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quinta-feira, 6 de junho de 2013

AV. GERIÁTRICAS II - Dois velhos desafiados.


Como dito anteriormante, continuávamos fazendo passeios por perto, no máximo um “bate e volta” em cidades próximas, para testar as motos. A do Cyro, já que ele deixou-a na Honda para uma revisão,  e a minha por ser recém comprada.  A revisão da moto do Cyro teve que ser quase totalmente refeita por ele. Os caras deixaram um monte de furos e ainda perderam peças que ele entregou para que trocassem. Como se vë, mão de obra mequetrefe voce encontra em todo lugar. No caso da minha moto, embora ela estivesse com apenas 36.000 milhas, trata-se de um modelo 2001 e  seu proprietário, militar, serviu fora do país por vários anos ficando a moto grandes períodos inativa. De qualquer forma ambas as máquinas não decepcionaram nestes passeios, bem ao contrário, parecia que pediam cada vez mais e com enorme alegria.

 

Conversando sobre a disposição das motos e estimulados por uma cerveja fabricada por um amigo do genro do Cyro, resolvemos que estando em Charlottesville seria uma heresia não ir ao Tail of Dragon e, principalmente, pilotar pelas quase 1.000 milhas da Blue Ridge Parkway (ida e volta), a estrada dos melhores sonhos de qualquer motociclista.

No dia seguinte, cérebros entorpecidos pela ressaca, esquecemo-nos completamente do combinado mas aí foi a hora de quem ouviu nossas bravatas  cobrar: esposa, filha, netos e genro do Cyro além da Bear e do Gus (os dois cachorros da  família):
“- Cadë os motoqueiros selvagens ?”, “- Amarelaram ? “, “- Por que não alugam cadeiras de roda ?”, “- Vai um balão de oxigenio ?”, e outras amenidades como essas mas o que mexeu nos nossos brios mesmo foi quando propuseram que alugássemos um Trike. Pö, aí não....aí é chamar para briga. Trike é o cacete. Contrato uma enfermeira para pilotar a moto e vou na garupa mas Tryke não ! E assim partimos para segurar o dragão pelo rabo para felicidade da família e da vizinhança que já não aguentava mais aqueles dois velhos malucos regulando motor, trocando óleo das motos (naturalmente derramando o óleo no chão do estacionamento) além das curvas nas ruas do condomínio raspando pedaleira, fora o resto...

 

O certo é que saímos de C’Ville após o  almoço e pegamos a Blue Ridge Parkway numa 6ª. Feira. Apesar de ser dia de semana encontramos muitas motos pelo caminho, na realidade mais de 50 % do transito é de motos pois a estrada é vedada para veículos comerciais e é realmente sensacional para motos. Embora a velocidade máxima seja de 45 milhas na maioria dos trechos, um excesso de até 10 milhas é tolerado e em dias de semana a gente abusa ainda um pouco mais. Pernoitamos em Roanoke e seguimos no dia seguinte, sábado. A estrada já com muito mais movimento de motos mas nada que atrapalhasse, tanto é que o Cyro começou a abrir o gás com mais entusiasmo e eu preferí manter minha toada de sempre. Para não nos atrapalharmos combinávamos os pontos de parada,  o Cyro ia no rítmo dele e eu no meu.

 
 
Às tantas, num trecho em obras, vejo lá na frente o Cyro e atrás dele uma pick-up branca com um monte de lampadas piscando. “Vão passar a pulseira nele e não vou perder isso por nada desse mundo !”, pensei. Ví eles entrando num “outlook”, acelerei e entrei também e ví  o “cop” já fora da viatura mas com a mão direita próxima à arma  mantendo uma distancia razoável daquele motoqueiro louco que tentava tirar o capacete. Só quando viu que se tratava de um senhor de descabelados cabelos brancos foi que o “cop” relaxou. Relaxou tanto que permitiu-me fotografar o Cyro recebendo um “ticket” por excesso de velocidade na Blue Ridge Parkway.




 


Depois da cena, presenciada por um monte de turistas, pensei que o Cyro ia sossegar o facho, ledo engano. Quando pedi a ele para maneirar na pilotagem ele respondeu:
“-Calma, não fica nervoso, um avião não cai duas vezes no mesmo lugar. Vou sentar a botina para tirar a diferença !”.   
E foi assim que a viagem prosseguiu até Robbinsville onde chegamos debaixo da maior “pauleira”: chuva, vento e anoitecendo. Foi um alívio quando encontramos o hotel com o estacionamento lotado de motos, embora a possibilidade de rodar no Rabo do Dragão com aquele tempo fosse remotíssima.


 
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