ovos mexidos com bacon, wafle com aquele melado tipo “a caminho do diabetes” possa assim ser chamada. Fiz 160 milhas direto nas Highway com velocidades permitidas de 70 milhas. Em pouco mais de 2 horas já estava quase na metade da meta do dia (360 milhas) e de saco cheio de andar em linha reta. Mudei os parâmetros do GPS e fomos para estradas decentes, com muitas curvas, subidas e descidas. Com gente acenando e cachorros correndo atrás da moto. Com pequenos empórios onde, ao entrarmos, as pessoas nos cumprimentam, ainda que seja com uma espécie de rosnado. Hoje, especialmente, em todos os lugares as pessoas estavam enfeitando as casas, ruas e praças para o 4 de julho. Em algumas cidades eu parava, fazia umas fotos, conversava com uma pessoa ou outra, sentindo e curtindo o clima daquele momento. Uma delícia viajar desta forma.














Com isso a viagem foi ficando mais longa e, para completar, o GPS deu um ataque de viadagem declarando-se perdido. O sacana “congelou” por uns 10 minutos. Fui pilotando por instinto, quando o GPS tornou a funcionar, claro que tive de voltar. Era melhor ter ficado parado.

De qualquer forma valeu a pena. Além do mais hoje eu não precisaria procurar um McDonalds para reservar hotel pela internet. Ontem à noite resolvi fazer isso ao lembrar-me do feriadão de 4 de julho. Para amanhã e depois a coisa está complicada: hotéis lotados e preços nos cornos da lua. Não sei ainda o que vou fazer. Mais tarde, após uma generosa talagada do velho Jack, a inspiração haverá de voltar.

Beijos e abraços a todos.....

sexta-feira, 1 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 6





JOHNSON CITY (TN) – STAUNTON (VA)



1 julho 2016

Hoje eu decidi fazer um deslocamento entre dois pontos, coisa completamente diferente de uma viagem e, por isso mesmo, bem mais desgastante. Nesses casos uso as grandes Highways que permitem velocidades mais altas (70 milhas mais o tal arredondamento de 10 % que todos acabam fazendo). Por consequência poucas paradas, visual pouco inspirador, pó de asfalto na cara e atenção redobrada com o deslocamento de ar das grandes carretas. 

Não, nada a ver com o noticiário da TV americana sobre as olimpíadas do Rio. Claro que isso me incomoda muito mas ninguém sabe que sou brasileiro, ainda mais quando mando bala no meu English da Praça Mauá. Nessas horas os caras juram que sou russo o que, naturalmente, confirmo aproveitando para falar mal do regime, com a experiência de quem sentiu as consequências na própria pele. Causa uma impressão bárbara nos ouvintes. Se alguém desconfiar engreno uma segunda e com um sorriso nos lábios e caprichando na pronúncia mando ver: “- Esto era una broma para usted relajarse. En realidad soy arrentino de Comodoro Rivadavia y trabajo, quando no estoy borracho, com las luces.”


Voltando ao ponto, minha relativa pressa é por causa do meu visto para o Canadá que vence em 3 de agosto. Não sei o que vai acontecer mas considero até a hipótese de me casar com uma canadenses. Se for a policial que travou meus documentos na fronteira em 2013 pode até viajar na garupa da Helô em ocasiões muito especiais (a mulher era lindíssima, como todas o são mas essa tinha algo de especial, não sei se as algemas...)

Além da urgência do visto, eu tinha de passar em alguma cidade da Virginia para pedir a 2ª. via do selo da placa da Helô e fazer a inspeção anual (que na Virginia é obrigatória).

Claro que tudo isso me pressionava.  Pedir segunda via de selo de placa ? Isso deve ser complicado pra cacete: agendamento, internet fora do ar, despachantes, o “por fora” para molhar a mão do inspetor, dois advogados para qualquer eventualidade. Dois, sim dois, um para me soltar e outro para processar o primeiro que me levou a falência. Aliás um parêntese: procure manter distancia segura de médicos e advogados. Um coloca em risco sua vida, outro seu patrimônio. Fecha parênteses não sem antes comunicar à ambas as classes que isto é um chiste.

Bem, no DMV da cidadezinha de Gate City não levei mais do que 10 minutos, paguei 3 dólares (pelo correio seria de graça) e já tasquei o selo na moto.


Agora era fazer a tal inspeção. Perguntei a um coroa (engraçado acho que ele tinha a idade do meu filho, parece que minha geração esqueceu de envelhecer. Temo que precisem nos abater a tiros)...e o coroa informou direitinho uma oficina quase do outro lado da rua

São várias oficinas credenciadas para fazer a tal da inspec. No balcão outro coroinha (mas bem coroa mesmo, quase da minha idade), baixinho, magrinho, com um defeito numa das pernas, me perguntou pela moto e apontei a Helô. Senti que os olhos dele brilharam e saiu ele manquitolando em direção a Helô.

Como fiquei parado com um aceno de cabeça ele me chamou. Quando eu ia começar a falar ele mandou ligar as setas dianteiras, traseiras, farol alto, tocar a buzina e falou:  “- DONE”. Eu, que estava com medo dos faróis de milha que não funcionavam,  quase abracei o cara quando ele acabou de colocar o selo de inspeção na moto.


Caprichando ao máximo na pronúncia agradeci com um : “- Good and fast job”. seja lá o que signifique. Foi ai que entendi o brilho nos olhos e a rapidez no atendimento, ele aproximou-se levantando a manga da camisa exibindo uma enorme tatuagem da Harley Davidson. Após mostra-la solenemente disse-me  não que TINHA uma Harley mas que ele também ERA Harley Davidson. Não se trata de uma motocicleta apenas é como um clube de futebol ou mesmo uma religião para os gringos. Uma loucura.

Ele ainda me ensinou o caminho para pegar a I-81 North, após vigoroso e sacudido aperto de mão nos despedimos.

O coroinha é outro que passou a povoar minhas lembranças e fazer parte de minhas preces.

E assim, zunindo pela I-81 chego a Staunton (Virginia) e vou direto para a bela concessionária HD de Shenandoah Valley. Para curtir das mordomias que a HD proporciona a seus clientes: banheiros limpos, água gelada, café e wi-fi para reservar hotel. Além claro, de babar em cima das motos em exposição e dos acessórios baratíssimos (até lembrarmos que os preços são em dólares).





Com o departamento financeiro resistindo bravamento ao departamento de compras resolvi fugir daquele templo da perdição e parti para o hotel agendado através da wi-fi da HD.  

Até amanhã moçada...