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terça-feira, 9 de junho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 21

CARCASSONNE - NIMES

9 junho 2015



Depois de todas as maravilhas de Carcassonne, era hora de colocar o pé na estrada. Dessa vez optei por chegar mais rápido a Nimes e por isso resolvi encarar os “Peages”. Como sempre, deu zebra...



A velocidade nas estradas é de 130 km/hora, mas como você vai se acostumando, daqui a pouco é 140, 145 etc. Há que se ter cuidado, com a polícia, com o vento e com a turbulência formada pelos muitos caminhões que você ultrapassa. Se bem que a Brigitte é bastante estável e sem movimentos estranhos ou “reboladas” nas curvas, certamente pelo baixo centro de gravidade e pela suspensão traseira (regulável) mono-shock a gás.


Logo que entrei na estrada peguei o ticket e uns 150 km à frente surgiu o tal do “Peage”. TODAS as cabines automáticas, sem poder usar cash (notas ou moedas). Como sempre, os dois cartões foram recusados. Apertei o botão do telefone, entrou uma gravação em francês que não entendi xongas, mas deduzi que era para esperar. Sempre que você não entende é para esperar. Acredite em mim. Não deu outra, logo em seguida uma voz de uma pessoa de carne e osso fala um monte de coisas em francês, mas como estou com pressa uso a única frase que o Peixoto me ensinou: “Je ne parle pás français”. Ela entendeu e perguntou “-Spanish or English ?”. Tanto faz, pensei, sou péssimo nas duas mesmo, mas nesse momento, lembrei-me de minha cardiologista recomendando-me que xingasse quando furioso, pois isso espanta o insidioso e traiçoeiro infarto. “-Spanish, please”...Depois disso ela perguntou-me se eu tinha dinheiro, respondi que muito, ela riu e disse que viria cobrar-me em efectivo (apelido de dinheiro dos castellanos). Uma senhora boa praça veio, recebeu minha grana e fui embora.

O segundo “Peage” complicou. Aconteceu o mesmo até o momento da pessoa de carne e osso falar comigo. Não adiantava eu dizer que não falava aquele idioma e ela, como quem foi vacinada com agulha de vitrola, continuava deitando uma falação em francês que só depois de muito repetir entendi “deux zerro zerro”, bem isso é preço do “peage” (estava marcado naquele velocimetrozinho ao lado de onde a gente coloca o ticket). A doida continuou falando um monte de coisas até que entendi “boate”. Bom me chamar para ir à boite invocada como ela está é que não é, o que será isso? Inspirei-me no Peixoto, o que fala um françois escorreito, mas não conhece queijo tipo Fromage e lembrei-me que pode ser caixa. Olhei mais à frente e vi uma caixa metálica. Desci da moto e ouvi a doida dizer: “-Merci mon Dieu”. Nesse momento deduzi, brilhantemente diga-se, que a sacana estava me espionando o tempo todo. Cheguei perto da latinha e mostrei a moeda de 2 euros e berrei (o telefone estava longe) “-Ici, ici ?” e ela respondeu “-Oui, oui”. Joguei a moeda lá dentro e quando subo na moto ouço ela falar algo que entendi como: “- Il est um cheval” e alguém ao seu lado cair na risada. Desliguei a moto e mandei “É a senhora sua mãe !”. Pararam de rir na mesma hora e ela perguntou: “-Côman, côman...”. Invoquei novamente o São Peixoto do Frances Ginasiano e me lembrei “- Votre mèrre ES una puta e o cara a seu lado é um maricón. Fuck You them all “. Liguei a moto satisfeito com meu desempenho e jurei nunca mais passar nesses tais de “Peages”. Vou acabar preso.

Tomei um susto quando cheguei ao centro histórico de Nimes: um Coliseu Romano em estado de conservação inacreditável. Afinal, são 2.000 anos! As ruas, também estreitas, mas todas muito limpas com cafés, restaurantes e lojas frequentadas por uma gente alegre onde se misturam idosos, turistas e estudantes.










Nesta cidade a câmera deu um problema e fiquei mais um dia para tentar conserta-la. Descobri uma pequena loja onde o cara era o próprio professor Pardal, uma tremenda bagunça, mas ele me inspirou confiança. Deixei a máquina com ele e voltei para o hotel para, pelo menos colocar em dia os relatos.

No dia seguinte a máquina estava perfeita e ele cobrou-me 15 euros. Disse que foi apenas uma “incompatibilidade de comandos” que deu um nó na memória da máquina. Seja lá o que for safou a onça e a máquina está perfeita, pena que fiz pouquíssimas fotos de Nimes. Mais um motivo para eu voltar, hehehehe...
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