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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - Pensacola

Pensacola (FL)  -  9 de setembro de 2013

NATIONAL NAVAL AVIATION MUSEUM - Pensacola
Hoje praticamente passei o dia no Museu de Aviação Naval de Pensacola. O único problema foi no portão da base pois os milicos são intransigentes e exigiram que eu colocasse luvas, as compridas, e uma jaqueta de mangas compridas. Na mesma hora imaginei, esses sacanas sabem quem sou, conhecem minhas batalhas com meu biplano Sopwit Camel contra aquele maldito Barão Vermelho e já estão me pedindo para colocar o traje de voo. Acho que vou dar uma pilotada numa modernidade dessas...
 
Bem no saguão da entrada do museu e sob uma redoma de vidro que confere uma luminosidade maneiríssima ao conjunto, o bronze de 5 pilotos em tamanho natural retratando um impossível, devido às épocas, mas verossímil diálogo entre 5 pilotos de caça de diferentes guerras. Da esquerda para a direita: "caçadores" da 1a. Guerra Mundial, 2a. Guerra Mundial, Korea, Vietnam e Desert Storm. Embaixo, ouvindo atentamente, o convidado de honra...modéstia à parte.
 

 
 
F4U VOUGHT CORSAIR
Este é um dos 10 mais lindos aviões jamais produzidos, na minha opinião. O desenho de suas asas, em forma de diedro (acho que é isso, se não for deveria ser) dão uma aparencia de ave de rapina ao pássaro. Os japoneses consideravam-no o melhor caça americano embarcado. O Corsair foi o avião que permaneceu mais tempo em produção na historia militar americana e foi utilizado na II Guerra e na guerra da Korea. Tinha uma velocidade de 440 milhas e um teto de 37.000 pés.
ME 262 - MESSERSCHMIT
Este foi o primeiro avião de combate a jato puro a entrar em ação. Ele foi considerado operacional em abril de 1944, quando a maré da guerra já tinha se voltado contra os alemães. Para sorte dos aliados, o aloprado do Hitler viu um dos seus voos de teste em 1942 e como achava que era um genio, tinha mania de dar palpite em tudo (parece com uma pessoa que a gente conhece). Ele cismou de transformar o avião, originalmente desenhado como caça, para bombardeiro. Isso atrasou sua entrada em operação, o que foi uma enorme sorte para os aliados pois ele era 100 milhas mais veloz do que o mais rápido dos caças aliados ao final da guerra, o P51 Mustang. Além do mais ele foi o primeiro avião a utilizar foguetes ar-ar contra as B-17, B-29 e B-24 que bombardeavam Berlim.
O desenho desse avião lembrava em muito um tubarão. Esse modelo específico foi adaptado para treinamento, por isso a carlinga com 2 lugares.


UMA HISTÓRIA INACREDITÁVEL !
 Este avião, um MIG 15, projetado e fabricado pelos soviéticos e usado na guerra da Korea, tem uma história incrível. Em 1946 o Kremlim ordenou que os projetistas soviéticos desenhassem e desenvolvessem um caça a jato puro que voasse a Mach 0.9 e a uma altitude de 37.000 pés. O maior obstáculo que a equipe encontrou foi em relação ao propulsor, afinal eles estavam engatinhando em relação ao assunto e nem um projeto tinham. Nesse momento deu-se um fato inexplicável. A Inglaterra, já com a chamada "guerra fria" iniciada, vendeu algumas turbinas Rolls Royce para os soviéticos que só tiveram o trabalho de fazer a "engenharia reversa", um elegante termo para pirataria. Talvez os britanicos tenham exagerado no chá !

domingo, 8 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - New Orleans - Pensacola (2/2)

New Orleans (LA)  -  Pensacola  (FL)     8 de setembro de 2013
 
(2a. parte)

Após rodarmos, quase que sem parar, eis que avistamos nosso objetivo: a divisa do Mississipi com o Alabama. Mais um estado registrado no livro de bordo da Helô, agora o Alabama, passagem obrigatória para alcançarmos a Flórida.
 
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Embora fosse um trecho curto decidi parar em Mobile onde, à margem da rodovia, existe um Battleship Memorial Park onde está o USS Alabama (60).
 

Falou em avião e museu eu interrompo a viagem mesmo, principalmente se neste museu estão dois aviões com historias distintas mas impressionantes. O primeiro é o Douglas DC-3, conhecido na FAB como C-47, sustentáculo do heróico CAN (Correio Aéreo Nacional) cujas histórias e façanhas são de conhecimento de pouquíssimas pessoas. Uma pena. O outro avião é um Mitchel B-25, bombardeiro médio que aplicou o mais surpreedente e ousado ataque sobre Tóquio na II Grande Guerra. Uma esquadrilha, liderada pelo Cel. Doolitle, foi lançada de porta-aviões próximo a aguas territoriais japonesas, já que nenhum avião americano, à época, tinha autonomia para atingir o Japão a partir de uma base em terra. Era uma missão sem retorno pois os porta-aviões teriam que fugir rápidamente e os B-25 teriam que pousar na China. A missão, embora tenha sido um sucesso, não causou grandes danos materiais mas foi um tremendo reforço no moral dos americanos e um grande  abalo para os japoneses verem sua capital bombardeada.
 
No memorial em homenagem aos mortos no Vietnam existe uma ala dedicada aos cães que morreram ou desapareceram em combate. Eles foram considerados soldados e tiveram as mesmas honras funebres que aqueles.
A primeira foto mostra uma lápide com as impressões  das patas de um cão bem como as das solas das botas de seu condutor. A 2a. foto é a representação de uma patrulha e a última mostra os nomes dos cães mortos e desaparecidos.
 
Saindo do Battleship Memorial Park com o sol começando a se por e uma temperatura mais civilizada foi fácil chegar à divisa com a Flórida, o último estado registrado no livro de bordo da Helô nesta viagem.
Da divisa até Pensacola foi muito rápido, coisa de 30 ou 40 milhas e o ritual de sempre: McDonalds e sua rede WiFi, procurar e reservar hotel, colocar endereço no GPS e descobrir que o hotel está na mesma quadra do McDonalds. Amanhã acordar cedo para visitar o Museu Aero Naval de Pensacola.
 
 
 

O CAMINHO DE VOLTA - New Orleans - Pensacola (1/2)

New Orleans (LA)   -    Pensacola (FL)        8 de setembro de 2013

(1a. Parte)


Hoje pela manhã fui colocar a tralha na moto para pegar a estrada e encontro com o Frank, o manobrista que hotel metido a besta chama de "Valet", e ele me avisa que a moto dela está ao lado da minha. O cara veio com a Moto Guzzi 750 para me mostrar. A moto só precisa de uma pintura e uma boa limpeza. Ela está íntegra e funcionando "redondinha".



Foto

 
Foto
 

Foto
 
O Frank, o Valet, arranjou uma vaga coberta para a Helô, o problema é que tinha que passar no meio de carros e entre eles tinha um com cara de mauzão. Este Camaro da segunda foto. Pedi a ele para chegar a viatura para a frente passei com o maior cuidado, o carro é zero e o dono é um afro-descendente com mais de 2 m de atura.
 
 
Ontem à noite, analisei a rota de New Orleans para Pensacola e ví que o vigarista do GPS iria me mandar para a I-10. Uma enorme Highway, reta e cheia de caminhões. Sem a menor emoção, é o mesmo que beijar a própria irmã. Mas eu sou cheio de artimanhas e pus-me a examinar o atlas com um óculos que comprei por 1 dólar com 3 gráus acima do meu, uma beleza. Ví uma estradinha, a 90, que atravessa a região do delta do Mississipi, passando por pantanos, manguezais, cruzando inúmeras pequenas pontes e seguindo pelo litoral. Não conversei, é por ela mesmo. No início foi um tanto complicado encontra-la pois tinha jogo do Saints e a cidade estava fervendo de torcedores e carros mas depois que peguei a estrada foi uma maravilha. Como falei, a estrada atravessa todo o trecho do delta com o Lake Borgne do lado direito (formado pelas aguas do Atlantico) e pelo Lake Pontchartrain à esquerda formado pelas águas do Mississipi. Existem trechos com menos de 200 m de largura e as casas são construidas sobre uma espécie de palafitas deixando espaço suficiente para as marés que em algumas ocasiões, chegam a atravessar a estrada. 
 
 



Tentei fazer fotos à esquerda e à direita da estrada para dar uma idéia do "environment" (não sei o que é isso mas ouvi Hopalong Cassidy falando isso num filme e achei o máximo). Os pantanos me encagaçaram um pouco p...ois dizem que tem aligator (uma espécie de lagartixa enorme). Por via das dúvidas fiquei sempre por perto da Helö. Do outro lado da estrada, o direito, uma espécie de "banhado", como o do Taim no Rio Grande do Sul. O asfalto não preciso nem comentar, excelente embora a estrada seja de apenas uma pista na sua maior parte. Transito quase nenhum pois é vedado a carros com mais de 4 toneladas devido às pontes. Além do mais passa por uma infinidade de condados e municípios pequenos da forma como eu gosto: paro no posto de gasolina para abastecer, bato um papo com o balconista ou com um outro viajante, com calma e, principalmente, tendo a consciencia de que estou vivendo um momento especialíssimo que compartilho mentalmente com todos voces. Para mim essa é a maior façanha da minha viagem: ter a consciencia do que estou vivendo. Isto não tem preço.
 



Bay of  Saint Louis

A primeira foto foi de uma das inúmeras pontes pelas quais passei. As pontes mais novas me chamaram a atenção por terem uma pista para bicicleta. Em toda a parte se ve uma preocupação muito grande em estimular o uso de bicicletas, principalmente nas "Scenics Parkway" como eles chamam as estradas com um visual especialmente atraente. O melhor foi o visual quando acabei de cruzar a ponte dou de com uma baita avenida beirando o mar, costeando a  Bay of Saint Louis que faz parte do Golfo do Mexico. A areia é como a de Cabo Frio, branca e finíssima. O mar, pelo menos hoje, estava tão manso que parecia uma lagoa. Agora vejam se eu vou viajar na I-10 no meio daquele monte de caminhões vomitando rolos de fumaça misturados com óleo diesel ! A Helô é muito chique para se misturar com aqueles bárbaros.
 
Como a hora do almoço já tinha passado há muitas luas, vi um monte de barcos de pesca de camarão numa marina e resolvi parar. Tinha um restaurante no alto de uma escadaria, lotado e lembrei logo da Cabana do Pescador na praia das Conchas, "Jamil" para os iniciados. A bagunça lá dentro também era igual, apenas o idioma era um pouco diferente. Digo um pouco por que bêbado fala qualquer idioma, até mesmo Braile. O fato concreto é que eles estavam vendo um jogo (aquele que o cara corre e todo mundo pula em cima dele. Coisa bêsta) do Saints nas várias televisões espalhadas. É igualzinho a jogo de futebol, neguinho berra, faz comentário, dá soco na mesa, enfim toda aquela fleugma da torcida do Flamengo e Corintians juntas. Para não ficar deslocado eu fingia que assistia e quando os caras berravam eu mandava lá um "- Uta que ariu !", cada vez mais alto. Eu tava indo bem, molhava o camarão no molho creole, mastigava o infeliz e assistia aquele bando de barbados se agarrando e de vez em quando mandando meu recado. Foi um almoço interessante, principalmente depois que uma coroa queimadinha de praia sentou numa mesa a boreste da minha o que me estimulou a mudar o grito para "- Oxtozaaaaaa !". E foi assim, de gritos em gritos, sem poder conter o riso (acho que ela ficou desconfiada ) que curti um almoço da filial do Jamil em Bay of Saint Louis. 

 

Sai do restaurante, mal rodei 2 milhas e dou de cara com "isso". Um Reo, com chassis encurtado, pneus 16 x 20 parado na beira da praia. Pelo estado dos paralamas e do resto do carro que voces não viram mas eu ví, dá para saber que quem o usa tem 18 anos, cabelo parafinado, surfista e se chama Carlo, como o meu filho pois era exatamente isso que ele fazia com meus jipes. Sei que já se passaram 25 anos mas vendo esse Reo me bateu uma vontade danada de dar-lhe umas porradas em homenagem aos velhos tempos



Depois de deixar para trás essa monstruosidade e sempre costeando o o Golfo do México, proa na direção do Alabama e acelerador enroscado pois tínhamos muito asfalto à frente para engolir...
 










 

 





sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O CAMINHO DE VOLTA - New Orleans

New Orleans -  6 de setembro de 2013
 
A recuperação da cidade após a devastação do Katrina é impressionante, até mesmo o setor hoteleiro, que já era muito forte aumentou em muito a oferta de vagas com a construção de novos hotéis e ampliação dos antigos. O French Quarter está totalmente recuperado. Os 4 teatros estão recuperados e todos funcionando a pleno vapor. O Superdome recebendo jogos da liga e quando o "Saints go marching in" a lotação dos hoteis esgota rapidamente. Mas esta é uma cidade que aprendeu a superar desafios, foi assim nos grandes incendios de 1788 e 1795 que destruiu as principais estruturas da cidade.



 
Os artistas de rua, uma tradição em New Orleans, continuam se exibindo e vendendo seus CDs nas praças e avenidas trazendo um astral de alegria o que leva os transeuntes a pararem e participarem da festa. Muito legal.



 
A recuperação dos prédios e pubs tradicionais de New Orleans demonstra o orgulho e a preocupação em preservar essa mistura de culturas francesa-espanhola-africana cuja influencia gerou termos como "cajun" e "creole". O "cajun" foi a influencia dos franceses brancos e católicos que fugiram do Canada (então Acadia, sendo cajun uma corruptela) por causa da guerra entre Inglaterra e França. Já o "creole" foi a influencia trazida por imigrantes franceses brancos e negros que vieram de colonias francesas nas antilhas. Essa influencia deu-se na culinária, no idioma, nas roupas, na religião e em todos as áreas, o que hoje em dia pode ser notado nos hábitos e costumes dessa gente alegre e hospitaleira.