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sexta-feira, 1 de julho de 2016

CANADA E ALASKA DE MOTO - 6





JOHNSON CITY (TN) – STAUNTON (VA)



1 julho 2016

Hoje eu decidi fazer um deslocamento entre dois pontos, coisa completamente diferente de uma viagem e, por isso mesmo, bem mais desgastante. Nesses casos uso as grandes Highways que permitem velocidades mais altas (70 milhas mais o tal arredondamento de 10 % que todos acabam fazendo). Por consequência poucas paradas, visual pouco inspirador, pó de asfalto na cara e atenção redobrada com o deslocamento de ar das grandes carretas. 

Não, nada a ver com o noticiário da TV americana sobre as olimpíadas do Rio. Claro que isso me incomoda muito mas ninguém sabe que sou brasileiro, ainda mais quando mando bala no meu English da Praça Mauá. Nessas horas os caras juram que sou russo o que, naturalmente, confirmo aproveitando para falar mal do regime, com a experiência de quem sentiu as consequências na própria pele. Causa uma impressão bárbara nos ouvintes. Se alguém desconfiar engreno uma segunda e com um sorriso nos lábios e caprichando na pronúncia mando ver: “- Esto era una broma para usted relajarse. En realidad soy arrentino de Comodoro Rivadavia y trabajo, quando no estoy borracho, com las luces.”


Voltando ao ponto, minha relativa pressa é por causa do meu visto para o Canadá que vence em 3 de agosto. Não sei o que vai acontecer mas considero até a hipótese de me casar com uma canadenses. Se for a policial que travou meus documentos na fronteira em 2013 pode até viajar na garupa da Helô em ocasiões muito especiais (a mulher era lindíssima, como todas o são mas essa tinha algo de especial, não sei se as algemas...)

Além da urgência do visto, eu tinha de passar em alguma cidade da Virginia para pedir a 2ª. via do selo da placa da Helô e fazer a inspeção anual (que na Virginia é obrigatória).

Claro que tudo isso me pressionava.  Pedir segunda via de selo de placa ? Isso deve ser complicado pra cacete: agendamento, internet fora do ar, despachantes, o “por fora” para molhar a mão do inspetor, dois advogados para qualquer eventualidade. Dois, sim dois, um para me soltar e outro para processar o primeiro que me levou a falência. Aliás um parêntese: procure manter distancia segura de médicos e advogados. Um coloca em risco sua vida, outro seu patrimônio. Fecha parênteses não sem antes comunicar à ambas as classes que isto é um chiste.

Bem, no DMV da cidadezinha de Gate City não levei mais do que 10 minutos, paguei 3 dólares (pelo correio seria de graça) e já tasquei o selo na moto.


Agora era fazer a tal inspeção. Perguntei a um coroa (engraçado acho que ele tinha a idade do meu filho, parece que minha geração esqueceu de envelhecer. Temo que precisem nos abater a tiros)...e o coroa informou direitinho uma oficina quase do outro lado da rua

São várias oficinas credenciadas para fazer a tal da inspec. No balcão outro coroinha (mas bem coroa mesmo, quase da minha idade), baixinho, magrinho, com um defeito numa das pernas, me perguntou pela moto e apontei a Helô. Senti que os olhos dele brilharam e saiu ele manquitolando em direção a Helô.

Como fiquei parado com um aceno de cabeça ele me chamou. Quando eu ia começar a falar ele mandou ligar as setas dianteiras, traseiras, farol alto, tocar a buzina e falou:  “- DONE”. Eu, que estava com medo dos faróis de milha que não funcionavam,  quase abracei o cara quando ele acabou de colocar o selo de inspeção na moto.


Caprichando ao máximo na pronúncia agradeci com um : “- Good and fast job”. seja lá o que signifique. Foi ai que entendi o brilho nos olhos e a rapidez no atendimento, ele aproximou-se levantando a manga da camisa exibindo uma enorme tatuagem da Harley Davidson. Após mostra-la solenemente disse-me  não que TINHA uma Harley mas que ele também ERA Harley Davidson. Não se trata de uma motocicleta apenas é como um clube de futebol ou mesmo uma religião para os gringos. Uma loucura.

Ele ainda me ensinou o caminho para pegar a I-81 North, após vigoroso e sacudido aperto de mão nos despedimos.

O coroinha é outro que passou a povoar minhas lembranças e fazer parte de minhas preces.

E assim, zunindo pela I-81 chego a Staunton (Virginia) e vou direto para a bela concessionária HD de Shenandoah Valley. Para curtir das mordomias que a HD proporciona a seus clientes: banheiros limpos, água gelada, café e wi-fi para reservar hotel. Além claro, de babar em cima das motos em exposição e dos acessórios baratíssimos (até lembrarmos que os preços são em dólares).





Com o departamento financeiro resistindo bravamento ao departamento de compras resolvi fugir daquele templo da perdição e parti para o hotel agendado através da wi-fi da HD.  

Até amanhã moçada...
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