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domingo, 21 de junho de 2015

UM VELHOTE DE MOTO NA EUROPA - 30





30 - ANDERMATT – GÊNOVA 

21 de Junho de 2015, 16:08 



Acordei muito cedo para abastecer a moto. Por volta de 6 da matina já estava no posto torcendo para a operadora do cartão continuar aceitando minhas mudanças de cidades e países. Até agora tudo bem. 


Coloquei a Brigitte junto às motos do grupo e neste ponto abro um parêntesis. O grupo contratou uma operadora da Eslováquia, com a qual já tinha trabalhado no ano passado, para montar toda a programação e estrutura. Acho extremamente válido para quem vai viajar com esposa, além de não ter muito tempo para desperdiçar com atividades burocráticas: aluguel de motos, reserva de hotéis, montar roteiros, apoio, etc. O responsável pelo grupo, falando um português perfeito, muito simpático e extremamente profissional, conversou comigo sobre meu tour, deu algumas sugestões e falou-me que, se eu quisesse, poderia me juntar ao grupo para seguir junto até Chamonix. Falei que, em princípio iria para Milão, e me separaria do grupo próximo ao trevo para Milão. Perguntei se isso não lhe traria problemas, afinal aquela era uma atividade de prestação de serviço, com investimentos, gastos, etc. Ele então me deu uma resposta que é um exemplo para quem quer se aventurar no ramo: “- Antes de mais nada somos dois motards, jamais abandonamos um motard na estrada, esteja no grupo ou não. Além disso, é uma forma de você conhecer nosso trabalho, quem sabe um dia você não se torne nosso cliente?”. Companheirismo e inteligência que faltaram uma ocasião em que pensei me encontrar com um grupo de brasileiros na terra de Marlboro - o organizador pediu-me para não ir.... Fecha parêntesis.




Depois disso passei a fazer parte do grupo e iniciamos a descida juntos. Me deixaram à vontade para procurar meu lugar no “bonde” e escolhi ficar na cola de Tio Perez e assim fizemos a descida com um frio intenso, eu de luvas curtas (com os dedos de fora – esqueci de calçar as de frio) estava ficando com os dedos roxos, mas não quis pagar o mico de interromper a marcha, até que começou a nevar. O para-brisas da Brigitte é imenso e ficou logo todo branco tapando-me a visão. Tinha que fazer uma ginástica tremenda para enxergar, inclinava o corpo para os lados num movimento desencontrado com a dança natural que resulta de uma pilotagem decente. Graças a São Cypriano demos uma parada e pude calçar as luvas de inverno. Meus dedos doíam terrivelmente. Limpei o para-brisas e a viseira e continuamos a caminhada. As nuvens foram ficando para trás, a neve parou, mas a garoa mantinha a estrada molhada e meu medo era a possibilidade de criar camadas de gelo, principalmente nas pontes.









Terminando o Furka, piso seco, porém com muito transito em sentido contrário, deu para apertar um pouco o passo e assim chegamos ao ponto onde nos despediríamos. Fotos, abraços e um aperto no coração vendo partir aquele grupo alegre e barulhento que deixou sorrisos e saudades no seu rastro. Mais uma lição que a estrada nos dá: temos de aprender a lidar com as mudanças que acontecem a cada instante. São paisagens que ficam para trás, medos que foram vencidos, promessas jamais cumpridas e, mais do que tudo, a certeza do reencontro a nos impulsionar na direção do horizonte onde, tenho certeza, tudo acontece. 




Deixando as infantilidades de lado, na hora em que o grupo ia saindo, liguei a moto, “setei” Milano no Tomtom e falei com o Perez, "- O GPS está me dizendo que vai ter uma travessia marítima para Milão." O Perez riu achando que eu estava de sacanagem. Bem, vou ver onde esse sacana quer me levar. Comecei a seguir o Tomtom e ele me mandou para uma estrada no sentido oposto a Milão e, depois de uns 1.000 metros, mandou-me entrar em uma rua à direita e informou que 10 metros à minha frente havia UM BARCO! Filhodaputa louco. Fiz a foto para vocês não duvidarem! UM BARCO! Filhodaputa mil vezes... 




Depois disso desliguei-o e fui pelo Michelin. Atravessei o Simplon Pass por uma estrada lindíssima onde tentei fotografar ao mesmo tempo em que pilotava. Claro que as duas atividades ficaram prejudicadas, mas relevem, pelo menos tive boa vontade. 













Logo após o Pass, mudei a rota para Gênova, pegando uma daquelas autoestrada de 130 km/h de velocidade máxima. A Brigitte precisava de um exercício e eu de água quente e cama.
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